Genève

Maio de 2005
Conheci o Zé num dia em que ele entrou no meu táxi e o dia nunca mais acabou.
“Leva-me ao Marquês”, disse-me o Zé. E eu lá fui.
“Entra, Salgado. Estamos entre amigos”, disse o Zé a um amigo de cabelo grisalho que o esperava na rotunda.
“Então, Zé… Porreiro, pá? Ah ah ah… Trouxe a manteiga”, disse o Salgado.
“Eu não sou a Maria Schneider”, atalhou o Zé.
“Ah ah ah”, retorquiu o Salgado, “estou-me a referir aos 20 milhões que tenho aqui na mala, para te untar as mãos.”
“Ahhhh… E o que é que eu faço com isso? E o que é que queres em troca?”
“De ti, quero só que agilizes uns negócios. Quanto à manteiga, leva-a para a Suiça antes que derreta.”
E o Salgado saiu no Cais do Sodré, para ir visitar umas putas que tinha a render…
“Ó taxista, pé na tábua e vamos até Genève. Sabes o caminho, ou queres que te explique?”, avançou o Zé.
E lá fui para Genève, àquela hora da noite, depositar a manteiga do Zé no frigorífico…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *