Os coletes amarelos

Muitos queriam ver isto tudo partido – porque se sentem desconsiderados pela Justiça, pelo patrão, pelo governo – mas não queriam ser eles a partir. Preferiam ver a cena pela TV. Enviaram vídeos e cartazes aos amigos, durante dias a fio. E continuaram a arfar enquanto os poucos mobilizados estrelavam na TV…

– “Minha senhora, pode-me dizer o que acha da manifestação?”, perguntou o repórter a uma senhora que segurava um cartaz.
– “Eu não percebo nada disto. Vim só ajudar”, respondeu a senhora, empunhando o cartaz – amarelo como o colete – ainda mais alto.

Que mais pode almejar uma vida cinzenta e aborrecida do que trinta segundos de estrelato?

E tu, que ainda não levantaste o rabo do sofá, mas que te arrependes de não ter sido tão ou mais amarelo que a senhora do cartaz, tu ainda estás a tempo de vestir o colete. Nem que seja em casa. Se não vestes ficas aguado durante semanas. Eu cá já vesti. Fechei-me na casa de banho – para os outros não verem – e às escuras – para eu não ver também – não fosse ficar traumatizado para o resto da vida. 🙂

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