Vinhos do outono

Entrou o 5 de outubro e ninguém disse nada. Depois, no dia 6, jantei leitão assado e acompanhei com uns copos. A saber:

Lacrau, Douro tinto 2012, 13,5% de álcool, vinhas velhas, 4013 garrafas, 127 magnuns. Uma das melhores pomadas da temporada. Acre, doce q.b, e adstringente o suficiente para desfazer pratos pesados.

Migas, Alentejo tinto 2011, 13% de álcool, Trincadeira, Aragonez, Touriga Nacional e Syrah. Doce, um pouco adstringente, fraco em acidez. Um alentejano honesto. Bebe-se bem a acompanhar pratos simples.

Encostas do Tua, Douro tinto 2010, 13% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca, 10 meses em carvalho francês. Acre e doce qb, com um toque de acidez. Um standard do Douto.

Quinta da Garrida, Dão tinto 2011, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, com estágio de 12 meses em carvalho francês e russo. Mais um um excelente vinho DO dÃO, a fugir aos travos mais doces da região, bem envelhecido: um sabor acre, com o doce bem cortado pela acidez, meio encorpado. Gostei imenso.

Pedra Cavada, Douro tinto 2012 Reserva, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, carvalho francês. Um vinho macio, encorpado, com alguma complexidade de sabores: do doce ao adstringente, com uma passagem pelo ácido.

Pedra Cavada, Douro tinto 2012, 13% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Não tão complexo como o Reserva, mas ainda assim, um dos melhores vinhos que bebi nos últimos tempos.

Audaz, Alentejo tinto 2013, 14% de álcool, Aragonez, Trincadeira e Alfrocheiro. Continua um vinho surpreendente. Mais acre e adstringente do que doce, contrariamente ao que é usual nos alentejanos novos com tanto álcool. Como estes tipos o fazem não sei, mas por isso mesmo é um vinho para ter sempre na mesa da refeição.

Menanços, Monção e Melgaço branco 2012, 12% de álcco, Alvarinho e Trajadura. Um branco doce quase a lembrar aqueles vinhos húngaros feitos com passas e bolor. Bela pinga.

Cardeal, Dão tinto 2012, 13% de álcool, Tinta Roriz (60%), Alfrocheiro (30%) e Touriga Nacional (10%). Um sabor doce e redondo, sem o toque enjoativo típico dos vinhos do Dão. Continua fantástico com o passar dos anos.

Castelo da Lapa, Setúbal tinto [2012], 13,5% de álcool. Acre como é usual nos vinhos da região, mas também um pouco doce e ácido, o que ajuda a compor o ramalhete para um vinho que permite acompanhar pratos fortes de outono.

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