{"id":17408,"date":"2011-09-09T08:07:44","date_gmt":"2011-09-09T08:07:44","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=17408"},"modified":"2011-09-09T08:12:28","modified_gmt":"2011-09-09T08:12:28","slug":"o-pior-cego-e-o-que-nao-quer-ver","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=17408","title":{"rendered":"O pior cego \u00e9 o que n\u00e3o quer ver"},"content":{"rendered":"<p>Um caso de top-Porco descarado!<\/p>\n<p>&#8211; &#8211; &#8211;<br \/>\nArtigo publicado no jornal  P\u00fablico, 31\/8\/2011<br \/>\nOpiniao | 1 Setembro, 2011 &#8211; 00:05 | Por Jo\u00e3o Semedo<\/p>\n<p>Este caso \u00e9 um caso mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. O SNS est\u00e1 polu\u00eddo por promiscuidades em tudo semelhantes. Degradam a qualidade dos servi\u00e7os e promovem o despesismo. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria conta-se em poucas palavras. O Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Unidade Local de Sa\u00fade da Guarda (que integra hospital e centros de sa\u00fade do distrito) autorizou uma empresa privada de servi\u00e7os m\u00e9dicos de oftalmologia a realizar, nesses centros de sa\u00fade, rastreios \u00e0 vis\u00e3o para despiste das principais causas de cegueira. A empresa em quest\u00e3o (M.A. Dias dos Santos, Lda) tem como s\u00f3cio-gerente o director do servi\u00e7o de oftalmologia do hospital da Guarda (M. A. Dias dos Santos, dr).<\/p>\n<p>Em resumo, aquilo que o director de um servi\u00e7o n\u00e3o faz no seu hospital p\u00fablico, p\u00f5e a sua empresa privada a fazer e a administra\u00e7\u00e3o do hospital aprova e aplaude. Como deputado, questionei o Governo sobre esta estranha situa\u00e7\u00e3o e o jornal P\u00fablico disso deu not\u00edcia. At\u00e9 hoje, nem o Governo respondeu, nem a administra\u00e7\u00e3o da ULS disse fosse o que fosse.<\/p>\n<p>Apenas o promotor dos rastreios se queixou quer da not\u00edcia quer das minhas perguntas. E para que n\u00e3o se tome por igual aquilo que \u00e9 diferente, diga-se que quem se queixou foi o director da oftalmologia e n\u00e3o o s\u00f3cio-gerente da empresa. O que tem a sua l\u00f3gica: que raz\u00e3o levaria uma empresa privada a queixar-se de ser chamada por um hospital p\u00fablico? Em geral, esse \u00e9 o maior desejo de qualquer privado.<\/p>\n<p>De que se queixa o director da oftalmologia? De ter tido necessidade de recorrer a uma empresa privada para fazer um rastreio que o hospital e os centros de sa\u00fade deviam fazer, consumindo, mais uma vez, recursos p\u00fablicos para pagar a privados? N\u00e3o, disso o director n\u00e3o se queixa. Ali\u00e1s nem podia porque, segundo consta, a empresa M.A.Dias dos Santos n\u00e3o cobrou nada ao hospital do director M.A.Dias dos Santos. O pr\u00f3prio confessa ter sido um \u201cservi\u00e7o c\u00edvico\u201d, isto \u00e9, uma borla desinteressada, altru\u00edsmo em estado puro: o director M.A.Dias dos Santos reconheceu a necessidade, o s\u00f3cio gerente M.A.Dias dos Santos comoveu-se e o rastreio fez-se.<\/p>\n<p>O director queixa-se pelo s\u00f3cio gerente, chorando as dores deste que \u00e9 o mesmo que aquele. Porque, apesar das suas boas inten\u00e7\u00f5es, acusam malevolamente a empresa de que \u00e9 s\u00f3cio gerente de ser \u201cpropriet\u00e1ria, s\u00f3cia ou de qualquer forma associada de quaisquer \u00f3pticas existentes no pa\u00eds\u201d, afirma\u00e7\u00e3o que desmente.<\/p>\n<p>Diga-se que aquela empresa n\u00e3o \u00e9 nem podia ser propriet\u00e1ria ou s\u00f3cia de lojas de \u00f3ptica porque, em Portugal, \u00e9 proibida qualquer rela\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria ou equivalente entre quem faz oftalmologia e quem vende \u00f3culos e lentes. Mas, claro, n\u00e3o se pode exigir que a lei impe\u00e7a ou previna simples coincid\u00eancias.<\/p>\n<p>Primeira coincid\u00eancia: em 5 localidades &#8211; na cidade da Guarda, em Trancoso, Sabugal, Pinhel e Belmonte \u2013 h\u00e1 5 lojas da mesma rede de \u00f3pticas, \u201c\u00d3ptica Lince, SA\u201d, passe a publicidade. Nessas mesmas localidades \u2013 por vezes na mesma rua \u2013 funcionam 5 consult\u00f3rios da empresa de servi\u00e7os m\u00e9dicos de oftalmologia M.A. Dias dos Santos, Lda. Segunda coincid\u00eancia: na ger\u00eancia da \u00d3ptica Lince est\u00e1 a esposa de M.A.Dias dos Santos. Sem bigamia: para este efeito, director e s\u00f3cio gerente s\u00e3o a mesma pessoa.<\/p>\n<p>Em resumo: quem decide o rastreio e quem o realiza, quem prescreve os \u00f3culos e quem os vende, \u00e9 tudo da mesma fam\u00edlia. S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer ver. N\u00e3o \u00e9 preciso p\u00f4r \u00f3culos para ver que isto n\u00e3o est\u00e1 certo e que este cruzamento de interesses colide com os princ\u00edpios e as boas pr\u00e1ticas dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Este caso \u00e9 um caso mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. O SNS est\u00e1 polu\u00eddo por promiscuidades em tudo semelhantes. Degradam a qualidade dos servi\u00e7os e promovem o despesismo. Elimin\u00e1-los favoreceria a sustentabilidade financeira do SNS e evitaria muitos dos cortes que o governo est\u00e1 a fazer e que afectam a capacidade do SNS e prejudicam os doentes.<\/p>\n<p>No SNS, contas equilibradas e qualidade assistencial s\u00e3o incompat\u00edveis com o amiguismo nas decis\u00f5es e a promiscuidade com os interesses privados. O governo exige e promete rigor, seriedade e determina\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o da coisa p\u00fablica. Este caso da Guarda p\u00f5e \u00e0 prova a coer\u00eancia deste discurso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um caso de top-Porco descarado! &#8211; &#8211; &#8211; Artigo publicado no jornal P\u00fablico, 31\/8\/2011 Opiniao | 1 Setembro, 2011 &#8211; 00:05 | Por Jo\u00e3o Semedo Este caso \u00e9 um caso mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. O SNS est\u00e1 polu\u00eddo por promiscuidades em tudo semelhantes. 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