Palhete

Saiu palhete.
E palhetes há muitos.

Um dia, a minha avó pediu-me para ir comprar vinho branco à taberna. Subi a rua, e não, não foi nesse dia que fui mordido por um cão, e que fui ao Instituto Pasteur para tomar 12 injeções na barriga contra a raiva…

Subi a rua, dobrei a esquina e entrei na taberna.
Levava a garrafa na mão. Não havia garrafas – desperdícios – assim, a nosso bel prazer, como há agora, para oferecer. Tínhamos que levar depósito.
Entreguei a garrafa ao taberneiro, por cima do balcão, que ficava lá em cima. Eu não conseguia sequer ver as pipas, de tão alto que era.

“Quero um litro de vinho branco”, disse-lhe.
Pareceu-me que ele estava a encher a garrafa, do tonel do tinto. E lembrei-o: “É vinho branco”.
“Ah! Não há problema”, retorquiu o taberneiro.
Retirou a tampa superior da pipa e vazou a garrafa, cheia de tinto, até meio. Depois encheu o resto com água, agitou, pôs-lhe a rolha, e colocou-a no balcão.
Nem sequer fez desconto.

A minha avó e o meu pai não acreditaram na história. Mas também não eram escanções.

Palhetes há muitos.

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