A revolta já chegou à classe média chinesa
Para os governantes chineses era bom que “as pessoas” não existissem. Mas existem. A China encontrou e aplica a melhor solução económica do mundo actual: uma espécie de comunismo neo-fascista-estalinista dentro de portas, e um capitalismo feroz e exacerbado nas relações económicas internacionais. Tudo isto somado à falta de respeito pelos sues próprios cidadãos, e a forma desumana como são tratados e considerados, gerou uma nação com um crescimento e uma competitividade sem par.
Mas a China tem um calcanhar de Aquiles: as pessoas. E as pessoas, embora estejam a lutar para construir um futuro (eventualmente) melhor para os seus filhos e netos, também querem o futuro agora. Um futuro em segurança e com qualidade de vida.
O acidente do combóio de alta velocidade do mês passado levantou imensas discussões internas nos media e junto das pessoas sobre o lado para onde pende, na China, o binómio crescimento-segurança. O Diário do Povo escreveu que os chineses querem um crescimento económico que não esteja “coberto de sangue”. “Será que as estradas nas nossas cidades podem não se desmoronar de repente? Será que não podemos viajar em comboios seguros? Queremos dizer: “China, por favor abranda. Não vás tão depressa e não deixes as almas das pessoas para trás”, foi o desabafo em directo de Qiu Qiming, pivot da televisão estatal.
Será que os governantes chineses estão atentos ao crescimento imparável do descontentamento e vão encontrar uma solução milagrosa (mais uma) que concilie o comunismo neo-fascista com o capitalismo desenfreado e o bem-estar das pessoas, ou vão deixá-lo evoluir até à desagregação completa da China?
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