Vinhos improváveis

Depois de já ter bebido os vinhos todos do país era improvável que surgissem vinhos novos. Mas o improvável aconteceu.

Falgaroso, Douro tinto 2005, 14% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Um vinho já entradote (com um travo a velho) mas também com uma frescura contrastante no sabor. Tinha também umas borbulhas do tipo do Cabernet Sauvignon e madeira o que lhe davam um toque de complexidade. (eh eh eh, estou cada vez melhor a escrever estas merdas)

Calheiros Cruz, Douro tinto 2007, 14,5% de álcool, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Não tão bom como o 2002 Touriga Franca, de início estava um poco enxofrado, mas 1/2 hora depois já se bebia. E os 3 anos de velhice já se notavam, o que também lhe conferia carácter. (É só tretas, onde é que eu aprendi a escrever assim sobre vinhos? Será que o Ano do Gato é bom para escrever? Discorrer sem parar? Será que o Ano do Gato me vai ajudar a escrever a tese de doutoramento?)

E o terceiro vinho é um vinho de que não há memória. Pelo menos a história que o acompanha é inédita.

Terras do Marechal, Beira Interior tinto 2009, Touriga Nacional, 13,5% de álcool, adocicado como são todos os vinhos daquela região (Serra da Estrela, Dão, e por aí fora), um doce quase enjoativo cortado por um toque de madeira. Mas o melhor da história começa aqui. Nós nem queríamos beber este vinho. O DC entrou a matar: pediu para provar todos os ingredientes da comida em separado e em cru antes de permitir que os cozinhassem e que nos servissem. Eles acederam. Mas quando chegou ao vinho e nos aconselharam este que tinha acabado de chegar lá da terra deles, o DC disse logo: “uvas a mais de 700m de altitude não dão bom vinho. Quero um vinho aqui da região.” Fui ver os vinhos com os meus próprios olhos (na carta não se consegue cheirar a garrafa) e até tinham bons vinhos, mas… voltaram a insistir no Terras do Marechal. E até apareceu um tipo que eu não conhecia de lado nenhum (mas que me pareceu o vendedor) a dizer que aquele vinho era tão bom ou melhor que os outros todos… Que eu não me ia arrepender. Por fim, uma proposta que eu não pude recusar: “Abram o vinho. Se não gostarem, podem devolvê-lo.” Ah! Assim, sim. E lá foi o Terras do Marechal monocasta para a mesa. Estávamos já nas provas, quando chega novamente o desconhecido, que afinal era o produtor e que tinha ido ali levar o vinho (a mais de 400km de distância), e coça os tomates enquanto elogia o vinho… que era madeira, que era só Touriga Nacional, etc… e coça os tomates mais uma vez, e depois pega na garrafa pelo gargalo com a mesma mão com que coçou os tomates e diz mais umas merdas que eu já não ouço porque já só vejo é pintelhos no gargalo e… foda-se… ainda tive que dizer que o vinho era bom enquanto cuspia os pintelhos. Porra. Não bebo mais vinho!

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