Hibernação no Windows

Costumo pôr o Windows a hibernar, em vez de o desligar completamente. Há uns anos atrás, acontecia muitas vezes, o sistema acordar a meio da noite, sem eu saber porquê. Resolvi esse problema várias vezes. Lembro-me que os motivos foram: o teclado e os Updates do Windows. Não me lembro se alguma vez o motivo tinha sido o rato. Mas nos últimos dois dias, acordou porque toquei no rato: eu ou o meu gato. Seguem-se as instruções para detetar o problema e resolver, se a causa for o rato.

Correr a consola como administrador

Ver se foi acordado e quantas vezes
powercfg -lastwake

Quem acordou o sistema e quantas vezes
powercfg -devicequery wake_armed

Ver se há timers programados para acordar o sistema
powercfg -waketimers

Microsoft Windows [Version 6.1.7601] Copyright (c) 2009 Microsoft Corporation. All rights reserved.

C:\Windows\system32>powercfg -lastwake
Wake History Count – 1
Wake History [0]
  Wake Source Count – 0

C:\Windows\system32>powercfg -devicequery wake_armed
HID-compliant mouse (002)

C:\Windows\system32>powercfg -waketimers
There are no active wake timers in the system.

C:\Windows\system32>eventvwr.msc

C:\Windows\system32>

Abrir o Event Viewer
eventvwr.msc
Selecionar Windows Logs > System from no menu de navegação à esquerda.
Depois, no menu de topo: Action – Filter Current Log
Aparece uma janela
Em Event sources, selecionar: Power-Troubleshooter
Premir OK
Aparece a lista de eventos relacionada com o ligar e desligar o PC, hibernação, etc.
Escolher o evento pretendido, na lista, e ver os detalhes

No meu caso era o rato o causador do sistema acordar

Como resolver
No Painel de Controlo, selecionar Mouse Properties, ou então, em Janela+R, correr mouse
Na janela de Mouse Properties, no separador Hardware, premir Properties
Premir Change settings
Selecionar o separador Power Management
Remover a marca da opção Allow this device to wake the computer

Para outros motivos, ver: How to find out why your PC wakes up, and how to stop it

Hábitos

Esta história conta-se num instante. Há muitos anos, na posse já duma coleção de discos senão invejável, pelo menos numerosa, os amigos que ia a minha casa, admiravam-se do facto de, cada vez queria ouvir determinado disco, sabia com uma precisão, quese milimétrica onde esse disco se encontrava. O resto, do meu quarto, excepto os livros, também ordenadinhos, primava por um certo caos (Sim, ontem, como hoje passo meia hora à procura do raio da chaves antes de sair de casa).

Isso continuou mesmo durante o casamento em que, sendo dada importância a alguma ordem em casa, esta mania de ter ordem nos discos e livros eram, de certa forma, uma bizarria do gajo, respeitada e com vantagens, mas uma bizarria.

Tudo ia bem até ao momento em que, estando mais em Almada, se alugou a casa onde “residiam” os discos. Estes, assim como os livros e outro recheio da casa foi passar uma temporada a uma arrecadação onde, escusado será dizer, toda e quelquer esperança de ordenação se perdeu.

Entretanto a coleção crescia, o casamento acabava, a colecção mudava de arrecadação e a minha resposta a “e o disco tal?” passou a ter como resposta, “não faço a mínima ideia”.

Caos instituído

Mas um outra forma de lidar com a coleção surgiu. O critério que passou a rodear a selecção de um disco para ouvir, um livro para ler, começou a ter uma grande dose de aleatoriedede, deixando de dominar a regra da novidade. A seleção resulta quse sempre num reencontro. Reencontros que trazem alegrias (“Grande disco”, “grande disco”), incredulidades (“Olha… Tenho isto…”) e alguns amargos.

O que é certo é que o critério predurou, se entranhou, passou a ser um hábito digo de orgulho. Ao mesmo tempo, muito lentamente, mas mesmo muito lentamente, livros e discos iam ganhando o seu lugar num espaço onde a ordem impera.

Agora, devido a ter que juntar tudo num mesmo espaço, urge colocar tudo por ordem, de novo. A obra já começou, mas ainda se irá prolongar por umas semanas.

Sinto já uma nostalgia do imprevisto apesar de que não será tão cedo que tal deixará de acontecer, mas que irá acontecer em breve. Quando, mais uma vez, conseguir localizar à primeira um qualquer disco de cumbia.

O principio da arrumação

Mãe II

Foi sempre muito apegada à mãe; e, com o tempo, esse apego só piorou.
Quando a mãe morreu, ficou com as cinzas, para continuar próximo dela.
Mas isso não lhe chegava.
Foi então que teve uma ideia: engolir as cinzas e conseguir o que, em vida, não tinha conseguido: uma união perfeita.

Encostou o copo aos lábios e sugou um golo daquele leite malhado de cinzento.
A mãe completara-a em vida e completava-a, agora, em morta.
O sabor estranho da mistura fê-la recordar momentos antigos – tão antigos quanto opacos – que se foram, aos poucos, tornando evidentes.
Estava sentada numa mesa, em frente a um prato de sardinhas assadas. Detestava sardinhas, mas naquele dia a mãe obrigou-a a comê-las. Chorou, fez birra, empurrou o prato, mas, por fim, lá colocou um lombo de sardinha na boca.
Era isso: o leite com cinzas fazia lembrar-lhe sardinhas assadas…

A cremação tinha sido de manhã, mas só levantou as cinzas à tarde, depois dos trolhas que pintavam o muro do cemitério terem almoçado e despejado as cinzas do almoço num outro monte que por ali estava e ainda fumegava. Sardinhas assadas em lenha ficam muito mais saborosas do que em carvão.

Mãe I

Em miúdo, desfolhava os cravos dos canteiros da minha mãe até ficarem nus.
Eram cor-de-rosa com traços brancos ocasionais e, cada folha que arrancava, deixava o ar saturado de perfumes.
Despia-os das folhas, até chegar ao ovário – sempre fresco – na esperança de encontrar grãos para semear e espalhar aqueles cheiros por todo o lado.
Hoje, acabaram-se os cravos e acabou-se a mãe.

Bélinha

A Bélinha era uma mulher com as carnes bem organizadas.

Conheci a Bélinha muito antes de a ver pela primeira vez. Toda a gente – os homens – falava dela e eu vivi meses de desespero até que a vi, pela primeira vez, num corredor do IST, enquanto aguardava na fila da secretaria.

Alta, de minissaia, blusa quase transparente, assente sobre o volume imenso do peito. Lábios bem vermelhos, cabelo preto escorrido, e um andar pausado – de manequim – sobre um par de sapatos altos, tão altos, quase tão altos como ela.

Vi-a uns meses depois, no Rossio, numa tarde em que o trânsito parou – por segurança – para a Bélinha passar.

Era uma estátua grega; na versão feminina, porque os gregos antigos eram uns maricas.

Os anéis de Saturno

Saturno está a perder os seus anéis

No início, quando o sol se começou a formar, e ainda era um planeta, tinha esse aspeto: uma massa central, cincundada por um disco de detritos, poeiras e gases.

Depois, à medida que atraía mais poeiras do anel, começou a aumentar de massa, a fundir hidrogénio em hélio, a produzir energia, e transformou-se numa estrela.

As poeiras continuaram a rodar em torno do sol, e foram-se aglomerando dando origem a planetas, que continuaram a rodar em torno do sol.

Alguns planetas mais afastados, que, por estarem afastados, eram mais gasosos e maiores, atraíram algumas dessas poeiras, que se mantiveram na sua órbita, em forma de discos e anéis. É assim que o nosso universo funciona.

Mas esses anéis, mesmo nos planetas gasosos e distantes, vão dando origem a pequenos planetas (os chamados satélites) que continuam a rodar em torno do planeta mãe.

Foi assim que a Lua se formou também. A Lua não se formou a partir de um bloco de massa que se escapou da Terra, como “a Ciência” afirma atualmente, numa imagem quase bíblica de maternidade astronómica. Que ideia mais medieval… Que vergonha de raciocínio, diria eu.

E, assim, Saturno vai perder os “anéis” todos. Mas vai ganhar mais planetas satélites.

Justiça de elites

Não há justiça em Portugal.

A justiça que existe – e vai com minúscula porque não é universal – é apenas para as elites. As pessoas comuns não têm acesso à justiça. E não têm acesso porque esse acesso foi-lhes cortado, estrategicamente, com custas exorbitantes e inalcançáveis.

Há uns anos, uma operadora de telecomunicações mudou de mãos e, no meio de papeladas perdidas, recebi um processo em casa. Não havia motivo nenhum para aquele processo, onde me acusavam de uma dívida de umas centenas de euros.

Telefonei para a empresa – do Belmiro – e não consegui que me ouvissem. Para poder apresentar defesa em tribunal – em minúsculas pelo motivo anterior – tive que pagar 97 euros. Caso contrário, era considerado um processo sumário e eu passava automaticamente a condenado.

Depois de quase trezentos euros pagos ao tribunal, telefonou-me a advogada do Belmiro a perguntar porque é que eu me queria defender. Expliquei-lhe e eles retiraram o processo.

Telefonei, depois, para o Tribunal e disseram-me que me iriam devolver o dinheiro. Já passaram 10 anos.

Onde está a Isabel do Carmo?

B12 e agriões

Aparentemente, a vitamina B12 pode ser fornecida por plantas (Lepidium sativum, garden cress, comestível e geneticamente parecida com o agrião e a mostarda). Na realidade, um estudo publicado pela revista Cell defende que a vitamina B12 é sintetizada por bactérias, ao invés de ser produzida por animais (de maior porte) como era pensado até agora.

A ver vamos.

Pelo sim, pelo não, vou passar a criar agrião aqui em casa. 🙂

Remover um serviço no Windows

É muito fácil 🙂

Mas vamos por passos. Saquei a informação deste sítio.

  1. Ir a: Control Panel -> System and Security -> Administrative Tools -> Services
  2. Sobre o serviço pretendido, premir o botão direito do rato
  3. Escolher Properties
  4. Copiar o nome do serviço
  5. Abrir uma consola (cmd) como administrador
  6. Executar o comando sc delete <nome do serviço>
  7. Por exemplo: sc delete AdobeARMservice

Et voilà, acabaram-se os updates da Adobe!


PS: Se se enganarem e removerem um serviço importante… chamem os bombeiros. 🙂

Azeitonas

As azeitonas em água e sal, até março.

A guerra que foi, para fazer esta foto. Escolher o ângulo para tirar o brilho no vidro; tapar a luz com um guardanapo preso na mão esquerda e nos dentes, enquanto fotografava com a direita; escolher um filtro que salientasse as azeitonas, pois a melhor das fotos estava uma merda…

Mas lá consegui que, em metade da foto, se vissem as azeitonas.

Na serra…

Visto de cima, isto parecia uma tampa de garrafa, no chão, ao lado de uma raiz de pinheiro. Fiz pelo menos 10 fotos até conseguir esta aldrabice. Tive que enterrar o telemóvel no chão e pôr flash, senão via uma mancha preta com o céu azul lá em cima.

Parece uma coisa maravilhosa, não parece? Mas, para quem fosse a passar – distraído – era só uma mancha castanha no chão… que é castanho também.

Presidências

marcelo
“Dois anos, hei de cumpri-los bem. Mas mais cinco? Não sei…”

Marcelo, um presidente que não envergonha o país, nem os portugueses, exceto quando se baba em frente ao presidente da China.

Se já se baba, ao fim de dois anos, o que não fará daqui a dois ou três? Urinar-se pelas pernas abaixo? Arrear as calças e soltar uma poia, em público?

O anterior ainda era pior. Quando chegou, já era uma múmia. Morreu uma vez a discursar. Bem podiam não tê-lo resuscitado. Não valia o esforço. Era uma vergonha para Portugal e para os portugueses. O que vale é que nunca saía de casa, não fazia nada; ninguém sabia que ele existia. E quando falava, parecia que se estava a peidar, tal era a merda.

BANDEIRA NACIONAL

Te vi.
Pois te vi.

Cálida e frémula, pelas micro-ondas passadas.
Tinhas a tez castanha de ténues laivos negros,
e cheirosa estavas.
Palpitavam em tu 3 sementes oleosas, intactas, e 1 semente ovular, túrgida do leite vacuno e fremente da vara metálica, dourada, armilar.
Acerquei.
Era ela que eu, frenético, enrolei e talhei, plácida chuva perene sobre ti.
A teu lado jorrava o sanguíneo néctar, alvíssaras a Baco! que néctar assim foi ao fim do tetraénimo dourado!
Enrolei-me em tua textura, que glória imensa.
Mas.
O frémito interrupto pela epifania:
Ó fraca luz enganadora que não era salsa era bachata!

Volvi.

Mais atento anusei, que a vista toldada pelo líquido engana.
Acerquei então o gume com um sorriso, e te choveu perene novamente, mas o perene mais intenso.
E já que te choveu, choveu no vidro mais néctar.
Em ti rebolou o férreo tetradente, sumarenta estavas rendida a meus esmaltes famélicos.
Agora te foste, e restam os últimos laivos verdes, ora ali um amarelo esquecido, e ainda sorvo um vermelho final.

Os coletes amarelos

Muitos queriam ver isto tudo partido – porque se sentem desconsiderados pela Justiça, pelo patrão, pelo governo – mas não queriam ser eles a partir. Preferiam ver a cena pela TV. Enviaram vídeos e cartazes aos amigos, durante dias a fio. E continuaram a arfar enquanto os poucos mobilizados estrelavam na TV…

– “Minha senhora, pode-me dizer o que acha da manifestação?”, perguntou o repórter a uma senhora que segurava um cartaz.
– “Eu não percebo nada disto. Vim só ajudar”, respondeu a senhora, empunhando o cartaz – amarelo como o colete – ainda mais alto.

Que mais pode almejar uma vida cinzenta e aborrecida do que trinta segundos de estrelato?

E tu, que ainda não levantaste o rabo do sofá, mas que te arrependes de não ter sido tão ou mais amarelo que a senhora do cartaz, tu ainda estás a tempo de vestir o colete. Nem que seja em casa. Se não vestes ficas aguado durante semanas. Eu cá já vesti. Fechei-me na casa de banho – para os outros não verem – e às escuras – para eu não ver também – não fosse ficar traumatizado para o resto da vida. 🙂