Devemos proteger a banca? Segundo o governo, isso é vital para a economia. Porque o financiamento dos bancos é essencial às empresas e às famílias. Falácia. Nada impede as empresas de se financiarem no estrangeiro. Já o fazem. Aliás os nossos bancos gostam é de emprestar dinheiro para a habitação. Isso é que é. Ora a mim tanto se me dá pedir o dinheiro à CGD ou ao BCP, como pedi-lo ao Deutsch Bank ou à Société Generale. Os bancos portugueses não me fazem falta.
Os bancos portugueses não fazem falta. Muitas outras actividades económicas foram entregues pela globalização a meia dúzia de grandes operadores internacionais. E não se ouvem muitas queixas. Pelo menos daqueles que agora querem proteger os bancos. Se podemos comer fruta vinda do Chile e peixe vindo da Mauritânia também podemos aceitar empréstimos de bancos estrangeiros. Aliás, boa parte do capital dos nossos bancos é estrangeiro, como se viu no caso da guerra do BCP. Abaixo pois o nacionalismo de merda. Os bancos podem perfeitamente ir para o caralho. Já. Até já deviam ter ido.
Podemos proteger a banca? Claro que não. O estado não tem capacidade económica para tal. Os governos estão fartos de dizer que o estado está nas lonas. Nós acreditamos. Faltam ao estado já os recursos para garantir reformas, saúde pública, educação, segurança, justiça, etc. São os governos quem o diz há vários anos. Nós acreditamos. Em que é que não acreditamos? Na capacidade do estado para assumir compromissos de 4 000 milhões de contos. Afinal de conas este é o país que se endividou ao Citigroup por 200 milhões de contos e que ao fim de dez anos ainda se debate para os conseguir pagar.
Quem é que quer proteger os banca? A mesma corja que há vários anos ataca o estado social. Aquela que reclama uma necessidade imperiosa de reduzir as despesas do estado. Aquela que agora se prepara para entregar 4 000 milhões de contos que o país não tem. A accionistas portugueses e estrangeiros. A troco de nada. É um certo conceito de redução das despesas do estado.
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