Da contra-intuitividade na economia

Quando se entra numa curva e o carro derrapa, o instinto é travar. Nada mais errado, porque na melhor das hipóteses o carro pára no meio da estrada, sujeitando-se a levar com quem venha de frente ou de trás. Aquando da derrapagem, o que se tem de fazer é tirar o pé do acelerador, contra-brecar, e acelerar.
Os pilotos de avião também aprendem que, entrando em perda de sustentação (stall), sendo que a reacçäo instintiva seria levantar o bico do aparelho, o que devem fazer primeiro é baixar-lhe o bico, diminuindo o ângulo de ataque e aumentando a velocidade; só assim se consegue ganhar controlo para entäo depois levantar o bico ao aparelho.

Com o combate à dívida pública (ainda mais em tempo de recessäo) estamos na mesma: cortar na despesa com salários até parece o ideal para começar o processo de diminuir a dívida pública, mas isso aumenta a dívida pública, ainda mais em tempo de recessäo; além de que cortar nos sectores da segurança social, educação e saúde é o equivalente a subir os impostos às famílias. Ahn? É que sem esse dinheiro na economia existe menos consumo, logo menos emprego, e mais subsídios de desemprego para pagar, logo só por aí aumenta a dívida pública .. além de que com menos consumo também hão menos impostos cobrados (sobre o consumo e sobre os lucros), logo näo se conseguem sequer pagar os juros sobre a dívida pública existente, aumentando-a. É o descalabro.

Derrapagem descontrolada
Gaspar depois de uma derrapagem,
enquanto seguia a caminho do Ministério

A cortar na despesa, que seja nas negociatas das PPPs e nos benefícios fiscais à banca e demais amigos, tipo os da SLN (Galilei), ex-donos do BPN . É que essas ainda näo foram pagas, e mesmo que fossem pagas nada garantiria que fossem investidos na economia real, antes pelo contrário. Isto seria o que faria um Governo realmente interessado em relançar a economia do País e diminuir a dívida pública.

Mas Passos & Gaspar nada entendem de carros, nem de aviões, nem da economia real. Nem estão interessados em relançar a economia portuguesa, nem lhes importa uma piroca que os portugueses estejam a morrer à fome.

Um comentário em “Da contra-intuitividade na economia”

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