O público tem uma notícia com o título Desvalorização das casas deixa 900 mil devedores em situação complicada no Reino Unido. Notícia estranha. Porque as casas desvalorizaram os devedores ficaram em situação complicada? Como é isso possível? Em que é que a desvalorização influencia a prestação que se está a pagar? Nada. Nada, nada, mesmo nada. Hummm…Então como é que o devedor ficou numa situação complicada? A resposta é: não ficou!
A situação do devedor é exactamente a mesma que era antes. A casa continua a ser tão boa para viver como era antes. A prestação continua a ser exactamente a mesma. Então de onde vem a aflição com a desvalorização das casas? Será que alguém está a perder com a desvalorização das casas? Certamente que sim, mas não o devedor.
Admita-se que uma casa desvaloriza o suficiente para valer menos do que a dívida que ainda se tem ao banco. Então o devedor é posto perante o dilema: continuar a pagar a prestação ou, alternativamente, largar a casa velha e comprar uma nova simultaneamente melhor e mais barata. Para o devedor isto não é um problema, é uma oportunidade. Uma nova e bela oportunidade.
P.S.: Para o banco, sim, isto é um problema. Obviamente, porque perde a prestação. E ainda por cima fica proprietário de uma casa que não quer. E que está em processo de desvalorização. Na prática, é apenas a repetição da história de Fannie Mae. O título mais adequado para a notícia seria certamente outro: desvalorização das casas deixa bancos em situação complicada no Reino Unido. Basicamente, os bancos não querem que os deixem, só isso. Até parece que estou a ouvi-los na versão dos communards: Don’t leave me this way!
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