Salmão sueco

No tempo da Pipi das Meias Altas, uns suecos ofereceram um salmão fumado, com três quilos, ao meu pai.
Não era salmão às fatias, era um pedaço inteiro.
Os tempos eram outros.

Pela janela, o sol brilhava de forma estranha. Se havia sol, não havia céu, se havia céu, não havia pássaros. Uma névoa escondia o horizonte.
O vinte cinco de abril ainda nem sonhava com os capitães.
O povo era pobre, e o país, de poucos.

Comemos salmão durante um ano inteiro. Mas sempre segundo a receita que os suecos nos confiaram.
Uma fatia de pão, uma película de manteiga, uma folha de alface, uma camada de ovo mexido, e uma fina coberta de salmão que retirávamos do lombo com uma faca muito afiada.

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