Nutella, Black Fridays e gasolina

Agora, no rescaldo da greve dos camionistas, pode ser que o pessoal que apelidou o Costa de fascizóide, por causa dos extensos serviços mínimos que decretou, pense um bocadinho. E aqui vai uma ajuda.

Lembram-se do episódio da Nutella, no ano passado em França? Eis uma citação do jornal Le Parisien: “As pessoas lutaram como animais. Alguém estava a puxar o cabelo a uma mulher, outra tinha uma mão com sangue. Foi horrível”. [1]

A Nutella não é caso único, aliás, todos os anos há pancadaria nos saldos da Black Friday.

Na crise de combustível da semana passada, houve também tareia em dois postos de abastecimento. Um deles aconteceu em Almada e foi filmado. [2]

Se o combustível faltasse mesmo – se os serviços mínimos fossem mesmo mínimos – e se os bens e serviços começassem a faltar, seria fácil este tipo de desacatos generalizar-se e espalhar-se por todo o país.

Mísseis na Gronelândia

Trump confirms he is considering attempt to buy Greenland

Comprar a Gronelândia e instalar lá mísseis de médio alcance apontados à Rússia, sai muito mais barato do que manter mísseis de longo alcance nos EUA. E se forem mísseis de propulsão nuclear, como o que rebentou na semana passada na Rússia, é bom que não estejam nos EUA, é bom que rebentem em cima dos esquimós.

Vencidos pelo cansaço

A greve dos transportadores de combustíveis era para fazer estragos ao país, mas o Governo estudou bem o problema e preveniu-se: exigiu serviços mínimos à altura e avisou o país para armazenar o combustível que pudesse. Com estas duas medidas, conseguiu minimizar os efeitos da greve durante uma semana. E ao fim de uma semana, os motoristas estavam exaustos. Os poucos membros do piquete de Aveiras de Cima, que ainda não tinham desistido, choraram hoje em direto na TV: eu vi com os meus olhos.

Pensei que iria haver um “acordo de cavalheiros” para que nenhuma das partes perdesse a face. Mas os patrões quiseram ver o sindicato cair ao chão. Obrigaram o sindicato a cancelar mesmo a greve, e não apenas suspendê-la.

No entanto, o Pardal Henriques, no seu estilo rocambolesco de sempre, saiu airosamente da situação com mais uma mentira: anunciou que o sindicato cancelava a greve, porque o Governo tinha mudado de atitude.

Ninguém está preparado para uma greve por tempo indeterminado, a não ser que lhe paguem o ordenado para ficar em casa. O Steve Bannon podia ter feito isso. Mas deve achar que Portugal é um país insignificante.

Com este revés, os motoristas não aprovam mais nenhuma greve enquanto se lembrarem disto. Pelo menos nos próximos 6 anos.

O Caseiro e a Vaca de substituição

Sindicato disponível para suspensão temporária da greve

Era necessário encontrar uma solução onde nenhuma das partes perdesse a face. E, de repente, um iluminado qualquer – por enquanto anónimo, mas um grande herói – lembrou-se desta figura jurídica: a suspensão da greve.

Bem, a suspensão da greve não é figura jurídica nenhuma, não existe na lei. Mas se todas as partes quiserem fechar os olhos a isso, como forma de acabar com esta greve – que é o que todos querem, inclusive os motoristas, e, consequentemente, o sindicato, que quer continuar a ter clientes – amanhã volta tudo à normalidade.

Mas reforço aqui a intervenção desse herói anónimo que, com a sua varinha mágica – a suspensão da greve -, pode ter conseguido um feito.

Tenho algum receio relativamente à reação da ANTRAM, porque isto não é o terminar da greve, que eles exigiam. Mas cabe ao Governo, agora, obrigar a ANTRAM a aceitar estas condições, onde ninguém perde a face. E o facto da ANTRAM ainda não se ter manifestado é bom sinal.


A suspensão da greve, esta figura jurídica que não existe, faz-me lembrar a história do caseiro e da vaca auxiliar.

Um homem rico, que tinha 3 filhos, morreu e deixou, em testamento, as vacas aos filhos: 1/2 para o mais velho, 1/3 para o filho do meio, e 1/9 para o mais novo. Mas não podiam matar nenhuma vaca, nem parti-la ao meio. Quando morreu, tinha 17 vacas.

Vieram advogados e engenheiros, de todo o país, para ajudar a resolver o problema. Os advogados tentaram dar a volta ao testamento, e os engenheiros esgotaram-se em cálculos. Mas era impossível dar metade de 17 vacas ao primeiro filho, sem partir uma ao meio, e isso não lhes era permitido.

Passaram-se horas até que chegou o caseiro com uma vaca emprestada. “Shôs doutoures, posso ajudar?”
Os doutores, já sem soluções, anuíram.
O caseiro juntou a vaca dele às 17 e ficaram 18. Depois deu metade ao primeiro filho, ou seja, 9 vacas. Deu um terço ao segundo, ou seja, 6 vacas. E um nono ao terceiro, ou seja, 2 vacas. 9+6+2=17. Sobrou uma vaca: a vaca dele.
“Meus senhores, boa tarde.” Pegou na vaca e foi-se embora.

Motoristas e motoristas

O meu vizinho é motorista de pesados da GNR.

É desde sempre, e assumidamente, um opositor radical do António Costa: chama-lhe todos aqueles nomes feios conhecidos, que lhe foram afixados por uma trupe de fachos ressabiados, que não têm espírito democrático, nem percebem como funciona uma democracia parlamentar. Felizmente são uma minoria, caso contrário já não tínhamos democracia parlamentar.

Voltando ao meu vizinho camionista. Todas as semanas faz um ou dois serviços de 24 horas, muitas vezes, sem dormir. É normal na GNR.
Foi ele que transportou o camião cisterna para abastecer as forças de segurança, em Fátima, aquando da visita do Papa, em 2017. E esteve 3 dias a dormir no chão de um barracão, nos arredores de Fátima.

Desde que começou a greve dos camionistas, ainda não foi chamado para transportar camiões cisterna. A GNR tem muitos camionistas com experiência de trabalho nessa área. Curioso, hã? Depois de todas as notícias de desinformação que nos têm chegado pela TV…

Fui, há pouco, falar com ele, que como eu disse acima, detesta esta nossa solução governativa, e tudo o que seja à esquerda do MIRN, para perceber a sensibilidade dele sobre a greve.
Está contra a greve, obviamente. Os camionistas ganham o dobro do que ele ganha. Trabalham o mesmo. Aliás, acha uma hipocrisia eles só quererem trabalhar 8 horas, quando normalmente trabalham 16.
Está orgulhoso que a GNR esteja a aguentar o país a funcionar.
“Felizmente temos a Guarda”, rematou ele no fim.

Como se perde uma guerra?

O Pardal já perdeu. Amanhã ou depois isto termina. Já se veem sinais.
Hoje já apelou à reconciliação entre as partes.
Ele pediu. Só é preciso, agora, que alguém com discernimento, consiga levá-lo à mesa das negociações, sem perder a face. E, provavelmente, o porta-voz da Antram não é a pessoa mais indicada para isso.

O Pardal passou o dia a dizer disparates: incitar os motoristas à desobediência, que não iriam cumprir os serviços mínimos, que não iriam acatar a requisição civil, dizer à comunicação social que a GNR tinha prendido motoristas em casa…
Estaria a tentar forçar o Governo a estender a requisição civil ao país todo? Não conseguiu. Felizmente o Governo é sereno.
O país parece estar a aguentar-se – apesar de haver empresas que já tiveram que mandar os trabalhadores todos para férias, por falta de combustível – e, ao mesmo tempo, o salário dos motoristas em greve está a decrescer: muitas perdas por nada.
Portanto, agora, ao fim do dia, já sem trunfos na mão, o Pardal quer voltar à gaiola, ou melhor à mesa das negociações.
Não o deixem perder a face, para ver se isto vai a bom porto, embora me apetecesse partir-lhe o focinho.

Há pouco, após o acordo conseguido entre a ANTRAM e a FECTRANS, o Pardal deu mais uma conferência a partir de Aveiras de Cima, e, em metade do discurso, acusou o Governo de corrupção, interferência, conluio, etc. Aparentemente, o Pardal tem uma agenda muito bem definida. Está a usar os camionistas para conseguir ser eleito pelo partido do Marinho Pinto em outubro. É um criminoso. Não olha a meios: alguns motoristas vão ser presos, e o custo para o país é enorme.
Depois das eleições, nunca mais se ouvirá falar em greve.

Camionismo ou comunismo?

O que é que está por detrás desta greve dos encaminhadores de combustível?
Penso que todos já perceberam que esta greve pode destruir a economia do país. Nem é tanto o Governo que é afetado, como muitos fachos e bloquistas ressabiados, que se juntaram comodamente sentados no seu sofá, até lhes faltar o alimento no frigorífico, imaginam com o seu discernimento diminuto. É mesmo o país, muitas pequenas empresas que precisam que a distribuição dos seus produtos seja feita a horas e com a regularidade necessária.
E, depois disso, a população em geral. Se os produtos não chegam às mercearias e supermercados, a fome começa a fazer-se sentir, e a ordem pública entra em colapso. Lembrem-se, por exemplo, dos 1º de maio nas lojas do Pingo Doce.
Este tipo de greves tem acontecido com maior frequência, ultimamente, em vários países da Europa. E, nalguns casos, tem até resultado no crescimento das forças políticas de direita nos diversos parlamentos.
E a quem é que interessa este estado de coisas? Aos EUA, claro, que não querem ter uma Europa forte a competir com eles no mercado mundial. E à China, também. Mas acredito mais na intervenção direta do Steve Bannon nas últimas greves disruptivas em Portugal.
Notem que, no caso dos motoristas, os sindicatos em greve são novos e com órgãos sociais eleitos há menos de um ano.

O útero ou a vida

Associações de luta pelos direitos das mulheres alertam para o número anormalmente alto de remoção de úteros de cortadoras de cana num distrito central da Índia. As ONGs denunciam inclusive um acordo financeiro entre o setor médico e os responsáveis das explorações canavieiras.
“Os cortadores de cana vivem em condições miseráveis, sem agua potável ou sanitários, em locais improvisados”, explica a rede em um comunicado. Entre eles, “as mulheres são especialmente vulneráveis, seus corpos são não só explorados, como controlados. Nota-se um aumento do número de histerectomias realizadas em cortadoras de cana, com um pico pouco antes do início da colheita”.
As vítimas alegam que as intervenções forçadas custam o equivalente de $250 a $500, que é aproximadamente o salário de uma temporada inteira. “Elas endividam-se com os empregadores e ficam à mercê deles”, concluem as ONGs.

Ciência Médica

Aqui está a história toda sobre a Ciência Médica. E notem bem: isto é a Ciência Médica. A Ciência Médica é feita, em grande parte, pelas farmacêuticas; raramente é feita num âmbito exclusivamente médico. O motivo é óbvio: os custos.

Portanto, os médicos que nós conhecemos – dos consultórios e hospitais – são meros técnicos que aplicam receitas. Como um mecânico de automóveis, por exemplo, que aperta um parafuso com um torque de 120 Nm, tal como está descrito no manual do automóvel.

Pfizer denies report it hid possible Alzheimer’s breakthrough

A team of researchers inside Pfizer made a startling find in 2015: The company’s blockbuster rheumatoid arthritis therapy Enbrel, a powerful anti-inflammatory drug, appeared to reduce the risk of Alzheimer’s disease by 64 percent.

The results were from an analysis of hundreds of thousands of insurance claims. Verifying that the drug would actually have that effect in people would require a costly clinical trial — and after several years of internal discussion, Pfizer opted against further investigation and chose not to make the data public, the company confirmed.

Pfizer had clues its blockbuster drug could prevent Alzheimer’s. Why didn’t it tell the world?

The Washington Post noted that Enbrel was near the end of its 20-year patent life and financial incentives for further research into the drug were “diminishing”.

Relatividade Geral

Enquanto a Relatividade Geral não for ensinada na Escola Primária – com o atual nome provisório de 1º ciclo do ensino básico – não saímos da cepa torta.

Já toda a gente sabe que o Einstein estava errado: a teoria da relatividade não se aplica em espaços de elevada densidade, como os buracos negros, por exemplo. Mas é um ponto de partida para pôr os putos a pensar e chegar mais longe.

Ponham os putos a pensar.

A teoria de Einstein é festejada no Príncipe e no Brasil

Hibernação no Windows

Costumo pôr o Windows a hibernar, em vez de o desligar completamente. Há uns anos atrás, acontecia muitas vezes, o sistema acordar a meio da noite, sem eu saber porquê. Resolvi esse problema várias vezes. Lembro-me que os motivos foram: o teclado e os Updates do Windows. Não me lembro se alguma vez o motivo tinha sido o rato. Mas nos últimos dois dias, acordou porque toquei no rato: eu ou o meu gato. Seguem-se as instruções para detetar o problema e resolver, se a causa for o rato.

Correr a consola como administrador

Ver se foi acordado e quantas vezes
powercfg -lastwake

Quem acordou o sistema e quantas vezes
powercfg -devicequery wake_armed

Ver se há timers programados para acordar o sistema
powercfg -waketimers

Microsoft Windows [Version 6.1.7601] Copyright (c) 2009 Microsoft Corporation. All rights reserved.

C:\Windows\system32>powercfg -lastwake
Wake History Count – 1
Wake History [0]
  Wake Source Count – 0

C:\Windows\system32>powercfg -devicequery wake_armed
HID-compliant mouse (002)

C:\Windows\system32>powercfg -waketimers
There are no active wake timers in the system.

C:\Windows\system32>eventvwr.msc

C:\Windows\system32>

Abrir o Event Viewer
eventvwr.msc
Selecionar Windows Logs > System from no menu de navegação à esquerda.
Depois, no menu de topo: Action – Filter Current Log
Aparece uma janela
Em Event sources, selecionar: Power-Troubleshooter
Premir OK
Aparece a lista de eventos relacionada com o ligar e desligar o PC, hibernação, etc.
Escolher o evento pretendido, na lista, e ver os detalhes

No meu caso era o rato o causador do sistema acordar

Como resolver
No Painel de Controlo, selecionar Mouse Properties, ou então, em Janela+R, correr mouse
Na janela de Mouse Properties, no separador Hardware, premir Properties
Premir Change settings
Selecionar o separador Power Management
Remover a marca da opção Allow this device to wake the computer

Para outros motivos, ver: How to find out why your PC wakes up, and how to stop it

Hábitos

Esta história conta-se num instante. Há muitos anos, na posse já duma coleção de discos senão invejável, pelo menos numerosa, os amigos que ia a minha casa, admiravam-se do facto de, cada vez queria ouvir determinado disco, sabia com uma precisão, quese milimétrica onde esse disco se encontrava. O resto, do meu quarto, excepto os livros, também ordenadinhos, primava por um certo caos (Sim, ontem, como hoje passo meia hora à procura do raio da chaves antes de sair de casa).

Isso continuou mesmo durante o casamento em que, sendo dada importância a alguma ordem em casa, esta mania de ter ordem nos discos e livros eram, de certa forma, uma bizarria do gajo, respeitada e com vantagens, mas uma bizarria.

Tudo ia bem até ao momento em que, estando mais em Almada, se alugou a casa onde “residiam” os discos. Estes, assim como os livros e outro recheio da casa foi passar uma temporada a uma arrecadação onde, escusado será dizer, toda e quelquer esperança de ordenação se perdeu.

Entretanto a coleção crescia, o casamento acabava, a colecção mudava de arrecadação e a minha resposta a “e o disco tal?” passou a ter como resposta, “não faço a mínima ideia”.

Caos instituído

Mas um outra forma de lidar com a coleção surgiu. O critério que passou a rodear a selecção de um disco para ouvir, um livro para ler, começou a ter uma grande dose de aleatoriedede, deixando de dominar a regra da novidade. A seleção resulta quse sempre num reencontro. Reencontros que trazem alegrias (“Grande disco”, “grande disco”), incredulidades (“Olha… Tenho isto…”) e alguns amargos.

O que é certo é que o critério predurou, se entranhou, passou a ser um hábito digo de orgulho. Ao mesmo tempo, muito lentamente, mas mesmo muito lentamente, livros e discos iam ganhando o seu lugar num espaço onde a ordem impera.

Agora, devido a ter que juntar tudo num mesmo espaço, urge colocar tudo por ordem, de novo. A obra já começou, mas ainda se irá prolongar por umas semanas.

Sinto já uma nostalgia do imprevisto apesar de que não será tão cedo que tal deixará de acontecer, mas que irá acontecer em breve. Quando, mais uma vez, conseguir localizar à primeira um qualquer disco de cumbia.

O principio da arrumação

Mãe II

Foi sempre muito apegada à mãe; e, com o tempo, esse apego só piorou.
Quando a mãe morreu, ficou com as cinzas, para continuar próximo dela.
Mas isso não lhe chegava.
Foi então que teve uma ideia: engolir as cinzas e conseguir o que, em vida, não tinha conseguido: uma união perfeita.

Encostou o copo aos lábios e sugou um golo daquele leite malhado de cinzento.
A mãe completara-a em vida e completava-a, agora, em morta.
O sabor estranho da mistura fê-la recordar momentos antigos – tão antigos quanto opacos – que se foram, aos poucos, tornando evidentes.
Estava sentada numa mesa, em frente a um prato de sardinhas assadas. Detestava sardinhas, mas naquele dia a mãe obrigou-a a comê-las. Chorou, fez birra, empurrou o prato, mas, por fim, lá colocou um lombo de sardinha na boca.
Era isso: o leite com cinzas fazia lembrar-lhe sardinhas assadas…

A cremação tinha sido de manhã, mas só levantou as cinzas à tarde, depois dos trolhas que pintavam o muro do cemitério terem almoçado e despejado as cinzas do almoço num outro monte que por ali estava e ainda fumegava. Sardinhas assadas em lenha ficam muito mais saborosas do que em carvão.

Mãe I

Em miúdo, desfolhava os cravos dos canteiros da minha mãe até ficarem nus.
Eram cor-de-rosa com traços brancos ocasionais e, cada folha que arrancava, deixava o ar saturado de perfumes.
Despia-os das folhas, até chegar ao ovário – sempre fresco – na esperança de encontrar grãos para semear e espalhar aqueles cheiros por todo o lado.
Hoje, acabaram-se os cravos e acabou-se a mãe.

Bélinha

A Bélinha era uma mulher com as carnes bem organizadas.

Conheci a Bélinha muito antes de a ver pela primeira vez. Toda a gente – os homens – falava dela e eu vivi meses de desespero até que a vi, pela primeira vez, num corredor do IST, enquanto aguardava na fila da secretaria.

Alta, de minissaia, blusa quase transparente, assente sobre o volume imenso do peito. Lábios bem vermelhos, cabelo preto escorrido, e um andar pausado – de manequim – sobre um par de sapatos altos, tão altos, quase tão altos como ela.

Vi-a uns meses depois, no Rossio, numa tarde em que o trânsito parou – por segurança – para a Bélinha passar.

Era uma estátua grega; na versão feminina, porque os gregos antigos eram uns maricas.