Motorola 68000

Ele entrou e sentou-se atrás do Mac Classic. Tocou uma música, não me lembro qual, e depois virou-se para o Mac e escolheu uma faixa qualquer de acompanhamento, antes de tocar a segunda. Justificou o uso do PC, ante a plateia espantada por tamanha novidade. Eu estava no balcão, e – também espantado – a minha cabeça já elaborava cenários de batota e fraude… Ainda bem que ele se explicou.

Era uma novidade, tudo aquilo. Nem sequer em filmes tinha visto algo assim. Não me lembro do ano, mas era um 68000, portanto foi lá muito para trás no passado. Penso que o T-Rex já estava extinto.

Voltei àquele palco, para ver aquele personagem, e comprar um disco sem capa, em 85, no melhor concerto de sempre a que assisti: a melhor letra, a melhor música, a melhor encenação.

Bebé no contentor

A miúda que largou o bebé no contentor é uma desenquadrada. Não a podemos julgar à luz da nossa lei nem da nossa moral.

Veio de Cabo Verde, sem instrução ou educação cívica, para casa do irmão, que a expulsou.
Foi viver para a rua, sem ter consciência do que é um país, do que são instituições, de que poderia entregar a criança à Misericórdia, por exemplo.

Está no nível mais básico da pirâmide de necessidades de Maslow, e, provavelmente, nunca conheceu outro.

É um bicho, a viver na rua, ou na selva, depende da perspetiva.

Deixem as críticas em casa.

Pézinho bíblico

Em 94, à beira do Mar Salgado, com o sol por detrás de Massada, e a neblina a levantar-se…

Um judeu ortodoxo, numa carrinha de sete lugares sobrecarregada de familiares, ficou atolado nas areias cristalizadas das margens do lago.

Deixei a Maria e o mais velho – na altura com cinco meses – e fui empurrar a carrinha, enquanto o homem, esguio, de tranças e chapéu chato, e preto como a restante roupa, acelerava.

Quando me viu saiu do carro e gritou, numa língua ininteligível, para me afastar, para deixar de ajudar.

Seria da minha pele escura, queimada do sol? Ou não queria ajuda nenhuma? Apenas ajuda divina?
Ignorei-o e obriguei-o a aceitar a minha presença. Entrou no carro e acabou por sair dali.

(fotos, quando tiver tempo para digitalizar todos aqueles rolos de diapositivos)

Avaliação de cursos superiores

A comissão de avaliação chegou. Não a vi, nem vou ver – felizmente -, nem quero. Já vi muitas no passado.

Há as que só querem que chegue a hora do beberete, para avaliarem a qualidade dos comes e bebes.

Há as que já vêm com o relatório final escrito – a aprovar, ou a reprovar -, para poupar tempo.

E, enfim, há as que vêm mesmo fazer o que lhes compete: avaliar o curso. Mas essas pertencem ao passado.

DEFAULT CHARSET

Hoje precisei de apagar uma base de dados para repor uma cópia de segurança. Mas as cópias que eu faço, não guardam o comando de criação da base de dados, por isso, tenho que criar a base de dados antes de repor a cópia. E quando crio a base de dados, tenho que indicar o DEFAULT CHARSET, ou seja, o código de carateres utilizado.

Para saber o código de carateres, executei a seguinte query, antes de apagar a base de dados:

SELECT default_character_set_name FROM information_schema.SCHEMATA WHERE schema_name = "nome-da-bd";

Madeira, República das Bananas

A Madeira é uma República das Bananas

Eis duas notícias de hoje, que mostram o espírito de arbitrariedade que se vive na região:

1) Comandante leva canhão e militares para um torneio de golfe

O comandante levou uma peça de artilharia a um campo de golfe onde militares fardados mostraram a vários jogadores como funcionava esse equipamento militar.

2) Professora penalizada por se recusar a receber bispo

A professora recusou-se a receber o bispo, por não concordar com a ligação entre a escola e a Igreja. Esse facto consta, agora, do relatório da sua avaliação, e justifica a avaliação negativa.

O que vem a seguir? Uma ditadura de coronéis?

Loucura

Vivem numa ilha. Acasalam uns com os outros. Tinha que dar nisto.

Donald Tusk confirmou este sábado à noite que o primeiro-ministro britânico enviou a carta, depois da derrota no parlamento. Mas não assinou e enviou uma segunda carta, com a sua assinatura, em que diz a Bruxelas que adiar é um erro.
[DN]

A demência no mais alto grau. Este tipo anda a competir com o Trump para ver quem é mais anormal?

Na realidade, ele fez o que queria fazer, e ao mesmo tempo fez aquilo que o parlamento o obrigou a fazer. E, assim, passa a batata quente para a UE.

Do nosso lado, o que é que fazemos? Somos nós que temos que decidir o que aqueles parvos não conseguem? Damos-lhes um adiamento? Mais um? Para evitar um Hard Brexit? Queremos isso? É lícito fazermos isso por eles? Os britânicos são umas crianças? Não se decidem? Não se sabem governar sozinhos?

Sítios

Em 86, estava a dar aulas de matemática na Cidade Sol, e fui numa visita de estudo, com as minhas turmas e as profs das áreas sociais.

Rumámos a VNMilfontes para um banho nas praias do rio e tive que ir buscar uma aluna, já em desespero, quase a afogar-se, agarrada a uma boia a gritar. Gordinha, penso que era Sandra, o seu nome.

À volta passámos neste sítio, que me surpreendeu e me deixou seu amante para sempre.

(foto de junho de 2000, Fuji Velvia 50)

Talho

A minha irmã mais nova foi ao Talho.

O talhante tirou-lhe várias miudezas das entranhas, provavelmente para dar ao cão.

“Minha senhora, está curada”, disse-lhe o talhante.

Voltou para casa uns quilogramas mais leve e curada.

É a medicina que temos e aplaudimos.

As melhores eleições de sempre

As eleições legislativas do próximo 6 de outubro devem ser as melhores eleições de sempre em Portugal. Todos as querem ganhar, o país nunca esteve tão bem, e, na realidade, quase todos merecem o tacho.

Isso deixa o povo numa situação pouco comum: em quem votar afinal?

Votar é um dever, mas, com tantas dúvidas, os eleitores podem decidir ir tomar banhos de sol para as areias quentes das nossas praias. Por isso, para os indecisos – e para os outros também – aqui fica a tradicional ajuda do Chornal: o BOTÃO.

Mais uma vez, o Chornal cumpre a sua missão de entidade de interesse público – que lhe faculta um subsídio chorudo do Estado – e ajuda os eleitores nesta cada vez mais árdua tarefa…

Votar

Votar é importante. Nem que seja para baixar a abstenção e, com isso, motivar os outros no futuro.
A cruz, pouco interessa, nem sequer é uma opção da nossa iniciativa pessoal: os amantes de iogurte votam à direita, os de pão alentejano votam à esquerda.

É um desígnio que está acima da nossa liberdade individual. É o que comemos que aponta para o quadrado onde desenhamos a cruz. É o nosso estômago que vota.

Mas o voto é importante – um voto é importante – porque ninguém vota a dobrar.

Choquinhos recheados

Tirar a cabeça aos chocos e limpá-los por dentro. Deixar as cascas, para poder pôr o recheio.
Cortar as cabeças em pequenos pedaços, cortar um pouco de chouriço também em pedaços pequenos.

Picar cebola e alho. Picar tomate. Misturar tudo com sal, pimenta, 2 colheres de sopa de arroz lavado e sal.
Rechear os chocos com esta mistura e fechá-los com um palito.

Num tacho, colocar azeite, cebola, alho, tomate, louro e sal. Saltear. Colocar os chocos recheados. Tapar com vinho branco. Cozinhar durante meia hora, depois de levantar fervura.

Maturidade democrática

“O PS só não forma Governo porque não quer” 06.10.2015
“PS só não é Governo se não quiser” 07.10.2015

As frases de Jerónimo de Sousa, dois e três dias depois das eleições legislativas, que travaram a demissão de António Costa, revolucionaram as ideias no país e mudaram a política da Europa. É a isto que se chama uma revolução.

É claro que uma franja minoritária de fachos ressabiados arrastou-se com azia durante quatro anos, mas o país cresceu na sua consciência cívica e democrática.

Vamos ver o que acontece nas eleições do próximo mês.