Aqui há uns dias o chornal disse que o desemprego em Espanha estava nos 17%. E que os melhores jornais o iam dizer na capa do dia seguinte. Bem, o desemprego em espanha está mesmo nos 17%. Mas os jornais nacionais acharam que a notícia de 17% de desemprego não era merecedora de destaque.
Existem duas hipóteses. Primeira, os jornais não perceberam a importância do fenómeno; segunda, os jornais não querem dar más notícias. Numa perspectiva zen, é igual. O zen não procura entender, é pouco dado aos porquês. O que interessa é que os jornais não dão as notícias. Nós, pela nossa parte, também não os compramos. Abdicar de objectos é também uma perspectiva zen, a nossa.
Assim, enquanto o mundo se desmorona aqui ao lado, o expresso continua a brindar-nos com outras notícias, certamente mais importantes. Soubemos pelo expresso que havia uma orgia de luxo em castelo suíço com meia dúzia de putas ao módico preço de 450 euros por casal. Uma informação sempre muito útil. E o resto é daí para baixo. Aqui vão os títulos de algumas notícias do expresso, o semanário de referência: flatulência compromete penalti, o homem das 3 orelhas, transsexual espanhol grávido de gémeos, homem tinha árvore no pulmão, fantasma visita cabeleireiro. Nós podíamos dizer qualquer coisa. Mas não o fazemos. Não somos malcriados. Além disso, palavras para quê?
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