Não te encontres com amigos da net…

“O meu pai sempre me disse: não te encontres com amigos da net@”, foi o que me respondeu,um dia, um blogger, dos mais antigos do mundo, que vivia num prédio em frente, quando o convidei para beber um copo em Cacilhas.

Aliás, 3 dos 4 bloggers mais antigos de Portugal viviam em Cacilhas (margem sul, a verdadeira Margem Sul), num raio de 50 metros. A outra – uma miúda do outro mundo – era (e é!) portuense (volta a escrever, por favor).

Passados muitos anos, a rede tornou-se mais democrática e as redes de amigos vieram matar os blogs. Mas a questão mantém-se: será seguro conhecer pessoalmente os amigos virtuais?

Bem… o puto que me respondeu com a frase acima que me desculpe, mas é um parvo. Cruzámo-nos várias vezes na rua, eu, ele e a mulher dele (também uma blogger do top 10), que moravam a menos 50 metros de mim, e nunca lhes dirigi a palavra, por respeito à resposta que me deu quando o convidei…

Recentemnte, nas redes que mataram os blogs, conheci gente nova, gente virtual, ou talvez não, e depois? Qual é o mal?

A Andreia encontrei-a, por acaso na Rua das Portas de Santo Antão, depois do concerto surpresa do Prince no Coliseu, onde fui com a minha filha mais velha. Estava sentado numa pizzaria com o Nuno, mais a Maria João, e a Júlia, e vi-a passar para baixo… Quis chamá-la, mas não me lembrei do nome… Que desespero. Ela era igual às fotos que publicava na net@, fotos fantásticas, feitas por uma amiga dela que se foi há pouco, e que captavam a realidade dela tão fidedignamente, que não deixavam dúvidas. Era mesmo a… “Andreia”, gritei, eu. Ela olhou espantada, porque não me conhecia pessoalmente, nem identificava a minha voz, mas eu percebi e completei: “ainda há uns dias falámos na net@ sobre a Segurança Social”. A Andreia sentou-se na nossa mesa e ficámos ali a falar do excelente e surpreendente concerto do Prince. Encontrámo-nos, novamente, mais tarde, por acaso, em Cacilhas, e, uns meses depois, na Ria Formosa. Curioso.

A Fernanda, mãe do pai da irmã de um colega da minha filha mais nova, também é apenas um conhecimento etéreo. Quando fiz 50 anos, quis convidá-la para a festa, mas tive vergonha e não o fiz. Eu iria buscá-la a casa dela, se fosse necessário. É uma escritora excelente, já podia ter publicado os escritos que produz, maioritariamente após a meia-noite… Já a desafiei a ver quem publicava o próximo livro mais cedo: eu ou ela… Mas não sei qual de nós os dois vai perder. Torço para que ganhemos ambos.

A Alexandra é uma mãe carinhosa, e uma ativista furiosa, da minha idade, que nunca encontrei, mas com quem já combinei beber um café quando retomar a minha caminhada de norte a sul de Portugal, que quero terminar na próxima Páscoa. Vou fazer um desvio propositado para cumprir o combinado. Respondi-lhe, uma vez a uma notícia sobre piropos, a pensar que estava a falar com a minha prima Ana, e estive 4 dias a levar tareia de alguém que precisa de bater em alguém… Bem, pelo menos foi isso que eu senti.

A Clara foi e é uma surpresa constante. Mora a 300 km de mim, e já passei lá perto, nas minhas andanças a pé pelo país. Talvez nos cruzemos um dia destes. Mas tenho gostado imenso das histórias que leio, das preocupações, dos desafabos, dos sonhos… e tudo isto de uma genuinidade ímpar, assim o sinto.

Quando voltar a ver o autor da frase lá de cima, vou esbofeteá-lo para me sentir ressarcido do que perdi. E aí ele vai poder dizer: “o meu pai bem me tinha dito que não me devia encontrar com tipos conhecidos na net@”

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Referências bibliográficas

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