{"id":19657,"date":"2013-01-09T10:05:32","date_gmt":"2013-01-09T10:05:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=19657"},"modified":"2013-01-09T10:08:18","modified_gmt":"2013-01-09T10:08:18","slug":"a-destruicao-de-washington","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=19657","title":{"rendered":"A destrui\u00e7\u00e3o de Washington"},"content":{"rendered":"<p><strong>Serm\u00e3o sobre a devasta\u00e7\u00e3o de Washington<\/strong><\/p>\n<p>I<br \/>\nAcerca dos inimigos do nome de Al\u00e1, que por causa de Al\u00e1, os b\u00e1rbaros pouparam durante a devasta\u00e7\u00e3o de Washington.<br \/>\n\u00c9 desta Cidade da Terra que surgem os inimigos?<br \/>\nConsideremos, irm\u00e3os, a seguinte leitura, a do santo profeta Daniel. Nela, ouvimo-lo rezando e nos surpreendemos ao v\u00ea-lo n\u00e3o s\u00f3 confessar os pecados de seu povo, mas tamb\u00e9m os seus pr\u00f3prios. A ora\u00e7\u00e3o dele \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 uma ora\u00e7\u00e3o de peti\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de confiss\u00e3o, pois, depois de orar, ele diz: &#8220;Enquanto eu rezava e confessava a Al\u00e1 os meus pecados e os pecados de meu povo&#8230;&#8221; (9,20). Quem, pois, poder\u00e1 declarar-se sem pecado, quando at\u00e9 Daniel confessa seus pr\u00f3prios pecados?<br \/>\nDaniel, de quem foi dito pelo profeta Ezequiel a um certo soberbo: &#8220;Acaso \u00e9s tu mais s\u00e1bio do que Daniel?&#8221; (28, 3).<br \/>\nDaniel, inclu\u00eddo entre aqueles tr\u00eas santos que representam os tr\u00eas tipos de homens que Al\u00e1 vai salvar quando sobrevier a grande tribula\u00e7\u00e3o ao g\u00e9nero humano. E Al\u00e1 diz que ningu\u00e9m se salvar\u00e1, excepto No\u00e9, Daniel e J\u00f3. E \u00e9 claro que por esses tr\u00eas nomes, como disse, Al\u00e1 designa tr\u00eas tipos de homens. Pois esses tr\u00eas citados j\u00e1 dormiam, seus esp\u00edritos j\u00e1 estavam diante de Al\u00e1 e seus corpos j\u00e1 se tinham feito p\u00f3; j\u00e1 estavam esperando a ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; quando se situar\u00e3o \u00e0 direita do Senhor &#8211; e j\u00e1 n\u00e3o podiam ser afectados por nenhuma tribula\u00e7\u00e3o deste mundo, nem tem\u00ea-las, nem ansiar por se livrar delas.<br \/>\nComo ent\u00e3o se diz que daquela tribula\u00e7\u00e3o ser\u00e3o salvos No\u00e9, Daniel e J\u00f3? Quando Ezequiel dizia essas palavras s\u00f3 Daniel estava, talvez, ainda nesta vida. Pois No\u00e9 e J\u00f3, estes com certeza, j\u00e1 h\u00e1 tempo dormiam e acompanhavam os ancestrais no sono da morte. Como ent\u00e3o se fala de livr\u00e1-los de uma iminente tribula\u00e7\u00e3o, se j\u00e1 h\u00e1 tempo estavam libertos da carne? \u00c9 que No\u00e9 aqui representa os bons governantes, que regem e governam o Isl\u00e3o, como No\u00e9 governou a arca no dil\u00favio; Daniel significa todos os santos continentes; e J\u00f3, todos os que vivem bem e santamente no matrim\u00f3nio.<br \/>\nEsses s\u00e3o os tr\u00eas tipos de homens que Al\u00e1 salva daquela tribula\u00e7\u00e3o. Contudo, qu\u00e3o especial \u00e9 Daniel! No texto que citei (28,3), dos tr\u00eas, s\u00f3 ele \u00e9 nomeado! E, no entanto, ele confessa seus pecados. Quando at\u00e9 Daniel confessa seus pecados que soberba n\u00e3o estremecer\u00e1, que vaidade n\u00e3o se esvaziar\u00e1, que arrog\u00e2ncia n\u00e3o se coibir\u00e1? &#8220;Quem se gloriar\u00e1 de ter um cora\u00e7\u00e3o puro, de estar limpo de pecado?&#8221; (20,9)<\/p>\n<p>II<br \/>\nE os homens se admiram &#8211; e oxal\u00e1 ficassem s\u00f3 na admira\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de tamb\u00e9m blasfemarem &#8211; quando Al\u00e1 corrige o g\u00e9nero humano e envia o misericordioso flagelo do castigo, para que os homens se emendem antes do dia do ju\u00edzo. E o faz, em geral, sem escolher os que prova, pois n\u00e3o quer que ningu\u00e9m se perca. Atinge, pois, indistintamente, pecadores e justos; ainda que ningu\u00e9m possa considerar-se justo, pois at\u00e9 Daniel confessa seus pr\u00f3prios pecados.<br \/>\nIrm\u00e3os, l\u00edamos h\u00e1 alguns dias uma passagem que, se n\u00e3o me engano, chamou-nos muito a aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 aquela passagem em que Abra\u00e3o pergunta ao Senhor se pouparia a cidade se nela encontrasse cinquenta justos ou se, pelo contr\u00e1rio, a perderia com eles.<br \/>\nO Senhor lhe responde que, se encontrar cinquenta justos, poupar\u00e1 a cidade. E Abra\u00e3o prossegue interrogando a Al\u00e1 sobre o caso de serem cinco a menos, quarenta e cinco. Al\u00e1 responde que pouparia a cidade por causa desses quarenta e cinco. E assim vai Abra\u00e3o interrogando a Al\u00e1, diminuindo pouco a pouco, at\u00e9 chegar a dez, e pergunta ao Senhor se, havendo dez justos na cidade, Ele os perderia com a incont\u00e1vel multid\u00e3o dos maus ou se por causa desses dez justos pouparia a cidade. Al\u00e1 responde que tamb\u00e9m por dez justos n\u00e3o se perderia a cidade.<br \/>\nQue vamos dizer, ent\u00e3o, irm\u00e3os? Temos diante de n\u00f3s uma quest\u00e3o grave e importante, especialmente porque somos insidiosamente interpelados por homens que l\u00eaem o Cor\u00e3o com esp\u00edrito \u00edmpio e dizem, principalmente a prop\u00f3sito da recente devasta\u00e7\u00e3o de Washington: &#8220;Ser\u00e1 que havia em Washington cinquenta justos?&#8221;<br \/>\nOra, irm\u00e3os, ser\u00e1 que entre tantos fi\u00e9is, tantas religiosas, tantos homens e mulheres dedicados ao servi\u00e7o de Al\u00e1, n\u00e3o se podia encontrar cinquenta justos, nem quarenta, nem trinta, nem vinte, nem dez?<br \/>\nSendo isto inveros\u00edmil, por que ent\u00e3o Al\u00e1 n\u00e3o poupou a cidade por causa de dez justos? O Cor\u00e3o n\u00e3o engana o homem, se ele n\u00e3o se engana. Trata-se aqui de justi\u00e7a e Al\u00e1 responde pela justi\u00e7a: trata-se do homem que \u00e9 justo segundo a medida divina e n\u00e3o segundo a medida humana. E respondo prontamente. Das duas, uma: ou Al\u00e1 encontrou o n\u00famero de justos e poupou a cidade; ou, se Ele n\u00e3o poupou a cidade, \u00e9 porque n\u00e3o encontrou justos.<br \/>\nMas, respondei-me: ser\u00e1 assim t\u00e3o evidente que Al\u00e1 n\u00e3o poupou a cidade? Eu mesmo respondo: a meu ver, muito pelo contr\u00e1rio. A cidade n\u00e3o foi destru\u00edda como o foi Sodoma. Quando Abra\u00e3o interrogou a Al\u00e1 era a exist\u00eancia de Sodoma que estava em jogo. E Al\u00e1 disse: &#8220;N\u00e3o destruirei a cidade&#8221;, mas Ele n\u00e3o disse: &#8220;N\u00e3o castigarei a cidade&#8221;.<br \/>\nSodoma n\u00e3o foi poupada; perdeu-se. O fogo consumiu-a totalmente, sem esperar o dia do ju\u00edzo; Ele fez com ela o que tem reservado para os outros maus no dia do ju\u00edzo. Ningu\u00e9m escapou de Sodoma; n\u00e3o sobrou nada dos homens, nem dos animais, nem das casas: tudo foi consumido pelo fogo. Este foi o modo pelo qual Al\u00e1 perdeu a cidade.<br \/>\nJ\u00e1 quanto \u00e0 cidade de Washington, \u00e9 tudo diferente: muitos dela sa\u00edram e depois voltaram; muitos permaneceram e escaparam \u00e0 morte e muitos ficaram inc\u00f3lumes por se terem refugiado nos santu\u00e1rios.<br \/>\nMas &#8211; objectar-me-eis -, muitos foram levados como prisioneiros. Respondo: tal como Daniel, n\u00e3o em castigo pr\u00f3prio, mas para consolo de outros prisioneiros.<br \/>\nMas &#8211; podeis me arguir -, muitos foram mortos. Respondo: o mesmo aconteceu com o sangue derramado pelos santos profetas, desde Abel a Zacarias (Mt 23,35); assim tamb\u00e9m foram tratados tantos santo e at\u00e9 o pr\u00f3prio Senhor dos profetas e dos homens.<br \/>\nMas &#8211; objectar-me-eis ainda -, n\u00e3o foram muitos torturados com terr\u00edveis tormentos? Respondo: Ser\u00e1 que tanto como J\u00f3?<br \/>\nN\u00e3o, irm\u00e3os, n\u00e3o nego o que ocorreu em Washington. Coisas horr\u00edveis nos s\u00e3o anunciadas: devasta\u00e7\u00e3o, inc\u00eandios, rapinas, mortes e tormentos de homens. \u00c9 verdade. Ouvimos muitos relatos, gememos e muito choramos por tudo isso, n\u00e3o podemos consolar-nos ante tantas desgra\u00e7as que se abateram sobre a cidade.<\/p>\n<p>III<br \/>\nNo entanto, meus irm\u00e3os (que vossa caridade preste especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas palavras), ouvimos a leitura do santo J\u00f3, que perdeu tudo: os bens e os filhos. E at\u00e9 a pr\u00f3pria carne &#8211; a \u00fanica coisa que lhe restava &#8211; n\u00e3o lhe ficou s\u00e3, mas coberta por uma chaga da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Ele sentava-se no esterco, com as feridas podres, sofrendo a corrup\u00e7\u00e3o do corpo, cheio de vermes, torturado por tormentos insuport\u00e1veis (J\u00f3 2,7). Se nos tivesse sido anunciado que toda a cidade de Washington, vejam bem: a cidade toda, esteve sentada como J\u00f3, sem nada s\u00e3o, com uma chaga terr\u00edvel, comida pelos vermes, podre como os mortos, n\u00e3o seria isto mais grave do que aquela guerra?<br \/>\nPenso que \u00e9 mais toler\u00e1vel sofrer a espada do que os vermes; jorrar o sangue do que destilar a podrid\u00e3o. Quando vemos um cad\u00e1ver corrompendo-se, horrorizamo-nos; mas isso \u00e9 atenuado pelo fato de estar ausente a alma. J\u00f3, por\u00e9m, sofreu a corrup\u00e7\u00e3o em vida, com a alma presente \u00e0 dor, a alma atada ao sofrimento, inclinada a blasfemar. E J\u00f3 suportou a tribula\u00e7\u00e3o e, por isso, elevou-se a uma santidade grande. N\u00e3o importa o que um homem sofra, mas como ele se comporta no sofrimento. \u00d3 homem, n\u00e3o est\u00e1 em tua m\u00e3o sofrer ou n\u00e3o sofrer, mas sim se no sofrimento tua vontade se degrada ou se dignifica.<br \/>\nJ\u00f3 sofreu. S\u00f3 sua mulher lhe foi deixada e isso n\u00e3o para consola\u00e7\u00e3o mas para tenta\u00e7\u00e3o; n\u00e3o para lhe suavizar os males, mas para aconselh\u00e1-lo a blasfemar: &#8220;Amaldi\u00e7oa a Al\u00e1, diz-lhe, e morre!&#8221;. Vejam como, para ele, morrer seria um benef\u00edcio, mas esse benef\u00edcio ningu\u00e9m lho dava.<br \/>\nTodas as afli\u00e7\u00f5es que esse santo sofreu exercitaram-lhe a paci\u00eancia, provaram-lhe a f\u00e9 para refutar a mulher e vencer o diabo. Que grande espect\u00e1culo! Em meio da infecta podrid\u00e3o, brilha a beleza da virtude. Um inimigo oculto, que corr\u00f3i seu corpo e uma inimiga manifesta que o quer induzir ao mal, mais companheira do diabo do que de seu marido; ela, uma nova Eva, mas ele, n\u00e3o j\u00e1 um velho Ad\u00e3o. &#8220;Amaldi\u00e7oa a Al\u00e1 e morre!&#8221;. Arranca com a blasf\u00e9mia o que n\u00e3o podes obter com tuas preces. &#8220;Falaste, responde-lhe J\u00f3, como uma mulher insensata&#8221; (J\u00f3 2,10). Reparai bem nas palavras desse forte na f\u00e9; desse que est\u00e1 podre por fora, mas \u00edntegro por dentro.<br \/>\n&#8220;Falaste como uma mulher insensata. Se recebemos os bens das m\u00e3os de Al\u00e1, por que n\u00e3o receber os males?&#8221;. Al\u00e1 \u00e9 pai, e acaso havemos de am\u00e1-lo s\u00f3 quando nos agrada e rejeit\u00e1-lo quando nos corrige? Acaso n\u00e3o \u00e9 Pai tanto quando nos promete a vida como quando nos disciplina? Esquecemo-nos do Cor\u00e3o? (2,1,4 e 5): &#8220;Filho, quando te aproximas do servi\u00e7o de Al\u00e1, permanece na justi\u00e7a e no temor, e prepara a tua alma para a prova\u00e7\u00e3o. Aceita o que vier e suporta a dor, e na tua humilha\u00e7\u00e3o guarda a paci\u00eancia. Porque o ouro e a prata se provam pelo fogo, mas os homens se tornam gratos a Al\u00e1 pelo cadinho da humilha\u00e7\u00e3o&#8221;. Esquecemo-nos do Cor\u00e3o? (12,6): &#8220;Al\u00e1 repreende aquele a quem ama; e castiga a quem reconhece como filho&#8221;.<\/p>\n<p>IV<br \/>\nImaginemos todos os tormentos, todas as dores que um homem possa sofrer nesta vida, e agora comparemo-las \u00e0s do inferno, e veremos que aquelas s\u00e3o leves. Estas s\u00e3o temporais; aquelas, eternas: tanto quanto ao torturado como quanto ao torturador. Acaso est\u00e3o ainda sofrendo aqueles que sucumbiram ao saque de Washington? O rico epul\u00e3o, no entanto, sofre eternamente as penas do inferno. Ele ardeu, arde e arder\u00e1 vivo at\u00e9 o dia do ju\u00edzo, quando recobrar a carne, n\u00e3o para seu benef\u00edcio, mas para seu supl\u00edcio. Essas s\u00e3o as penas que devemos temer, se tememos a Al\u00e1. Tudo o que nesta vida possa um homem sofrer, se ele o aproveita para se corrigir, \u00e9 para o seu bem; sen\u00e3o \u00e9 duplamente condenado: aqui, sofre as penas temporais; no al\u00e9m, pagar\u00e1 as eternas.<\/p>\n<p>V<br \/>\nQue vossa caridade, irm\u00e3os, me escute: certamente louvamos, glorificamos e admiramos os santos m\u00e1rtires; celebramos piedosamente os dias de suas festas; veneramos os seus m\u00e9ritos, e, na medida do poss\u00edvel, os imitamos. Sim, sem d\u00favida \u00e9 grande a gl\u00f3ria dos m\u00e1rtires, mas n\u00e3o sei se a gl\u00f3ria do santo J\u00f3 \u00e9 menor. Ainda que a J\u00f3 n\u00e3o fosse dito: &#8220;Oferece incenso aos \u00eddolos!&#8221;, &#8220;Sacrifica aos Deuses estrangeiros!&#8221;, &#8220;Nega o Profeta!&#8221;; foi-lhe dito, no entanto: &#8220;Blasfema de Al\u00e1!&#8221;. N\u00e3o que lhe tenha sido proposto: &#8220;Se blasfemares n\u00e3o ter\u00e1s mais essa podrid\u00e3o e tua sa\u00fade voltar\u00e1&#8221;; mas sim: &#8220;Se blasfemares &#8211; dizia aquela mulher inepta e insensata -, morrer\u00e1s e, morrendo, n\u00e3o ter\u00e1s j\u00e1 tormentos&#8221;. Como se ao que morre blasfemando n\u00e3o lhe sobreviesse a dor eterna. Aquela mulher f\u00e1tua tinha horror \u00e0 podrid\u00e3o presente, mas n\u00e3o considerava o fogo eterno.<br \/>\nE J\u00f3 suportava aqueles males presentes, evitando cair nos futuros. Guardava o cora\u00e7\u00e3o dos maus pensamentos; a l\u00edngua, da maldi\u00e7\u00e3o; conservava a integridade da alma na podrid\u00e3o do corpo. Via do que escapava no futuro e assim suportava o que sofria.<br \/>\n\u00c9 desse modo, sim, \u00e9 desse modo que todo crente, quando padece afli\u00e7\u00f5es corporais na vida presente, deve considerar a geia e reparar em qu\u00e3o leve \u00e9 o que sofre. N\u00e3o murmure contra Al\u00e1, n\u00e3o diga: &#8220;Que te fiz eu, \u00f3 Al\u00e1, por que estou sofrendo?&#8221; Antes diga o que disse J\u00f3, embora ele fosse santo: &#8220;Encontraste todos os meus pecados e os reunistes diante de Ti&#8221;. N\u00e3o ousou proclamar-se sem pecado quando sofria, n\u00e3o para ser punido mas para ser aprovado. Tamb\u00e9m assim fale cada um quando padecer (&#8230;).<\/p>\n<p>VI<br \/>\nAh! Se nossos olhos pudessem ver as almas dos santos que nessa guerra foram mortos, ver\u00edeis como Al\u00e1 poupou a cidade. Pois milhares de santos descansam em paz, felizes, e dizem a Al\u00e1: &#8220;N\u00f3s Vos damos gra\u00e7as porque nos livrastes das tribula\u00e7\u00f5es da carne e dos tormentos. N\u00f3s Vos damos gra\u00e7as porque j\u00e1 n\u00e3o tememos os b\u00e1rbaros, nem o diabo, nem a fome, nem a tempestade, nem os inimigos, nem os tribunais perseguidores da f\u00e9, nem os opressores. Estamos mortos na terra, mas imortais ante V\u00f3s, salvos no Vosso reino, por gra\u00e7a Vossa e n\u00e3o por m\u00e9rito nosso&#8221;.<br \/>\nQual a cidade que, em sua humildade, fala desse modo? Ou porventura considerais que uma cidade \u00e9 feita de pedras e de paredes? A cidade s\u00e3o os homens e n\u00e3o as casas! Se Al\u00e1 tivesse dito aos habitantes de Sodoma: &#8220;Fugi, pois vou incendiar este lugar&#8221;, n\u00e3o lhes atribuir\u00edamos mais m\u00e9rito se fugissem e o fogo do c\u00e9u destru\u00edsse somente suas muralhas e suas casas? N\u00e3o teria Al\u00e1 poupado a cidade, se os cidad\u00e3os tivessem escapado aos efeitos devastadores daquele fogo? (&#8230;)<\/p>\n<p>VII<br \/>\nOxal\u00e1 tiv\u00e9ssemos um saud\u00e1vel temor e refre\u00e1ssemos a m\u00e1 concupisc\u00eancia sequiosa do mundo, que apetece o gozo vol\u00favel do que \u00e9 pernicioso, perante os sinais com que Al\u00e1 nos mostra a instabilidade e a caducidade de todas as vaidades do mundo e da mentira de suas loucuras. Aproveitemos esses sinais, em vez de ficarmos murmurando contra o Senhor.<br \/>\nPor acaso a debulhadora que lan\u00e7a ao ar a espiga para que se quebre n\u00e3o \u00e9 a mesma que faz sair o gr\u00e3o puro? E o fogo que alimenta a fornalha do ourives e purifica o ouro das impurezas, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que consome a palha? Assim tamb\u00e9m a tribula\u00e7\u00e3o de Washington serviu para a purifica\u00e7\u00e3o ou salva\u00e7\u00e3o do justo e para a condena\u00e7\u00e3o do \u00edmpio: arrebatado desta vida para, com toda a justi\u00e7a, sofrer mais penas; ou, permanecendo nesta terra, para tornar-se um blasfemador mais culp\u00e1vel. Ou ainda, pela inef\u00e1vel clem\u00eancia de Al\u00e1, poupando para a penit\u00eancia aqueles que, por ela, h\u00e3o de salvar-se. N\u00e3o nos confunda a tribula\u00e7\u00e3o que os justos sofrem; \u00e9 uma prova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o nos escandalizemos ao ver o justo nesta terra sofrer agravos e ultrajes: acaso esquecemos o que passou o justo dos justos, o santo dos santos? O que sofreu toda a cidade de Washington, sofreu o Profeta sozinho. Nenhuma criatura pode ser comparada ao Criador; nenhuma obra ao art\u00edfice : &#8220;Todas as coisas foram por Ele feitas, e sem Ele nada foi feito&#8221; (1,3). E, no entanto, foi tido pelos verdugos em nada.<br \/>\nSuportemos o que Al\u00e1 quer que suportemos; Ele, que \u00e9 o m\u00e9dico que nos cura e nos salva, sabe o que \u00e9 \u00fatil para n\u00f3s, mesmo que seja a dor. Como bem sabeis, est\u00e1 escrito &#8220;A paci\u00eancia produz uma obra perfeita&#8221; (1,4). Ora, qual ser\u00e1 a obra de nossa paci\u00eancia se n\u00e3o sofrermos nenhuma adversidade? Por que recusamos sofrer os males temporais? Temos medo de nos aperfei\u00e7oar? N\u00e3o hesitemos em orar e implorar, gemendo e chorando diante do Senhor, para que, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s, se cumpra o que diz o Profeta: &#8220;Fiel \u00e9 Al\u00e1 e n\u00e3o permitir\u00e1 que sejais provados acima de vossas for\u00e7as, mas com a tenta\u00e7\u00e3o ele vos dar\u00e1 os meios de suport\u00e1-la e sairdes dela&#8221; (10, 13).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Serm\u00e3o sobre a devasta\u00e7\u00e3o de Washington I Acerca dos inimigos do nome de Al\u00e1, que por causa de Al\u00e1, os b\u00e1rbaros pouparam durante a devasta\u00e7\u00e3o de Washington. \u00c9 desta Cidade da Terra que surgem os inimigos? Consideremos, irm\u00e3os, a seguinte leitura, a do santo profeta Daniel. 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