Este é o país das novelas. Tudo começou com bagriela, cravo e canela. Teve o seu auge com roque santeiro. Depois veio o tempo dos reality shows. Da mistura das novelas com os reality shows nasceram as novas novelas.
O país está refém de duas dessas novelas. A novela SLN/BPN no primeiro canal e a novela Freeport no segundo canal. Às 8h. Na primeira novela estão estrelando os amigos do sr. silva, o sr. costa dos problemas de saúde e dos desmaios, o sr. loureiro de fraca memória, o sr. cadilhe bem reformado, o sr. arlindo sortudo e o recém-desenterrado sr. machete, pelo menos. É uma novela de ficção científica na qual um buraco negro que começou em 150 milhões de contos se alargou já até 500 milhões de contos e promete engolir todo o universo conhecido. Na segunda novela estão estrelando o sr. sousa de pouca memória, o sr. inglês das gravações, o primo bruce lee, o tio da vivenda dos cães, a mãe, o sindicato, a ordem, o procurador, o sr. presidente do eurojust amigo da fátima de que o sr. sousa se tinha esquecido ter sido sócio e, last but not the least, uma data de jornais e jornalistas, pelo menos. É uma novela surrealista que nos últimos tempos parece querer engolir todo o sistema jurídico.
São novelas multimédia, nos jornais e na TV. Diz-se à boca fechada que é o próprio Corin Tellado que escreve as notícias nos jornais. Os telejornais correm ao som da música de Angelo Badalamenti. Agora o nome Carlyle surge nas duas novelas. Na segunda telenovela, como comprador do freeport, o tal de alcochete. Na primeira novela, como potencial comprador do SLN/BPN, também comprador de terrenos em alcochete. Coincidência. Começa-se a suspeitar que o argumentista das novelas ficou paranóico. Carlyle é um belo nome, associado a George Bush e a John Major. O argumentista ficou mesmo paranóico. Entretanto, de uma forma ou de outra, os portugueses acabaram de criar um novo género cinematográfico. Duas novelas que se fundem ou que se cruzam ocasionalmente, ainda não se sabe. A montanha parirá um rato, ou dois. Perceber a novela, perceber mesmo, ninguém percebe.
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