{"id":24628,"date":"2021-03-12T00:07:09","date_gmt":"2021-03-12T00:07:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=24628"},"modified":"2021-03-12T17:05:13","modified_gmt":"2021-03-12T17:05:13","slug":"o-r-e-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=24628","title":{"rendered":"O R e a pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Sobre o R.<br \/>\nO R, tamb\u00e9m conhecido por <strong>\u00c9rret\u00ea<\/strong>&#8211; para o poderem designar de <strong>risco de transmiss\u00e3o<\/strong>, e justificarem a sua utiliza\u00e7\u00e3o nos discursos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o -, \u00e9 a raz\u00e3o da progress\u00e3o geom\u00e9trica (conceito matem\u00e1tico) do n\u00famero de infetados.<br \/>\nComecemos, ent\u00e3o, pelo in\u00edcio.<br \/>\nO n\u00famero total de infetados \u00e9 uma grandeza que cresce sempre, nunca diminui. Come\u00e7ou em zero e vai sempre aumentando.<br \/>\nPara levar a cabo aquilo que quero transmitir, vou fazer a analogia entre a pandemia e os kms percorridos por um autom\u00f3vel. Assim, o conta quil\u00f3metros mede o n\u00famero de infetados, ou seja, a <strong>dist\u00e2ncia<\/strong> percorrida.<br \/>\nTodos os dias \u00e9-nos comunicado o n\u00famero de novos infetados. O n\u00famero de novos infetados \u00e9 a diferen\u00e7a entre o n\u00famero total de infetados hoje e o n\u00famero total de infetados ontem.<br \/>\nOs n\u00fameros de novos infetados que nos v\u00e3o fornecendo diariamente, d\u00e3o-nos a indica\u00e7\u00e3o da velocidade da pandemia. Correspondem, no autom\u00f3vel, ao veloc\u00edmetro.<br \/>\nH\u00e1 uma diferen\u00e7a importante entre os dois: o n\u00famero de novos infetados \u00e9 uma grandeza discreta, fornecida dia a dia; enquanto que a velocidade do autom\u00f3vel \u00e9 uma grandeza cont\u00ednua, pois varia a cada instante.<br \/>\nMas podemos pensar no conceito de Newton &#8211; diferen\u00e7as finitas (neste caso, as diferen\u00e7as entre o n\u00famero de casos hoje e o n\u00famero de casos ontem) &#8211; e pensar que, <strong>no limite<\/strong>, essas diferen\u00e7as constituem a velocidade de ocorr\u00eancia de n\u00famero de infetados. E, notem, que esta assun\u00e7\u00e3o \u00e9 100% v\u00e1lida.<br \/>\nPortanto, nesta analogia da pandemia com a Cinem\u00e1tica (sec\u00e7\u00e3o da F\u00edsica que estuda o movimento) j\u00e1 temos dist\u00e2ncia e <strong>velocidade<\/strong>.<br \/>\nSer\u00e1 que se pode falar de acelera\u00e7\u00e3o? Sim. A acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 o R. O R \u00e9 o cociente entre o n\u00famero de novos infetados hoje e o n\u00famero de novos infetados ontem. Corresponde \u00e0 segunda derivada do total absoluto de n\u00famero de infetados desde o in\u00edcio.<br \/>\nBem&#8230; t\u00ednhamos visto que o n\u00famero total de infetados, e as suas varia\u00e7\u00f5es, n\u00e3o eram vari\u00e1veis continuas e, por isso, n\u00e3o podemos aplicar-lhes derivadas. Mas podemos fazer como Newton, e aplicar um procedimento de diferen\u00e7as finitas de 2a ordem que, no limite, \u00e9 a <strong>acelera\u00e7\u00e3o<\/strong>.<br \/>\nPortanto, o R mede a acelera\u00e7\u00e3o da pandemia.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nAgora aproveito para desvendar o que me trouxe aqui.<br \/>\nHoje, nos telejornais da hora do almo\u00e7o &#8211; que vejo religiosamente, porque sou um cientista (apesar de os seguir como um religioso &#x1f923;) &#8211; apresentaram, de forma muito preocupante, um gr\u00e1fico da varia\u00e7\u00e3o do R.<br \/>\nUAU&#x203c;&#xfe0f; A varia\u00e7\u00e3o do R \u00e9 a 3a derivada do n\u00famero total de infetados. N\u00e3o existe equival\u00eancia na Cinem\u00e1tica. Podemos calcul\u00e1-la, obviamente, mas, se fosse importante, se fosse \u00fatil, existia na Cinem\u00e1tica.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nO que \u00e9 que disseram nos telejornais? Que o R j\u00e1 foi de 0,67 na semana passada (um valor fant\u00e1stico, uma queda livre, uma queda abrupta do n\u00famero de novos infetados), mas que agora est\u00e1 acima de 0,8.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nQualquer valor abaixo de 1 significa que o n\u00famero de novos casos \u00e9 sempre inferior ao do dia anterior.<br \/>\nTodos querer\u00edamos que o n\u00famero de novos casos, assim como o de ainda infetados, chevasse a zero. Mas existe um tipo de cidad\u00e3o que, por motivos ainda n\u00e3o identificados, continua a propagar o v\u00edrus. Por esse motivo, a curva do R vai cair, assintoticamente, n\u00e3o para 0, mas para 1.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nNota posterior: o R n\u00e3o \u00e9 exatamente a acelera\u00e7\u00e3o. Mede a varia\u00e7\u00e3o da velocidade, mas de forma relativa, ou seja, quando a velocidade n\u00e3o muda, o R \u00e9 1 (a acelera\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica seria 0). A acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grandeza absoluta, e \u00e9 a diferen\u00e7a de velocidade por unidade de tempo. O R n\u00e3o \u00e9 exatamente a acelera\u00e7\u00e3o da Cinem\u00e1tica, embora seja uma medida (relativa) de acelera\u00e7\u00e3o. Tudo o resto est\u00e1 OK.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o R. O R, tamb\u00e9m conhecido por \u00c9rret\u00ea&#8211; para o poderem designar de risco de transmiss\u00e3o, e justificarem a sua utiliza\u00e7\u00e3o nos discursos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o -, \u00e9 a raz\u00e3o da progress\u00e3o geom\u00e9trica (conceito matem\u00e1tico) do n\u00famero de infetados. Comecemos, ent\u00e3o, pelo in\u00edcio. 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