{"id":21725,"date":"2014-10-11T09:23:31","date_gmt":"2014-10-11T09:23:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=21725"},"modified":"2014-10-11T09:40:27","modified_gmt":"2014-10-11T09:40:27","slug":"a-corrupcao-e-a-inepcia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=21725","title":{"rendered":"A corrup\u00e7\u00e3o e a in\u00e9pcia"},"content":{"rendered":"<p>Segue um artigo da Clara Ferreira Alves no Expresso, que merece ser publicado em todo o lado, e cumprir o des\u00edgnio de servi\u00e7o p\u00fablico para n\u00e3o deixar esquecer o que se passou, para manter viva a chama de quem n\u00e3o quer que a Rep\u00fablica seja assolada novamente por epis\u00f3dios como estes.<\/p>\n<div style=\"background-color:#FFFEE0;border-radius:10px;padding:15px;font-size:0.9em;\">\nPor uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. N\u00e3o se fala mais nisso. Vivemos no pa\u00eds mais inconclusivo do mundo, em permanente agita\u00e7\u00e3o sobre tudo e sem concluir nada.<\/p>\n<p>Desde os Templ\u00e1rios e as obras de Santa Engr\u00e1cia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada \u00e9 levado \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, nada \u00e9 definitivo e tudo \u00e9 improvisado, tempor\u00e1rio, desenrascado. Da morte de Francisco S\u00e1 Carneiro e do eterno mist\u00e9rio que a rodeia, foi crime, n\u00e3o foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antem\u00e3o que nunca saberemos o fim destas hist\u00f3rias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem s\u00e3o os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es ca\u00eddas a conta-gotas, peda\u00e7os do enigma, pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7as. E habitu\u00e1mo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que n\u00e3o saber o final da hist\u00f3ria \u00e9 uma coisa normal em Portugal e que este \u00e9 um pa\u00eds onde as coisas importantes s\u00e3o &#8220;abafadas&#8221;, como se viv\u00eassemos ainda em ditadura. E os novos c\u00f3digos Penal e de Processo Penal em nada v\u00e3o mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televis\u00f5es, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior n\u00famero de not\u00edcias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Furac\u00e3o, da compra dos submarinos \u00e0s escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrup\u00e7\u00e3o dos \u00e1rbitros \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o dos autarcas, de F\u00e1tima Felgueiras a Isaltino Morais, da Bragaparques ao grande empres\u00e1rio Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana \u00e0s de Jo\u00e3o Cravinho, h\u00e1 por a\u00ed algu\u00e9m que acredite que algum destes secretos arquivos e seus poss\u00edveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? Vale e Azevedo pagou por todos. Portugal tem um d\u00e9fice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu d\u00e9fice financeiro, e nenhum portugu\u00eas se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrup\u00e7\u00e3o. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo &#8220;normal&#8221; e encolhem os ombros. Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e neglig\u00eancia com o v\u00edrus da sida? Quem se lembra do mi\u00fado electrocutado no sem\u00e1foro e do outro afogado num parque aqu\u00e1tico? Quem se lembra das crian\u00e7as assassinadas na Madeira e do mist\u00e9rio dos crimes imputados ao padre Frederico? Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Cal\u00e7ad\u00e3o de Copacabana? Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabe\u00e7a foi roubada do Instituto de Medicina Legal?<\/p>\n<p>Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e t\u00e3o sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos v\u00e3o do escabroso ao incr\u00edvel, algu\u00e9m acredita que se venha a descobrir o corpo da crian\u00e7a ou a condenar algu\u00e9m? As \u00faltimas not\u00edcias dizem que Gerry McCann n\u00e3o seria pai biol\u00f3gico da crian\u00e7a, contribuindo para a confus\u00e3o desta investiga\u00e7\u00e3o em que a Pol\u00edcia espalha rumores e ind\u00edcios que n\u00e3o substancia. E a mi\u00fada desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crian\u00e7as desaparecida antes delas, quem as procurou? E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente &#8220;importante&#8221; estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiat\u00f3rio, foi o que aconteceu. E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente &#8220;importante&#8221;, jogadores de futebol, milion\u00e1rios, pol\u00edticos, onde est\u00e3o? Foram destru\u00eddas? Quem as destruiu e porqu\u00ea? E os crimes de evas\u00e3o fiscal de Artur Albarran mais os neg\u00f3cios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde \u00e9 que isso p\u00e1ra? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem import\u00e2ncia, o da cunha para a sua filha. E aquele m\u00e9dico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por neglig\u00eancia? Exerce medicina? E os que sobram e todos os dias v\u00e3o praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justi\u00e7a portuguesa n\u00e3o \u00e9 apenas cega, \u00e9 surda, muda, coxa e marreca.<\/p>\n<p>Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos s\u00e3o arquivados nas gavetas das nossas consci\u00eancias e condenados ao esquecimento. Ningu\u00e9m quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os &#8220;senhores importantes&#8221; que abusaram, abusavam, abusam e abusar\u00e3o de crian\u00e7as em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterr\u00e2nea de segredos e injusti\u00e7as, de protec\u00e7\u00f5es e lavagens, de corpora\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias, de emin\u00eancias e reputa\u00e7\u00f5es, de dinheiros e negocia\u00e7\u00f5es que impede a escava\u00e7\u00e3o da verdade. Este \u00e9 o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um in\u00edquo pacto de justi\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/10\/1006357638.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/10\/1006357638.jpg\" alt=\"1006357638\" width=\"200\" height=\"164\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21728\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:center;\"> Clara Ferreira Alves &#8211; &#8220;<a href=\"http:\/\/expresso.sapo.pt\/a-justica-criminosa=f144117#ixzz3FpatHoRO\">Expresso<\/a>&#8220;<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segue um artigo da Clara Ferreira Alves no Expresso, que merece ser publicado em todo o lado, e cumprir o des\u00edgnio de servi\u00e7o p\u00fablico para n\u00e3o deixar esquecer o que se passou, para manter viva a chama de quem n\u00e3o quer que a Rep\u00fablica seja assolada novamente por epis\u00f3dios como estes. 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