dar-lhes na cabeça?

Desde há muito, muito tempo, que os governantes nos chamam a atenção por diversos motivos. É porque não poupamos, é por causa do nosso consumismo, é porque somos uns poluidores sem vergonha. E têm razão os nossos amigos governantes. Quem não poupa não cuida do seu futuro; o consumismo tornou-se uma doutrina para espíritos pobres que procuram no consumo a sua identidade; os desvarios ecológicos provocados pelo consumismo destroem a nossa saúde e a do planeta.

Por isso, os governos sensatamente tentaram convencer as pessoas a criar as suas próprias poupanças, a moderar o consumo e a reduzir o impacto ecológico das suas actividades. Vejam-se, por exemplo, as campanhas feitas contra o automóvel e em favor dos transportes públicos. Belas campanhas em favor de uma bela causa.

Eis que chega a crise. Quais são as consequências da crise? As pessoas não estão a gastar dinheiro, os governos entram em pânico por causa da deflacção; as pessoas não estão a consumir produtos, os governos entram em pânico por causa do decréscimo da actividade económica; as pessoas não estão a comprar carros, os governos entram em pânico com a falência da indústria automóvel e dão dinheiro à indústria automóvel para não parar de produzir carros que, aparentemente, ninguém quer. Algo de estranho se passa.

Quer dizer, tudo o que nós antes fazíamos errado é agora fundamental que continue para que se consiga superar a crise. Aparentemente, há nesta história alguém que não sabe o que quer. Os governantes não sabem o que querem. Não há pachorra para gente que não sabe o que quer.


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