Dois tintos

A técnica não é beber dois tintos apenas, mas sim, sempre que beber, beber dois de cada vez. Assim é mais fácil comparar os tintos, perceber as diferenças entre eles, mas também o que distingue cada um. A partir de hoje vou ter sempre duas garrafas abertas e prontas a beber.

Kopke, Douro tinto 2009, 13,5% de álcool, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinto Cão.
Cabeça de Toiro, Tejo tinto 2009 Reserva, 13,5% de álcool, Touriga Nacional e Castelão, 9 meses em carvalho francês.
O Cabeça de Toiro costuma ser um bom vinho. Não houve uma única vez que me tenha queixado dele, pelo contrário: é um vinho robusto, forte, denso, seco, ligeiramente frutado, encorpado, enche a goela!
Mas ao lado do Kopke 2009 – o melhor Kopke de sempre – parece um vinho banal, uma aguinha de fim de pipa. Que desalento.

Vallado, Douro tinto 2009, 14,5% de álcool, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Sousão.
Vallado, Douro tinto 2010, 13,5% de álcool, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Sousão.
É o dia e a noite. O primeiro foi avaliado com 90 pontos pelo Robert Parker e percebe-se porquê. É um vinho denso, doce, com travos a frutos silvestres, amora em particular, com um sabor fechado, nada expansivo. Um autêntico licor, um autêntico néctar.
O segundo é um aborto. Fez-me lembrar aquele filme do Schwarzenegger com o DeVito: os Gémeos. Um é o vinho, o outro é o fundo da pipa. Há vinhos melhores por 1 euro.

Serra Mãe, Palmela tinto 2005 Reserva, 13,5% de álcool, Castelão com 12 meses em carvalho francês.
Cabeça de Burro, Douro tinto 2008, 14% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca.
Aqui ganha o Serra Mãe (5€). Mais barato que o Cabeça de Burro (7€), mas mais honesto, com um sabor mais complexo, mais acre, mais pipa, mas pipa a sério.

Cabeça de Burro, Douro tinto 2008, 14% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca.
Quinta do Mondego, Dão tinto 2007, 13,5% de álcool, Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Fiquei pasmado. Um Dão que não sabe a Dão. Um Dão que parece um Douro da casa Ferreirinha. Um Dão que sobe ao pódio dos vinhos de eleição de Portugal. Não sei como fizeram isto, mas este Dão não tem o sabor enjoativo típico dos vinhos novos do Dão. É claro que já bebi alguns vinhos mais amadurecidos – Quinta de Saes e Quinta da Pellada de estágio prolongado – onde o sabor enjoativo foi consumido pelo tempo de estágio, mas isso são outras histórias e outros preços. Este Quinta do Mondego custou menos de 5€ e já lá fui comprar mais umas. Hoje trago o resto das garrafas. O Cabeça de Burro voltou a ficar atrás.

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