Papinhas boas

Passei pela Praia Grande e depois de ver as alternativas decidi-me a visitar o restaurante “o Crôa”.
Excelente escolha. Imensa gente, várias famílias, parque de estacionamento e parque infantil com um mini escorrega e balancés.

Abriram-se as hostilidades com caracóis e imperiais.
Corria o França – Espanha.
As imperiais estavam divinas! E os caracóis não ficavam atrás. Nem sequer estavam picantes, para os miúdos gostarem.
Meio tempo. No jogo estava tudo em aberto.
Depois vieram as ameijoas, suculentas e carnudas.
Continuámos com as sardinhas enquanto perdíamos a conta às imperiais e os franceses claudicavam.
Rematámos atacando uma copiosa tarte de mousse de chocolate com gelado enquanto regalávamos a vista com um magnífico pôr do sol.
Que pançada. E a conta não foi nada por aí além.

Lá na Suécia não há nada assim.
E o mar imenso, a perder de vista…

Vista da sala de jantar para o parque infantil e para o mar.

joLas XLVII – Caranguejos do deserto

Nas nossas andanças pelo deserto da vida, passamos fome, sede e não vemos vivalma durante dias…

Quando apanhamos qualquer coisa é para comer, por mais rija que seja. Uma árvore seca, folhas queimadas pelo sol, ossos de lagarto, escamas de dinossauro, ou caranguejos vivos.

O deserto está cheio de caranguejos. Quando apanhamos um é uma festa. Pomos a panela ao lume, tiramos a grade de cervejas do frigorífico, telefonamos aos amigos – que chegam pouco depois de helicóptero – e montamos a tenda para o repasto: sopa de UM caranguejo, com cerveja.

caranguejo
Foto by myself

JoLas XLVI – Uma família de cientistas

A minha filha mais nova, que não sabe ler nem escrever, inventou um método de pesquisar as músicas preferidas na net@.

Pede-nos para escrevermos os nomes dos artistas preferidos dela num papel, mas cada um com uma cor diferente. Assim, ela sabe exactamente que letras copiar para o teclado do computador para ver determinado vídeo no tubo-U. É, sem dúvida, uma cientista.

E eu, que a alimentei a copos de vinho desde os dois anos de idade – e já tinha em mente a criação de uma mente excepcional – sou também um cientista… Ou não?

Festa de arrotos

A miúda mais nova já tem seis anos e, com isso, ganhou o direito de dar arrotos à mesa da refeição. Ela já andava a treinar às escondidas. De vez em quando ouvia-se um tremor pela casa que mais parecia um abalo de terra ou o bramir de um grupo de elefantes. Era a nossa pequenina em tirocínio para a nova condição de arrotadora autorizada. Para comemorar, bebemos uns vinhos.

Abri com um Caves Monteiros, Dão tinto Reserva 2005, 12,5% de álcool, predominantemente com Jaen, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Forte, saboroso, encorpado. A repetir.

Depois veio um Cardeal, Dão tinto Juta 2002, 12,5% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen. Mais um vinho opaco e com corpo, com um sabor típico do Dão.

Entretanto, chegaram mais convivas e abrimos um Quinta D’Aguieira, Beiras tinto 2000, 12,5% de álcool, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, com estágio em barricas de carvalho francês. Um vinho já cortado pelo tempo, mas com um sabor bem equilibrado entre a frescura das uvas e o sabor velho dos tempos. Uma bela surpresa, uma bela pomada.

Margalha (colheita familiar), Alentejo tinto 2007, 13% de álcool, Syrah (45%), Aragonez (35%) e Touriga Nacional (20%). Um vinho doce e ligeiramente ácido, com um sabor muito novo. Deixem envelhecer mais um ano ou dois em garrafa.

Depois, um consagrado no Chornal, o Caves Velhas Reserva, Dão tinto 2007, 13,5% de álcool, Touriga Nacional. Um vinho seco, levemente frutado e floral, fresco e mediamente encorpado.

Ainda abrimos um Serra Mãe, Palmela tinto 1997, 12% de álcool, castas tradicionais da região (Castelão, entre outras). Um vinho velho e amargo, com um fundo de frescura que morre ao fim de algumas horas com a oxidação. É abrir e beber de penálti.

Acabámos com o Caves Velhas, Dão tinto 2000, Touriga Nacional e Rufete, 12% de álcool. Corpo médio, sabor suave, roxo acastanhado e opaco.

o ´K´ aditivo – perguntas e respostas

1- O uso contínuo do álcool pode levar ao uso de drogas mais pesadas?
Não,
o álcool é a mais pesada das drogas – uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.

2- A cerveja causa dependência psicológica?
Não, 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados afirmam que preferem whisky.

3- Mulheres grávidas podem beber sem risco?
Sim.
Está provado que nas operações stop os polícias nunca fazem o teste às grávidas… E mesmo que tenham de andar em linha recta, os guardas acham que ela está torta pelo peso da barriga.

4- Cerveja pode diminuir os reflexos dos motoristas?
Não, uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada 1 caixa de cerveja a cada um, e, em seguida, colocaram um por um, diante de um espelho. Em nenhum dos casos os reflexos foram alterados.

5- Existe alguma relação entre bebida e o envelhecimento?
Sim.
A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma ideia, uma cerveja aberta em cima da mesa, sem um acondicionamento especial, perde seu sabor em aproximadamente quinze minutos.

6- A cerveja atrapalha no rendimento escolar?
Não,
pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas proximidades de bares universitários.

7- A bebida mata?
Sim
. Anos atrás, soube-se que um rapaz, ao passear pelas ruas, foi atingido por 1 caixa de cerveja que caiu de um camião levando-o à morte instantânea. Além disso, casos de enfarte de miocárdio em idosos têm sido associados às propagandas de cervejas com modelos semi-despidas.

8- O que faz com que a bebida chegue aos adolescentes?
Inúmeras pesquisas têm sido feitas por laboratórios de renome, e todas elas têm tido o mesmo resultado, indicando que em primeiro lugar estaria o empregado de mesa.

9- A cerveja causa diminuição da memória?
Que eu me lembre não!

O melhor vinho do mundo

Antes de ontem, antes do jantar, saí para ir à minha loja preferida comprar uma garrafa de vinho: estava fechada.

“Não há vinho, bebe-se água”, pensei e dei meia volta. Foi quando ouvi dizer: “Já está fechada. Isso fecha cedo.” Voltei-me e eram dois grandes amigalhaços de há muitos anos.

Perguntei-lhes: “Onde é que se compra um bom vinho, aqui perto”. Disseram-me em uníssono: “O melhor vinho do mundo? É aqui, na tasca do Matias. A gente leva-te lá.” Voltaram para trás e levaram-me com eles.

Uns 50 m depois, estávamos na tasca do Matias: uma taberna tradicional com pipas de madeira e tudo. Eu já lhes tinha dito que aquilo não era bem o que eu pretendia (o que eu queria era um Ferrugento 1999, ou algo semelhante). Pediram um copo da pipa para eu provar e lá tive que beber aquilo. O sabor não era mau de todo, mas o vinho era quase transparente, mais nos bordos do que ao centro (descontando o rotacional(1)). Quase que até se via a marca do martelo. Disse ao gajo (o Matias): “Não é mau de todo, mas arranha um bocadinho.” Parecia o RAP a arranjar uma desculpa esfarrapada qualquer. O gajo achou estranho: “É a primeira pessoa que me diz isso. Ainda ontem saíram 6 barris para a Holanda”…

Consegui sair da tasca sem trazer uma garrafa. Fui jantar e agradeci às alminhas pela água da torneira no meu copo!

(1) Carnide, a Wikipedia precisa de alguém que escreva sobre o Rotacional. Tu és o autor mais indicado para isso. Eu gosto imenso do rotacional, mas preciso de uma reciclagem.

Atentado Terrorista

Como já era esperado, ocorreu um terrível atentado terrorista em Portugal.

O Bin tinha avisado!!

Mas como sempre o país preferiu protestar contra umas avaliações e discutir o sexo da bola em lugar de construir trincheiras e abrigos atómicos. E é o que se vê!

As fotos, recolhidas no local, mostram imagens horríveis do acontecimento.

A ver esta mais esta e esta!!! É chocante!

Como vai o país lidar com esta situação? Todos para o Iraque! Já! P’ró Irão!! George W. ‘tamos juntos!

O Horror! A Ignomínia!

joLas 41 – 18ª Meia-Maratona de Lisboa

Hoje contribuí mais uma vez para o progresso da História do país: cheguei em 3º lugar na 18ª Meia-Maratona de Lisboa.

Quando cheguei à ponte, já os primeiros tinham partido (acordei tarde, a noite ontem foi longa). à minha frente estavam mais de 50.000 concorrentes que ainda nem sequer tinham começado a andar, quanto mais correr: não havia espaço para passar. Eu queria ganhar a corrida e decidi rapidamente: atirei-me lá de cima e mergulhei no rio.

A água estava fria, tive que nadar depressa para me manter quente, não me fosse congelar algum apêndice. Chegado à doca de Sto. Amaro de Oeiras, sacudi-me e tirei uma tainha do sapato. Olhei para cima, para o tabuleiro da ponte e os primeiros concorrentes estavam a passar naquele momento. Ainda tinha tempo de ir beber uma cerveja.

Sentei-me ao balcão e, enquanto esperava pela minha cerveja de malte servida à temperatura ambiente, sequei o cabelo e a indumentária. Enchi o cantil com um generoso litro de cerveja belga de 9º e fui ter com os primeiros.

Apanhei-os a descer para a rotunda de Alcântara. Daí até ao fim da prova foi rápido. Só tenho pena da cerveja que perdi pelo caminho.

copos dos tempos modernos

Um gajo entra num bar novo, hi-tech, e pede uma bebida. O barman é um robô que pergunta:
– Qual o seu QI?
O homem responde:
– 150.
Então o robô serve um cocktail perfeito e inicia uma conversa sobre aquecimento global, espiritualidade, física quântica, interdependência ambiental, teoria das cordas, nanotecnologia e por aí.
O tipo ficou impressionado, e resolveu testar o robô. Saiu, deu uma volta e retornou ao balcão. Novamente o robô pergunta:
– Qual o seu QI?
O homem responde:
– Deve ser uns 100.
Imediatamente o robô serve-lhe um whisky e começa a falar, agora sobre futebol, fórmula 1, super-modelos e outras gajas, comidas favoritas, armas, e outros assuntos semelhantes.
O sujeito ficou abismado. Sai do bar, para, pensa e resolve voltar e fazer mais um teste. Novamente o robô lhe pergunta:
– Qual o seu QI?
O homem disfarça e responde:
– Uns 20, eu acho!
Então o robô serve-lhe um copo de três, inclina-se no balcão e diz bem pausadamente:
– E então meu, vamos votar no Sócrates de novo?

Sokoban

Quando casei, aqui há umas dezenas de anos atrás, comprei um frigorífico pequeno, bem ao espírito dos hippies norte-americanos dos anos 60. Para eles, o frigorífico era um ícone do capitalismo. Apesar de eu, na altura, tencionar ter uns 10 filhos, achava que o frigorífico era uma arma de satanás dentro da nossa casa e por isso, quanto mais pequeno melhor. Apenas o necessário para refrescar as cervejas!

Hoje, para arrumar coisas no frigorífico minúsculo, só um especialista em Sokoban. É por isso que este é o meu jogo de eleição no Linux.

joLas XXXV – O Assalto ao Hipermercado

Fomos daqui para Beja, logo pela manhã, de improviso.

(15 minutos antes) Enquanto bebia o mata-bicho(1) liguei o receptor de ondas hertzianas e soube que estavam a oferecer caixas multibanco em Beja. Pensei: “nestas coisas costuma ser uma por pessoa”. Acordei a família toda ao sopapo e metemo-nos no camião.

(15 minutos depois) Pé na tábua.

Quando chegámos, já tinham oferecido as caixas todas. Ficámos desolados: então um gajo faz duas horas de caminho por essas estradas poeirentas, apenas com metade do mata-bicho no bucho e já não há caixas multibanco prá gente!?

Decidimos trazer o equivalente em cerveja. Voltámos para o camião e trajámo-nos a preceito. Coloquei a pála no olho e o lenço na cabeça, à pirata. Os outros seguiram-me o exemplo. A minha filha mais nova (que hoje já tem mais de 3 aninhos) prendeu um osso de cão branqueado aos cabelos, bem acima do cocuruto da cabeça, e fixou-o com laca.(2)

Entrámos no Hiper e ninguém reparou em nós. Estavam todos entretidos com a história das caixas multibanco… Estranho… ninguém estranhou ver um camião a andar pelos corredores do hipermercado!? Tanto melhor. Parámos junto da galeria de cervejas Vieira e demos início às hostilidades. Em cima da caixa aberta, cada um puxava quantas grades podia com a fateixa. Só parámos quando as grades empilhadas chegaram ao tecto.

Arranquei com a sensação de que talvez pudéssemos levar mais uma cervejinha ou duas. Mas a miúda mais nova age mais depressa do que eu penso: atirou a fateixa ao expositor e trouxemo-lo de arrastão até casa.

(6 horas mais tarde) Enquanto terminava o mata-bicho em paz, agora acompanhado por uma grade de cervejas Vieira, liguei o receptor de ondas hertzianas e as notícias só falavam das caixas multibanco. Nada de cerveja. Discriminação!(3)

(1) Um copo de verde tinto bem fresquinho
(2) Ver: joLas XVI – Mad Max
(3) Como é que um gajo há-de sair do anonimato?

Caros hiperblogistas, tenho um pedido de trabalho (que só agora me chegou) o qual poderá interessar a alguns de vós ou aos v. conhecidos. Passo transcrever a mensagem:

Subject: Fw: Proposta de trabalho

Boa tarde,

junto envio proposta de trabalho se conhecerem alguém que esteja habilitado:

From: Mariana Bettencourt [mailto: mariana.bettencourt@leoburnett.pt] Sent: quinta-feira, 20 de Setembro de 2007 14:43

To: _TODOS

Subject: trabalho

Conhecem alguém com perfil para gerir um espaço multiusos no Pavilhão de Portugal na Expo Zaragoza, entre Junho e Setembro de 2008? Teria que coordenar a programação cultural, a gestão do espaço de restauração (entregue a uma empresa) e uma loja (desmaterializada, isto é, sem espaço próprio definido…) de produtos de novos designers portugueses? E já agora, conhecem “jovens” designers portugueses das áreas mais artesanais – Têxteis, joalharia, cerâmica, vidro, etc…que estariam interessados em incorporar este mesmo projecto?