O interesse dos merdia

Que fiz eu para merecer isto?
O que lhes interessa é a palhaçada

O interesse “ao lado” é uma forma de censura pior que a censura.
Pois eles são domesticados para estar “interessados ao lado” por um pérfido mecanismo de selecção pseudo natural: Se te esticas, és despedido. Se a linha editorial não interessa, o jornal é reestruturado.
E assim se mantém vivo o enganador mito da liberdade (Ou da Europa, ou da idoneidade da banca). Eu prefiro outros mitos como o do Adamastor. Esse pelo menos já não engana ninguém.

Ultimatum

Tinham pinta de não ser de cá e lá os levei para o aeroporto.
-Então como é? Sempre vais?
-Tenho de ir para onde sou preciso.
-Mas aquilo não se vai resolver às boas?
-Não, já lhes demos um ultimatum até às três da matina, mas lá
pela meia noite vamos dizer que fomos atacados e TUMBA! neles.
-Assim, sem mais nada?
-Tem que ser. Não podemos perder tempo.
-Então boa sorte.
-Eles é que vão precisar de boa sorte.

Eusébio

Então ontem, a senhora, já com a respeitável idade de 95 anos, reformada dos CTT, contou:
-Naquela noite estava de serviço como telefonista, quando, altas horas, me pediram para ligar para Direcção Geral dos Desportos por causa de um tal Eusébio, que eu nunca tinha ouvido falar.
Enganei-me e liguei para a presidência do Conselho de Ministros. Conheci-lhe logo a voz, verdadeiramente salazarenta: “Boa noite”. Atendeu-me o Salazar, nem mais!
Fiquei toda nervosa, cheia de medo e a pensar “Mas como é que me fui enganar assim? O que é que ele vai pensar de mim? O que irá acontecer?”
Desfazia-me em desculpas pelo engano quando ele, com o seu jeito de estar na vida, me interrompeu e disse:
“Minha senhora, não tem nada de me pedir desculpas.
A estas horas só poucos como nós é que trabalham. E se a senhora estiver tão cansada como eu é natural que cometa enganos. Eu é que lhe agradeço por estar a trabalhar. É de trabalho que este país precisa.”
Não foram estas as palavras exactas e emocionadas com que ela o contou, mas o sentido era mesmo este, com o rigor com que o consigo escrever.

Dá que pensar:
Ele atendeu porque não estava lá mais ninguém?
Mas o homem era um workaholic?
E a resposta é tão ideológica, tão dele…

Enfim, tal como o Eusébio, está a morrer toda uma época, toda uma geração, todo um sistema de crenças.

E agora Portugal?
Um líder dá sempre jeito, mas vais ter de te safar com ou sem ele.

Cada um jogava no seu campo
Uma época

O Raposo e o Coelho

Então fui ao Teatro da Trindade ver o Zorro.

Zorro dá cabo deles
Vulpini, Zorro, Raposa

E qual não é o meu espanto quando o Mau entra em cena e faz um dicurso mentiroso, egoísta mas a parecer que era ele que se sacrificava, em que diz que todos temos que fazer sacrificios e apertar o cinto, e com isto todos excepto ele teriam de trabalhar mais e receber menos.
Que em nome do futuro e da sustentabilidade tinha de ser assim.
Que ele era um benfeitor, quando na verdade era o coveiro.
E que o melhor era mesmo os jovens emigrarem.
E assim se consumava o genocídio do futuro enquanto ele falava de esperança e de um porvir abastado.
Parecia mesmo um Coelho real.

Só é pena que que não haja mesmo Zorros, para o desmascararem e terminar-lhe com a funesta carreira.

– – –
A peça vale mesmo a pena. Diverti-me imenso.

Crimes contra a humanidade

O Euro, essa WMD
Euro is a WMD

Impávido, inamovível das suas convicções, o coelho coveiro do país comanda e incita a sua manada na labuta diária do empobrecimento imposto por aqueles internacionais que às quartas e sábados são contra a austeridade e que às quintas e terças são a favor e que nos outros dias exercitam o silêncio demagógico, enquanto auscultam os ventos, as sortes e os agiotas.

– – –
2010:
Mais de 300 mil jovens portugueses não têm qualquer actividade

2012:
Mais de 430 mil jovens portugueses não trabalham nem estudam.

E só não são mais porque:
Portugal perdeu 65 mil jovens activos num ano.

Esta geração nem-nem foi encurralada e agora está a ser dizimada. Não podem completar o seu ciclo de vida. Passam de juvenis a senis, sem se poderem reproduzir, sem darem fruto. Na Asia procriam e na Europa definham. E depois?
É a economia contra a biologia. O genocídio do futuro está em marcha. Está a acontecer neste momento! E o pior é que não é só em Portugal. Mas é aqui que eu vejo e é aqui que me dói mais.
Srs. ignorantes que nos governam: Vejam os dados demográficos! Vejam a pirâmide etária!
Arrependam-se! Arrependam-se! Façam penitência!
A Europa não pode ser gerida assim.

Um verdadeiro crime contra a humanidade perpetrado pela troika-coelho e seus acólitos.
Viva o Euro, a maior arma de destruição em massa!!

Para quê?

Sejamos realistas…

Sejamos realistas. Exijamos o impossível!!
A memória do Maio de 68 está de volta.

A possibilidade e a realidade
Sejam realistas, exijam o impossível!!

Sejamos realistas. Este governo é uma nódoa. Este governo não presta. Este governo faz mal ao país.
Este governo tem de acabar. Este governo tem de sair. Este governo tem de ser derrubado.

É preciso lutar. É preciso não lhes dar descanso.
É preciso exigir o que eles nunca nos poderão dar.
Ousemos exigir o que tem de ser feito e eles nunca farão.
Exijamos o impossível!

Falando de compras – Out 2013

Abriu uma Primark no Colombo.
Passei por lá há pouco.
Enorme, atuchada de gente e de expositores com roupa.
A atmosfera estava carregada, com uma névoa de pó de texteis e de cheiros suados.
Deu-me a tosse.
Vim-me embora. À porta o alívio.

Isto é que vai uma crise…

A farsa dos mais necessitados…

Farsa
Autos e Farsas

Foi descoberta uma farsa perdida do Gil Vicente.
Está incompleta, mas começa assim:

Depois dos fogos do verão estava o Robin dos Bosques com o filho na floresta mais ocidental da Europa quando se aproxima um incauto viajante.
E diz o filho para o pai: “Olha aquele. Vamos assaltá-lo para dar aos mais necessitados?”
“Bora lá”.
Esta cena repetiu-se durante um bocado. Em seguida, pai e filho,
usam uma parte dos saques para custear as meritórias acções e vão distribuir o restante pelos mais necessitados.
– –
No dia seguinte um ex-necessitado, ricamente ajaezado, vem a passar pela floresta quando é despojado pelo Robin e sus muchachos.
“Mas o que é isto??!”, clama ele impotente e perplexo.
Responde-lhe o Robin: “É para uma boa causa, é para dar aos mais necessitados”
“Mas ontem tu deste-me isto”
“Mas isso foi ontem. Hoje há outros”
E pimba!
– – –
Passado algum tempo toda a gente conhecia o que era a austeridade e que queria dizer o PIB a baixar.
E o Robin continuava a ajudar os mais necessitados.
E dizia para o filho:
“Vês, isto assim nunca mais acaba. Há sempre mais necessitados. E nós cá vamos prestando os nossos serviços e cobrando a nossa parte.”
É nessa altura que aparece o fantasma do Sidónio Pais:
“Vê lá o que fazes. Por menos do que isso deram-me dois tiros”
E aparece também o fantasma de um tal Buiça:
“Por menos de isso espetei-lhes com dois tiros”
E o coelho escondia-se na toca. Vinham chineses atrás dele.
Eis senão quando a Alice diz em alemão: Heil! Heil!
É preciso fazer um arrastão na praia de Carcavelos.
Tem que ser bem organizado. Na frente segue a polícia a autuar, a autuar, num verdadeiro BlitzMulta. Depois, ne segunda linha vêm os fiscais das finanças a realizar a cobrança coerciva do IRS do ano que vem.
Depois vêm os gigantones a apitar e batucar, as majorettes a lançar serpentinas e os membros do governo a fazer bullying aos idosos e viúvas …

– – –
É aqui que termina o texto recuperado.
Mas cá para nós não nos parece nada Gil Vicente.
Parecem-nos mais as palavras de um profeta.

Teses de Abril

Assim como há um Benfica B e um Porto B, agora também há um PCP B.
Que tristeza…
Volta Louçã, estás perdoado.
– – –
Quanto às teses revolucionárias:
a) TSU – Qualquer máquina que ao ser introduzida suprima um posto de trabalho, deve pagar TSU.
Portagens automáticas devem pagar TSU. Bombas automáticas devem pagar TSU. Bilheteiras
automáticas, … sei lá quantas mais.
Se a rentabilidade acrescida que a máquina proporciona não chega para pagar a TSU de quem foi despedido,
a introdução do equipamento não é socialmente rentável. Para quê então pôr o país todo a pagar o desemprego de um português, para que outro enriqueça?
Não tenho nada contra o facto de ele enriquecer por aumentar a produtividade, mas sem ser também à custa dos outros.

b) Serviço militar voluntário – obrigatório.
É jovem? Tens menos de 25 anos? As Forças Armadas têm um lugar para ti. E pago. Em vez de se pagar subsídios de RSI e habituar os jovens à inacção, as FA incorporam-nos e pagam-lhes decentemente. Mas só para voluntários. Ninguém é obrigado, mas para quem quiser há sempre lugar.

c) Extinguir o Euro e salvar a Europa.
Antes que seja tarde de mais e o Euro acabe com a Europa.

d) Baixar a idade da reforma e promover o emprego jovem.
Explicar melhor??! Só se for com um desenho.
Os jovens têm de ter esperança e possibilidades materiais para constituir família.
Senão que futuro irá acontecer? O futuro é nosso, é da nossa responsabilidade, das nossas acções.
Não existe nenhuma divina providência que o determine para nós.

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Aproxima-se o dia 22 de Abril, dia em que faria anos (se fosse vivo) quem elaborou pela primeira vez uma compilação de teses de Abril.

Lenin nasceu a 22 de Abril de 1870
Lenine

The german economy death march

O banco central alemão, o Bundesbank, referiu hoje que a Alemanha, a maior economia da Europa, tem tido um início de ano instável.

Segundo os últimos dados, o Produto Interno Bruto (PIB) alemão encolheu 0,6% no último trimestre de 2012 e, já em janeiro, as encomendas à indústria e as exportações caíram inesperadamente, representando um revés para as esperanças de uma rápida recuperação.

– – –

A cegueira de Merkel

Estupidez. Não há outra palavra para definir a última decisão dos ministros das Finanças da Zona Euro. Impor uma taxa sobre todos os depósitos existentes nos bancos com atividade no Chipre é a prova, se mais fossem precisas, de que a Europa está a ser liderada por uma política herdeira dos hábitos soviéticos: Angela Merkel.

É um caso de TOP-Porca!

Primeiro ponto: estamos a falar de todos os depósitos, mesmo os abaixo dos 100 mil euros. O que significa que a lei europeia que garante a totalidade dos depósitos até esse valor é – ou passou a ser – letra morta. A partir deste momento, do ponto de vista formal, ninguém pode mais confiar nas leis europeias;

A questão é a seguinte: ou se deixava cair os bancos e só eram salvos (por respeito à lei) os depósitos abaixo dos 100 mil euros, para o qual existe um fundo de garantia; ou então injetava-se dinheiro público nos bancos — como aconteceu em Espanha, na Irlanda e em Portugal.

Dizem-me: mas estão a fazer isto para apanhar os russos milionários que lavam dinheiro no sistema financeiro cipriota. Ah sim? Realmente, os russos milionários devem ter menos de 100 mil euros depositados…

Qual é o problema desta política gangster: há o risco de o pânico se espalhar aos países intervencionados. Ou seja, das pessoas, o comum dos mortais, pensar: vou tirar o meu dinheiro do banco porque isto nunca se sabe no que vai dar.

Mas há outro problema: a fuga de capitais. Se a corrida às contas bancárias é ruidosa e espetacular, a fuga de capitais é 100% silenciosa. Só aparece meses depois nos relatórios do Banco de Portugal. Ora bem, com esta decisão o que Angela Merkel fez foi dizer a quem tem dinheiro nos países intervencionados, ou em risco de o serem, que mais vale mandar o dinheiro para outro sítio mais seguro. Não sei porquê, vem-me à cabeça a Alemanha, mas devo ser eu que sou paranóico e que nunca iria lá pôr um chavo.

A China vai atacar os EUA

A Alemanha prepara-se para a guerra. Vai começar a exigir um lugar no conselho de segurança da ONU.
Negros planos toldam-lhe o espírito. A Europa desfez-se e refaz-se como marionete transalpina.

Entretanto, do outro lado do mundo, o império dos filhos únicos super mimados acha que são melhores que os EUA e fazem tudo para que a Coreia do Norte perca a cabeça e se atire aos Yankees.

E depois? Uma américa devastada retalia contra quem? China, Rússia e demais dizem a uma só voz: “Não fomos nós, foram eles. Até lhes fizemos sanções e tudo isso. Eles são uns malandros. Têm que ser punidos”. E a China, a milenar China que há séculos e séculos o desejava ocupa finalmente a Coreia enquanto o ocidente ainda nem acredita no que aconteceu e a Alemanha se revela igual a si mesma.

É o fim da estratégia MAD e o começo de uma era louca.

Vai ser giro de ver.
Agora se vai ser giro de viver, já tenho as minhas dúvidas.

Não acredito em demónios, mas que andam à solta, andam…

Este globo está por um fio.
E a culpa é nossa, que não quisemos defender a herança recebida dos nossos egrégios avós.

Portugal tem que se assumir.
Não somos reboques de outros. Somos o motor primeiro da civilização ocidental, berço da expansão que se impôs por todo o lado. Se os caracteres latinos são os mais globais de todos eles é consequência da nossa acção. Não nos envergonhemos do nosso passado. Mantenhamos a lucidez e não nos deixemos cair em tentações nem enganos na construção do futuro.

Bem, também pode ser tudo mais simples e não ligarmos nada e quero lá saber e “ignorance is bliss”.
Dá mais uma passa, meu, e caga nisso, que não interessa nada.