Os anéis de Saturno

Saturno está a perder os seus anéis

No início, quando o sol se começou a formar, e ainda era um planeta, tinha esse aspeto: uma massa central, cincundada por um disco de detritos, poeiras e gases.

Depois, à medida que atraía mais poeiras do anel, começou a aumentar de massa, a fundir hidrogénio em hélio, a produzir energia, e transformou-se numa estrela.

As poeiras continuaram a rodar em torno do sol, e foram-se aglomerando dando origem a planetas, que continuaram a rodar em torno do sol.

Alguns planetas mais afastados, que, por estarem afastados, eram mais gasosos e maiores, atraíram algumas dessas poeiras, que se mantiveram na sua órbita, em forma de discos e anéis. É assim que o nosso universo funciona.

Mas esses anéis, mesmo nos planetas gasosos e distantes, vão dando origem a pequenos planetas (os chamados satélites) que continuam a rodar em torno do planeta mãe.

Foi assim que a Lua se formou também. A Lua não se formou a partir de um bloco de massa que se escapou da Terra, como “a Ciência” afirma atualmente, numa imagem quase bíblica de maternidade astronómica. Que ideia mais medieval… Que vergonha de raciocínio, diria eu.

E, assim, Saturno vai perder os “anéis” todos. Mas vai ganhar mais planetas satélites.

Justiça de elites

Não há justiça em Portugal.

A justiça que existe – e vai com minúscula porque não é universal – é apenas para as elites. As pessoas comuns não têm acesso à justiça. E não têm acesso porque esse acesso foi-lhes cortado, estrategicamente, com custas exorbitantes e inalcançáveis.

Há uns anos, uma operadora de telecomunicações mudou de mãos e, no meio de papeladas perdidas, recebi um processo em casa. Não havia motivo nenhum para aquele processo, onde me acusavam de uma dívida de umas centenas de euros.

Telefonei para a empresa – do Belmiro – e não consegui que me ouvissem. Para poder apresentar defesa em tribunal – em minúsculas pelo motivo anterior – tive que pagar 97 euros. Caso contrário, era considerado um processo sumário e eu passava automaticamente a condenado.

Depois de quase trezentos euros pagos ao tribunal, telefonou-me a advogada do Belmiro a perguntar porque é que eu me queria defender. Expliquei-lhe e eles retiraram o processo.

Telefonei, depois, para o Tribunal e disseram-me que me iriam devolver o dinheiro. Já passaram 10 anos.

Onde está a Isabel do Carmo?

B12 e agriões

Aparentemente, a vitamina B12 pode ser fornecida por plantas (Lepidium sativum, garden cress, comestível e geneticamente parecida com o agrião e a mostarda). Na realidade, um estudo publicado pela revista Cell defende que a vitamina B12 é sintetizada por bactérias, ao invés de ser produzida por animais (de maior porte) como era pensado até agora.

A ver vamos.

Pelo sim, pelo não, vou passar a criar agrião aqui em casa. 🙂

Remover um serviço no Windows

É muito fácil 🙂

Mas vamos por passos. Saquei a informação deste sítio.

  1. Ir a: Control Panel -> System and Security -> Administrative Tools -> Services
  2. Sobre o serviço pretendido, premir o botão direito do rato
  3. Escolher Properties
  4. Copiar o nome do serviço
  5. Abrir uma consola (cmd) como administrador
  6. Executar o comando sc delete <nome do serviço>
  7. Por exemplo: sc delete AdobeARMservice

Et voilà, acabaram-se os updates da Adobe!


PS: Se se enganarem e removerem um serviço importante… chamem os bombeiros. 🙂

Azeitonas

As azeitonas em água e sal, até março.

A guerra que foi, para fazer esta foto. Escolher o ângulo para tirar o brilho no vidro; tapar a luz com um guardanapo preso na mão esquerda e nos dentes, enquanto fotografava com a direita; escolher um filtro que salientasse as azeitonas, pois a melhor das fotos estava uma merda…

Mas lá consegui que, em metade da foto, se vissem as azeitonas.

Na serra…

Visto de cima, isto parecia uma tampa de garrafa, no chão, ao lado de uma raiz de pinheiro. Fiz pelo menos 10 fotos até conseguir esta aldrabice. Tive que enterrar o telemóvel no chão e pôr flash, senão via uma mancha preta com o céu azul lá em cima.

Parece uma coisa maravilhosa, não parece? Mas, para quem fosse a passar – distraído – era só uma mancha castanha no chão… que é castanho também.

Presidências

marcelo
“Dois anos, hei de cumpri-los bem. Mas mais cinco? Não sei…”

Marcelo, um presidente que não envergonha o país, nem os portugueses, exceto quando se baba em frente ao presidente da China.

Se já se baba, ao fim de dois anos, o que não fará daqui a dois ou três? Urinar-se pelas pernas abaixo? Arrear as calças e soltar uma poia, em público?

O anterior ainda era pior. Quando chegou, já era uma múmia. Morreu uma vez a discursar. Bem podiam não tê-lo resuscitado. Não valia o esforço. Era uma vergonha para Portugal e para os portugueses. O que vale é que nunca saía de casa, não fazia nada; ninguém sabia que ele existia. E quando falava, parecia que se estava a peidar, tal era a merda.

Os coletes amarelos

Muitos queriam ver isto tudo partido – porque se sentem desconsiderados pela Justiça, pelo patrão, pelo governo – mas não queriam ser eles a partir. Preferiam ver a cena pela TV. Enviaram vídeos e cartazes aos amigos, durante dias a fio. E continuaram a arfar enquanto os poucos mobilizados estrelavam na TV…

– “Minha senhora, pode-me dizer o que acha da manifestação?”, perguntou o repórter a uma senhora que segurava um cartaz.
– “Eu não percebo nada disto. Vim só ajudar”, respondeu a senhora, empunhando o cartaz – amarelo como o colete – ainda mais alto.

Que mais pode almejar uma vida cinzenta e aborrecida do que trinta segundos de estrelato?

E tu, que ainda não levantaste o rabo do sofá, mas que te arrependes de não ter sido tão ou mais amarelo que a senhora do cartaz, tu ainda estás a tempo de vestir o colete. Nem que seja em casa. Se não vestes ficas aguado durante semanas. Eu cá já vesti. Fechei-me na casa de banho – para os outros não verem – e às escuras – para eu não ver também – não fosse ficar traumatizado para o resto da vida. 🙂

O melhor filme de sempre

Ao Correr do Tempo Anúncio no jornal, de quando fui ver isto ao Quarteto

Porque é que volto a escrever sobre o melhor filme de sempre?
Porque é o melhor filme de sempre, claro.

Se tiverem oportunidade, vejam o “Ao Correr do Tempo”. O nome original é: “Im Lauf der Zeit”, e em americano: “Kings of the Road”. Bem, em americano perde a beleza toda, perde a magia toda, mas é o melhor filme que alguma vez já vi.

Vi-o há 30 anos e, nem para trás, nem para a frente vi alguma coisa assim.

Vi-o no Quarteto. Quando acabou já me doía o rabo de estar sentado: foram três horas. Não sabia se havia de chorar, ou se havia de rir. Nunca me senti assim num filme, e estou farto de chorar em filmes e de rir também.

Mas este é… o melhor filme de todos os tempos.

Natália Correia

Cosmocópula

I

Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras

II

O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.

Natália Correia
(prima do meu grande amigo José Correia)

Putin e o colete amarelo

Somos cada vez maiores!

Até nós – portugueses – já somos alvo do movimento russo para destruir a Europa.

Anda para aí a circular uma convocatória fantasma para parar o país no dia 21. O DN diz que é a extrema direita. Para mim tanto faz o nome que lhe dão: a Rússia é um fascismo como outro qualquer.

Há quem diga que é o Trump, mas acho que o gajo é um banana. Quem tem o Know How disto – de mobilizar os parvalhões nas redes sociais – é a Rússia.

Sete pragas

Um tipo pediu-me um cigarro.
– Não tenho. Não fumo.

Pediu-me, depois, moedas para um café.
– Não tenho moedas.

Rogou-me, então, uma praga.
“Vais ter um azar. Não sabes com quem estás a falar.”

Desmanchei-me a rir.
Aproveitei para jogar no Euromilhões.

O sorriso

Estavam três mulheres na sala de espera do hospital: avó, mãe e filha. Setenta e tal, cinquenta muito sofridos, e dezoito anos. Foram chamadas duas vezes: uma para a triagem, outra para a consulta. A mãe acompanhou a avó – mãe dela – que se deslocava com dificuldade e com uma canadiana. Passaram por mim. A mãe era a mais triste das três, como é normal nos dias que correm. Extremamente magra e com as feições caídas. Roupa velha, coçada e pobre.

Depois de atendidas, a mãe chamou a filha para amparar a avó, enquanto inseria moedas no telefone público, para tentar chamar um táxi.
As moedas entravam e saíam logo de seguida. Tentou talvez cinco vezes antes de eu me oferecer para telefonar, embora eu tivesse sentido vontade de ajudar, logo no primeiro momento, perante aquela imagem de pobreza, escassez e resignação.

Durante a chamada, eu disse à telefonista: “É para três senhoras, mãe, filha, e…”
“E neta”, atalhou ela. Ela considerava-se a filha. Tão querida…

“E neta”, atalhou ela, quando eu me preparava para dizer “e avó”.
Desliguei o telemóvel e disse-lhe: “chega daqui a pouco, é o carro 48”.
“Quanto é o telefonema?”, surpreendeu-me.
Sorri, com um sorriso emocionado: “É grátis”.

Pôs-me a mão no ombro, agradeceu-me e desejou-me bom natal.

Foi a única vez que a vi sorrir.