{"id":9871,"date":"2009-08-27T07:41:59","date_gmt":"2009-08-27T07:41:59","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=9871"},"modified":"2009-08-27T20:52:33","modified_gmt":"2009-08-27T20:52:33","slug":"excepcao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=9871","title":{"rendered":"excep\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o costumo falar aqui da minha vida. Hoje vou abrir uma excep\u00e7\u00e3o. Fui de f\u00e9rias. E encontrei uma data de velhos. Inclusive alguns daqueles que j\u00e1 n\u00e3o sabia se ainda existiam. Os velhos ficam felizes por reencontrar os familiares. E gostam de conhecer as crian\u00e7as. As crian\u00e7as n\u00e3o lhes ligam nenhuma. E n\u00e3o compreendem metade do que se diz. Felizmente.<\/p>\n<p>O primo C. est\u00e1 com 75 anos. N\u00e3o o via h\u00e1 20. Vivia de apanhar percebes, polvos e sapateiras na mar\u00e9. Dava-nos sempre uma garrafa de bom medronho. Arranjou uma casa na cidade. Meteu l\u00e1 3 mulheres. Viveu uns anos assim. Depois fartou-se. N\u00e3o se aguenta uma casa com 3 mulheres. Teve que correr com elas. Agora tem uma vida descansada. N\u00e3o quer saber de mulheres. Quando lhe chega &#8220;a vontade&#8221; faz &#8220;assim&#8221;. E mostrou do que se tratava com um gesto amplo da m\u00e3o.<\/p>\n<p>O tio-av\u00f4 R. est\u00e1 com 76 anos. N\u00e3o o via h\u00e1 30. Trabalhou na alemanha. Trabalhou numa casa de frangos. Fazia frangos no espeto. J\u00e1 anda agarrado a uma bengala. Dorme todas as noites ao relento. Para n\u00e3o lhe roubarem as galinhas. Catorze. E fala da vida de cada uma das suas galinhas como outros falam do seu c\u00e3o ou do seu gato. Veio ter comigo com algum esfor\u00e7o que as pernas j\u00e1 n\u00e3o ajudam. E disse-me que era para saber em que adulto \u00e9 que me tinha tornado. De b\u00f3nus, conheceu uma sobrinha-neta. Obrigado, tio. Da pr\u00f3xima vez vou l\u00e1 busc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O bisav\u00f4 B. est\u00e1 nos quadros que est\u00e3o pendurados nas paredes. S\u00e3o os diplomas do Instituto de Socorros a N\u00e1ufragos. Os tais que lhe agradecem por ter salvo mais de uma d\u00fazia de marinheiros naufragados. Salvos a nado e preso com uma corda nos dentes. Tamb\u00e9m ele esteve naufragado. Safou-se em cima dumas t\u00e1buas e a comer peixe cru. Na juventude largou fogo ao bigode de um espanhol. Depois tornou-se um homem de bem.<\/p>\n<p>O av\u00f4 D. est\u00e1 com 73 anos. E com 125 kg. N\u00e3o espera por ningu\u00e9m para almo\u00e7ar. E \u00e9 sempre quem fala mais alto. Continua a contar que aos 67 ainda aviou uns assaltantes no metro de Paris. E aos 70 ainda aviou um balde de metal nos cornos dum malfeitor com menos 30 anos. Percebe-se que o pr\u00f3ximo desgra\u00e7ado ser\u00e1 bem-vindo. Afinal de conas, d\u00e1 sempre uma boa hist\u00f3ria. Continua a desafiar os jovens para fazerem bra\u00e7o de ferro com ele. Os jovens escusam-se discretamente.<br \/>\n<em><br \/>\ncome on children<br \/>\nwe have visits<br \/>\nlet\u2019s pretend we are normal<\/p>\n<p>ou, no original: &#8220;Remember, as far as anyone knows, we&#8217;re a nice normal family&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o costumo falar aqui da minha vida. Hoje vou abrir uma excep\u00e7\u00e3o. Fui de f\u00e9rias. E encontrei uma data de velhos. Inclusive alguns daqueles que j\u00e1 n\u00e3o sabia se ainda existiam. Os velhos ficam felizes por reencontrar os familiares. E gostam de conhecer as crian\u00e7as. As crian\u00e7as n\u00e3o lhes ligam nenhuma. 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