ainda a loja do cidadão

A tal acção de formação na loja do cidadão de faro pode ter sido leccionada por simpatizantes de uma organização conservadora, avessos ao sexo e actividades vizinhas, bebés proveta na sua maioria, que prelam a abstinência sempre que possível e o sexo chato nas restantes ocasiões. Daí a aversão à sedução e seus instrumentos. Como sabemos, actividades como as de recursos humanos estão entre a ciência e coisa nenhuma, sendo por isso propícias a que os proprietários da ciência a misturem com as suas convicções pessoais. É assim que surge a ideia de que a funcionária não pode usar sapatos altos ou mostrar o que tem.

O chornal tem no entanto boas notícias, notícias de liberdade. Diziam os algarvios antigos: as algarvias assam sardinhas na barriga e na chocha até queima. A mulher algarvia sempre foi assim, mesmo antes do turismo lhe alargar as oportunidades e o resto. Não é, pois, fácil controlar as mulheres abaixo de Odeceixe. Mais ainda, sabemos de fonte segura que uma gajinha com arzinho bem comportado é tão capaz como qualquer outra de meter a boca ao pau como uma leoa. De pouco servem as recomendações dos técnicos de recursos humanos, excepto para garantir que no final lava os dentes. Resta uma única utilidade a essas recomendações, uma utilidade preversa. Quem não está de acordo com as regras vai-se embora. Assim, os serviços são apropriados por aqueles que apreciam ou toleram as regras dos anormais.

Vamos modernizar-nos, acabar com a agência, a tal agência para a modernização da administração. Somos pós-modernos, o contribuinte não tem que pagar uma agência fascista. Faz lembrar um banco que só dava emprego a homens e que era um banco muito bom, até se ver que era uma merda. As senhoras da agência que arranjem outro emprego, que não seja um às custas do estado. E que vão às entrevistas com os lábios por pintar, para a gente as conhecer melhor.

não precisa de fazer nada

Gosciny criou o Juiz, um personagem para um livro do Lucky Luke. O Juiz é, tal como algumas coisas deste chornal, uma versão romanceada da realidade. Efectivamente, o personagem existiu e muitos dos pormenores mais mirabolantes são tirados directamente do personagem real.

Quando o LL encontra o juiz, é surpreendido pois este é de facto um marginal. É um marginal que se apoderou do cargo e que exerce o seu poder total numa cidade que governa. Quando o Juiz leva LL a julgamento, LL, como seria de esperar, defende-se: “mas sr. Juiz, eu não fiz nada”. Nesse momento, Gosciny tem uma das suas melhores tiradas de sempre. O juiz responde: “Não precisa de fazer nada. Este tribunal trata de tudo.”

Estamos pois perante um juiz fantástico. O julgado não precisa de fazer nada. O tribunal trata de tudo, quer dizer, convoca-o e atribui-lhe uma pena porque tem poder para tal. Não porque o julgado tenha feito o que quer que seja para merecer o que quer que seja. O juiz trabalha em Londres e foi convocado para a reunião do G20.

telegraph
publico
chornal

Sangue de Cristo

Hoje bebi um vinho da Páscoa, sangue de Cristo, para acompanhar cão no forno. O cão estava bom, mas o vinho estava melhor. Nestes casos deve beber-se um vinho forte para desinfectar a raiva e matar a leishmaniose.

Maritávora, tinto Douro 2005, 14% de álcool, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, 12 meses em barricas de carvalho francês. Agreste, acre e ácido, mas corta muito bem o sabor forte do cão no forno. Também há um Reserva. Bom para acompanhar ratas de esgoto.

da justiça

Todos sabemos quanto vale o discernimento humano. Pouco. E o dos juízes. Igualmente pouco. E, no entanto, por uma necessidade qualquer interna, sempre que um caso é julgado a consciência colectiva fica descansada. Se o juiz decidiu, pronto. Quem somos nós para pôr o juiz em causa? O sobre-humano. Aquele a quem entregámos o poder de ver a verdade.

E, no entanto, os juízes parecem umas pessoas como as outras. Um gajo qualquer que faz o curso com média de 14, independentemente de ter copiado ou não, e que frequenta um curso de juiz fica assim habilitado a ver a verdade por mais escorregadia que ela seja. Claro que existem excepções, como a de um que se queixava que não poucas vezes os malfeitores eram vistos a rir das sentenças que ele tinha acabado de dar ou de uma que era tão estúpida que percebia invariavelmente ao contrário tudo o que alguém dizia à sua volta. Mais do que habilitado a ver a verdade, a referida média de 14 e o tal curso de juiz também lhe fornecem, aparentemente, a coragem necessária ao desempenho das suas funções. É ver o ex-menino marrão que de todos levava porrada agora disposto a fazer frente aos malfeitores, quaisquer que sejam. E é-lhe indiferente estar perante um ministro, um psicopata ou um barão da droga. É um bom curso e os resultados estão à vista. Até o gajo que conseguiu o 14 a copiar se torna, por via do referido curso, um arrependido honesto até ao fim dos seus dias e um cidadão zelador da lei.

Moreia e Tinto

Convidaram-me para comer uma moreia de 2 Kg e eu aceitei, claro. Levei uma garrafa de tinto para acompanhar o petisco.

Post Sciptum (de Chryseia), tinto Douro 2006, 13,5% de álcool, estagiou em barricas de carvalho francês. Teve que arejar meia-hora para perder o travo sulfuroso. Depois marchou que nem botas da tropa. Um belo tinto do Douro a acompanhar um belo petisco algarvio misturados na goela de um lisboeta.

E, como sempre, como reza o Borda d’Água, choveu na sexta-feira santa.

A inflação faz falta

O riquíssimo chinês acordou, espreguiçou-se e pensou: “Podia comprar os EUA”. Fez as contas. Tinha triliões de dólares. Tinha imensos milhões de milhões de dólares.

Nessa tarde, o desprevenido John Smith no Ohio recebeu uma proposta exótica: Hospedar por tempo indefinido uma família chinesa, recebendo para isso 100.000 dólares por mês. Aceitou. A chinesa vinha grávida e duas semanas depois deu à  luz. Por todos os EUA, nesse ano, a história repetiu-se . Depois dos chineses nascerem em solo americano, era muito difícil expulsar tais imigrantes, ainda por cima toda a gente queria receber os 100.000 dólares por mês.

Em dez anos, nos EUA,  já haveria mais chineses do que todas as outras etnias juntas. O estado democrático ficou alarmado. A solução era a inflação maciça, para que todos os dólares no estrangeiro valessem aquilo que eram: papel latrinal.

Foi por pouco.

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As gerações futuras irão suar para pagar a dívida colossal, actualmente a ser desmascarada por esta crise. Só se safam se existir inflação. As gerações futuras serão libertadas dos erros herdados pela inflação.

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Em breve, nas armas de distracção maciça que dão pelo nome de “mass media”, a inflação deixará de ser demonizada. A França agradece. O G20 agradece. O Trichet demite-se.

Os árabes e a China descobrem que estão atafulhados de papel sem valor.
PUM! Termina o mundo, tal como o conhecemos (mais uma vez).

Viva a inflação libertária!

Meses depois, já todo o mundo se habituou…

media

Os media minimizaram o assassinato de um transeunte às mãos da polícia na London Summit. Foi preciso surgir uma gravação vergonhosa para os media bem comportados se sentirem obrigados a relatar o evento ou a pôr em causa a versão oficial do mesmo. Foi preciso a cimeira acabar para os media bem comportados acharem que o momento era oportuno à divulgação. BBC e companhia deram a notícia quando toda a gente que queria saber já sabia dela pela net. A divulgação do vídeo na net deve-se ao guardian. Em Inglaterra há grandes jornais: guardian, independent e telegraph.

Cá, como na china, o assassinato procura sempre uma legitimidade. Na china usa-se a legitimidade do patriotismo. Quem incomodar é preso e está ao serviço de potências estrangeiras, mesmo que esteja a incomodar porque perdeu a casa e ficou sem nada para o governo fazer os jogos olímpicos ou uma mega-barragem. Mesmo que esteja a incomodar porque quer comer e o governo lhe contaminou os terrenos que cultiva. Por cá, utiliza-se a legitimidade democrática, ou seja, elegemos os governantes, somos informados pelos media e temos os tribunais como garantia. Acontece que estamos a eleger ditadores, que os media têm uma selectividade suspeita nas notícias e que os tribunais não funcionam. Mas a ditadura que nos governa está bem legitimada, isso é que é preciso.

Os media ajudam à propaganda no que podem. Por cada 20 cm de espaço dedicado ao incidente, comemos depois com 1 metro de espaço dedicado aos inquéritos, à procura de justiça, ou seja à justificação de que vivemos num regime civilizado. A justiça cumpre assim o papel de se superiorizar à justiça popular, àquela segundo a qual aqueles polícias deviam ter acabado logo ali, julgados pelos presentes e pela evidência dos factos.

P.S.: As notícias são-nos dadas de tal forma que os que comentam no público nem se apercebem que a maioria dos comentários surgem já como comentários ao inquérito e não à notícia original, notícia essa que assim se vai desvanecendo. Faz-se pois do inquérito a notícia, um processo de legitimação.

Fêmeas castradas

A loja do cidadão de Faro não deixa as empregadas caçarem homens no horário do expediente. Estão proibidas de usar saias curtas, sem cuecas, com grandes decotes, sem soutien, lábios pintados e perfumes daqueles proibidos.

Não vale a pena ir à loja do cidadão de Faro. Façamos greve enquanto não houver gajas todas aperaltadas, sem cuecas nem soutien na loja.

Temos direito a ser bem atendidos!

tiananmen 20 anos

Passaram vinte anos desde tiananmen. Toda a gente se lembra da cena do manifestante e do tanque. Ninguém se lembra de quem era o manifestante. Os tanques pararam. Nestes vinte anos conseguimos que a china se aproximasse do ocidente. Hoje são nossos parceiros. A distância que nos separava foi ultrapassada. Hoje são um pouco mais democráticos. A verdade é que não é só por isso que estamos mais próximos. Estamos mais próximos também porque hoje somos muito menos democráticos. Na verdade, esse é o principal motivo porque nos sentimos hoje mais próximos.

Em Londres, a polícia comemorou os vinte anos de tiananmen. Em tiananmen um homem afrontava os tanques, mas, pronto, esse ainda afrontava. Na London Summit, 2009, um homem não afrontava ninguém e foi assassinado por um polícia debaixo do olhar concordante de todos os outros que, pessoas de bem, se preocupavam em afagar os cães, não fossem eles ficar traumatizados. Se a imagem que o guardian revelou tivesse sido filmada na china, não faltariam vozes a reclamar a superioridade da nossa civilização. Assim, parecemos ficar descansados porque na europa se vive em estados de direito e esses, como sabemos, ressuscitam pessoas.

Na verdade, ficamos descansados porque o azar caíu à porta de outrém e não à nossa. Tal como quando marginais atacam alguém no meio da rua. Desfardem-se pois aqueles polícias, vistam-se-os com roupas largas, ponha-se hip hop como música de fundo e vejam-se novamente as imagens. Aqueles polícias são marginais de Nova Iorque. É isso que eles são. E trabalham para os nossos governos.

P.S.: No vídeo abaixo, aos 3 minutos, grande momento. E aos 3m 15s surge o velhote, o verdadeiro.
No meio daquele bando de marginais. E marginalas.

Pena de morte

Os ingleses são uns tipos muito evoluídos. Investigam, encontram o criminoso, julgam-no e executam a pena em apenas alguns segundos. Mesmo que essa pena seja a pena capital.

Qualquer bife fardado de polícia pode executar estas nobres tarefas quando lhe apetece, quando a situação o exige. E ontem foi necessário. Um tipo passeava-se pela rua de camisola cinzenta, a farda obrigatória era verde com bandas fosforescentes, e vai de matar o gajo.

É claro que se os chineses levam um criminoso a tribunal e lhe aplicam a pena de morte são uns inumanos, são menos civilizados do que nós europeus e são alvo das nossas campanhas do civilizado e do politicamente correcto.