Os mais atentos sabem que o euro está com problemas sérios. Em tempo de crise, é muito difícil abrigar debaixo do mesmo tecto, da mesma moeda, países com situações tão distintas. Fora do espaço euro, há muito quem duvide que o euro se mantenha. Dentro do espaço euro continua-se a acreditar, obviamente.
O projecto europeu não contempla a saída de países do euro. Nem é tecnicamente fácil que saiam. Os países que estão mais à rasca não querem sair porque ficariam certamente pior. E não é fácil empurrá-los sem destruir a entidade política que é a UE.
Por outro lado, os alemães estão fartos do euro. Na verdade, nunca engoliram muito bem a perda do marco. As soluções não são muitas. E algumas são exóticas. Numa dessas soluções, o euro continua a existir mas os alemães saem (!) do euro. Por cima. Eventualmente com mais alguns países, como a Holanda, que sempre teve políticas monetárias semelhantes.
É uma solução em que todos ganham. Os alemães recuperam o todo poderoso marco. Os países que estão no euro não se sentem expulsos. Continuam com o seu euro. Ou, pelo menos, com um euro qualquer. Nesse sentido, podemos estar descansados, portugal continuará no euro. Isto porque sair mesmo do euro, nesta altura, era qualquer coisa de arrepiante.
P.S.: As dificuldades do euro perante um choque assimétrico nos países da UE já estavam previstas há muito tempo. Aquando da criação do euro, um artigo do economist dedicou várias páginas a esse problema. Sei que alguns estão a pensar: “pois, falam mal dos economistas, mas lêem o economist”. Também temos direito às nossas fraquezas. E a verdade é que há muito tempo que deixámos de ler o economist. Hoje, o economist lê-nos a nós. Além disso, todos temos direito à adolescência.
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