Citius da Justiça

Quando, há mais de um mês, previ que o Citius não estaria no ar no mês seguinte, não tinha a informação toda e baseei-me apenas na presunção de que o software tinha sido encomendado a uns amigos e que esses “amigos” iriam desistir ao fim de uma semana e iriam encomendar a solução a uma empresa a sério, com – obviamente – uma derrapagem gigantesca nos custos.

Hoje, dia 5 de outubro, mais de um mês depois da necessidade do sistema estar a funcionar, está tudo na mesma (parado), com processos a caducar, com pessoas a morrer à fome por penhoras ilegais, com falências sumárias adiadas ad eternum…

Hoje passou na TVI uma reportagem que dá uma visão da Justiça que eu não tinha: uma juíza que traz os detergentes de casa, assim como a sua própria empregada para limpar as instalações que estão imundas, com ratos, bolor e com a tinta a cair.

Noutros tribunais, chove nas salas de audiência por buracos no teto que deixam ver o céu. Não é esse o objetivo dos tribunais. Esse é mais o fim do Instituto de Meteorologia: saber se o céu está limpo ou nublado.

Há 15 dias o José Tribolet disse, numa entrevista, que o maior problema do sistema era a inserção dos processos, que ia demorar mais de dois anos, e que, antes disso, o sistema não estaria totalmente funcional.

Bem, depois de tudo isto, retiro a minha previsão e deixo-me de adivinhações. Vou para a praia e espero que os meus filhos ainda consigam ver o sistema a funcionar.

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