Requiem por Miquelina

Ela era muito discreta. Estava sempre ao pé do Access Point da sala 11. Notei a falta da Miquelina quando ela deixou de ser vista na sala de aula. A verdade é que ela estava sempre na aula, mas não gostava de todas as matérias.

Em Engenharia de Software, às vezes aparecia, mas era muito raro. Onde aparecia quase sempre era na aula de Informática para aprender HTML, CSS entre outras coisas. Chegou mesmo a ser vista pela Inês.

Quando começaram as aulas do 2º semestre deixei de a ver. Fui perguntando a todas as turmas: “Viram a Miquelina?”

Mas a resposta era invariavelmente a mesma: “Não, professor. Porquê? Não a tem visto”.

Em vão eu olhava para o Access Point, na esperança renovada que um dia aparecesse. Mas não apareceu. Nem nunca mais iria aparecer. Tive a certeza quando perguntei a um dos contínuos:

“Oiça lá, viu a osga que estava na sala 11, atrás do Access Point?”

Ao que ele respondeu

“Não era para matar?”

R.I.P. Miquelina

A Miquelina
A Miquelina

Jaquim e Deolinda

A história do amor proibido de Joaquim e Deolinda ficou sempre por contar devido à ameaça de grandes desgraças que impenderiam sobre o Povo Português. Mas com o BPN, o BES, o diretor do SEF entre outras, que mais desgraças se podem abater sobre nós além da subida do IVA, dos escalões do IRS, da sobretaxa, da falência da segurança Social, etc., etc., etc.? Então lá vai: A estória de amor proibida de Jaquim e Deolinda.

Deolinda era uma jovem Deusa que desde muito nova decidiu que havia de ser a Deusa da Música e das Artes, como a tia Albertina. Um dia a tia Albertina ausentou-se do Monte Alentejano para nunca mais ser vista e ouvida, diz-se, atrás de um dragão. Fugiu para as terras do Norte onde se diz que veio a ser a deusa do futebol, mas esta uma estória para ser contada noutro dia.

Com o afastamento da tia Albertina, Deolinda passou a ser a Deusa da Música e das Artes como desejava desde catraia. De tão contente elevou a sua bela voz tão alto que a mesma foi ouvida por Jaquim na profundeza dos mares. Imediatamente subiu até á praia da Costa da Caparica (era mais facil de passar despercebido do que em Portimão) seguido pelos seus inesgotáveis Jaquinzinhos (para grosso gáudio dos pescadores da Costa que, de tanto peixe que pescaram, foi-lhes dado o nome à principal rua da localidade: A Rua dos Pescadores).

Mas dizíamos nós, a voz maviosa de Deolinda ouvia-se por toda a parte (mas apenas pelos Deuses), e Jaquim apaixonou-se sem retrocesso pela voz. Quando a viu, apaixonou-se pelo resto.

Deolinda, ao ver Jaquim, coberto de algas e estrelas do mar, olhando os olhos de cor castanho profundo como as àguas do Dafundo, sentiu-se irremediavelmente arrebatada e quis fugir mas, ao lembrar-se da tia Albertina achou: “Nããã. É melhor ficar quietinha e não fazer os mesmo disparate da tia, que ainda perco o lugar…”

Imediatamente Jaquim foi ter com o irmão, o grande deus Zé (pensavam que não ia aparecer? Pois, enganaram-se :)) e pediu-lhe a mão de Deolinda em casamento. Zé disse: “Não”. Jaquim perguntou: “Porquê?”. Zé respondeu: “Porque não!”. Jaquim interpelou: “Agora a sério?”. Zé meneou a cabeça: “(movimento da cabeça a abanar)”. Jaquim gritou: “DIZ LÁÁÁ!!”. Zé riu-se: “(LOL)” e disse, de seguida: “Vocês são primos”. Jaquim olhou incrédulo e perguntou: “E o que é que tem?”. Zé retroquiu: “São primos. Pronto!” e acrecentou: “Não podem casar, já disse”.

Desalentado, Jaquim regressou á Costa da Caparica, mas levou Deolinda consigo. Foram dar uma volta pela Costa a conversar, foram até à praça ver o peixe e depois ele lembrou-se: “Conheço um sítio simpático onde podemos, ahm, conversar mais á vontade. Chama-se Capuchos”. E foram até lá, viram o sol a pôr-se no mar e ficaram toda a noite, ahm, a conversar mais “à vontade”.

Depois, por causa da proibição do irmão Zé, Jaquim propôs que não se voltassem a encontrar para evitar a ira do grande deus Zé, e foi assim que se afastaram para sempre. O deus Jaquim teve muitas mais paixões, mas nunca mais esqueceu a sua Deolinda.

Passado alguns meses (menos de dez, topam) nasceu uma bela menina a quem foi dado o nome de Ana pelo lado da mãe e Bacalhau pelo lado do pai.

Mitologia Portuguesa

Os Gregos têm mitologia. Os Romanos têm mitologia (roubada dos gregos, mas têm). Os Nórdicos têm mitologia. Os Celtas têm mitologia. Até os Lusitanos têm mitologia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_entidades_da_mitologia_lusitana)!

Só os portugueses não têm. Está na hora de terem uma.

No princípio era a penumbra. O grande deus Zé fartou-se da penumbra e disse “Já chega!”. Nesse momento separou para um lado a Luz e para o outro todos os enxames de insetos que criavam a penumbra. E desde esse dia, todos os insetos procuram a Luz.

O deus Zé tem dois irmãos. O deus Manel, deus dos Infernos que mora próximo da Amareleja, localidade onde não é possível estar sem passar pelas brasas.

Têm ainda outro deus irmão – o Jaquim – deus dos mares. Navega todo o santo dia pelos mares seguido de um extenso cardume de pequenos peixes conhecidos como os “jaquinzinhos”.

Moram todos num monte, como em todas as mitologias, mas os deuses portugueses não moram num monte qualquer. Moram no Monte Alentejano.

Na nossa próxima crónica iremos contar a história do amor proibido de Jaquim com Deolinda, a deusa das artes e da música. Desse amor proibido nasceu uma bébé que se chamou Ana da parte da mãe e Bacalhau da parte do pai.

Fiquem atentos para esta emocionante estória da mitologia portuguesa para que no fim exclamem “Foi Divinal”.

Morreram as férias. Vivam as próximas!

Acabaram-se as férias. As férias “à rica” quero dizer. Para o próximo ano, vamos fazer uma semanita de campismo (selvagem, pois claro) perto de uma praia onde se possa apanhar alguma conquilha (para não a comprar), sem grandes passeios (para não abrir o apetite) e com algumas comodidades moldadas pela “creatividade da crise”: Casa de banho individual (cada um vai ter a sua árvore), refeições diferenciadas (cada um come o que conseguir apanhar), quarto individual (vou ver se arranjo umas tendidas igloos num outlet qualquer ao preço de banana. Ou menos), ar condicionado (aquecimento diurno – se houver sol – e acentuado arrefecimento nocturno [desculpem mas eu ainda escrevo “nocturno” – não me “abituei” ao “noturno” do novo acordo ortográfico])

E vai ter de ser assim, porque os euros terão outros destinos, dos quais alguns nos serão ditos.

Mas não sou pessimista! Porquê? Eu acredito que vamos sobreviver ao Inverno e vamos ter férias para o ano!!! Pessimista ora essa! Não faltava mais nada!

E até para o ano 🙂

Mais uma versão

Depois do notável êxito da versão hip-hop das Pombinhas da Cat’rina, recolhi-me para uma nova produção musical.

E aqui está ela!

A versão “hardcore” da canção “Atirei o pau ao gato”, e chamada nesta versão de:

“Atirei o pau à rata”

Atirei o pau à ra-ta-ta
Mas a ra-ta-ta
Não s’abriu-iu-iu
Logo a do-na-na
Me mandou-ou-ou
Para a pu, para a pu#% que me p@r1%

Deitado num campo de té-nis-nis
Veio uma pu-#%-#%
Chupar-me o pé
Olhó que eu gemo
Olhó que eu grito
Chupa-me os dedos
Pu#% bendita

Fui morar pra uma casinha-nha-nha
Enfeitada-da-da
Com umas meninas-nas-nas
Veio de láááááa
Uma “madame”
Olhou pra mim, olhou pra mim
E fez-me assim
(manguito, acompanhado da interjeição: “Krias!!”)

O tema musical é o original

As pombinhas da Cat’rina

A tão aguardada versão hip-hop da famosa canção infantil.

Aí vai:

“As pombinhas da Cat’rina (versão 1Cent)”

As pombinhas da Cat’rina
Andaram de mão em mão
Foram ter à Quinta Nova
Ao pombal de S. João

Ao pombal de S.João
À Quinta da Rosarinha
Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a cantarinha

Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a cantarinha
Veio logo de lá a bófia
E me meteu na carrinha

Me meteu na carrinha
E me levou para a esquadra
Assim que lá cheguei
Me encheram de porrada

Me encheram de porrada
Qu’eu até me senti mal
Pegaram então em mim
E me levaram ao hospital

Me levaram ao hospital
Disseram qu’eu tinha caído
O Doutor nem olhou para mim
E receitou um comprimido

Saindo dalí embora
Voltei para a carrinha
Só que agora desta vez
Levaram-me prá minha casinha

E lá na minha casinha
Minha mãe estava ralada
Pensava qu’eu tinha levado
Porrada do Gang da Escada

Assim que lá cheguei
Fui para o quarto sem basófia
Deixei nha mãe na sala
A falar com o bófia

Deitei-me na minha cama
E olhei para a sacola
Olhei para as minhas mossas e pensei
“Não aprendo nada na escola”

Deitado na minha cama
Pensando no que vivi
Olho pela minha janela
E o que é que eu vi?

As pombinhas da Cat’rina
A andarem de mão em mão
Foram ter à Quinta Nova
Ao pombal de S. João

Ao pombal de S. João
À quinta da Rosarinha
Minha mãe mandou-me à fonte

E eu bazei, man!!

Não dá.

Yo.

Xadrez

Estou a ensinar os meus filhotes a jogarem xadrez. Ou melhor, a mexerem as peças.

Já lhes consegui ensinar os movimentos básicos e explicar que o cavalo não come tudo o que “sobrevoa” no seu movimento, nem que a rainha come tudo o que estiver à frente até á última casa do tabuleiro.

Noutro dia estava com a mais pequena a jogar e deixei-a com as peças todas “entaladas”, isto é, ela quase não podia mexer nada sem ser tomado ou trocado.

Ficou a olhar o tabuleiro e de repente fez uma jogada que, se fosse permitida, seria digna de um mestre como Karpov ou Kasparov.

Olhou para o tabuleiro, olhou para mim e disse: “Passo”.

Genial.

Páscoa

Para os que não sabem porque raio o Carnaval e a Páscoa estão sempre a mudar de data, aí vai a tão aguardada explicação (que eu recebi por mail, de um amigo meu)

A Páscoa é sempre o primeiro Domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera (20 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano.

E agora umas curiosidades:

 Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (mais velhos do que 95 anos!).

Porquê?

 1) A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (daqui a 220 anos). A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913.

 2) Na próxima vez que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março, será no ano 2285 (daqui a 277 anos). A última vez que foi em 22 de Março foi em 1818. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano.

E a terça-feira de Carnaval é 40 dias (ou 41 nos anos bissextos) antes do Domingo de Ramos, que o Domingo imediatamente anterior á Páscoa.

Podem ir fazendo contas à Lua Cheia e ao equinócio da Primavera de 2009 🙂

Música

A minha filha mais velha começou a aprender piano na escola. Tive de lhe comprar um teclado que tivesse teclas de tamanho “normal”, isto é, de piano, porque não tenho espaço para ter um piano cá em casa. E já agora não dava jeito gastar mais de 150 “aereos” no dito.

Mas a verdadeira surpresa veio dos mais pequenos. A mais pequena já aprendeu (com a irmã) a tocar “o balão do João” com um dedo, mas o mais inacreditável veio do piolho pequeno que rápidamente aprendeu a seleccionar o 99 (percursão) e toca bombo e tarola (dó e ré -2oct) com a mão esquerda , reco-reco (si b) com a mão direita e prato de choque com o nariz (mi b -1oct)!!!!

Noutro dia resolveu deixar a percursão e pôs a tocar uma melodia pré programada e passou para a experimentação de sonoridades harmónicas e melódicas sobrepostas ao tema de fundo com inúmeras nuances dissonantes e ritmos alternativos em sobreposição com a melodia convencional.

De repente apareceu a mãe com um “Pára já com essa chinfrineira!” e ele lá desligou o piano e voltou para os Hot Wheels.

Alívio

A minha filha mais nova entrou para a primária este ano lectivo. Noutro dia apanhei-a a somar: “Cem mais um, cento e um; cem mais dois, cento e dois”.

Resolvi explorar e perguntei “E cem mais cem?”

Ela parou, pensou um pouco e disse “Duzentos!”

Voltei à carga “E duzentos mais duzentos?”

Ficou a pensar durante um pedaço. De repente a carinha dela iluminou-se e exclamou “Trezentos e quatro!”

Suspirei de alívio.