Cumprir o défice

“Entra, Paula, temos aqui uma situação.”
“Olá Nuno. Chega-te para lá e deixa-me sentar. Então o que é?”
“Ó taxista”, virou-se o tal Nuno, mal encarado e de barba mal aparada, para mim, “vá andando às voltas pela cidade que já o mando parar”.
“Ó Paula, é o seguinte. O puto quer cumprir o défice a todo o custo e deu ordens estritas de poupança e contenção. Temos que estender o nosso arranjinho por mais um mês ou dois.”
“Do meu lado é fácil, mesmo que eu quisesse, o Citius nunca iria estar a funcionar antes do fim da legislatura.”
“Ah! Isso são notícias maravilhosas! Eu também não coloco os professores e assim não temos que lhes pagar os salários. Se quiserem recebê-los têm que ir para a Justiça.”
“Professores falidos na Justiça? Ah ah ah ah ah…”, riu a loura a bandeiras despregadas.
“Ah ah ah ah ah ah…”, riram os dois descontroladamente.
“E se forem para os tribunais, para além das taxas que pagam à cabeça, os processos entram, perdem-se no Citius, e nunca mais são despachados”, acrescentou a loura.
“Ah ah ah ah ah ah…”, riram os dois novamente sem controlo.
“Então estamos combinados.”
“Estamos pois.”
“Vamos ao Tavares comemorar a poupança. Paga o défice.”
Deixei-os à porta do restaurante, mas gorjeta nem vê-la.

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