Motoristas e motoristas

O meu vizinho é motorista de pesados da GNR.

É desde sempre, e assumidamente, um opositor radical do António Costa: chama-lhe todos aqueles nomes feios conhecidos, que lhe foram afixados por uma trupe de fachos ressabiados, que não têm espírito democrático, nem percebem como funciona uma democracia parlamentar. Felizmente são uma minoria, caso contrário já não tínhamos democracia parlamentar.

Voltando ao meu vizinho camionista. Todas as semanas faz um ou dois serviços de 24 horas, muitas vezes, sem dormir. É normal na GNR.
Foi ele que transportou o camião cisterna para abastecer as forças de segurança, em Fátima, aquando da visita do Papa, em 2017. E esteve 3 dias a dormir no chão de um barracão, nos arredores de Fátima.

Desde que começou a greve dos camionistas, ainda não foi chamado para transportar camiões cisterna. A GNR tem muitos camionistas com experiência de trabalho nessa área. Curioso, hã? Depois de todas as notícias de desinformação que nos têm chegado pela TV…

Fui, há pouco, falar com ele, que como eu disse acima, detesta esta nossa solução governativa, e tudo o que seja à esquerda do MIRN, para perceber a sensibilidade dele sobre a greve.
Está contra a greve, obviamente. Os camionistas ganham o dobro do que ele ganha. Trabalham o mesmo. Aliás, acha uma hipocrisia eles só quererem trabalhar 8 horas, quando normalmente trabalham 16.
Está orgulhoso que a GNR esteja a aguentar o país a funcionar.
“Felizmente temos a Guarda”, rematou ele no fim.

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