{"id":23379,"date":"2018-01-19T00:51:31","date_gmt":"2018-01-19T00:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=23379"},"modified":"2018-01-19T01:29:29","modified_gmt":"2018-01-19T01:29:29","slug":"memoria-fisica-memoria-quimica-e-memoria-eletrica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=23379","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria f\u00edsica, mem\u00f3ria qu\u00edmica e mem\u00f3ria el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<p>No primeiro ano de engenharia do IST, em 1982, meti na cabe\u00e7a que haveria de ir estudar antropologia. Lembro-me que ia a subir a Av. da Rep\u00fablica com o Nuno &#8211; do lado esquerdo, de quem sobe &#8211; e ele, tamb\u00e9m em engenharia, estava mais inclinado para sociologia.<\/p>\n<p>Depois da licenciatura, inscrevi-me no mestrado, tamb\u00e9m em engenharia, talvez por causa da bolsa, e l\u00e1 adiei mais quatro anos, a somar aos nove da licenciatura e tropa, o meu sonho de pouco-p\u00f3s-adolescente.<\/p>\n<p>Enfim, depois das obriga\u00e7\u00f5es, atirei o barro a tr\u00eas paredes: concorri para a Arthur Andersen, como consultor, e fui aceite; candidatei-me ao doutoramento na Universidade do Minho, para multim\u00e9dia, e fui aprovado; inscrevi-me na licenciatura em antropologia, na FCSH\/UNL, como supra numer\u00e1rio e entrei. Optei pela \u00faltima op\u00e7\u00e3o: era um sonho e um desejo sem limites, n\u00e3o tive escolha.<\/p>\n<p>Na minha primeira aula, j\u00e1 as aulas tinham come\u00e7ado h\u00e1 tr\u00eas semanas (o respons\u00e1vel pelo curso demorou a decidir sobre os supra numer\u00e1rios, porque as vagas eram seis e havia doze inscri\u00e7\u00f5es; negociou com o minist\u00e9rio e conseguiu que entrassem todos; bem haja!), estava eu j\u00e1 sentado na sala, entrou o professor Carlos Jesus, com uma grande hist\u00f3ria &#8211; que n\u00e3o vou contar aqui por respeito \u00e0 privacidade professor-alunos &#8211; e, depois, passou para tr\u00e1s da secret\u00e1ria a apresentar a hist\u00f3ria do Watson e Crick,  e do ADN.<\/p>\n<p>&#8220;A lula tem apenas um neur\u00f3nio e est\u00e1 escondida \u00e0 espera que o tubar\u00e3o se afaste. Mas o tubar\u00e3o percebe a presen\u00e7a da lula e aproxima-se dela. De repente, a lula desata a nadar a toda a velocidade para escapar aos dentes do tubar\u00e3o.&#8221; E o professor Carlos Jesus &#8211; doutorado por Harvard, e com um aspeto de Rasputine, mais de rasputine que o pr\u00f3prio Rasputine &#8211; come\u00e7a a correr sala abaixo, com os bra\u00e7os no ar e a gritar, como uma lula a fugir de um tubar\u00e3o&#8230; e eu, maravilhado, pensei: estou no curso certo.<\/p>\n<p>Umas aulas mais tarde, o professor Carlos Jesus falou-nos da mem\u00f3ria. Distinguiu tr\u00eas tipos de mem\u00f3ria: mem\u00f3ria f\u00edsica, mem\u00f3ria qu\u00edmica e mem\u00f3ria el\u00e9trica. <\/p>\n<p>A mem\u00f3ria el\u00e9trica \u00e9 aquela que usamos quando estamos a subir escadas e vemos o degrau, memorizamos a sua posi\u00e7\u00e3o e colocamos o p\u00e9 \u00e0 altura correta. Esquecemos logo de seguida.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria qu\u00edmica, usamo-la quando estudamos para um teste, decoramos uma quantidade enorme de palha, que descartamos dois ou tr\u00eas dias depois.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria f\u00edsica tem este nome porque tem exist\u00eancia na estrutura e configura\u00e7\u00e3o da nossa rede neuronal. \u00c9 onde est\u00e3o as nossas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, as nossas descobertas, as nossas conquistas ou falhan\u00e7os.<\/p>\n<p>Naquele ano e meio depois do 25 de abril de 1974, a minha cabe\u00e7a mudou radicalmente &#8211; devo ter tido dores de crescimento, mas n\u00e3o me lembro &#8211; e os Aguaviva fazem parte dessa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NVA5ifLis1E\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E o GAC tamb\u00e9m, claro<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VC1alxDWUn4\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro ano de engenharia do IST, em 1982, meti na cabe\u00e7a que haveria de ir estudar antropologia. 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