{"id":2106,"date":"2008-06-14T04:36:50","date_gmt":"2008-06-14T04:36:50","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=2106"},"modified":"2008-06-14T16:22:49","modified_gmt":"2008-06-14T16:22:49","slug":"combustiveis-cadeia-de-valor-fiscalidade-e-surdez","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=2106","title":{"rendered":"combust\u00edveis, cadeia de valor, fiscalidade e surdez"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte I &#8211; Cadeia de valor<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de cadeia de valor diz que um produto progride ao longo de uma cadeia, sendo transformado, valorizado pelos intervenientes dessa cadeia, vendo o seu pre\u00e7o aumentado gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o desses agentes econ\u00f3micos. No que respeita ao petr\u00f3leo, a cadeia de valor at\u00e9 ao pre\u00e7o final inclui os produtores, as refinarias, capital financeiro, transportadores, distribuidores e o Estado\/cobrador de impostos.<\/p>\n<p>Supondo que o pre\u00e7o final se mant\u00e9m, cada um destes elementos da cadeia de valor obt\u00e9m a sua parte \u00e0 custa da dos outros. A \u00fanica maneira de todos ganharem \u00e9 aumentar o pre\u00e7o final. Ao produtor cabe cerca de &#8230;. do pre\u00e7o final. A escassez do produto refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o negocial do produtor, pelo que naturalmente este procura ficar com uma parte acrescida do valor. Das duas uma: ou os outros elementos da cadeia cedem \u00e0 press\u00e3o negocial, mantendo o pre\u00e7o ao consumidor, ou o pre\u00e7o final ao consumidor sobe, inevitavelmente.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui ningu\u00e9m cedeu, consequentemente o pre\u00e7o ao consumidor subiu. Os produtores, e n\u00e3o s\u00f3, v\u00e3o manter a press\u00e3o. Est\u00e1-se a atingir o patamar em que diversas actividades deixam de ser rent\u00e1veis com os actuais n\u00edveis de pre\u00e7o dos combust\u00edveis: essa \u00e9 a crise dos camionistas, mas tamb\u00e9m a da  agricultura, das pescas e de outras actividades. N\u00e3o d\u00e1 jeito nenhum, uma vez que sem agricultura e pesca temos que nos alimentar por fotos\u00edntese e 2008 j\u00e1 est\u00e1 apontado como o ano do regresso da fome em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo.<\/p>\n<p><strong>Parte II &#8211; Fiscalidade<\/strong><\/p>\n<p>O peso do estado no pre\u00e7o dos combust\u00edveis \u00e9 muito grande. O estado iniciou-se a mamar na gasolina h\u00e1 muitos anos, quando o carro ainda era produto que distinguia os privilegiados e f\u00ea-lo, inicialmente, com o pretexto de redistribuir riqueza. No entanto, quando o carro deixou de ser factor de distin\u00e7\u00e3o entre os privilegiados e os outros, o estado continuou a mamar, por in\u00e9rcia, passando a justificar-se com a necessidade de penalizar a polui\u00e7\u00e3o. Mais tarde, passou a justificar-se com a escassez dos produtos petrol\u00edferos, ou seja, com o discurso da sustentabilidade.<\/p>\n<p>Assim, na vers\u00e3o actual, o estado justifica os impostos que cobra sobre os combust\u00edveis com a necessidade de racionalizar o consumo de um bem escasso: o combust\u00edvel. Ora, para tal n\u00e3o \u00e9 preciso o estado p\u00f4r impostos em cima do combust\u00edvel. Basta que os produtores aumentem o pre\u00e7o do petr\u00f3leo. \u00c9 o que est\u00e3o a fazer. Eh!eh!eh! Ali\u00e1s, o que os produtores, e n\u00e3o s\u00f3, possivelmente todos os elementos da cadeia de valor dos combust\u00edveis est\u00e3o a fazer \u00e9 isso mesmo: reinvidicar uma posi\u00e7\u00e3o mais forte na cadeia de valor, for\u00e7ando o pre\u00e7o at\u00e9 um ponto em que os estados t\u00eam que deixar de cobrar impostos sobre os combust\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Parte III \u2013 Surdez<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1, entretanto, um problema de surdez. Ningu\u00e9m parece estar a ouvir a cadeia de valor dos produtos petrol\u00edferos que diz: \u201csai estado, ou rebentamos contigo porque vais obrigar \u00e0 paragem da economia.\u201d. Este n\u00e3o \u00e9 um problema nacional, \u00e9 claramente transnacional e afecta todos os estados que se abarbataram \u00e0s receitas dos impostos petrol\u00edferos.<\/p>\n<p><strong>Parte IV &#8211; O futuro<\/strong><\/p>\n<p>O futuro \u00e9 evidente. O estado vai ter que abdicar da sua posi\u00e7\u00e3o na cadeia de valor. N\u00e3o faz sentido que os produtores vendam a um pre\u00e7o mais baixo para o estado depois se abarbatar a uma mais-valia para a qual n\u00e3o d\u00e1 qualquer contribui\u00e7\u00e3o. Se o que os estados pretendem com os impostos sobre combust\u00edveis \u00e9 reduzir o seu consumo ent\u00e3o podem ficar descansados. Algu\u00e9m est\u00e1 a fazer subir o pre\u00e7o dos combust\u00edveis e o estado j\u00e1 n\u00e3o tem que se preocupar com essa tarefa. \ud83d\ude09<\/p>\n<p>Se os estados n\u00e3o deixarem de cobrar esses impostos sujeitam-se \u00e0s subidas de pre\u00e7os no consumidor, inflac\u00e7\u00e3o generalizada (bye bye Trichas), conflitualidade social e em ano de fome: redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, piscat\u00f3ria, etc. O mercado vai colocar o petr\u00f3leo a 200 d\u00f3lares e o Estado vai deixar de cobrar impostos sobre combust\u00edveis. Esta \u00e9 uma previs\u00e3o da  Bruxa M\u00e1 do Oeste. Tomem nota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte I &#8211; Cadeia de valor O conceito de cadeia de valor diz que um produto progride ao longo de uma cadeia, sendo transformado, valorizado pelos intervenientes dessa cadeia, vendo o seu pre\u00e7o aumentado gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o desses agentes econ\u00f3micos. 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