Coquetails Molotov

Sem acordo “por 50 euros”, diz sindicato.
“Querem impor aumento”, acusam patrões.
(in DN)

Aparentemente, as partes não querem negociar.

O SNMMP (Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas) cancelou a greve anterior, provavelmente porque os motoristas já não aguentavam mais tempo sem trabalhar, e precisavam de equilibrar as contas para o salário que vão receber no fim do mês. Por outro lado, toda a comunicação da parte do sindicato parecia indicar uma abertura à negociação, o que aliviou, um pouco, a imagem negativa que os motoristas estavam a criar na opinião pública.

O sindicato avançou, para esta primeira ronda de contactos com os patrões e o mediador, com algumas precondições e valores mínimos de aumentos pretendidos. Em princípio, essas condições deveriam ser negociadas já em fase de mediação. Ao impor essas precondições, o sindicato mostra que não quer negociar.

Neste momento, e, olhando para trás, fico com a ideia de que o cancelamento da greve foi estrategicamente escolhido para os motoristas poderem respirar um pouco – principalmente no salário – antes de avançarem novamente para a greve, no próximo mês, fazendo pesar sobre o salário do próximo mês, apenas, a continuação da luta.

O objetivo principal é, desde o início, penalizar o governo. Foi isso que fez o Pardal Henriques, não só nas ações, ms também no discurso. Basta ouvri as entrevistas que deu nos 5 primeiros dias da greve que começou dia 12 de agosto: acusava sempre o Governo de ser o culpado, quando o Governo não era nenhuma das partes em conflito.

Se houvesse alguma dúvida sobre as intenções do sindicato, repare-se que foi fundado a 8 de novembro de 2018, a menos de um ano das eleições legislativas, e, em abril, já estava em greve.

Aguardam-nos mais uns dias de fila nos postos de abastecimento, e de jerricans carregados de gasolina. Os jerricans dão uns bons coquetails Molotov.

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