O Dogma

É claro que esta pandemia é perigosa, que estamos todos com mais ou menos receio das consequências da doença.
Mas a decisão de vacinar a população, sem que cada um pague – aparentemente – por essa vacinação, é um dos cernes da questão.
Todos nós estamos a pagar por esta operação gigantesca da vacinação da população mundial. Mas só alguns estão a usufruir financeiramente disso. E temo que, os que estão a beneficiar, sejam os que tomaram a decisão de vacinar a população. Se eu não tivesse escrúpulos nenhuns, também tinha comprado ações das empresas farmacêuticas que produzem e distribuem as vacinas. Porque sei que isso vai dar dinheiro quase eterno.
Outro aspeto deste problema é que as vacinas não protegem as pessoas de serem infetadas, nem de infetarem os outros.
Dizem, os responsáveis políticos, que as vacinas protegem as pessoas de doença grave, mas não divulgam os números completos das infeções para nós podermos decidir pela nossa cabeça.
Eu sou um Data Scientist, há mais de 30 anos que trabalho com números e, a mim, “ninguém me faz a cabeça”.
Quero ver os números todos. Quero saber quem são os infetados neste momento, quem é que morre, quero cruzar esses valores com os que são vacinados e os que não são vacinados. Mas, como todos podem perceber, esses valores não são divulgados. Só quando aparece um infetado não vacinado é que isso é referido. Os outros casos – os vacinados infetados – são quase sempre abafados.
E, como homem político, a minha interpretação é que esses valores não são divulgados por um (ou dois) dos seguintes motivos:
1) porque os responsáveis políticos estão com medo e querem, com a vacinação, tentar resolver um problema complicado, como um navegador que quer dobrar o cabo das Tormentas e chegar a mar calmo
2) ou porque alguns decisores compraram ações das empresas farmacêuticas e estão a querer beneficiar financeiramente com a vacinação.
Deem-me números. Sejam realmente democratas e transparentes. Deem números à população para a população poder decidir o que quer fazer, pela sua cabeça.
Tudo o resto é obscurantismo.

Quinta dose da vacina

Não vou citar o jornal fascista de onde tirei o texto abaixo.

Não coloco LIKES em notícias de jornais fascistas. Nem costumo, também, fazer comentários a notícias de jornais fascizóides, cujas publicações têm apenas o intuito de derrubar a muralha de esquerda que Portugal conseguiu criar. Mas o texto abaixo rebenta com o obscurantismo da vacinação, que deu imenso dinheiro a quem comprou ações das farmacêuticas (todos os governantes e mais alguns) e salvaguardou os poleiros a todos os governantes europeus (em nome da Ciência, aquela Ciência que navega à vista, como no tempo dos nosso marinheiros do séc XV). Os decisores vão empurrando com a barriga (que vai crescendo, tanto como os lucros das farmacêuticas) à espera que apareça uma solução realista. Boa sorte aos triplamente vacinados, é o que eu desejo. Que não morram da cura.

 

Incongruências da vacinação para a COVID-19

Como seria a realidade das doenças cardiovasculares, a principal causa de mortalidade em Portugal e no mundo, se diariamente lhes fosse dedicado o mesmo tempo pela comunicação social que à COVID-19?

Ao encetar a minha vida profissional como médica fiz o juramento de Hipócrates, que se iniciava com Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade.

Pareceu-me na altura um pouco ambicioso imaginar que a minha humilde ação, que se faria através do atendimento de doentes, caso a caso, pudesse ser considerada um serviço à Humanidade. Mas cedo aprendi que assim É. Cada interação e doação do nosso saber, atenção e amor a uma pessoa que sofre é um ato de Humanidade. Cada ato, irrepetível, renovado e co-criado, faz de nós pessoas melhores, individual e coletivamente, e contribui para a transformação do mundo.

Mais tarde, alarguei horizontes com a possibilidade de intervenção a nível populacional, participando em diversas campanhas de prevenção no âmbito da minha especialidade, a cardiologia. Aprendi a dificuldade de conseguir a adesão dos media, meios privilegiados para transmitir de forma efetiva as mensagens a todos os portugueses, mesmo aos que habitam nos locais mais recônditos. E da árdua tarefa de obter patrocínios para conseguir criar e produzir materiais para essas campanhas, que eram depois distribuídos às rádios, televisões, jornais, outdoors. E da desilusão com o facto de que, pouco tempo depois de tanto esforço, tudo parecia esquecido, pela falta de repetição das mensagens de saúde em contraponto com as inserções publicitárias diariamente repetidas, por exemplo, pelas grandes empresas de géneros alimentares menos saudáveis.

Uma outra parte do juramento que fiz então, referia: Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início, mesmo sob ameaça e não farei uso dos meus conhecimentos Médicos contra as leis da Humanidade.

Esta parte do juramento veio a mostrar-se um desafio cada vez maior para os médicos, como por exemplo no que concerne a questões da interrupção voluntária de gravidez, da procriação medicamente assistida (com geração de embriões que depois serão descartados) ou da eutanásia, e acabou por levar à sua reformulação. No entanto, são as atuais abordagens contra a pandemia de Covid-19 que estão a lançar a humanidade e os princípios éticos num precipício de difícil retorno, com a participação ativa de uns poucos médicos e o niilismo ou a passividade de quase todos os restantes, em contradição com os princípios da nossa profissão.

O governo de Portugal, assim como o da maioria dos países do mundo, optou desde cedo por uma estratégia de vacinação como a principal esperança e arma para debelar a pandemia por SARS-CoV-2, um vírus respiratório, mutante, como são os vírus de RNA, pertencente a uma espécie de coronavírus para qual nenhuma vacina teve anteriormente um desempenho seguro e eficaz.

As vacinas criadas em tempo recorde e com comercialização autorizada pelas principais agências internacionais do medicamento, apenas de forma condicional (ou para uso de emergência) por insuficiência de dados de eficácia e segurança, foram rapidamente produzidas e distribuídas à escala global.

Promovidas diariamente nos media como seguras e eficazes, as pessoas foram primeiro convidadas, depois coagidas e, em alguns estados, obrigadas a tomá-las, com metodologias equiparáveis em todo o mundo: divulgação massiva das supostas vantagens para a proteção individual, para a proteção de grupo, para a defesa da economia, da educação, para o retorno à vida normal; necessárias para a obtenção do certificado digital de vacinação, criado para se poder circular entre países, mas cujo âmbito se alargou para entrar em estabelecimentos comerciais, eventos (familiares, desportivos, culturais, profissionais), lares, hospitais, escolas. E em alguns países os abusos dos direitos e liberdades dos cidadãos chegaram mesmo à obrigatoriedade de injeções com estas vacinas.

Mas há diversas incongruências relativamente a estas vacinas, que apresentam graves lacunas na comprovação dos seus pressupostos científicos, se conjugadas com toda a pressão exercida sobre as pessoas para que as recebam.

Senão, vejamos:

As vacinas não são esterilizantes, não impedem o contágio nem a transmissão. Não conferem proteção de grupo, quando muito conferem proteção individual aos indivíduos de risco, para doença grave e morte por COVID-19. A eficácia das vacinas no que se refere aos títulos de anticorpos diminui muito rapidamente ao longo do tempo, em meses, e as novas variantes contribuem para o escape vacinal, ou seja, para a ineficácia das vacinas.

A imunidade induzida pelas vacinas é inferior à conferida pela infeção natural e as vantagens da vacinação de recuperados de infeção por SARS-CoV-2, além de cientificamente improvável, não foi demonstrada em estudos aleatorizados, não se compreendendo porque é efetuada a vacinação de pessoas que já sofreram a doença.

A tão apregoada segurança das vacinas, da forma como se entendeu a segurança de um medicamento até 2019, não existe. São vacinas particularmente mortíferas, uma mácula na história da medicina, que já devia ter levado, logo nos dois primeiros meses de aplicação, a uma interrupção dos programas de vacinação em humanos até um melhor esclarecimento científico dos motivos das muitas e variadas reações adversas graves e casos de morte que foram notificados às entidades reguladoras dos medicamentos, nomeadamente europeias e americanas.

Apesar dos números sem precedentes de reações adversas, não tem havido interesse das autoridades do medicamento em promover uma farmacovigilância ativa, ou em tornar obrigatória a notificação de mortes ocorridas nos primeiros 15 dias após vacinação, sobretudo nos grupos mais vulneráveis, como nos idosos e residentes em lares, em grávidas e em crianças. As autópsias de vacinados, que poderiam ajudar a compreender objetivamente o que se está a passar, são sistematicamente dispensadas.

Não há estudos em grávidas, nem em mães que amamentam, e no entanto, as autoridades de saúde recomendam a vacinação destes grupos, como segura e eficaz.

A Covid-19 é uma doença benigna nas crianças e jovens, e contudo, as vacinas, ainda sem estudos de segurança a longo prazo, conseguiram uma aprovação condicional nos EUA e UE para os maiores de 12 anos, e anuncia-se uma aprovação breve para os maiores de 5 anos.

Não há estudos sobre a interação medicamentosa das vacinas com outros medicamentos, entre os quais vacinas para outras patologias, e mesmo assim, pondera-se a administração conjunta com vacinas para a gripe; tome-se como exemplo Portugal, onde à falta de recomendação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) a Direção-Geral da Saúde anuncia que espera uma posição da Organização Mundial da Saúde.

Ao contrário das doses adicionais para imunodeprimidos, as doses de reforço (terceira dose) não foram recomendadas pela EMA, por falta de evidência atual de eficácia (que poderá vir ainda a emergir) e por dados limitados de segurança, (um pequeno estudo que incluiu apenas pessoas dos 18 aos 55 anos). Apesar disso, as autoridades de saúde de Portugal apressaram-se a recomendar a dose de reforço para maiores de 65 anos.

As vacinas não são eficazes nem seguras, e ainda assim, Portugal, que se encontra entre os países com maior taxa de vacinação do mundo, para além dos 15 milhões de doses já administradas vai receber mais de 6 milhões ainda em 2021, para continuar a inocular a sua população.

Aos médicos e aos outros profissionais de saúde, os principais defensores da saúde das pessoas, muito raramente é dada oportunidade nos media para questionar a segurança e a eficácia das vacinas. Se o fazem em espaços públicos ou nas redes sociais são injuriados como negacionistas, obscurantistas, defensores de teorias da conspiração e, por vezes, as suas contas fechadas, os seus artigos recusados ou despublicados e até lhes são instaurados processos disciplinares.

Os jornalistas não fazem perguntas incómodas aos defensores destas terapêuticas biológicas em fase experimental para todos e os media repetem diariamente, desde há mais de um ano e meio, notícias que causam o medo sobre a pandemia e mensagens positivas e esperançosas sobre as vacinas. Colando-se à narrativa oficial promovida pelo poder político, dia após dia, conseguiram convencer as populações a aderir a programas de vacinação apesar das muitas questões de eficácia e segurança que se levantam. Mas não investiram tempo a divulgar medidas fundamentais de mudança de estilo de vida para prevenir um mau prognóstico perante uma infeção por SARS-CoV-2, como a redução do peso em excesso ou o controlo da tensão arterial, por exemplo. E em jeito de desabafo, como seria a realidade das doenças cardiovasculares, a principal causa de mortalidade em Portugal e no mundo, se diariamente lhes fosse dedicado o mesmo tempo pelos meios de comunicação social?

Não se pode deixar de perguntar: que intenso e especial interesse têm os governos e os media na promoção da vacinação para a COVID-19 e que não foi anteriormente manifestado para a promoção de abordagens para doenças crónicas muito devastadoras?

As pessoas que foram vítimas das reações adversas das vacinas e os seus familiares têm dificuldade em partilhar publicamente as suas perdas, serão porventura negacionistas se o tentarem fazer ou se se organizarem em associações de doentes, e os laboratórios farmacêuticos estão isentos de responsabilidades pelos danos causados às pessoas pela comercialização destes produtos biológicos ainda em fase experimental.

Com honrosas exceções, as sociedades científicas e associações profissionais renunciaram ao seu papel imparcial de investigação, de validação científica, de monitorização e de observatório de eventos clínicos, de formação médica, de emissão de recomendações para os profissionais de saúde, quando estes possam levar a ações e resultados contra a narrativa oficial pró-vacinal. No que à pandemia diz respeito, na sua maioria mais parecem fracos ecos de um som cuja origem não se discerne. O que leva a questionar sobre potenciais conflitos de interesses.

Os médicos que usam a própria cabeça para estudar, observar, refletir, decidir em função de cada caso e em função da própria experiência, que em vez de seguir cegamente normas incongruentes, e com inexistentes ou duvidosas bases científicas, seguem o princípio hipocrático que figura em todos os cartões da Ordem dos Médicos – A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação – precisam medir muito bem os atos e as palavras para que não sejam caluniados, atacados na sua reputação ou lhes sejam suspensas as cédulas profissionais.

Por isso, neste artigo apenas se apresentam factos que atestam a incoerência de muitas medidas preconizadas e implementadas no conturbado período que atravessamos, para que cada um possa tirar as próprias conclusões.

Mas com mais convicção ainda do que naquele dia há 38 anos, reafirmo o juramento que fiz e convido todos os colegas a fazerem-no também, com consciência e coragem. Alguns talvez prefiram a versão mais recente donde destaco este excerto:

Não usarei os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça.

Veículos elétricos ou a combustão?

Diz a Volvo. Produzir um EV gera 70% mais emissões do que um carro térmico (do Turbo.pt)

Diz o jornal que “um Volvo C40 Recharge, a utilizar o fornecimento de energia tradicional, necessitará de fazer 109.918 quilómetros para se tornar menos poluente que um XC40 com motor de combustão. Ou seja, trata-se de cumprir, praticamente, metade da vida útil do veículo, sendo que, uma vez terminada essa mesma vida útil, o C40 terá produzido menos 15% de emissões gerais, que o XC40.
Pelo contrário, utilizando o cenário da eletricidade EU28, o Volvo C40 duplica a redução nas emissões para 30%, reduzindo, igualmente, o ponto de equilíbrio para os 77.248 quilómetros.
Já nos casos em que os condutores consigam carregar as baterias com energias 100% renováveis, a pegada de carbono deste EV passa a ser metade da do XC40 com motor de combustão, fixando o ponto de equilíbrio por volta dos 48.280 quilómetros.

Ainda assim, falta uma informação importante. Falta saber porque é que, na produção do EV, há mais emissões que na produção do veículo a combustão.
O jornal refere que parte desse excesso de emissões diz respeito à produção das baterias. Mas falta, por exemplo, saber se a produção das baterias também vai passar a ser feita, no futuro, com menos emissões, tendo em conta os requisitos de redução global de emissões, das cimeiras do clima.
E é preciso saber, também, se, nas emissões que foram consideradas para os veículos de combustão, levaram em conta as emissões produzidas por toda a cadeia de extração, transporte, refinação, e abastecimento dos combustíveis, lubrificantes e líquidos de refrigeração. E da reciclagem dos lubrificantes. De certeza que se esqueceram disso. Mas não se esqueceram do custo de produção das baterias. Curioso.
E o estudo também não leva em conta os custos das fugas de lubrificantes dos veículos a combustão. Cada gota de lubrificante largada no ambiente, polui várias centenas de litros nos lencóis freáticos.
E também não foi levado em conta que é muito diferente a emissão de gases produzidos por veículos de combustão numa cidade, e a emissão de gases em fábricas fora das cidades. Obviamente que ambas concorrem para o problema dos efeitos de estufa e aquecimento global, mas as primeiras são, cumulativamente, prejudiciais à saúde de quem vive em cidades. E mais de 90% das pessoas, em todo o mundo, vive em cidades.

Reforçando, o estudo leva em conta as emissões da produção de eletricidade, mas não leva em conta as emissões da produção de gasolina e gasóleo, nomeadamente, prospeção de petróleo, extração, transporte, refinação, transporte dos produtos refinados, eletricidade das bombas de abastecimento, etc. Idem para lubrificantes, aos quais acrescem as emissões na reciclagem. E toda a poluição derivada de derrames. Micro, ou macro derrames. Se estas emissões fossem contabilizadas, o artigo de jornal acima deixava de ter sentido.

A Night at the Opera?

“Aqui ganhas 10 mil por ano, enquanto que nos EUA ganham 15 mil por mês”, dizia o vigilante ao cego, quando eu cheguei para saber do M. que tinha ido fazer uma radiografia.
“Ele falou comigo. Foi ver se era no rés-do chão, ou no primeiro andar. Olhe, ali está ele. Afinal é no primeiro andar.”
“Ok, eu espero cá fora”, disse-lhe.
O vigilante e o cego continuaram: “E a moeda do Canadá – o dólar canadiano – quanto é que isso vale? Nunca ouvi falar dele…”
“J3?”, ouviu-se no walkie talkie do vigilante, “o Dr. Saraiva quer sair com o carro”. O vigilante afastou-se. O cego aproveitou para se esfumar.
Um carro aproximou-se, subiu o passeio, e deixou uma passageira, que saiu de chinelos e manta sobre o corpo. Caminhou pesadamente para barlavento, o que me deixou intranquilo, pois os aerossóis propagam-se com o vento. Encostei-me ao pilar, onde o vento não corria e esperei.
Lá ao fundo um cambaleante anunciava-se com uns sons incompreensíveis.
A porta do edifício abriu-se e saiu uma paciente de robe rosa, salpicado por penas de pato brancas. Calçava chinelos e trazia as pernas – muito brancas e bem depiladas – ao léu. Na mão, um saco de plástico enorme, mas leve, aparentemente cheio de roupa. Encostou-se à maior parede que dava proteção do vento. Não a usei porque foi a parede onde tinham estado o cego e o vigilante, e Deus sabe os ares que por lá ainda pairavam.
Abriu o saco, procurou freneticamente, e tirou de lá – do meio da roupa, que entretanto se conseguiu ver – um maço de tabaco. Gigante, Maior que o SG Gigante do meu tempo de fumador. Retirou um cigarro, acendeu-o, e, enquanto o acendia, ligou a uma familiar com uma voz mais doce do que a dela: estava em altavoz.
Acabei por perceber que, a enfermeira, que esperava no vestíbulo, tinha vindo acompanhá-la, com receio que fugisse, de robe e pernas ao léu, naquela noite em que eu tremia atrás do pilar que me protegia do vento.
Acendeu o segundo cigarro no borrão do primeiro e continuou a conversa, na mesma toada sarcástica com que proferiu a primeira frase.
O vigilante que regressou, entretanto, juntou-se a outros três colegas que saíam de turno. Era a hora de troca de turnos. Enfermeiras, de minissaia, entravam e saíam para o deleite dos meus olhos, e ajudavam-me a aguentar o vento gélido da noite, num dia que, horas antes, tinha lembrado o verão. Agradeci, às “nossas” profissionais de saúde, o facto de não terem termómetro em casa, e de virem quase nuas para a rua.
Os vigilantes, continuavam a discutir futebol e salários de países sem apoios sociais, quando se aperceberam do sem-abrigo que se aproximava, agora mais perto e cambaleante, no meio de um discurso ininteligível.
Responderam-lhe com grunhidos. Mas calaram-se à sua chegada. Por respeito à liberdade do indigente? Ou por falta de sentido da própria existência?
A segunda ponta de cigarro da mão da estranha senhora do robe rosa acabou abandonada no topo de um recipiente de lixo. E assim terminou a minha experiência de hoje, fora do meu casulo de conforto.

 

Dubai

Sobre o Dubai, nem me passa pela cabeça passar por lá. Aquilo é o expoente maior de um “Não Lugar”, tal como Marc Augé o definiu e descreveu. É um sítio que não tem nada. É um amontoado de clichés, ou seja, de nada.
Tem alguma tasca típica, com 50 ou 100 anos? Consegue-se ver, e falar com, algum residente tradicional? Consegue sentir-se e viver o ambiente tradicional e histórico da região?
Claro que não. Repito. Claro que não.
Aquilo é um amontoado de clichés. Um conto de fadas até. Um cliché.
Nunca comentei as visitas dos meus amigos ao Dubai, porque eles fazem publicações com um ar tão feliz, que me custa desancar em cima de todo aquele deslumbramento. Não o farei.
Mas nunca me vão ver no Dubai.
Se me quiserem encontrar, procurem-me numa tasca das ruas mais pobres de Yaoundé ou Bamako.

Deus e a Ciência

Acreditar na Ciência é crer numa coisa que não se conhece: é tão mau como crer em Deus.
(Estive para rescrever a frase anterior e tirar o “tão mau”, mas é mesmo mau acreditar ou crer em algo só porque sim. Por isso mantive a expressão.)
Mas a Ciência está errada? Não foi isso que eu disse, embora quase sempre a Ciência esteja errada: faz parte do processo de evolução do conhecimento científico. Mas ainda assim, apesar da Ciência estar quase sempre errada (alguém conhece algum facto científico que seja universal, imutável, etc., essas coisas em que os crentes gostam de acreditar? se sim, digam em comentário, por favor), apesar da ciência estar quase sempre errada, dizia eu, acerta muitas vezes. E porquê?
A Ciência é quase toda estatística, atualmente. A investigação científica define modelos que explicam a realidade. Quando as poucas variáveis (porque são sempre poucas e redutoras) do modelo se aproximam da realidade, com uma percentagem superior ao acaso, esse modelo é considerado uma imagem da realidade,e isso é Ciência.
Mas voltando às crenças: não se fiem, cegamente, em cientistas ou párocos, nem em ciências ou religiões. Estudem, desenvolvam um raciocínio lógico e dedutivo, leiam muito, pensem e sejam livres.

Olga Prats para sempre

Conheci-a, durante muito tempo, como a pianista que tocava Piazzolla. Vi-a, uns anos mais tarde, a tocar fado, também ao piano. E, mais tarde ainda, a tocar Bach, para 4 pianos. Morreu ontem.

Transcrevo, abaixo, o texto do DN – não vá entretanto desaparecer, com alguma remodelação do jornal – para os que gostam de saber a história dos artistas.


Pianista Olga Prats morre aos 82 anos. Uma carreira distinta na divulgação da música portuguesa

Ao longo dos quase 70 anos de carreira, Olga Prats privilegiou a música de câmara, destacando a produção contemporânea. Morreu esta sexta-feira, aos 82 anos, na sua residência na Parede, vítima de doença oncológica.

A pianista Olga Prats morreu esta sexta-feira, aos 82 anos, na sua residência na Parede, concelho de Cascais, vítima de doença oncológica, disse à Lusa o compositor Sérgio Azevedo, que era seu amigo.

Com uma carreira de 69 anos, Olga Prats foi a primeira pianista a tocar e a gravar o argentino Astor Piazzola em Portugal e a divulgar o fado ao piano, nomeadamente as partituras de finais do século XIX e primeiras décadas do século XX de compositores como Alexandre Rey Colaço ou Eduardo Burnay.

Olga Prats começou a tocar piano aos 6 anos, tendo sido aluna particular de João Maria Abreu e Motta. Numa entrevista à Lusa, recordou que “havia sempre música em casa”.

Deu o seu primeiro recital, aos 14 anos, no Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, a 5 de maio de 1952.

Maria Olga Douwens Prats, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 4 de novembro de 1938, fez o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional, que apontou à Lusa como “a sua segunda casa”, e onde tinham sido alunas a sua mãe e uma tia, e um bisavô professor.

Terminado o curso, em 1957, prosseguiu os estudos em Colónia, na Alemanha, onde foi aluna de Gaspar Cassadó e de Karl Pillney, e em Friburgo, na Suíça, estudou com Carl Seeman e Sándor Végh.

Olga di Robilant Álvares Pereira de Melo (1900-1996), Marquesa de Cadaval, foi “a patrona mais importante para a Olga Prats”, segundo o seu biógrafo e amigo, o compositor Sérgio Azevedo, que disse à Lusa “que o nome da pianista foi uma homenagem à aristocrata”, que durante anos patrocinou os Festivais de Sintra.

Uma das fundadoras do Opus Ensemble, em 1980, e do ensemble de teatro musical Grupo ColecViva, em 1975

A intervenção da Marquesa de Cadaval foi essencial para a família de Olga Prats lhe comprar o primeiro piano. “Sem a Marquesa de Cadaval, a Olga Prats não teria tido todas aquelas oportunidades que teve de estudar e conhecer músicos na infância e adolescência”, disse Sérgio Azevedo.

Na Alemanha, onde foi bolseira do Governo alemão em parceria com a Fundação Gulbenkian, Olga Prats tocou com várias orquestras e recebeu elogios da crítica musical, tendo, em 1958, sido distinguida com o prémio para melhor estudante estrangeira.

Em 1960, regressou a Portugal, tendo continuado a estudar com a pianista Helena Sá e Costa (1913-2006).

O seu talento não passou despercebido nos meios académicos internacionais, tendo sido convidada para ser professora de piano nas classes de música de câmara de Paul Tortelier, Ludwig Streicher e Karen Georgian.

Olga Prats tocou com diversas orquestras, desde logo a da ex-Emissora Nacional, a da Gulbenkian, e a do Porto, mas também a Orquestra de Câmara do Festival de Pommersfelden ou a Sinfónica de Buenos Aires.

Ao longo da sua carreira, privilegiou a música de câmara, destacando a produção contemporânea. Este seu gosto foi passado a outras pianistas, designadamente a Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura.

Além de Lopes-Graça, foi também colaboradora próxima de outros compositores, como Constança Capdeville e Victorino d’Almeida, os quais lhe dedicaram várias peças.

Lecionou no Conservatório Nacional e na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) até novembro de 2008.

Olga Prats foi uma das fundadoras do Opus Ensemble, em 1980, e do ensemble de teatro musical Grupo ColecViva, em 1975.

No Opus Ensemble, que formou com o oboísta e maestro Bruno Pizzamiglio, a violetista Ana Bela Chaves e o contrabaixista Alejandro Erlich Oliva, atuou em várias salas de concerto internacionais levando sempre partituras de compositores portugueses como Croner de Vasconcelos, Armando José Fernandes, Ivo Cruz, Sousa Carvalho, Carlos Seixas e, naturalmente, Lopes-Graça e C. Capdeville.

À Lusa afirmou que participar no grupo lhe tinha “aberto horizontes”.

Comendadora da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada

Olga Prats foi jurada desde a sua criação, do Prémio José Afonso, que anualmente, distingue um álbum inédito de música portuguesa, e foi também jurada em concursos de música erudita, tanto em Portugal, como no estrangeiro.

Em 2008, o Estado português reconhece a excecionalidade da sua carreira e o seu contributo para a Cultura portuguesa, tendo-a feito feita Comendadora da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

O compositor Sérgio Azevedo é autor da única biografia publicada da pianista, “Olga Prats – Um Piano Singular”(Bizâncio, 2007). De Sérgio Azevedo, Olga Prats estreou várias obras, quer a solo quer com o Opus Ensemble, e com ele gravou também um disco.

No ano passado, celebrando 68 anos de carreira, Olga Prats juntou-se, num concerto, em janeiro, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, a Artur Pizarro, seu amigo, Jorge Moyano, e ao britânico Nick van Bloss, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa para interpretarem os concertos para dois, três e quatro pianos, de Bach, projeto que o CCB apresentou como “uma autêntica festa pianística”.

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Jaquinzinhos fritos

Um tipo que eu cá conheço, um dia em conversa de petiscos, disse-me: “Lá em casa não comemos fritos”.

Deve ter pensado “os fritos são para os pobres, ou pobres de espírito”, e como ele anda sempre em bicos de pés, porque é baixinho, saiu-se com esta.

Uns anos mais tarde, convidou-me para almoçar em casa dele: pataniscas fritas.

Gosto de tipos que reveem os seus princípios de vida.

Vacinação COVID?

Vacinação COVID obrigatória?
Os que pedem isso, por medo ou outro motivo qualquer, fazem-no quase sempre por hipocrisia.
As duas principais causas de morte no mundo têm origem em problemas cardíacos.
Outras grandes causas de morte são o cancro e diabetes.
Ver a Organização Mundial de Saúde.
E estas causas de morte têm uma origem reconhecida: má alimentação; muitas carnes vermelhas e proteínas animais.
Portanto, quem morre de coração, cancro ou diabetes tem que ser responsabilizado por isso.
Estes doentes têm custos enormes no Sistema Nacional de Saúde. Ocupam grande parte das camas de cuidados intensivos, e gastam enormes recursos humanos e financeiros pagos pelos impostos de todos os contribuintes.
São um grande problema de saúde, mas também económico e financeiro.
E é um problema sem fim. Uma pandemia, diria eu. Ou será um problema endémico?
E alguém ouviu alguma vez falar de limitar o consumo de carne a 100 gramas por semana, por pessoa?
Ou o consumo de laticínios a 200 gramas por semana?
Alguém quer fazer o esforço de não pesar tanto no meu orçamento?
Ou estou a falar para uma plateia de negacionistas?

O R e a pandemia

Sobre o R.
O R, também conhecido por Érretê– para o poderem designar de risco de transmissão, e justificarem a sua utilização nos discursos à população -, é a razão da progressão geométrica (conceito matemático) do número de infetados.
Comecemos, então, pelo início.
O número total de infetados é uma grandeza que cresce sempre, nunca diminui. Começou em zero e vai sempre aumentando.
Para levar a cabo aquilo que quero transmitir, vou fazer a analogia entre a pandemia e os kms percorridos por um automóvel. Assim, o conta quilómetros mede o número de infetados, ou seja, a distância percorrida.
Todos os dias é-nos comunicado o número de novos infetados. O número de novos infetados é a diferença entre o número total de infetados hoje e o número total de infetados ontem.
Os números de novos infetados que nos vão fornecendo diariamente, dão-nos a indicação da velocidade da pandemia. Correspondem, no automóvel, ao velocímetro.
Há uma diferença importante entre os dois: o número de novos infetados é uma grandeza discreta, fornecida dia a dia; enquanto que a velocidade do automóvel é uma grandeza contínua, pois varia a cada instante.
Mas podemos pensar no conceito de Newton – diferenças finitas (neste caso, as diferenças entre o número de casos hoje e o número de casos ontem) – e pensar que, no limite, essas diferenças constituem a velocidade de ocorrência de número de infetados. E, notem, que esta assunção é 100% válida.
Portanto, nesta analogia da pandemia com a Cinemática (secção da Física que estuda o movimento) já temos distância e velocidade.
Será que se pode falar de aceleração? Sim. A aceleração é o R. O R é o cociente entre o número de novos infetados hoje e o número de novos infetados ontem. Corresponde à segunda derivada do total absoluto de número de infetados desde o início.
Bem… tínhamos visto que o número total de infetados, e as suas variações, não eram variáveis continuas e, por isso, não podemos aplicar-lhes derivadas. Mas podemos fazer como Newton, e aplicar um procedimento de diferenças finitas de 2a ordem que, no limite, é a aceleração.
Portanto, o R mede a aceleração da pandemia.

Agora aproveito para desvendar o que me trouxe aqui.
Hoje, nos telejornais da hora do almoço – que vejo religiosamente, porque sou um cientista (apesar de os seguir como um religioso 🤣) – apresentaram, de forma muito preocupante, um gráfico da variação do R.
UAU‼️ A variação do R é a 3a derivada do número total de infetados. Não existe equivalência na Cinemática. Podemos calculá-la, obviamente, mas, se fosse importante, se fosse útil, existia na Cinemática.

O que é que disseram nos telejornais? Que o R já foi de 0,67 na semana passada (um valor fantástico, uma queda livre, uma queda abrupta do número de novos infetados), mas que agora está acima de 0,8.

Qualquer valor abaixo de 1 significa que o número de novos casos é sempre inferior ao do dia anterior.
Todos quereríamos que o número de novos casos, assim como o de ainda infetados, chevasse a zero. Mas existe um tipo de cidadão que, por motivos ainda não identificados, continua a propagar o vírus. Por esse motivo, a curva do R vai cair, assintoticamente, não para 0, mas para 1.

Nota posterior: o R não é exatamente a aceleração. Mede a variação da velocidade, mas de forma relativa, ou seja, quando a velocidade não muda, o R é 1 (a aceleração clássica seria 0). A aceleração é uma grandeza absoluta, e é a diferença de velocidade por unidade de tempo. O R não é exatamente a aceleração da Cinemática, embora seja uma medida (relativa) de aceleração. Tudo o resto está OK.

Ventura, os ciganos e os tolos

Ventura, os ciganos e os tolos.
Ventura acena aos tolos com os ciganos
E com os subsídios de inserção.

Ventura sabe que está errado, omite informação, mas não lhe interessa: os apoiantes são tolos.
Ventura não diz que os ciganos só recebem o subsídio de inserção se puserem os filhos na escola. Assim que os filhos faltem à escola, é-lhes retirado o subsídio.

Agora, se não são tolos, pensem: cada subsídio são 180 €; se os miúdos se mantiverem na escola, daqui a uma geração tudo muda: uns serão engenheiros, outros advogados, outros médicos, canalizadores, mecânicos e sapateiros.

O custo para o país é mínimo, o ganho é enorme: os ciganos vão poder integrar-se.

Quem arquitetou isto é enorme, é genial.

Classic Editor

Sempre (ou quase sempre) que atualizo o WordPress, o editor clássico desaparece e é substituído pelo editor de blocos.

O editor de blocos é a coisa mais asquerosa que podiam ter criado. Não permite editar o código HTML, ou pelo menos, ainda não descobri como se faz. E, nalguns casos, isso para mim é fundamental. Nomeadamente quando quero inserir código de linguagens de programação, ou de comandos, embebidos no texto.

Portanto, sempre que instalo uma nova versão do WordPress, tenho que instalar o plugin Classic Editor, que desaparece sem ser a pedido.

Windows 10 não arranca

O Windows 10 não estava a arrancar. Estive mais de um dia a tentar soluções da net@, mas só esta funcionou.
Estou imensamente agradecido a este tipo que fala inglês com um sotaque indiano
Bem Haja!

1) Type “Diskpart” and hit enter

2) Type “Lis Disk” and hit enter

3) Select the disk by typing “sel disk (Disk Number)” and hit enter

4) Now type “Lis Vol” and hit enter

5) Select the system reserved/EFI Partition by typing “Sel vol (Volume Number)” ( you can identify It by its drive size which will be around 500+ MB & It will have a label as system reserved / EFI)

6) Type “assign letter=M:” and hit enter

7) Type “Exit” and hit enter

8) Type “M:” and hit enter

9) Type “format m: /FS:FAT32” and hit enter

10) Type “Y” If prompted (Twice)

11) Type “bcdboot d:\windows /s m: /f all” (Where d is the drive letter of the c drive) and hit enter

12) Type Exit and hit enter and reboot your computer.

Palhete

Saiu palhete.
E palhetes há muitos.

Um dia, a minha avó pediu-me para ir comprar vinho branco à taberna. Subi a rua, e não, não foi nesse dia que fui mordido por um cão, e que fui ao Instituto Pasteur para tomar 12 injeções na barriga contra a raiva…

Subi a rua, dobrei a esquina e entrei na taberna.
Levava a garrafa na mão. Não havia garrafas – desperdícios – assim, a nosso bel prazer, como há agora, para oferecer. Tínhamos que levar depósito.
Entreguei a garrafa ao taberneiro, por cima do balcão, que ficava lá em cima. Eu não conseguia sequer ver as pipas, de tão alto que era.

“Quero um litro de vinho branco”, disse-lhe.
Pareceu-me que ele estava a encher a garrafa, do tonel do tinto. E lembrei-o: “É vinho branco”.
“Ah! Não há problema”, retorquiu o taberneiro.
Retirou a tampa superior da pipa e vazou a garrafa, cheia de tinto, até meio. Depois encheu o resto com água, agitou, pôs-lhe a rolha, e colocou-a no balcão.
Nem sequer fez desconto.

A minha avó e o meu pai não acreditaram na história. Mas também não eram escanções.

Palhetes há muitos.