Armas e Tanços

O roubo de Tancos aconteceu há mais de um ano. A notícia foi dada a 28 de junho de 2017. Quase quatro meses depois, a 18 de outubro, a PJ Militar anunciou a recuperação do material roubado. Todo? Não. As munições de 9mm tinham-se extraviado, e havia uns monos a mais, para além da lista do material supostamente roubado.

Entretanto, o Parlamento – essa inutulidade democrática – rabeou em intermitências de insatisfação, o grupo de militares que recuperou o armamento foi detido, o ministro da Defesa caiu e o CEME demitiu-se. Tudo faits divers.

O que eu quero saber é quem roubou, e quem ajudou a roubar. Isso é que é importante, mas parece que ninguém se preocupa com isso. Fica a ideia, de que todos os responsáveis do país estão feitos com os ladrões: o Exército, a Assembleia da República, os partidos, o Governo, o Presidente, a Procuradoria. É uma vergonha.

Vão-nos presenteando com resultados extemporâneos, na esperança de que esqueçamos o essencial: quem roubou, como, e com que cúmplices. E nós, os alicerces da República, vamo-nos esquecendo do mais importante.

O armamento foi furtado de Tancos, mas os Tansos somos nós.

O beijo do avozinho

No programa da FCF (quase um anagrama do famigerado CFC), o Daniel afirmou que, obrigar a criança a beijar o avozinho, era uma violência contra o corpo da criança.

No dia seguinte, gerou-se uma onda de indignação contra o Daniel, que é um tipo mais letrado que a maioria dos portugueses que se revoltaram contra ele, e hoje, passados três dias, essa onda ainda não parou. No entanto, já começaram a surgir, aparentemente um pouco a medo, defensores da posição do Daniel: no Expresso, no DN, e nalgumas publicações nas redes sociais.

Lembro-me quando a minha mulher obrigou o meu primeiro filho a beijar o meu avô – seu bisavô -, teria o miúdo pouco mais de um ano. Esbracejou e esperneou ao colo dela, a tentar fugir – a tentar voar dali para fora -, mas ela agarrou-o pela cintura enquanto o bisavô se aproximava de beiças feitas… Lembrou-me os dias de terror que passei, na praia da Costa de Caparica, quando os meus tios corriam atrás de mim, para me levarem para dentro de água. Foi talvez o maior terror que vivi na vida.

O meu avô nem era má pessoa, pelo contrário. Era um homem simples, iletrado, de linhas duras na face. um típico Algarvio do barrocal, seco como o Cavaco, parecido na postura, mas sem a estupidez. E o meu filho nunca o tinha visto, ou raramente o via. É claro que aquela cara dura o assustou como um demónio. Obviamente que viveu momentos de violência extrema.

Obrigado Daniel, por me fazeres lembrar estes momentos infelizes, que espero não voltar a repetir.

A Mulher Armadilha

Esta história faz-me lembrar o Bilal.

Porque é que a Kathryn Mayorga apresentou queixa contra um anónimo que lhe foi ao cu? Porque é que não disse logo quem tinha sido o violador? Sabia o nome do hotel, sabia qual a suite, e quase de certeza que sabia o nome do homem que a reconfortou analmente.

Sete meses mais tarde, assinou um acordo de confidencialidade, que prescrevia que não podia falar mais sobre o assunto.

Agora, nove anos depois, veio quebrar esse acordo e quer provar a todo o custo que lhe foram ao cu, mas as provas da enrabadela parece que não existem. Não existem num dia, mas no dia seguinte voltam a aparecer, mas da enrabadela, nada.

As incongruências são muitas: o irmão dele que bate à porta, fala com o Ronaldo em português e ela percebe em inglês; que nunca o tinha visto e ele puxa-a por um braço para a suite, mas os vídeos do hotel mostram-nos a dançar e a enrolarem-se longamente antes de subirem para o quarto…

Não sou juiz, mas acho que o miúdo quis apagar a trapalhada – o gossip, antes de entrar para o Real Madrid, que o pode ter ajudado na altura e que agora o está a lixar com PH, por vingança – com 300 mil euros e agora, que lhe acabou o dinheiro, e que ele é uma estrela ofuscante de presença mundial, lhe apeteceu ir buscar mais um milhão à fonte, que, entre outras coisas, acabou de mandar fora 19 milhões para o fisco español, e lhe parece vulnerável.

É uma mulher armadilha.

Zere – Кыз

Entretanto, no Quirguistão, faz-se a revolução. E a cantora – Zere Asylbek – até já foi ameaçada de morte.

That would be the time,
An era where they do not teach how to live.
And they would not say
“Do so, but do not do that.”
Why should I be so,
What kind of person do you want to see me or society?
I am a man – I have freedom of speech,
Where is your respect for me?
I respect you. And you respect me.
You and I are together,
Join with me.
We will create our freedom around.
You and I are together,
Join with me.
We will create our freedom around.
That would be the time,
An era where they do not teach how to live.
“Do not put it on, do not do that” –
Do not you shout at me.
Why should I be so,
What kind of person do you want to see me or society?
I am a man – I have freedom of speech,
Where is your respect for me?
I respect you. And you respect me.
You and I are together,
Join with me.
We will create our freedom around.
You and I are together,
Join with me.
None of us should feel restrained.
You are no worse than others.
None of us should feel restrained.
You are no worse than others.
None of us should feel restrained.
You are no worse than others.
You and I are together,
Join with me.
We will create our freedom around.
You and I are together,
Join with me.
We will create our freedom around.

(uma tradução automática para inglês)

Hora de verão

A hora de verão permanente foi proposta pelos finlandeses. Para os finlandeses tanto faz que o meio dia seja às 12h como às 24h, pois não têm sol de inverno, e de verão não têm noite.

Mas os finlandeses sabem que, para nós portugueses, isso faz imensa diferença. Os finlandeses não gostam de nós portugueses, porque temos sol, não trabalhamos e estamos sempre a pedir dinheiro a fundo perdido… Na perspetiva deles, isto não é um país, mas um imenso restaurante à beira mar frequentado por mulheres descascadas.

“De que maneira podemos entalar aqueles calões bronzeados – a roçar o aciganado – parecendo que até nem foi de propósito?”, pensou um grupo de dementes do Ártico, enquanto chupava umas cabeças de camarão gelado, numa esplanada interior, à luz de um candeeiro infestado de mosquitos, ao mesmo tempo que, na torre da igreja, batia a hora do meio-dia.

E foi assim que nasceu a ideia mais estúpida desde que se começou a pensar na Europa Unida: a hora de verão permanente.

Android Oreo GPS sucks

Android 8 limits how frequently background apps can retrieve the user’s current location. (see more)

Maybe some applications use GPS without any visible need, but some apps use it as its core. And now they can’t.

Android Oreo GPS sucks

With Android Oreo, I have to keep a track app in foreground, with an active screen. Google says it intends to save battery, but with Oreo, I waste more battery than ever because my tracking apps need to run in foreground with an active display, with the display always on. Burn battery and burn display. And every 10 minutes I have to touch the screen…

It is the time to move to iOS?

NVIDIA, black screen

Já há uns meses que, de vez em quando, os ecrãs do meu computador ficavam momentaneamente pretos e, depois, voltavam ao normal e recebia uma notificação do Windows a dizer que o driver da placa NVIDIA tinha estoirado e o sistema tinha recuperado.

Tenho o Windows 7, num PC com duas placas de védeo – uma NVIDIA Quadro K620 e uma ATI Radeon X1300 – que sustentam 4 ecrãs.

Na última semana, deixei de conseguir trabalhar porque o driver estoirava e deixava os dois ecrãs da esquerda permanentemente a preto. Por vezes até congelava o PC, e nalguns casos também fez reboot.

Depois de 3 dias a reinstalar drivers, e à procura de solução na net@, encontrei uma que funcionou: desinstalar o driver da NVIDIA, remover manualmente todos os ficheiros relacionados com essa placa, e instalar um driver que eu sabia que funcionava.

Eu já tinha tido problemas, no passado, com este driver. Já tinha instalado e desinstalado diversas versões até encontrar uma que funcionasse. Quando comprei a NVIDIA Quadro, instalei o driver mais recente, na altura o 361.75, e não funcionou. Pesquisei na net@ e descobri que o 341.98 era estável. Tive-o instalado durante vários anos. Mas o Windows instalou uma atualização por cima e devem ter ficado ficheiros iguais, de fabricantes diferentes, em pastas distintas. Ou seja, provavelmente, o driver instalado estava a usar algumas DLLs de outro fabricante. E isso fazia o sistema estoirar. Por isso é que foi necessária esta limpeza exaustiva. Retirei as instruções daqui, da resposta do eckdd, de 17 de agosto de 2016. E é a única que funciona.

  • Desinstalar o driver da NVIDIA no Device Manager. Os 2 ecrãs que estavam pendurados nesta placa, deixaram de estar ativos. O eckdd tem mais uns pormenores que eventualmente poderão evitar isto, mas como eu tenho outra placa de vídeo com mais 2 ecrãs, o sistema passou todo para esses ecrãs e continuei a trabalhar.
  • Confirmar que o Windows não instala novamente o driver. Normalmente instala, logo a seguir, um VGA standard para um ecrã apenas.
  • Remover todos os ficheiros ".inf", que estão na pasta Windows, e que tenham o conteúdo "nvidia". Com o Windows 10, isso pode ser feito com um comando na PowerShell. Como tenho o Windows 7, tive que configurar o Windows para fazer pesquisas em ficheiros não indexados(1) (não sei se o INF é indexado ou não) e depois pesquisei na pasta \Windows\inf.
  • Desistalar todos os produtos NVIDIA no Control Panel, em Add/Remove Programs.
  • Remover todas as diretorias NVIDIA em Program Files e Program Files (x86).
  • Fazer reboot.
  • Nas diretorias System32 e SysWOW64 (e subdiretorias), remover todos os ficheiros começados por "nvidia". Isso pode ser complicado, pois foram instalados pelo user SYSTEM. No meu caso, foi necessário fazer "Take Ownership" para cada um individualmente, para depois os poder apagar.
  • Instalar o driver que funciona e fazer reboot.
  • Nunca mais deixar a Microsoft instalar drivers por cima desse.

(1) No Windows Explorer, ALT+T, Folder Options, separador Search, marcar opção: Always search file name and contents(this might take several minutes).

Lixo às toneladas

Cada português produz 40 quilos de lixo por mês

Cada português produz em média 40 quilos de resíduos por mês e, por ano, o país tem mais quase cinco milhões de toneladas de resíduos, o peso de três pontes Vasco da Gama, segundo dados de instituições do setor.
Os números fazem parte de um vídeo da responsabilidade de três entidades ligadas aos resíduos e que agora começa a ser divulgado, chamando a atenção para o facto de apenas se reciclarem 10% dos resíduos.
in DN


Eu produzo apenas 800 g de lixo por mês. Os outros cá de casa também.

Um total de 4,8 kg por mês, a família toda.

O esforço é quase nenhum, mas os resultados são enormes.

INEM, esses heróis

A Maria ligou para o 112 às 4h07m. Eu ainda não estava seguro de que isso era necessário. Passou-me o telefone às 4h09m, pois não sabia transmitir onde estávamos.
“Morada”, perguntaram-me.
“Boa Hora”, respondi.
“Rua e número?”
“Não tem.”
“Tem que me dizer mais qualquer coisa, pois tenho que transmitir dados precisos à equipa que se vai dirigir ao local.”
“A equipa vem de Loulé?”
“É provável. Ou de Loulé, ou de … (não me lembro do local que disseram), mas deve ser Loulé.”
“Se vêm de Loulé isso é suficiente. Eles sabem onde é.”
“OK, então eu vou passar…”
Passaram. Voltaram a perguntar-me mais ou menos o mesmo. E depois de umas hesitações minhas, porque ainda não estava seguro de que fosse necessária uma ambulância – tive que perguntar à Maria se era mesmo preciso – lá confirmei com o meu interlocutor.
“Quem vai na estrada do Parragil para Alte, são cerca de 600 metros a partir do Parragil.”
“E é junto da estrada?”
“Não, mas eu fico na estrada à espera.”
Desliguei o telefone às 4h13m.
Às 4h20m tinha a ambulância lá ao fundo, na estrada. Demoraram 7 minutos a comunicar internamente, a entrar na ambulância e a percorrer 8 km, por estradas com rotundas e, em parte, na serra e cheias de curvas. Eu não faria melhor.

A origem do escabeche

“2kg, 5 euros”, respondeu-me o peixeiro. “Ok, eu levo”. Mas logo depois: “espere”, atalhei.

Na banca do lado, o vendedor apregoava “sardinha a 1 euro”. Virei-me e constatei que ele não tinha sardinha, só Tuna Fixe: um gozão, ou um adepto do marketing feroz.

Queria assá-las todas, mas as minhas irmãs e os meus pais fugiram para Espanha, para comer cerdo grelhado.
Fritei-as no dia seguinte, mas eles fugiram para Monchique para comer javali.
Agora tenho 30 sardinhas fritas para fazer de escabeche e ir comendo a meio da manhã, intercaladas com mergulhos, enquanto os outros comem bolas com creme.

Histórias do Algarve III

A comer alcaparras, enquanto recordo Benagil de ’78, que era a imagem viva do Stromboli, do Roberto Rossellini. Já não há nada disso em Benagil.

Benagil é um não-lugar, no sentido que lhe deu Marc Augé. Um sítio não-sítio, igual a tantos outros: vivendas para turistas, com parqueamento privado à porta; escada bonita e empedrada até à praia, uma fila de veraneantes a inscreverem-se para um passeio de barco pelas grutas marinhas…

Nada de velhas vestidas de preto, com lenço, também preto, na cabeça, a gritar, do alto da falésia, “o almoço está pronto”, enquanto os filhos da terra recebiam os amigos lisboetas, lá em baixo, na praia selvagem – mesmo selvagem, vocês nem imaginam – e livre.

E o único elo que liga todas estas realidades são as alcaparras mediterrânicas,… e a minha memória.

Sardinhas de escabeche, a última receita

Fritar sardinhas, enrolandas em farinha, no dia anterior.

Saltear uma cebola, em lume bem forte, cortada em meias luas, em azeite e uma pitada de sal – o chamado sal mágico, que chupa a água da cebola durante a cozedura.

Juntar uma folha de louro, pimenta moída no momento, e também grãos inteiros de pimenta preta.

Mexer sempre, para não queimar. A cebola tem que perder água duas vezes e tem que ficar mesmo mole. Juntar vinagre e continuar a mexer.

Retirar do lume e verter por cima das sardinhas.

Et voilà.

Histórias do Algarve II

Na extremidade oeste da Ria Formosa, um casal chega à praia. Ele, com um ar distinto, de doutor em Direito, e ela calma e assertiva, talvez investigadora científica, ou mesmo chefe de algum centro de investigação. Com alguma dificuldade, ele espeta o chapéu de sol na areia, percebe-se que as habilidades manuais não são o seu forte – nem forte, nem fraco, nem nada – e o chapéu pode cair a qualquer momento.

Pouco depois, chega o filho, atarracado, como o pai, também com cabelo curto, preto e encaracolado, com uma cadeira desmontável, de metal e pano, debaixo de um braço, e um livro, com muitas folhas, na outra mão. Não terá mais de 12 anos – ou talvez uns 14 mal crescidos. Monta a cadeira e senta-se, de calções e polo, à sombra do chapéu instável montado pelo pai, a ler a Guerra e Paz, do Leão Tolstoi, volume I. Na praia, todas as outras crianças chapinham, de calções de banho, à beira da água.

Numa outra ilha da ria, 30 km a leste, dois caminhantes chegam à extremidade nascente e sentam-se à espera da maré vazia para passarem a nado para a ilha seguinte. O sol está a pôr-se e a luminosidade do dia cai a cada instante.

Uma mulher de cabelos pretos desgrenhados, com algumas cãs, e cara com traços vincados, envergando um vestido roxo, de algodão, comprido, surge junto à costa e contorna a extremidade da ilha à frente dos caminhantes. Atrás dela, um miúdo com aspeto enfezado, aparentando ter 12 anos, mas provavelmente com 14 anos mal nutridos, vestido com uma camisola e calças compridas, arrasta uma caixa de madeira vazia – daquelas onde se vende fruta – puxada por uma corda, com os dois braços atrás das costas. E a mulher anuncia, sem parar, mas deslocando-se pesadamente: “O Miguel está disponível para amar”.