InDocentes

Reunimos para um ensaio dos InDocentes e aproveitámos o ensejo para petiscar umas lapas.

As lapas foram capturadas na candonga por um famoso músico da praça. Trouxe também uns burgaus (burriés, para as meninas) e uns percebos. Os percebos comi-os eu, e o resto cozi e assei na chapa. Ofereci ainda um belo sarrajão na brasa e mais 4kg de sardinhas. Acresceram 20 garrafas de cerveja mini e umas litradas de cidra. O vinho, esse, trouxeram-no os convivas.

Quinta de Camarate, Setúbal tinto 2009, 13,5% de álcool, Touriga Nacional (48%), Aragonez (25%), Cabernet Sauvignon (16%), Castelão (11%), com estágio de 9 meses em carvalho francês. Engarrafado em fevereiro de 2012. Uma bela pomada do Domingos Soares Franco. Um vinho a sério. Sempre que po$$o, bebo-o.

Paço da Serviçaria, Douro tinto 2010 Reserva, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca. Tal como o 2007, razoável, mas apenas isso.

Esporão, Alentejo tinto 2004 Reserva, 14,5% de álcool, Trincadeira, Aragonez e Cabernet Sauvignon, com estágio em carvalho americano. Um vinho encorpado, meio seco e ligeiramnte adocicado pela madeira americana e com um toque de acidez qb. Uma mistura bastante complexa de sabores, mas demasiado alcoólico e amadeirado para o meu gosto atual.

Reguengos, Alentejo tinto 2010 Reserva, 14% de álcool, Trincadeira, Aragonez, Tinta Caiada e Alicante Bouschet. Doce, encorpado e com um toque a madeira. ligeiramente complexo, mas o carvalho deve ser americano, pois sobrepõe-se demasiado ao sabor do vinho, embora um pouco menos que o 2009.

Marka, Douro tinto 2010 Reserva, 14% de álcool. Estagiou 14 meses e foi engarrafado em julho de 2012. Um vinho denso, estável, encorpado e meio complexo. Gostei. Bastante melhor que o 2008 não reserva.

Alfaraz, Alentejo tinto 2005 Reserva, 13,5% de álcool, Alfrocheiro, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Um vinho com sabor velho ao qual acresce o sabor do carvalho. Ainda assim, muito bem conservado para a idade.

Quinta da Vedejosa, Douro tinto 2003, 14% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz. Um vinho com um toque de velho, no qual o álcool foi, em parte, consumido pelo tempo. Velho mas bom. Tragam mais destas.

Tellu’s, Douro tinto 2009, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Um vinho acre, com um toque ligeiro a madeira, mas também doce e com um pouco de acidez. Uma bela mistura do norte do país.

Quinta do Falcão, Tejo tinto 2009 Reserva, 13% de álcool, Touriga Nacional e Syrah. Não cheguei a provar, pois a escolha era muita e optei pelos menos conhecidos. Mas tenho uma crónica escrita sobre o 2008.

Príncipe do Dão, Dão tinto 2010, 12% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, com estágio de 8 meses em carvalho português. Não podia ser mais nacional. Uma boa escolha, um vinho honesto, com o travo típico do Dão (meio aveludado, meio enjoativo), mas com toda a excelência dos sabores da uva fermentada não toldados pelo excesso de álcool. Um “entendido” até me veio perguntar se eu estava a servir água…

Cardeal Dom Guilherme, Tejo tinto 2010, 13,5% de álcool, Castelão, Aragonês e Cabernet Sauvignon. Um vinho típico do Tejo, mas nada mais do que isso, com um sabor meio arranhado.

Aldeias de Juromenha, Alentejo tinto 2005 Garrafeira, 14% de álcool, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon. Estagiou 12 meses em carvalho francês e americano. Um vinho denso, com uma mistura irrepreensível de sabores ácido, doce e adstringente, com um toque seco. Um alentejano que até parecia do Douro. Gostei.

Montinho São Miguel, Alentejo tinto 2001 Reserva, 14% de álcool, Touriga Nacional, Aragonez e Alicante Bouschet. Depois de tanto vinho, perdi a conta aos sabores e este foi um dos que me esqueci. Tenho uma vaga ideia de ser um vinho quente, doce e com meio corpo. Mas vou ter que voltar a prová-lo.

Herdade da Comporta, Setúbal tinto 2008, 14% de álcool, Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Este optei por não beber. Já bebi um Comporta há uns anos e não gostei. Mas atualmente toda a gente sabe fazer vinho, por isso, e quando houver uma oportunidade com menos escolha, volto a testá-lo.

Ainda se beberam mais uns brancos e verdes, mas isso é vinho para meninas.

2 comentários em “InDocentes”

  1. Bem, isto é assim: depois do “tratamento” com o garrafão de Honesto (?) já não deu para aquilatar das qualidades dos vinhos à prova. Aquele que o Rato me serviu era bem bom, isso garanto, do de 2005 que me chamara a atenção já só lhe senti o cheiro, agora o Marka embora bom não o senti assim tão superior ao do Falcão.

    E nada de notas ao Alma do Tejo Especial 2011? Valha-me deusnossenhor, que aquilo era pomada das antigas, era um vinho bem encorpado com 14% de álcool bem arredondados com os aromas a carvalho, era desse por onde haveramos de começar as provas!!! Bem sei, tinha depósito a mais à primeira dose, mas tirado com calma e descontracção (ou decantado) ainda sabia melhor.

    Ah, já entendi… esse sorveste-lo todo, e mantens o segredo, não há de a palavra se espalhar e depois duplicam o preço… boa estratégia! Vou já lá à fonte buscar mais antes que se saiba!

    Era para propor isto já este ano, mas depois o sarrajão apareceu e perdi-me… faremos as próximas provas às cegas, para então não termos o palato toldado pelos rótulos! 😀 Que dizes?

  2. Esse Alma do Tejo só foi aberto no “dia seguinte” – na realidade foi no próprio dia, mas já no rescaldo do concerto – e ainda ando a saboreá-lo. É uma pomada surpreendente para um vinho em cartão. Vai ser alvo de uma crónica só para ele! que já anda a ser pensada.

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