Um Mundo Neutro

No início de novembro de 2018, um grupo de formandos da GNR foi agredido durante a formação, em Portalegre. Levantaram-se mil e uma vozes contra os formadores, contra o comandante e contra a instituição. O comandante foi exonerado hoje, na sequência das agressões.

As sessões de formação prática da GNR são todas gravadas em vídeo, segundo ouvi hoje na rádio. À noite, passaram um vídeo dessa formação, com as alegadas agressões. E o que é que eu vi? Vi um formador que, apesar de protegido com uma armadura. dava apenas uns socos esporádicos e estava sempre numa postura vulnerável. A armadura nem sequer parecia permitir movimentos bruscos: ofensivos ou defensivos. Mas os formandos não ripostavam: pelo contrário, punham as mãos à frente da cara e enfardavam socos das canelas à nuca. Qualquer meliante lançava-se com o ombro sobre a cintura do formador e fazia-o cair, desamparado, e eventualmente deixava-o desmaiado, pelo impacto da cabeça no chão. Não percebo porque é que os formandos não o fizeram. E, se não o fizeram, não merecem ser membros das forças de segurança de Portugal.

Em 4 de setembro de 2016, morreram 2 recurtas no curso de Comandos, em Alcochete, devido a agressões e condições extremas na formação. Foi aberto um inquérito, instituído um processo, e acusado o capitão responsável pela formação.

Hoje na TV estava uma menina – uma psicóloga comentadora – aos berros, a acusar toda a gente pelos maus tratos aos formandos da GNR. Esses berros refletem uma minoria ruidosa que gosta de elevar a voz, em carneirada, a tudo o que não sejam papás a limpar as fraldas dos meninos, a engomar a roupa, a lavar a loiça, ou a varrer o chão. Um bando de parvos, que almeja por um mundo neutro: sem polícias, nem ladrões; sem homens, nem mulheres; sem guerra, nem paz.

Mas esse mundo neutro não existe. Um militar, que vai para a guerra, não pode pedir ao inimigo: “Podem parar de disparar? É que o meu capitão está com dores de cabeça”. Isso é a guerra do Raúl Solnado.

E um polícia, ou um GNR, não pode pedir ao criminoso: “Agora para um bocadinho, que eu quero fazer chichi”.

Quem não está preparado, quem não tem estofo para lidar com isto, não deve seguir a vida militar ou policial. Escolha outra vida. Dedique-se à costura.

Um mundo neutro é um mundo morto.

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