{"id":24655,"date":"2021-07-31T09:31:31","date_gmt":"2021-07-31T09:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=24655"},"modified":"2021-07-31T09:31:31","modified_gmt":"2021-07-31T09:31:31","slug":"olga-prats-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=24655","title":{"rendered":"Olga Prats para sempre"},"content":{"rendered":"<p>Conheci-a, durante muito tempo, como a pianista que tocava Piazzolla. Vi-a, uns anos mais tarde, a tocar fado, tamb\u00e9m ao piano. E, mais tarde ainda, a tocar Bach, para 4 pianos. Morreu ontem.<\/p>\n<p>Transcrevo, abaixo, o texto do <a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/cultura\/pianista-olga-prats-morre-aos-82-anos-13991804.html\">DN<\/a> &#8211; n\u00e3o v\u00e1 entretanto desaparecer, com alguma remodela\u00e7\u00e3o do jornal &#8211; para os que gostam de saber a hist\u00f3ria dos artistas.<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"t-af1-head-i\">\n<h1 class=\"t-af1-head-title\">Pianista Olga Prats morre aos 82 anos. Uma carreira distinta na divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica portuguesa<\/h1>\n<div class=\"t-af1-head-desc\">\n<p>Ao longo dos quase 70 anos de carreira, Olga Prats privilegiou a m\u00fasica de c\u00e2mara, destacando a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Morreu esta sexta-feira, aos 82 anos, na sua resid\u00eancia na Parede, v\u00edtima de doen\u00e7a oncol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A pianista Olga Prats morreu esta sexta-feira, aos 82 anos, na sua resid\u00eancia na Parede, concelho de Cascais, v\u00edtima de doen\u00e7a oncol\u00f3gica, disse \u00e0 Lusa o compositor S\u00e9rgio Azevedo, que era seu amigo.<\/p>\n<p><strong>Com uma carreira de 69 anos, Olga Prats foi a primeira pianista a tocar e a gravar o argentino Astor Piazzola em Portugal e a divulgar o fado ao piano, <\/strong>nomeadamente as partituras de finais do s\u00e9culo XIX e primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX de compositores como Alexandre Rey Cola\u00e7o ou Eduardo Burnay.<\/p>\n<p><strong>Olga Prats come\u00e7ou a tocar piano aos 6 anos,<\/strong> tendo sido aluna particular de Jo\u00e3o Maria Abreu e Motta. Numa entrevista \u00e0 Lusa, recordou que &#8220;havia sempre m\u00fasica em casa&#8221;.<\/p>\n<p>Deu o seu primeiro recital, aos 14 anos, no Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, a 5 de maio de 1952.<\/p>\n<p>Maria Olga Douwens Prats, de seu nome completo, nasceu em Lisboa a 4 de novembro de 1938, fez o Curso Superior de Piano no Conservat\u00f3rio Nacional, que apontou \u00e0 Lusa como &#8220;a sua segunda casa&#8221;, e onde tinham sido alunas a sua m\u00e3e e uma tia, e um bisav\u00f4 professor.<\/p>\n<p><strong>Terminado o curso, em 1957, prosseguiu os estudos em Col\u00f3nia, na Alemanha, onde foi aluna de Gaspar Cassad\u00f3 e de Karl Pillney, e em Friburgo, na Su\u00ed\u00e7a, estudou com Carl Seeman e S\u00e1ndor V\u00e9gh.<\/strong><\/p>\n<p>Olga di Robilant \u00c1lvares Pereira de Melo (1900-1996), Marquesa de Cadaval, foi &#8220;a patrona mais importante para a Olga Prats&#8221;, segundo o seu bi\u00f3grafo e amigo, o compositor S\u00e9rgio Azevedo, que disse \u00e0 Lusa &#8220;que o nome da pianista foi uma homenagem \u00e0 aristocrata&#8221;, que durante anos patrocinou os Festivais de Sintra.<\/p>\n<h2>Uma das fundadoras do Opus Ensemble, em 1980, e do ensemble de teatro musical Grupo ColecViva, em 1975<\/h2>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da Marquesa de Cadaval foi essencial para a fam\u00edlia de Olga Prats lhe comprar o primeiro piano. &#8220;Sem a Marquesa de Cadaval, a Olga Prats n\u00e3o teria tido todas aquelas oportunidades que teve de estudar e conhecer m\u00fasicos na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia&#8221;, disse S\u00e9rgio Azevedo.<\/p>\n<p><strong>Na Alemanha, onde foi bolseira do Governo alem\u00e3o em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian, Olga Prats tocou com v\u00e1rias orquestras e recebeu elogios da cr\u00edtica musical, tendo, em 1958, sido distinguida com o pr\u00e9mio para melhor estudante estrangeira.<\/strong><\/p>\n<p>Em 1960, regressou a Portugal, tendo continuado a estudar com a pianista Helena S\u00e1 e Costa (1913-2006).<\/p>\n<p>O seu talento n\u00e3o passou despercebido nos meios acad\u00e9micos internacionais, tendo sido convidada para ser professora de piano nas classes de m\u00fasica de c\u00e2mara de Paul Tortelier, Ludwig Streicher e Karen Georgian.<\/p>\n<p>Olga Prats tocou com diversas orquestras, desde logo a da ex-Emissora Nacional, a da Gulbenkian, e a do Porto, mas tamb\u00e9m a Orquestra de C\u00e2mara do Festival de Pommersfelden ou a Sinf\u00f3nica de Buenos Aires.<\/p>\n<p><strong>Ao longo da sua carreira, privilegiou a m\u00fasica de c\u00e2mara, destacando a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Este seu gosto foi passado a outras pianistas, designadamente a Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de Lopes-Gra\u00e7a, foi tamb\u00e9m colaboradora pr\u00f3xima de outros compositores, como Constan\u00e7a Capdeville e Victorino d&#8217;Almeida, os quais lhe dedicaram v\u00e1rias pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Lecionou no Conservat\u00f3rio Nacional e na Escola Superior de M\u00fasica de Lisboa (ESML) at\u00e9 novembro de 2008.<\/p>\n<p>Olga Prats foi uma das fundadoras do Opus Ensemble, em 1980, e do ensemble de teatro musical Grupo ColecViva, em 1975.<\/p>\n<p><strong>No Opus Ensemble, que formou com o obo\u00edsta e maestro Bruno Pizzamiglio, a violetista Ana Bela Chaves e o contrabaixista Alejandro Erlich Oliva, atuou em v\u00e1rias salas de concerto internacionais levando sempre partituras de compositores portugueses como Croner de Vasconcelos, Armando Jos\u00e9 Fernandes, Ivo Cruz, Sousa Carvalho, Carlos Seixas e, naturalmente, Lopes-Gra\u00e7a e C. Capdeville.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 Lusa afirmou que participar no grupo lhe tinha &#8220;aberto horizontes&#8221;.<\/p>\n<h2>Comendadora da Ordem Militar de Sant&#8217;Iago da Espada<\/h2>\n<p>Olga Prats foi jurada desde a sua cria\u00e7\u00e3o, do Pr\u00e9mio Jos\u00e9 Afonso, que anualmente, distingue um \u00e1lbum in\u00e9dito de m\u00fasica portuguesa, e foi tamb\u00e9m jurada em concursos de m\u00fasica erudita, tanto em Portugal, como no estrangeiro.<\/p>\n<p><strong>Em 2008, o Estado portugu\u00eas reconhece a excecionalidade da sua carreira e o seu contributo para a Cultura portuguesa, tendo-a feito feita Comendadora da Ordem Militar de Sant&#8217;Iago da Espada.<\/strong><\/p>\n<p>O compositor S\u00e9rgio Azevedo \u00e9 autor da \u00fanica biografia publicada da pianista, &#8220;Olga Prats &#8211; Um Piano Singular&#8221;(Biz\u00e2ncio, 2007). De S\u00e9rgio Azevedo, Olga Prats estreou v\u00e1rias obras, quer a solo quer com o Opus Ensemble, e com ele gravou tamb\u00e9m um disco.<\/p>\n<p>No ano passado, celebrando 68 anos de carreira, Olga Prats juntou-se, num concerto, em janeiro, no Centro Cultural de Bel\u00e9m (CCB), em Lisboa, a Artur Pizarro, seu amigo, Jorge Moyano, e ao brit\u00e2nico Nick van Bloss, com a Orquestra Sinf\u00f3nica Portuguesa para interpretarem os concertos para dois, tr\u00eas e quatro pianos, de Bach, projeto que o CCB apresentou como &#8220;uma aut\u00eantica festa pian\u00edstica&#8221;.<\/p>\n<p>&lt;iframe width=&#8221;560&#8243; height=&#8221;315&#8243; src=&#8221;https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-05UQdNshKk&#8221; title=&#8221;YouTube video player&#8221; frameborder=&#8221;0&#8243; allow=&#8221;accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture&#8221; allowfullscreen&gt;&lt;\/iframe&gt;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci-a, durante muito tempo, como a pianista que tocava Piazzolla. 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