Todos sabemos que existem por aí milagres quase diários. Cada momento de felicidade é um milagre. Cada gaja boa que nos aparece à frente é um milagre. Cada bom prato de comida, cada momento de lazer é um milagre. Aprender é um milagre. Cada coisa que conseguimos fazer é um milagre. A própria vida é um milagre. São milagres suficientes. Suficientes para nos fazer acreditar em tudo o que devemos.
Só infiéis sem vergonha podem precisar de mais milagres para acreditar em deus. A igreja está obviamente cheia de infiéis sem vergonha. Por isso precisam de outros milagres para além daqueles que todos nós conhecemos. Milagres menores, na verdade.
Mesmo necessitando de milagres para os seus infiéis, a igreja sempre foi um bocado selectiva. A igreja sempre temeu o ridículo e por isso não reconhecia facilmente milagres. No entanto, à medida que foi encolhendo, a igreja foi-se radicalizando. Foi-se afastando do homem comum, o tal do senso. Até que perdeu completamente o medo. Perdeu o medo de santificar alguém passados 800 anos com base no comportamento do peixe frito.
Deixe um comentário