Araucaria excelsa

Em Cacilhas há uma árvore enorme, que se vê de todo o lado, inclusive de Lisboa. Fica num quintal de uma casa velha na rua Carvalho Freirinha, logo ali junto aos barcos que vão para a margem norte.


(Araucaria excelsa, foto de Ana Gouveia)

A Ana fotografou a árvore esta tarde e fez-me recordar os tempos em que vivi nessa casa, nesse quintal…

Os galinheiros onde apanhava ovos acabados de pôr, o tanque onde tomava banho de verão, os ratos cinzentos recém nascidos que apanhei pela cauda, o filodendro que dava frutos tropicais, sei lá, tantas recordações dessa casa com nove assoalhadas e chão de madeira, onde se ouviam os passos dos vizinhos de cima, e o ecoar das nossas passadas quando corríamos pelo corredor.

Fiz cigarros na máquina do meu tio-bisavô, furei um dedo de lado a lado na máquina de costura da minha avó, andei pelos telhados vizinhos onde acedia pela janela, a casa de banho gigantesca onde eu e a minha irmã (com três anos) pintámos uns monstros (há uma foto disso, tenho que encontrá-la), a cozinha enorme onde a minha avó cozinhava cola feita de farinha, o quarto escuro, onde ouvi na rádio o decorrer da guerra dos seis dias…

Obrigado, Ana, por me fazeres lembrar isto tudo.

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