Mariposa-esfinge-colibri

Apareceu um bicho estranho no meu jardim, de roda das flores, com o comportamento de um colibri, mas com o formato de um inseto grande.

é uma mariposa-esfinge-colibri (Macroglossum stellatarum) é uma espécie de insetos lepidópteros, mais especificamente de traças, pertencente à família Sphingidae.

Tem uma probóscide (um apêndice bucal tipo tromba) com que acede às flores, bate as asas rapidamente, e move-se como um colibri, como eu já disse.

Nunca os tinha visto, ou pelo menos nunca me tinham chamado a atenção. Perguntei na net@ a uns amigos, que me disseram que costumam aparecer com o calor.

Fica aqui o registo, para eu não me esquecer.

Desorientação em Monchique

Bombeiros profissionais dizem que “ninguém se entende” e pedem mudança de estratégia

Os bombeiros são peões, não são estrategas, por isso não entendem nada, nem têm nada que entender. Se o vento muda, ou se acabam de combater o fogo num local e ele avança para outro lado, é óbvio que têm que mudar de sítio. Nestas coisas não pode haver muitas cabeças a pensar, senão é o caos.

Os bombeiros só vêm o mundo deles. Os chefes vêm tudo. Basta que haja um reacendimento num sítio crítico, para que os chefes mandem os bombeiros de volta para trás. E aí, os coitados dos peões – cansados, é óbvio, e por isso, menos resistentes ao stress – começam a mandar bocas, sem saber o que dizem.

Na guerra – e isto é uma guerra – isso dá no mínimo prisão, mas na maior parte dos casos, execução sumária.


Um chefe, um comandante de operações deve ouvir toda a gente. Ouvir o IPMA, ler cartas geográficas, ler imagens de satélite, saber onde está a água, saber que meios tem disponíveis, saber para onde enviar a frota de aviões, onde estão os aviões, conhecer todos os caminhos, seja pelas cartas, seja pelos bombeiros.

Os bombeiros não mandam, são mandados. Isto é um trabalho de equipa, não pode haver soldados a dar tiros para onde lhes apetece.

E essa coisa dos bombeiros conhecerem o terreno é mentira. É fácil acreditar nisso mas é mentira. Os bombeiros são, na maior parte, voluntários que recebem formação sobre fogos. Não estudam as cartas militares dos milhares de km2 dos seus concelhos, e também não andam a gastar gasóleo, todos os dias de manhã à noite a “conhecer o terreno”. São voluntários: só aparecem no terreno quando há fogos. Há muitos caminhos no barrocal algarvio, no sítio do meu pai, que eu duvido que os bombeiros conheçam. Nem os caminhos, nem o terreno.

Em geral, ao longo do ano, os bombeiros acorrem a situações de pequena dimensão, onde a coordenação é feita dentro da própria equipa. Daí terem a sensação de que, sozinhos, resolvem tudo.

Os bombeiros profissionais que se queixaram deviam estar calados, pelo mesmo motivo: porque sozinhos não resolvem nada. E é isso que eles não aceitam: orgulho ferido, a iniciativa própria que lhes é roubada, sensação de impotência. Claro, e depois reclamam.

Quem dá a orientação é quem vê o quadro todo, e não quem vê apenas uma parte.

Incêndio de Monchique

Não é fácil. É uma floresta cerrada, com montanhas e escarpas terríveis, cheia de eucaliptos e pinheiros.
Por um lado – e desculpem que eu diga isto – ainda bem que ardeu. O fogo vai parar daqui a 2 dias. Por um lado, porque o vento para, por outro lado, porque acabam estas espécias combustíveis.
Passa a haver apenas amendoeiras, alfarrobeiras, figueiras e oliveiras, que ardem mais devagar.
A minha casa é pouco depois de Alte, falta pouco, mas não vai chegar lá. Não sei se souberam o que se passou.
Na 5ª feira houve um ateamento e apagaram de imediato, mas o tipo não ficou satisfeito e foi pegar outra vez em vários sítios mais difíceis.
E quem é ele, ou eles? Da oposição: PSD e/ou CDS? Mercenários do Trump? Bombeiros? Madeireiros? Empresários dos helicópteros?
Quem quer que sejam, por mim eram torturados: cortar-lhes uma falange por dia, e estancar o sangue com sal; lambuzar-lhes os pénis (porque são homens, de certeza) com doce e dar de comer aos ratos; trinchar-lhes as orelhas devagarinho, com tesouras de podar; encher-lhes os olhos com estearina fervente; arrancar-lhes os cabelos aos punhados; furar-lhes as orelhas com ferros em brasa; abrir-lhes o abdómen com uma lâmina, puxar-lhes o intestino e deixar que as ratazanas se deliciassem; até morrerem.
Para lutar contra estes tipos, temos que pensar que estamos em guerra e gastar os recursos do país só nisto, como se fosse uma guerra contra o mundo. Não é fácil.

Windows Server 2012

Trabalhar com ferramentas Microsoft é uma aventura. Mas uma aventura tipo pesadelo, tipo Assalto à 13ª esquadra, do Carpenter, ou algo do género.

Trabalho com Linux há mais de 20 anos, e raramente tenho problemas destes. Aquilo que se aprende em administração de sistemas Linux, dura anos, ou décadas: as mudanças radicais são raras. Em Windows, ao invés, mudam sempre que sai um sistema novo.

Estou a configurar um Windows Server 2012 R2, e é diferente do que eu tinha antes, o 2008. Aliás, é sempre tudo completamente diferente. Está tudo, sempre, em sítios diferentes… O que vale é que na net@ respondem a estas dúvidas todas, porque milhares já as tiveram.

Ao tentar ativar o IIS, deu erros de instalação, sem mensagens detalhadas. Dizia apenas que falhou. Eis o que aconteceu. Consultei um site na net@ que explicava que parâmetros devia ativar. Selecionei-os todos e premi o botão “Install”. Deu erro. Voltei ao início e tentei instalar um item de cada vez, para tentar perceber qual deles tinha gerado o erro: já não deu erro e consegui instalar todos.

A solução para ativar o IIS, tirei-a daqui: Enabling IIS and required IIS components on Windows Server 2012/2012 R2. Os passos são os seguintes:

  1. Open Server Manager and click Manage > Add Roles and Features. Click Next.
  2. Select Role-based or feature-based installation and click Next.
  3. Select the appropriate server. The local server is selected by default. Click Next.
  4. Enable Web Server (IIS) and click Next.
  5. No additional features are necessary to install the Web Adaptor, so click Next.
  6. On the Web Server Role (IIS) dialog box, click Next.
  7. On the Select role services dialog box, verify that the web server components listed below are enabled. Click Next.
  8. Verify that your settings are correct and click Install.
  9. When the installation completes, click Close to exit the wizard.

Como esta máquina vai correr como máquina virtual, em modo headless, preciso de aceder a ela através do Remote Desktop Connection. Também aí deu erro. Depois de configurar o servidor, para aceitar ligações, de configurar a firewall desse servidor, assim como as firewalls de dois gateways Linux que estão pelo meio, ao ligar-me obtive o erro seguinte: “Remote Desktop Authentication Error Has Occurred. The function requested is not supported”. Impenetrável. Mas vá lá, na TecNet tinham uma solução. Funciona, mas é uma solução de brincadeira. Configuramos tudo o que é necessário e que está nos manuais, e depois, se queremos que o sistema funcione, temos que dar o chupa-chupa ao cão.

Neste caso, foi necessário, na máquina local (o cliente), autorizar o próprio protocolo do RDC, pois este é vulnerável a determinado tipo de ataques! Fantástico. A Microsoft usa um protocolo vulnerável e, em vez de o corrigir, inativa-o. Segue a solução

Correr: gpedit.msc
Ir a Computer Configuration -> Administrative Templates -> System -> Credentials Delegation -> Encryption Oracle Remediation
Abrir - Encryption Oracle Remediation, escolher Enable, alterar Protection Level para Vulnerable e premir Apply.

Aproveito e deixo aqui – para não me esquecer e poder configurar as firewalls do Linux – informação sobre os portos que é necessário abrir para aceder ao SQL Server da Microsoft: Configure the Windows Firewall to Allow SQL Server Access.

SQL Server default instance: 1433, em TCP
SQL Server named instances (é necessário fixar): 1434, em UDP
Dedicated Admin Connection: 1434, em TCP
SQL Server Browser service: 1434, em UDP
SQL Server instance running over HTTP(S): 80 ou 443, em TCP
Service Broker (confirmar com query): 4022, em TCP
Database Mirroring (confirmar com query): 5022 ou 7022, em TCP
Replication: 1433, em TCP
Transact-SQL debugger: 135, em TCP

Fica também o aviso de que é muito provável que a instalação Custom do SQLServer Express pendure. Depois de 2 horas à espera num ecrã parado, num aparente fim de instalação, fui à net@ e vi muitas queixas de pessoal que quis fazer instalações personalizadas. Vou tentar a instalação Basic e depois acrescento itens um a um. Que perda de tempo. Grande Microsoft.
(…)
E assim foi: a instalação Basic demorou 5 minutos. Os outros itens demoraram um pouco mais, alguns também emperraram e não me deram oportunidade de configurar tudo o que queria. Mas eu também não espero muito mais do que isto da Microsoft.
(..)
E isto é uma saga. Na documentação da Microsoft, dizem que o SQL Server corre no porto 1433. Configurei as firewalls todas para deixarem passar os pacotes para este porto, mas não conseguia comunicar com o SQL Server. Afinal o servidor está a escutar um porto dinâmico, e, além disso, nem sequer tem o protocolo TCP ativo.
Ainda precisei das configurações que encontrei neste artigo – Configuring a SQL Server for Remote Connections – para conseguir pôr o SQL Server acessível remotamente. Fica aqui um resumo, com alguns erros corrigidos (as figuras terão que as ver no site original):

A. Enabling Remote Connections on the Instance of SQL Server

First, you will ned to enable remote connections on the instance of SQL Server that you want to connect to from a remote computer.

1) Open & Login SQL Management Studio. Right-click on the server name in the Object Explorer and select “Properties” to access the Server Properties Window.

2) In the left pane of the Server Properties Window, select “Connections” and under “Remote Server Connections”, check the box next to “Allow remote connections to this server.” Click OK.

B. Configure SQL Server to Listen on Static Port

1) Open the SQL Server Configuration Manager and click on “SQL Server Services” in the left pane.

2) In the center, you will see a column that lists the Process ID for each running service. Look for the Process ID in the row for the SQL Server. Identify the port that the PID is listening on by typing the following into a command prompt: netstat -ano | find /i “PID-Number_of_SQL-Server”. In the example based on figure 3, you would type the following into the command prompt: netstat –ano | find /I “NUMBER”. For an example, please see Figure 4 below.

3) By default, the TCP/IP protocol is disabled and must be enabled. If you do not enable the TCP/IP protocol, there will be no results from the command executed in step 2. To enable the TCP/IP protocol, go to the SQL Server Configuration manager and click on “SQL Server Network Configuration”. Right click on the “TCP/IP” protocol and select “Enable”.

4) Restart the SQL Server service and identify the Process ID assigned to the SQL Service.

5) In the command prompt, execute the following command: netstate –ano | find /i “PROCESSID”. In the example below, the command would be: netstate –ano | find /i “NUMBER”. Results should be seen as below in Figure 7.

6) Return to the SQL Server Configuration Manager. Click on “SQL Server Network Configuration” in the left pane and right-click the “TCP/IP” protocol and select “Properties”. Go to the “IP Addresses” tab and scroll down to the IPALL section. Remove the value for TCP Dynamic Ports (leaving it blank) and enter the port 1433 for TCP port.

7) Restart the SQL Server Service, identify the new process ID assigned to the SQL service. In the command prompt, execute the following command: netstate – ano | find /i “3948”. Results should be displayed as shown in Figure 9 below.

8) The SQL Express is now configured to listen on standard port 1433.

C. Turn On the SQL Server Browser Service

1) Open the SQL Server Configuration Manager. Click on “SQL Server Services” in the left pane and right click on “SQL Server Browser Service” and click “Properties”.

2) In the SQL Server Browser Properties Window, click on the “Service” tab. Under the “Start Mode” option, change the start type to “Automatic”. Click “Apply”.

3) In the SQL Server Browser Properties Window, click on the “Log On” tab. Click the “Start” button to start the SQL Browser Service.

4) In the SQL Server Browser, confirm that the service is running as shown in figure 13.

Note: According to SQL Server Hardening best practices, the SQL Server Browser service should be disabled. This service is typically not required. The SQL Server Browser service responds to requests for SQL Server resources and redirects the caller to the correct port. Keeping the Browser service disabled will remove the redirector as an attack vector, helping to obscure the correct entry ways into your SQL Server components.

D. Configure the Firewall to Allow Network Traffic Related to SQL Server and the SQL Server Browser Service

In Windows Firewall, four exceptions must be configured to allow access to the SQL Server.

1) A port exception for TCP Port 1433. In the new Inbound Rule Wizard dialoag, use the following information to create a port exception:

Select “Port”
Select “TCP” and specify port “1433”
Allow the connection
Choose all three profiles (Domain, Private, and Public)
Name the rule “SQL – TCP 1433”

2) A port exception for UDP Port 1434. Click the New Inbound Rule Wizard dialog and use the following information to create another port exception:

Select “Port”
Select “UDP” and specify port “1434”
Allow the connection
Choose all three profiles (Domain, Private, and Public)
Name the rule “SQL – UDP 1434”

3) A program exception for exe. Click the New Inbound Rule Wizard dialog and use the following information to create a program exception:

Select “Program”
Click “Browse” to select “sqlserver.exe” in the following location:

C:\Program Files\Microsoft SQL Server\MSSQL11.\MSSQL\Binn\sqlservr.exe where is the name of your SQL instance.

Allow the connection
Choose all three profiles (Domain, Private, and Public)
Name the rule “SQl – Sqlservr.exe”

4) A program exception for exe. Click the New Inbound Rule Wizard dialog and use the following information to create another program exception:

Select “Program”
Click “Browse” to select sqlbrowser.exe. By default, it is located in the following location:

C:\Program Files (x86)\Microsoft SQL Server\90\Shared\sqlbrowser.exe

Allow the connection
Choose all three profiles (Domain, Private, and Public)
Name the rule “SQL – sqlbrowser.exe”


Entretanto, por duas vezes não consegui desligar o IIS usando o IIS Manager. Tenho andado a fazer alterações na configuração e já tive que desligá-lo várias vezes. Isto nunca me aconteceu com o Apache, com o qual trabalho há mais de 15 anos. O Apache desliga-se sempre. O IIS neste Windows 2012, com o qual trabalho há 2 dias, já vai em 2 vezes que se recusa a desligar-se. Tive que desligar a máquina. Entretanto, disseram-me para experimentar desligá-lo na linha de comando para ver se recebo alguma informação sobre o problema. O comando é o seguinte:

net stop iisadmin /y

Parvas e perigosas

Chegámos a agosto e chegaram também as notícias parvas; mas também algumas notícias perigosas, ou de situações perigosas.

Mais turistas no Porto aumenta serviços sexuais e risco de infeções

Só no Porto é que há putas? O Porto é a cidade das putas? Sim ou não? Se não, então tenham cuidado com o que escrevem. Se sim, viva a capital do putedo!

Qanon: o bando que ataca jornalistas nos comícios de Trump

O Trump sempre a inovar: conseguiu mobilizar uma trupe de bandalhos que espanca os jornalistas do contrapoder. O resultado vai ser sempre mau: ou deixam de fazer jornalismo; ou deixam de ser um contrapoder; ou passam a adular o Trump, deixando de haver oposição. Em qualquer dos casos, isto assemelha-se muito à criação de um ambiente totalitário precursor de uma guerra generalizada.

Um perigo chamado drone

Nicolás Maduro foi sobrevoado por drones carregados de explosivos. Os drones são cada vez mais pequenos e precisos, e, eventualmente, indetetáveis. Num futuro muito próximo, os drones comerciais vão poder carregar armas de precisão e disparar, sem falhar, sobre os alvos pretendidos. Algo que eu já previ há 6 anos atrás.

Os novos caralhos

Os emigrantes portugueses em França, dos anos 50 e 60, eram conhecidos pelos “carrálhos”, porque andavam sempre com o “caralho” na boca. Na maioria, tornaram-se pedreiros e porteiras, sem qualquer formação académica, e, por isso, foram facilmente rotulados por uma xenofobia (maioritária?) francesa.

Nos anos 80 e 90, a emigração foi mais modesta. Limitou-se quase a alguns desgarrados vítimas da heroína, que não chegavam a horas ao emprego, aqui em Portugal.

Depois veio o Passos – com a sua política fundamentalista económica – e a emigração voltou a explodir: triturou carne e ossos para salvar papel fiduciário; e criou uma nova trupe de deslocados, alguns deles ressabiados, com instrução elevada, que facilmente se tornaram detratores do país onde nasceram.

São os novos caralhos. Piores – muito piores – que os antigos “carrálhos”, porque são mais instruídos, e, por isso, manipuladores da opinião pública em geral. Mas se os ouvirmos falar, são apenas ressabiados e ignorantes.

Por exemplo, ainda ontem tive uma discussão com um anónimo, que nos apelidou de “Portugal dos Pequeninos”, porque em Espanha, ele “desloca-se” às Finanças, espera “apenas” 20 minutos para ser atendido, e depois desloca-se de volta para casa, tendo pago o estacionamento do carro, e gasto gasolina, e por aí fora. Eu disse-lhe – como já disse a outro ressabiado – que em Portugal não me desloco, faço isso tudo pela net em 5 minutos. Que a única vantagem que vejo na “solução” espanhola é poder ver gajas boas pelo caminho.

Mas estes portugueses emigrados ressabiados pequeninos – e conheço muitos – têm igualmente um cérebro muito pequenino. São os novos caralhos.

José Afonso

Uns dias antes de ele nos deixar, parou, exatamente à minha porta, a caminho de um concerto, e alguém que ia com ele, fez-lhe uns exercícios musculares, encostado ao carro. Eu estava lá, à porta de casa, com meia dúzia de amigos. Nenhum de nós se aproximou. Mas foi uma situação que nos marcou a todos. A Teresa também estava lá.

Azeite mortal espanhol

Nunca se esqueçam das 1100 pessoas que morreram com o azeite espanhol, em 1981, quando comprarem produtos espanhóis.

Eu não me esqueço, e nunca compro nada feito em Espanha.

Lembro-me da nuvem de medo que pairou sobre o nosso país. As pessoas tinham medo de comprar azeite. Sempre que iam às compras perguntavam, e com razão, se aquilo não seria espanhol… Filhos da mãe.

Para os mais distraídos, ou para os mais novos, aqui ficam algumas referências:

[1] Síndrome da colza (óleo tóxico)

[2] O fantasma do óleo de colza espanhol

[3] Gato por lebre

A Buda e o tampão

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Fomos subir a Serra da Arrábida e a Buda comeu um tampão usado. Depois de umas mensagens dos meus amigos da net@ percebi que os tampões usados são um pitéu para os cães. Mas são também um perigo, pois podem entupir o trato digestivo dos animais. Tive que monitorizar as fezes da Buda, mas não foi preciso muito tempo…

Capítulo 1

A Buda passou a tarde a descansar à sombra, que o dia estava quente. Mas, de repente, sentiu os vizinhos a passear o cão na rua e desatou a correr, para ladrar no portão.
O pico de adrenalina deu-lhe para fazer cocó.
Fui ver se tinha saído o tampão que ela engolira ontem.
No primeiro pedaço de excremento, encontrei esta coisa, que se desfazia, parecia papel e faltava-lhe o fio.
Desconfiado, fui consultar a Maria, mais perita em tampões do que eu.

Capítulo 2

A Maria não se deixou convencer e decidiu procurar, ela própria, nos excrementos.
Tapou o nariz, a boca e os olhos e, com um grande esforço, encontrou uma forma alongada que não se desfazia.
E perguntou-me: “Será isto?”
Fui para o sol, que à sombra já não vejo nada, e tentei partir o dejeto em pedaços, mas não consegui. Por dentro parecia branco sujo, mas não aparentava ter a textura do algodão.

Capítulo 3

“Que raio é que o bicho anda a comer?”, pensei eu.
“Primeiro, um guardanapo de papel; depois, uma coisa comprida que não se desfaz: talvez um pano. Haverá mais?”
E continuei a procurar.
Fui desfazendo os pedaços de fezes, uns após outros e dei de caras com um material que aparentava ser algodão sujo, preso a um fio. “Ah! Já está. Eis o tampão desaparecido.”

Mais histórias apetitosas, em breve, neste palco sempre à mão.

WordPress e Twenty Seventeen

Instalei a nova versão do WordPress, a 4.9.7, e decidi testar o novo tema Twenty Seventeen. Testei-o em dois dos meus blogs e acho que vou deixá-lo instalado. Não gosto muito da imagem enorme que aparece na página principal, porque alguns visitantes podem não perceber que têm que descer para ver qualquer coisa, dependendo do tamanho de ecrã que estejam a usar. De qualquer forma, o tamanho dessa imagem é configurável com CSS e, eventualmente, altero-o no futuro.

Mas havia duas configurações que tinha mesmo que alterar para poder manter este tema: aumentar a largura da mancha dos conteúdos; e as proporções das colunas, tanto nas crónicas (post), como nas páginas (page).

Para isso, adicionei o texto seguinte em Apresentação – Personalizar – CSS Adicional

.wrap { max-width: 1366px; }

article.post #primary { width: 100% }
article.post .has-sidebar #secondary {
width: 30%
}

article.page .entry-header {
width: 25% !important;
}
article.page .entry-content {
width: 75% !important;
}

Suspiria

Entrei no IST em 1981/82. No primeiro dia, cheguei mais cedo, e já lá estava o Fernando, à espera da primeira aula – de Matemática, com o Campos Ferreira.

O Fernando sofria de parkinsonismo, e tinha uns delírios, mas também uma mente brilhante. No primeiro ano, desenvolveu uma teoria que punha a teoria da relatividade de lado. Apresentou-a ao nosso melhor professor – o Moura Ramos, professor de Química – que o aconselhou a estudar mais e rever as fórmulas que tinha escrito. Eu também fui um dos revisores, mas aquilo ultrapassava-me – talvez em paciência.

Entre outras substâncias, o Fernando tomava Leponex – uma droga que só existia no Hospital Júlio de Matos e nos hospitais centrais (o Lexotan e o Xanax [inexistente na altura] eram para meninos de coro) – que o fazia cair para o chão num minuto. Um dia o Fernando disse-me: “acabei com a medicação, deitei os comprimidos todos pela pia abaixo”. Não passou uma semana, começou a tremer, e, pouco depois, já não conseguia escrever, nem pegar numa esferográfica. Começou, inclusive, a ter tendências suicidas, quando guiava na autoestrada.

Eu era um fã de cinema. Durante dois anos toquei fliscorne (um quase trompete) na banda filarmónica da Incrível Almadense e tinha livre acesso à sala de cinema da associação. Entre outras loucuras, vi a “Laranja Mecânica” quatro vezes no mesmo dia, em sessões contínuas. Vi também um filme/documentário, de culto, do Barbet Schroeder, “Idi Amin Dada” (aconselho-vos a lerem a saga da realização e distribuição deste filme), a “Árvore dos Tamancos” do Ermanno Olmi, entre outras belezas da cinematografia internacional. Em resumo, passava a vida no cinema.

O Fernando não deixou morrer essa minha paixão. Era, também, um fã de cinema, e fui ver, com ele, os filmes mais loucos ao City Cine, ao Quarteto, e em salas improvisadas na noite de Lisboa: “Saló”, “Teorema”, “Irei Como um Cavalo Louco”…

Mais tarde, quando o Fernando desapareceu, continuei a frequentar mais o Quarteto do que as aulas do Técnico.

Mas um dia, ele surgiu com uma história estranha. Tinha ido ver o “Suspiria”. Lembro-me de ele ter referido as cenas das facadas, do sangue que parecia tinta vermelha, tão falso como nos filmes de cowboys dos anos 60, das cenas quase teatrais, a lembrar imitações primárias do Manoel de Oliveira…

Mas o “Suspiria” tornou-se um filme de culto. A atriz principal é a Jessica Harper, ainda novinha. A Jessica Harper que eu vi no “Stardust Memories” do Woody Allen, com a Charlotte Rampling, e que, quando o Woody Allen a convida, ao telefone, para ir dormir com ele, ela responde que não pode porque está com herpes… nunca mais me esqueci: nem dela, nem do herpes. Mas também a vi no filme fantástico do Brian de Palma, “O Fantasma do Paraíso” – estonteante -, e no “Inserts”, passado em tempo real, com o Richard Dreyfuss, e um piano branco, e uma garrafa de whisky, sobre um tipo que filmava intercalados em grande plano, para filmes pornográficos, no tempo do Clark Gable (que aparece, como personagem, no filme).

Pois… o “Suspiria” passou ontem, 5ª feira, na RTP2, numa cópia digital restaurada, a partir de uma película em mau estado e com fotogramas em falta, fiel à cor saturada original. Vale a pena ver. O Fernando tinha razão: as facadas, o sangue, e a encenação são fraquinhas, mas ainda assim, vale a pena ver. E depois vejam o “Stardust Memories” e, principalmente “O Fantasma do Paraíso”.

Vi o Fernando, muitos anos mais tarde, no sítio onde morava, muito longe de Lisboa. Congratulei-me por ainda estar vivo. Viva a vida!