Memória física, memória química e memória elétrica

No primeiro ano de engenharia do IST, em 1982, meti na cabeça que haveria de ir estudar antropologia. Lembro-me que ia a subir a Av. da República com o Nuno – do lado esquerdo, de quem sobe – e ele, também em engenharia, estava mais inclinado para sociologia.

Depois da licenciatura, inscrevi-me no mestrado, também em engenharia, talvez por causa da bolsa, e lá adiei mais quatro anos, a somar aos nove da licenciatura e tropa, o meu sonho de pouco-pós-adolescente.

Enfim, depois das obrigações, atirei o barro a três paredes: concorri para a Arthur Andersen, como consultor, e fui aceite; candidatei-me ao doutoramento na Universidade do Minho, para multimédia, e fui aprovado; inscrevi-me na licenciatura em antropologia, na FCSH/UNL, como supra numerário e entrei. Optei pela última opção: era um sonho e um desejo sem limites, não tive escolha.

Na minha primeira aula, já as aulas tinham começado há três semanas (o responsável pelo curso demorou a decidir sobre os supra numerários, porque as vagas eram seis e havia doze inscrições; negociou com o ministério e conseguiu que entrassem todos; bem haja!), estava eu já sentado na sala, entrou o professor Carlos Jesus, com uma grande história – que não vou contar aqui por respeito à privacidade professor-alunos – e, depois, passou para trás da secretária a apresentar a história do Watson e Crick, e do ADN.

“A lula tem apenas um neurónio e está escondida à espera que o tubarão se afaste. Mas o tubarão percebe a presença da lula e aproxima-se dela. De repente, a lula desata a nadar a toda a velocidade para escapar aos dentes do tubarão.” E o professor Carlos Jesus – doutorado por Harvard, e com um aspeto de Rasputine, mais de rasputine que o próprio Rasputine – começa a correr sala abaixo, com os braços no ar e a gritar, como uma lula a fugir de um tubarão… e eu, maravilhado, pensei: estou no curso certo.

Umas aulas mais tarde, o professor Carlos Jesus falou-nos da memória. Distinguiu três tipos de memória: memória física, memória química e memória elétrica.

A memória elétrica é aquela que usamos quando estamos a subir escadas e vemos o degrau, memorizamos a sua posição e colocamos o pé à altura correta. Esquecemos logo de seguida.

A memória química, usamo-la quando estudamos para um teste, decoramos uma quantidade enorme de palha, que descartamos dois ou três dias depois.

A memória física tem este nome porque tem existência na estrutura e configuração da nossa rede neuronal. É onde estão as nossas memórias de infância, as nossas descobertas, as nossas conquistas ou falhanços.

Naquele ano e meio depois do 25 de abril de 1974, a minha cabeça mudou radicalmente – devo ter tido dores de crescimento, mas não me lembro – e os Aguaviva fazem parte dessa mudança.

E o GAC também, claro

Sporting – Setúbal, 71

13 de junho de 1971

O meu pai levou-me ao estádio de Alvalade para ver o Sporting – Setúbal para a Taça de Portugal.

Em minha casa, eram todos do Sporting: o meu pai, a minha mãe, e os meus três irmãos. Bem, os meus irmãos mais novos só tiveram consciência disso talvez uns anos mais tarde, mas eu vivia rodeado de lagartos.

Ou talvez não, pois segundo o meu pai, o meu tio Zeca insistia constantemente comigo para ser do SLB e, ainda segundo o meu pai, quando eu tinha 3 anos – naquela época em que me deitava no chão da cozinha para ver as cuecas riscadas da empregada – eu fui do Benfica.

Mas passou pouco tempo para passar a pensar por mim e tomar partido pelo Setúbal. Até hoje. Mas voltando ao Sporting-Setúbal de 71…

Já não me lembro de grande coisa do jogo, mas recordo-me que, quando o Setúbal marcou um golo, eu levantei-me e bati palmas, de pé, no estádio de Alvalade. À volta estavam todos calados a olhar para mim. Eu tinha 8 anos e o futebol, na altura, era uma atividade decente: não me bateram, mas alguém comentou: “olha um lampião”.

Já na altura o pensamento dos adeptos de futebol era primário e binário. Ou és meu amigo, ou és inimigo; ou és do Sporting, ou és do Benfica.

Eu não percebi o comentário e perguntei ao meu pai: “o que é um lampião?” e o meu pai explicou-me que eles pensavam que eu era benfiquista, que “lampião” era como os sportinguistas apelidavam os benfiquistas… assim como os benfiquistas chamam lagartos aos de Alvalade. 🙂

Zé Pedro

Não, eu não conheci o Zé Pedro; ou talvez sim. Mas deixem-me começar a história.

1975

O Liceu Nacional de Almada não tinha espaço nem condições para os alunos do 1º ano – hoje 7º ano de escolaridade – e conseguiu que o Seminário de Almada lhe emprestasse oito salas. Fui, então, estudar para o Seminário. Foi um ano de imensas greves, muitas duraram uma semana, mas algumas duraram duas semanas e até mais. Lembro-me de bater à porta do Seminário e o porteiro dizer: “não há aulas, volta daqui a uma semana”, ou “volta daqui a duas semanas”.

Tivemos poucas aulas e nem sempre tivemos todos os professores. A professora de francês só deu aulas nas duas últimas semanas. Era uma professora estranha. Sentava-se em cima da mesa – eu nunca tinha visto um professor sentar-se em cima da mesa -, tinha estado na Argélia, era muito dinâmica, baixinha, magra, tinha cabelo curto e preto: uma mulher demasiado avançada para os nossos hábitos de então.

Na minha turma havia uma miúda parecida com uma atriz americana. “Parece a Marylin”, disse eu um dia ao meu pai. E ele perguntou-me: “É loura?”. “Não”, respondi, “parece-se com a Marylin em tudo, menos na cor do cabelo”. Não me lembro do nome dela. Vi-a muitas vezes, depois disso, a passear em Almada com o namorado, hoje marido, o Tim.

Em 1980 fui aprender música para a Incrível – Sociedade Filarmónica Incrível Almadense – por sugestão da minha tia Amália. Depois de passar a famigerada centésima lição de solfejo, escolhi um instrumento para tocar na banda… mas deram-me outro.

“Então, que instrumento é que queres tocar?”, perguntou-me o Sr. João – músico trompetista que era simultaneamente o “capataz” da banda. “Saxofone”, respondi. “Saxofone, saxofone. Toda a gente quer tocar saxofone”, retorquiu ele.

Umas semanas antes, eu tinha dito ao meu pai que queria tocar saxofone. E ele achou um disparate e disse-me que trompete é que era, com trompete é que um músico podia brilhar, como o Louis Armstrong.

“Então pode ser trompete”, anuí eu. Deram-me um fliscorne, que é semelhante ao trompete, mas menos agreste, com um som mais macio.

Uns anos depois, já fora da banda, comprei um saxofone tenor usado. Vi um anúncio no Se7e e fui a Sesimbra buscá-lo; levei um amigo que tocava saxofone na SFIA, que confirmou que estava afinado. Era um instrumento difícil, e acabei por comprar um saxofone soprano, em saldo, em 1987.

Coloquei o tenor à venda, em 1988, também no Se7e, e telefonou-me um tipo. Combinámos encontrar-nos no Rossio. Fui até Cacilhas a pé, e depois, do Terreiro do Paço – onde atracavam os barcos – até ao Rossio, com aquele peso na mão. O tipo chegou e disse-me: “Vamos até ali mais à frente, para um amigo meu me dar uma opinião sobre o saxofone”. Fomos até ao Coliseu – já não podia com aquele peso -, e ao chegarmos, havia imensa gente à porta para entrar para um espetáculo. Entrámos por uma porta lateral, percorremos uns corredores e entrámos no camarim da banda.

Estava lá a banda toda. Reconheci o Tim. O Gui experimentou o saxofone e disse, ao amigo, que estava afinado, mas que era um pouco duro. Depois virou-se para mim: “o IPJ ofereceu-me um Selmer, o Selmer é mais macio, muito mais fácil de tocar”.

Não me lembro se ele me comprou o saxofone. Sei que o vendi. E vendi também o soprano. Comprei um Selmer mais tarde. Realmente é mais fácil de tocar.

Abril de 74

Umas semanas mais tarde, o meu pai voltou definitivamente para casa. Deixou a vida de embarcadiço e foi trabalhar para a Lisnave, como chefe de serviços. Todos os meses viajava para fora, para fazer um orçamento de reparação de um navio que viria a ser reparado mais tarde. No dia 25 de abril de 74, o meu pai chegou à 1h da manhã ao aeroporto, vindo de Londres, de mais um orçamento. De manhã, por volta das 8h, a minha irmã Carolina saiu para a escola, enquanto eu ainda dormitava. Entrávamos os dois à mesma hora na Escola Preparatória Dom António da Costa, mas eu – que construía uma preguiça crescente desde o início do ano – saía de casa só no último momento, para dormir o máximo que podia sem chegar atrasado à escola.

A minha irmã desceu os degraus, do segundo andar onde morávamos e, no primeiro andar, o vizinho Laranjeira abriu a porta e pediu-lhe para chamar o pai. A minha irmã – respondona desde que nasceu – perguntou-lhe porquê. Mas o vizinho Laranjeira – dono de uma espingardaria em Almada – era mais respondão do que ela e obrigou-a a subir.

A minha irmã corrigiu-me, entretanto: “O vizinho Laranjeira disse-me que eu não podia ir à escola porque tinha havido um golpe de estado. Eu, como não fazia a mínima ideia o que era um golpe de estado, refilei com ele a dizer que ia sim. aí, ele insistiu para ir buscar os meus pais, e aí, sim, a história é como tu contas”.

Foi a minha mãe que foi à porta e ouviu a notícia: “houve um golpe de estado, é melhor os seus filhos ficarem em casa”. Recebi a notícia com uma felicidade sem par: podia continuar na cama, não tinha que me levantar. Mas pouco depois, estávamos todos à frente de TV e a ouvir rádio à espera de notícias.

Foram uns dias estranhos: as notícias eram apresentadas por homens com barba e sem gravata. No dia 25 passou música em cima da mira técnica, estámos às escuras, mas sentia-se uma esperança enorme que foi morrendo com o passar dos anos.

No verão quente de 75, o meu pai teve que ir a Copenhaga para mais um orçamento, e pediu-me para ir a Cacilhas buscar um táxi. Não tínhamos telefone – a atribuição de telefones novos esteve bloqueada em Almada durante anos – e toda a comunicação era feita a pé: pelos meus pés.

Era meio dia, e lembro-me que fiz birra, não quis ir. Não me lembro dos motivos. O meu pai ficou chateado comigo, na altura, mas pegou na mala e foi a pé até Cacilhas para apanhar um táxi para o aeroporto. Mais tarde, confessou-me que se sentiu aliviado por eu me ter recusado.

Cacilhas estava tomada pelo COPCON. Havia militares com metralhadoras por todo o lado. O meu pai entrou num táxi, com a mala de viagem, e saiu a caminho de Lisboa. Tinha andado talvez vinte metros quando alguém gritou: “vai ali um a fugir”. Os militares apontaram as metralhadoras e mandaram parar o táxi…

Somos um país de brandos costumes? Ou somos uns tipos sensatos e conscientes? O que eu sei é que não dispararam sobre o meu pai e, depois dele explicar o que ia fazer, deixaram-no ir embora.

Se tivesse sido de outra forma, talvez eu me tivesse tornado jornalista n’O Diabo, e, em vez do Paulo Portas – um puto da minha idade -, teria sido eu o presidente do CDS, ou dum movimento qualquer mais à direita.

Maio de 73

Primeiro de maio de 1973. Saí da escola – a preparatória Dom António da Costa, em Almada – e, do outro lado da estrada, o descampado seco e ocre – onde hoje é o Fórum Romeu Correia -, por entre as poucas papoilas e malmequeres, estava salpicado por folhetos de papel branco, de tamanho A6, com conteúdos subversivos, mas disso eu não me apercebi na altura.

Havia quatro versões diferentes; eu era um colecionador – ainda não me livrei completamente desse hábito – e recolhi-as todas. Já não tenho os folhetos, não vos posso mostrá-los, mas diziam algo do tipo “independência das colónias” ou “libertação das colónias”.

“As colónias são nossas”, pensei eu, na minha ingenuidade de pouco mais de dez anos e meio, num tempo em que a televisão era uma uma atividade artesanal, os automóveis só para os ricos, e nós jogávamos à bola, ao alho, e ao berlinde à vontade, na rua, enquanto as ovelhas pastavam numa calmaria silenciosa, nos montes em frente a casa, logo ali.

Meti os folhetos na mochila, que era uma pasta de cabedal pendurada, com alças, nos ombros, e segui para casa com os meus colegas.

O percurso até casa eram cerca de novecentos metros. Pelo caminho, iam ficando alguns colegas, e o Aníbal, que morava na Rua Comandante António Feio, era o único que me acompanhava, àquela hora antes do almoço, quando se ouviu um estrondo enorme, vindo de Lisboa.

“Foi o meu irmão”, disse ele, “foi pôr uma bomba a Lisboa”. Bombas, folhetos subversivos, eram só novidades para mim. O Aníbal era mais velho que eu um ano, e de uma família com dificuldades. O irmão já tinha sido preso por motívos políticos e nunca lhe vi o pai. Era repetente, e a professora de português – a diretora de turma, Lúcia Farrusco – tinha-me incumbido de lhe dar explicações de matemática, o que eu fazia uma tarde por semana. Morava num prédio velho que já não existe numa rua de Cacilhas, num primeiro andar, cujo acesso era feito por uma escada de pedra exterior e muito estreita.

Um dia, o Aníbal vendeu-me uma caneta de ouro por vinte escudos. Tirei o dinheiro do mealheiro e levei-lho no dia seguinte. A caneta era mesmo bonita, nunca tinha tido nada assim. Levei-a para a escola e passei a escrever com ela nas aulas. Numa aula de português, enquanto escrevia, o Viana levantou-se e tirou-me a caneta da mão. Reclamei. a professora interveio e esclareceu as coisas. Aníbal tinha roubado a caneta ao Viana e vendeu-ma. Ficou determinado que o Aníbal me deveria devolver o dinheiro. Na aula seguinte, a professora perguntou-me se ele já me tinha devolvido os vintes escudos. Eu disse que sim, mas nunca os recebi.

Cheguei a casa e mostrei os folhetos sobre a libertação das colónias à minha mãe. O meu pai era embarcado e só vinha a casa de seis em seis semanas. A minha mãe era uma miudinha, com ar ingénuo, tinha estudado num colégio de freiras, e tinha que aguentar a casa, comigo e mais os meus três irmãos, na ausência do meu pai. Mostrei-lhe os folhetos e ela disse: “deita já isso fora”. A reação foi tão brusca e exaltada que eu fiz-lhe a vontade. Não foi logo, porque eu queria guardar aqueles achados tão estranhos, provocatórios e incompreensíveis, e ainda os tive no quarto até ao fim do dia. Mas ao cair da noite fui pô-los no balde do lixo.

Nesse dia, enquanto jantávamos, ouviu-se o estrondo de mais uma bomba que rebentou em Lisboa.

Choco frito rápido

choco a marinar

Usar choco fresco, congelado previamente durante, pelo menos, 3 dias, para amaciar.

Cozer o choco congelado inteiro (meio quilo por pessoa) durante 1h, com sal, pimenta, piri-piri, cravinho, alho, louro) em lume brando.

Escorrer a água, limpar o choco e cortá-lo às tiras. Pôr a marinar em limão, sal, alho picado, cravinho, louro, pimenta e piri-piri, durante 1 a 2h.

Fritar o choco passado por um polme de farinha de trigo.

Servir com batatas fritas, couves cozidas e vinho tinto.

NOTA: a receita tradicional diz para limpar o choco antes de cozer. Mas assim aproveito para cozer as vísceras (quase todas comestíveis) e faço um refogado logo à noite.

tia

Depois de três dias a trabalhar de manhã à noite sem poder ver a Buda, a cachorrinha de dois meses que vive aqui, consegui chegar a horas de lhe fazer umas festas.

Quando voltei para dentro de casa, e enquanto me descalçava, pensei enviar uma mensagem ao meu primo, de quem não tenho tido notícias, a perguntar-lhe: “então, ainda estás vivo?”.

Liguei o computador e recebi uma mensagem dele a dizer que a mãe tinha morrido. Foi agora mesmo.

Rebentar caixas multibanco

Aquando da explosão, com recurso a gás, de uma caixa multibanco ao pé de minha casa, na semana passada, veio-me à ideia uma solução simples e evidente para o problema.

Os assaltantes introduziram gás na máquina e fizeram-na explodir, por volta das 4h da manhã. A polícia apareceu uns minutos depois deles terem fugido. Se fosse possível acelerar a chegada da polícia, podia-se começar a apanhar os assaltantes e acabar com estes assaltos.

A solução parece-me simples: um detetor de gás dentro da máquina, com ligação a uma sirene no local e aviso imediato, via rede informática ou telefónica, do posto de polícia mais próximo.

A sirene podia afugentar os ladrões, ou precipitar e atrapalhar a sua ação. Por outro lado, o aviso antecipado da polícia, permitiria chegar a tempo de intercetar os assaltantes. Além disso, e num mundo ideal, para cada caixa multibanco deveria haver um plano de ataque previsto na esquadra mais próxima. Por cada ATM, a polícia tem que ter um plano, tem que saber exatamente quais as estradas a bloquear, qual o caminho que deve usar até ao ATM, quantos carros de polícia vão ser chamados, se vão estar várias esquadras envolvidas, etc. Tudo isto deve ser planeado e preparado já, para aplicar de forma imediata no momento do assalto.

Comuniquei a minha ideia numa turma de mestrado onde leciono e alguém ficou de passar a informação a quem a pode aplicar. Vamos ver.

Natalia Borisovna Borodina full video

Natalia Borisovna Borodina, from Moscow, was on holiday in the Dominican Republic when the horrific incident occurred.

Full video on my contents site

The 35-year-old was killed when she was struck in the head by a road sign while she was hanging out of a moving car’s window which then flung her out of the vehicle.

The driver of the car, Ivanna Boirachuk, was recording Natalia, who had removed her bikini top, when the shocking incident happened on a highway near Punta Cana, in the Dominican Republic.

In the video, Natalia, who sold housing and other real estate to Russian citizens, can be seen hanging out of the passenger side window and playfully sticks her finger in her mouth and laughs at the camera seconds before the tragedy happened.

Natalia was rushed to hospital after the incident but she died there due to ‘serious injuries’. It is understood she had a child.

Águas e duches

Não faz sentido um duche de meia hora; tãopouco de dez minutos.

Gasto dois minutos, no máximo, no duche: abro a torneira para me molhar de cima a baixo, enquanto me esfrego; fecho a torneira para me ensaboar; abro novamente a torneira para retirar o sabão. Isto tudo em dois minutos; uso talvez um minuto de água.

Há imensas pessoas sem acesso a água para beber. Muitas outras têm acesso, mas não têm meios para a pagar.

Dez minutos no duche é um ato de egoísmo burguês; meia hora é um crime.

Frango na púcara

Comprei um daqueles frangos do campo, com um quilo e setecentas com o intuito de assá-lo no carvão. Mas os clientes estão cansados de grelhados nas brasas, por isso decidi fazer frango na púcara.

É uma receita de família, que vem para lá do tempo do meu antepassado Afonso I, que ao passar por Alcobaça, não passou sem lá voltar… e lá deixou os pergaminhos com os planos de elaboração deste prato, cuja origem se perde no tempo.

1 frango do campo, com 1,7 kg
2 cebolas grandes
5 tomates maduros
5 dentes de alho
1 dl azeite
1,5 dl de vinho branco
1,5 dl de bagaço
1 dl de vinho licoroso
1 folha de louro
2 colheres de sopa de mostarda caseira tipo Dijon, mas mais doce
pimenta preta moída no momento
meio molho de salsa
gengibre
1 dl leite de coco
um pedaço de presunto ou meio chouriço
sal

Num tacho grande, colocar o azeite, a pimenta moída, o sal, o louro, os alhos esmagados, as cebolas cotadas em cubos com 2,5 cm de lado, e os tomates, também cortados em cubos. Adicionar o vinho, o bagaço, o licoroso e a mostarda. Adicionar o presunto ou o chouriço cortado em pedaços pequenos. Colocar o frango cortado em pedaços. Juntar o leite de coco. Levar ao lume forte até ferver e depois baixar. Coze em lume brando, no tacho tapado, durante 1 hora. A meio da cozedura, juntar a salsa cortada em pedaços de 2,5 cm, assim como o sumo do gengibre ralado. Sirva numa púcara, acompanhado de arroz semibranqueado e batatas fritas.

Autárquicas 2017

Eis que chegámos a um ponto em que as autárquicas podem, ou não, ter uma leitura nacional. Tudo depende dos resultados. 🙂

Apesar disso, votar é um dever e, para os mais de 80% de portugueses que não sabe em quem votar – e para os outros também – aqui fica a tradicional ajuda do Chornal: o BOTÃO.

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Mais uma vez, o Chornal cumpre a sua missão de entidade de interesse público – que lhe faculta um subsídio chorudo do Estado – e ajuda os eleitores nesta cada vez mais árdua tarefa…