O génio de Cacilhas

Um dia, em Cacilhas, num espaço onde, nos últimos 30 anos, já estiveram 30 lojas diferentes, abriu uma loja de material de som.
Eu tinha acabado de comprar este disco, em Lisboa e, como o vendedor estava a tentar impressionar um cliente com um par de colunas de som enormes, eu pedi-lhe para tocar este tema.

“Esta música foi mal produzida, tem os graves muito saturados, não presta.” Tirou-o do leitor de CD e devolveu-mo.

O som não é a minha área, mas tenho a sensação de que o vendedor não devia estar lá muito certo. O David Byrne e o Brian Eno continuam a tocar música com sucesso e do vendedor nunca mais ouvi falar.

Clic

1977? Talvez.

Fui a casa do meu primo pois a minha TV não tinha 2º canal, apenas 1º.
Ia ver uma loucura, uma gravação dos Genesis a tocar o Musical Box ao vivo. Nunca tinha visto nada assim.

O programa passou das 20h às 21h e tinha, na 1º parte uma gravação em vídeo que os Genesis fizeram na TV belga, do tema The Musical Box, do álbum Nursery Cryme. Não conhecia o disco nem a música – era fanático do The Lamb Lies Down On Broadway -, mas adorava a música daqueles tipos.

A TV era a preto e branco, as emissões também – a cor só começou em 1980 – e lembro-me de estarem todos sentados, exceto o PG, e do PG tocar flauta, o que foi uma surpresa para mim, assim como o cabelo comprido que ele afastava para o lado com um abanão de cabeça.

Fiquei desarmado. Aliás, já entrei assim…

Estavam mais dois tipos na sala. O Filipe – que tinha sido meu colega na 4ª classe – e um outro que eu não conhecia e de quem não me lembro. Nenhum deles tinha ido ver os Genesis; estavam lá todos pela 2ª parte do programa: os VDGG.

Eu ia completamente vidrado pelos Genesis, mas saí surpreendido com os Van der Graaf Generator. Foi uma atuação estranhíssima, arrasadora, viva, vívida, vivida e… honesta. Acho que foi a honestidade que me cativou neste gajo. O PH é o artista mais honesto que já alguma vez existiu, para além de ser o mais acutilante, estonteante, perturbador, inteligente e sincero.

Os gajos vibraram, cantaram em coro e uníssono com o Peter Hammill, e saíram tão extenuados quanto ele. Van Der Graaf Generator, A Plague Of Lighthouse Keepers, do álbum Pawn Hearts.

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Estes foram os vídeos apresentados então. Foram gravados pela TV belga em 1972, são ambos originais de 1971. Não digam a ninguém que isto é um tesouro, para que não apareça alguém tentado a roubá-lo.

Bill Bruford e Annette Peacock

Adoro a Annette Peacock

Come and get it, rise and shine
This prison door is fabric all in the mind
Nature who made the lock
Always (…) to find the key
No use in running, wounded and lame
Shotgun ready, loaded again
Whatever, the deal is set, forget it
Or better just think about a way to grow

Racing engine, temperature high
Temptation fills you and you know you comply
I’d fight addiction’s grip
But I’m losing the will to try
Don’t know who’s winning, don’t know who cares
Come by and ask me in 70 years
Imagine one simple step, oblivion
Cnsider the devil or the deep blue sea

Slavery’s a state of mind, got little to do with chance
It creeps up close and lies in wait to anaesthetise your brains
No use making the same mistakes forever and ever amen
When we’re caught in a circle we can’t stop spinning back to the beginning again

Early morning, crack of dawn
One moment’s peace before the gathering storm
No man can rest assured
When his (dreaming?) is cracked and torn
Time slips (…)
Death comes (…)
Delivered, or so you think
But angels stay watching
While (…) come close for the kill

(…)
Demons use statistics to talk of (…)
So don’t (…) through the years
When you’re caught in a circle you can’t stop spinning back to the beginning again

No use making the same mistakes forever and ever amen
Caught in a circle and you can’t stop spinning back to the beginning again
No use making the same mistakes forever and ever amen
Caught in a circle and you can’t stop spinning back to the beginning again

Slavery’s a state of mind, got little to do with chance
It creeps up close (…) to anaesthetise your brains
No use making the same mistakes forever and ever amen
When we’re caught in a circle we can’t stop spinning back to the beginning again

No use making the same mistakes forever and ever amen
No use making the same mistakes forever and ever amen
But caught in a circle we can’t stop spinning back to the beginning again
Caught in a circle we can’t stop spinning back to the beginning again
Don’t keep making the same mistakes forever and ever amen

Yellow River

E aí está uma música que eu canto recorrentemente, mas que nunca me tinha passado pela cabeça procurar e descobrir de onde vinha.

É claro que vem de um passado mesmo antigo. Antigo de tal forma que eu ainda não registava nomes para contar a outros, ou para guardar para o futuro. É um tema de 1970. É posterior a A Banda do Chico Buarque e ao Verão do Carlos Mendes, mas é estrangeiro e mais difícil de eu o ter registado na altura. Além disso, não me recordo de ter voltado a ouvir isto. Mas cantava-o recorrentemente. E agora, à conta do nick, descobri o que era.

200 emails

Estou feliz. Hoje consegui mandar 200 emails para o lixo. Felizmente tenho este nicho na net@ para me confessar pois, de resto, as fibras têm ouvidos.

Desejo-vos uma noite bem dormida, tal como eu – agora com menos 200 emails a pesar em cima de mim – vou dormir.

20 anos

20 anos podia ser um tema do José Cid e ficava a matar neste Chornal uma vez que é um alelo do meu ADN, cresci a ouvi-lo e não tenho espírito crítico em relação a ele. Mas se fizer um esforço, a minha crítica é positiva.

Mas OK, se não são os 20 anos do José Cid, são os 20 anos de quê? Do Windows 95. Yeah. Nada mais a dizer… ok, só mais uma coisinha: Edie Brickell, Good Times, com um convidado especial, o Barry White.

outras fontes:

e, o melhor de todos:

Prince – II

Exímios a tocar. Uma encenação excelente. Uma animação contagiante. Uma interação e cumplicidade com o público como eu nunca vi em nenhum concerto, nem no circo, nem em espetáculos de variedades. Foi surpreendente.

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“Do U wanna go home?”
“Nooooo…”
“Then, sing”

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“I came to Portugal, visited Lisbon. I met your Queen…”

Mas este gajo é parvo? O que é que ele está a dizer? Rainha? Ele não sabe que Portugal é uma república? Ele até é americano. Eles até fazem questão em ser republicanos e não monárquicos… Fiquei confuso. Mas ele continuou.

“I met your Queen… Ana Moura…”

Ah! Estou esclarecido. E concordo.

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Prince, Coliseu Lisboa, 2013-08-17

Sua Excelência, Prince

Senhoras e senhores, sua Excelência o artista que já se chamou Prince, deixou de ter nome, e agora não sei como se chama.

Prince no Coliseu Lisboa, 2013-08-17. O melhor concerto/espetáculo a que alguma vez assisti. O melhor concerto de sempre, sem dúvida — in Lisbon, Lisboa.

O tlm tem uma qualidade muito baixa. Apesar de pedirem para não gravarmos, só gravei mesmo o fim do concerto (36″) já com as luzes acesas e os papelinhos a voarem pela sala toda. Fantástico.

Com som editado, obviamente. Com um aparelho tão mau e uma imagem tão má não podia ter um som tão bom.

O homem fala música, para além de imitar a voz humana com a guitarra – muitos já fizeram isso, o Peter Frampton, por exemplo – comunica e expressa-se de forma única através da música. Notem que até para nos mandar embora não usava palavras, mas tocava um sketch, sempre diferente, em que a expressão corporal dizia: “Adeus, obrigado, vou-me embora”.

Mas só se foi embora depois de 5, 6 ou 7 encores. Três horas de concerto, teatro, espetáculo de variedades, circo, diálogo e interação genuína com o público… E a música? Foi a melhor.

Prince ao vivo amanhã no Coliseu

Agora que vi este tema ao vivo do Pat Metheny lembrei-me que o fui ver ao vivo no Coliseu. Mas não me recordo de nada de especial desse concerto a não ser a camisola às riscas e que ele tocava sentado.
Aliás de todos os concertos ao vivo que fui ver, recordo-me de muito poucos.

Do Leonard Cohen, lembro-me de ter a Lena D’Água a cantar ao meu lado.
Dos Barclay James Harvest lembro-me por ter sido o primeiro e ter sido uma enorme seca.
Dos Stones ou do David Bowie… bah.
Do Astor Piazzolla, vagamente uma música difícil.
Do Peter Gabriel e dos Simple Minds, pouco.
Dos vários do Peter Hammill, bastante.
Dos Clash e dos Taxi, uma euforia do caraças, e das flexões em palco do Paul Simonon (30 de abril de 1981).
Dos King Crimson um pouco, dos Roxy Music nada.
Do David Byrne, um pouco também.
E por aí fora…

Aquele que me recordo mesmo com Alzheimer é do José Mário Branco no Coliseu dos Recreios, quando apresentou “A Noite”. Um espetáculo do caraças. A entrada da banda filarmónica de Caneças logo no primeiro tema deixou-me logo acordado, mesmo que eu quisesse tentar dormir.
Esperemos que o Prince, no concerto não programado de amanhã, me faça mesmo uma surpresa.

InDocentes

Reunimos para um ensaio dos InDocentes e aproveitámos o ensejo para petiscar umas lapas.

As lapas foram capturadas na candonga por um famoso músico da praça. Trouxe também uns burgaus (burriés, para as meninas) e uns percebos. Os percebos comi-os eu, e o resto cozi e assei na chapa. Ofereci ainda um belo sarrajão na brasa e mais 4kg de sardinhas. Acresceram 20 garrafas de cerveja mini e umas litradas de cidra. O vinho, esse, trouxeram-no os convivas.

Quinta de Camarate, Setúbal tinto 2009, 13,5% de álcool, Touriga Nacional (48%), Aragonez (25%), Cabernet Sauvignon (16%), Castelão (11%), com estágio de 9 meses em carvalho francês. Engarrafado em fevereiro de 2012. Uma bela pomada do Domingos Soares Franco. Um vinho a sério. Sempre que po$$o, bebo-o.

Paço da Serviçaria, Douro tinto 2010 Reserva, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca. Tal como o 2007, razoável, mas apenas isso.

Esporão, Alentejo tinto 2004 Reserva, 14,5% de álcool, Trincadeira, Aragonez e Cabernet Sauvignon, com estágio em carvalho americano. Um vinho encorpado, meio seco e ligeiramnte adocicado pela madeira americana e com um toque de acidez qb. Uma mistura bastante complexa de sabores, mas demasiado alcoólico e amadeirado para o meu gosto atual.

Reguengos, Alentejo tinto 2010 Reserva, 14% de álcool, Trincadeira, Aragonez, Tinta Caiada e Alicante Bouschet. Doce, encorpado e com um toque a madeira. ligeiramente complexo, mas o carvalho deve ser americano, pois sobrepõe-se demasiado ao sabor do vinho, embora um pouco menos que o 2009.

Marka, Douro tinto 2010 Reserva, 14% de álcool. Estagiou 14 meses e foi engarrafado em julho de 2012. Um vinho denso, estável, encorpado e meio complexo. Gostei. Bastante melhor que o 2008 não reserva.

Alfaraz, Alentejo tinto 2005 Reserva, 13,5% de álcool, Alfrocheiro, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Um vinho com sabor velho ao qual acresce o sabor do carvalho. Ainda assim, muito bem conservado para a idade.

Quinta da Vedejosa, Douro tinto 2003, 14% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz. Um vinho com um toque de velho, no qual o álcool foi, em parte, consumido pelo tempo. Velho mas bom. Tragam mais destas.

Tellu’s, Douro tinto 2009, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Um vinho acre, com um toque ligeiro a madeira, mas também doce e com um pouco de acidez. Uma bela mistura do norte do país.

Quinta do Falcão, Tejo tinto 2009 Reserva, 13% de álcool, Touriga Nacional e Syrah. Não cheguei a provar, pois a escolha era muita e optei pelos menos conhecidos. Mas tenho uma crónica escrita sobre o 2008.

Príncipe do Dão, Dão tinto 2010, 12% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, com estágio de 8 meses em carvalho português. Não podia ser mais nacional. Uma boa escolha, um vinho honesto, com o travo típico do Dão (meio aveludado, meio enjoativo), mas com toda a excelência dos sabores da uva fermentada não toldados pelo excesso de álcool. Um “entendido” até me veio perguntar se eu estava a servir água…

Cardeal Dom Guilherme, Tejo tinto 2010, 13,5% de álcool, Castelão, Aragonês e Cabernet Sauvignon. Um vinho típico do Tejo, mas nada mais do que isso, com um sabor meio arranhado.

Aldeias de Juromenha, Alentejo tinto 2005 Garrafeira, 14% de álcool, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon. Estagiou 12 meses em carvalho francês e americano. Um vinho denso, com uma mistura irrepreensível de sabores ácido, doce e adstringente, com um toque seco. Um alentejano que até parecia do Douro. Gostei.

Montinho São Miguel, Alentejo tinto 2001 Reserva, 14% de álcool, Touriga Nacional, Aragonez e Alicante Bouschet. Depois de tanto vinho, perdi a conta aos sabores e este foi um dos que me esqueci. Tenho uma vaga ideia de ser um vinho quente, doce e com meio corpo. Mas vou ter que voltar a prová-lo.

Herdade da Comporta, Setúbal tinto 2008, 14% de álcool, Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Este optei por não beber. Já bebi um Comporta há uns anos e não gostei. Mas atualmente toda a gente sabe fazer vinho, por isso, e quando houver uma oportunidade com menos escolha, volto a testá-lo.

Ainda se beberam mais uns brancos e verdes, mas isso é vinho para meninas.

Roger Daltrey

Aqui há 5 ou 6 anos, quando vi o episódio 9 na 7ª temporada do CSI Las Vegas, depois de uma série de caras mascaradas, eis que apareceu uma cara sem máscara, uma cara conhecida: o Roger Daltrey.

Um Roger Daltrey com ar de velho, mas quase não tive dúvidas de que era ele. Por um lado, até fazia sentido que fosse ele, o Jerry Bruckheimer é um fã dos The Who – todos os CSI têm um tema de abertura do grupo – e por isso, não me espantava que tivesse convidado o vocalista para aparecer num episódio. Esperei pelo fim do episódio para ver se o nome aparecia na lista de atores, mas nada. Fui à net ver se encontrava alguma informação, mas nada (agora está cheia de links). E esqueci.

Ontem apanhei a repetição desse episódio, mas desta vez não deixei escapar o enigma. Com a possibilidade de voltar atrás na visualização foi fácil confirmar que aquele tipo era mesmo o Roger Daltrey. Vi o episódio até ao fim, voltei ao início e lá descobri o nome nos Special Guest Stars.

o tema:

as várias máscaras:
Entrevista na CBS