E se o sócrates fosse declarado inocente aqui e culpado em Inglaterra? Não se percebe muito bem como, afinal de contas tudo o que possa ter ou não acontecido só poderá ter ou não ter acontecido em Portugal, não em Inglaterra. À luz do direito internacional privado, só por colonialismo os ingleses podem achar que as opiniões dos seus tribunais e investigadores têm primazia na investigação de factos ou não factos que terão ocorrido num país estrangeiro. Só mesmo nos sonhos de um comunista ressaiviado se poderia imaginar que um dia o sócrates tivesse a Interpol à porta por causa dos investigadores ingleses.
Ser julgado é uma lotaria e ser investigado parece ser uma lotaria maior. Como já se viu num caso célebre, os investigadores e juízes portugueses e ingleses não alinham necessariamente pelo mesmo diapasão. Não é uma originalidade. Recentemente o Obama e o Lula discutiram o caso de uma menina nascida nos EUA levada por familiares da mãe para o Brasil. Os familiares, com o suporte dos tribunais brasileiros, recusam-se a entregar a menina ao pai americano que, por sua vez, tem o suporte dos tribunais americanos.
Por mais voltas que se dê, vem sempre ao de cima uma perspectiva colonialista. É claro que se um investigador português achasse o Brown ou a rainha de inglaterra suspeitos de alguma coisa os ingleses nos mandavam cagar. Lembram-se dos franceses que meteram duzentas crianças do Chade num avião para as levar para França e que o sarkozy salvou de serem julgados? Se um chadiano fosse caçado em França a meter 200 crianças francesas num avião com o objectivo de as levar para o Chade seria condenado a prisão mais do que perpétua. Os ingleses continuam a achar-se uns gajos muito importantes e com muito jeito para polícias.
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