Os piratas somalis vêem-se como legítimos representantes – porque os únicos cuja voz se ouve – de um povo que foi atacado por barcos que despejam lixos tóxicos e radioactivos. Despejos tóxicos esses que impossibilitam o seu modo de vida tradicional, baseado na pesca. Despejos tóxicos esses que são ilegais e provenientes dos países “civilizados”. Despejos tóxicos esses que são do conhecimento público e que são muito anteriores aos ataques dos piratas.
[bbc 2005][times 2005][independent][chicago tribune][aljazeera].
Os somalis têm, na verdade, direito a indemnizações gigantescas pelos prejuízos que lhes são causados pelos lixos tóxicos. Indemnizações infinitamente maiores do que os resgates dos navios. Indemnizações que ninguém lhes vai pagar porque para os tribunais como o TPI um somali vale zero.
Os piratas somalis não mataram ninguém. Até agora, pelo menos. Supostamente têm mais de 300 reféns. Mas não mataram ninguém. Os americanos chegaram lá e não fizeram cerimónias. Os piratas foram abatidos e a sr.ª hiláira disse ao mundo que os EUA “não negoceiam com piratas”. Menos um problema. Entretanto, a saga dos piratas somalis continua. Toda a gente se acha no direito legal de julgar os “piratas” [1][2].
Os despejos podem continuar, agora com a protecção de poderosas armadas. Dos países “civilizados” que deles beneficiaram. Os piratas somalis não têm qualquer hipótese contra aquela gente toda. Mas era certamente mais decente que aquela gente toda fosse à procura dos criminosos, provavelmente europeus, que despejaram os tóxicos na costa somali. E que os entregassem a uma justiça somali, ou melhor, aos piratas. Mas era certamente mais útil que os países “civilizados” indemnizassem os somalis pelos prejuízos causados pelos resíduos tóxicos. E, já agora, que aproveitassem os barcos que lá têm para retirar os tóxicos do fundo do mar e os entregar aos países que os produziram.
P.S.: Para além de despejarem materiais radioactivos nas águas da somália, os países civilizados pescam tudo o que há para pescar nas mesmas águas, que não lhes pertencem. Estão reunidos todos os ingredientes para acabarmos a comer um atumzinho radioactivo. Ou camarões do Índico radioactivos, provavelmente já comemos. É que isto de ser filho da puta nem sempre é de borla.
mapa com localização de lixo radioactivo
imagens do lixo tóxico nas praias somalis
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