{"id":15624,"date":"2011-01-25T00:17:16","date_gmt":"2011-01-25T00:17:16","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=15624"},"modified":"2011-01-25T13:17:05","modified_gmt":"2011-01-25T13:17:05","slug":"poligamia-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=15624","title":{"rendered":"poligamia 3"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma refer\u00eancia na sua \u00e1rea de conhecimento.O Dr. Ivanoff \u00e9 um perito em antropologia sexual, um dom\u00ednio relativamente desconhecido do p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> A poligamia, mais uma vez. Sabemos que est\u00e1 disposto a trazer-nos mais uma vez o seu conhecimento e a sua perspectiva sobre este assunto. Vamos a isso?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Antes de mais, boa-noite. Sim, claro, vamos a isso.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Da \u00faltima vez que abord\u00e1mos este tema, o Dr. abordou pela primeira vez a perspectiva das mulheres sobre a poligamia. O que nos traz hoje?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Para hoje, temos a sociedade face \u00e0 poligamia, ou a poligamia face \u00e0 sociedade, como queira. Da \u00faltima vez, fez-me uma pergunta que ficou por responder, como muitas outras: \u201cO que \u00e9 que para si faz da monogamia uma m\u00e1 inven\u00e7\u00e3o?\u201d. Dito por outras palavras: \u201cPorque \u00e9 que eu advogo que a poligamia \u00e9 superior \u00e0 monogamia\u201d?<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Pois, \u00e9 verdade. Perdemo-nos entretanto e o tema ficou esquecido.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Pois. Mas por isso o trazemos aqui novamente, Porque \u00e9 um tema fundamental, talvez o mais fundamental dos temas na nossa sociedade.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Diga ent\u00e3o de sua justi\u00e7a, Dr. Ivanoff.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Vou come\u00e7ar por algo que, aparentemente, n\u00e3o tem nada a ver. A China e a sua pol\u00edtica de filho \u00fanico. Em tempos, adoptou-se a chamada pol\u00edtica de filho \u00fanico, como forma de combater a explos\u00e3o demogr\u00e1fica&#8230;<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Deixe-me elucidar os nossos leitores. A pol\u00edtica de filho \u00fanico significava que, na China, um casal n\u00e3o podia ter dois filhos. Uma pol\u00edtica ditatorial que impunha a vontade do Estado \u00e0 fam\u00edlia. Uma pol\u00edtica que teve como consequ\u00eancia que as filhas fossem mortas porque os casais desejavam ter filhos machos e ao terem uma filha perdiam essa possibilidade.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Exactamente.<\/p>\n<p><strong>Chornal<\/strong>: E deixe-me acrescentar, Dr. Uma pol\u00edtica que causou um desequil\u00edbrio demogr\u00e1fico na China, onde existem neste momento menos 100 milh\u00f5es de mulheres do que homens.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Sim, \u00e9 verdade. E eu n\u00e3o ia agora falar disso, mas pe\u00e7o-lhes que atentem nas consequ\u00eancias. Ali est\u00e3o 1500 milh\u00f5es de chineses, rebarbados, \u00e0 procura de mulheres que n\u00e3o t\u00eam no seu espa\u00e7o nacional. \u00c9 um fen\u00f3meno de consequ\u00eancias geopol\u00edticas incalcul\u00e1veis. Mas n\u00e3o \u00e9 disso que viemos falar hoje. Hoje estamos aqui para falar das implica\u00e7\u00f5es sociais das regras que se imp\u00f5em \u00e0 fam\u00edlia<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Como? N\u00e3o percebi exactamente.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> A China, com a pol\u00edtica do filho \u00fanico, fez com que deixassem de existir irm\u00e3os. E tios. E sobrinhos. E primos. \u00c9 uma cat\u00e1strofe a prazo. S\u00e3o essas redes que sempre existiram que protegem os seres humanos da adversidade. At\u00e9 da adversidade da velhice.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Sim. A prazo, a velhice \u00e9 uma inevitabilidade. Conv\u00e9m estar preparado para ela. E acha que os chineses n\u00e3o est\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Definitivamente, n\u00e3o est\u00e3o. Sem uma rede familiar tudo \u00e9 mais dif\u00edcil. A inexist\u00eancia de uma rede dessas torna necess\u00e1rios sistemas de seguran\u00e7a social que a China n\u00e3o tem. E que custam dinheiro. E que s\u00e3o dif\u00edceis de manter, at\u00e9 porque a implos\u00e3o demogr\u00e1fica que resulta do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, ou seja, da pol\u00edtica do filho \u00fanico, \u00e9 um estorvo \u00e0 sustentabilidade da seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Um fen\u00f3meno parecido \u00e0quele que se passou com o Jap\u00e3o nos \u00faltimos anos\u2026<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Sim. Os japoneses que trabalhavam 500 horas por dia n\u00e3o fizeram filhos. Ou, pelo menos, n\u00e3o os fizeram em n\u00famero suficiente. Hoje, o Jap\u00e3o \u00e9 uma sociedade envelhecida. N\u00e3o h\u00e1 PIB que resista a isso. N\u00e3o h\u00e1 nada que resista a isso. Tudo se desmorona. Desmorona-se a capacidade produtiva, o poder econ\u00f3mico, a influ\u00eancia pol\u00edtica, a capacidade tecnol\u00f3gica, o poder militar, tudo. N\u00e3o h\u00e1 nada que resista ao envelhecimento inexor\u00e1vel de uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> E tudo isso, com implica\u00e7\u00f5es nas fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Claro. \u00c9 esse o ponto. Todos aqueles velhos que trabalharam uma vida inteira ali est\u00e3o, agora, sem ningu\u00e9m que cuide deles. Ou antes, o velho cuida da velha e vice-versa, enquanto os dois estiverem vivos. E depois \u00e9 um problema, para eles e para a sociedade em que se inserem.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> \u00c9 verdade. China, Jap\u00e3o, parece-me que nos estamos a afastar do tema da poligamia. Estamos, Dr.?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> N\u00e3o, de forma nenhuma. Estamos mais perto dele do que nunca. Aquilo que venho aqui dizer hoje \u00e9 que existe uma interac\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas familiares, o desenvolvimento e, sobretudo, a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Ah! Mas n\u00e3o vejo ainda a\u00ed a poligamia.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> N\u00e3o v\u00ea porque n\u00e3o quer. N\u00e3o v\u00ea porque lhe lavaram o c\u00e9rebro com detergentes rascas. N\u00e3o v\u00ea porque foi escolarizado e educado e essas coisas todas que n\u00e3o lhe fazem falta nenhuma.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Ah! J\u00e1 c\u00e1 faltava a sua indigna\u00e7\u00e3o contra a escola e a educa\u00e7\u00e3o e as coisas todas que n\u00e3o fazem falta nenhuma.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> N\u00e3o v\u00ea porque algu\u00e9m lhe apresentou sempre a poligamia como uma coisa ex\u00f3tica, como uma coisa de uns incivilizados de outra parte do mundo muito, muito distante. N\u00e3o v\u00ea porque se esqueceram de lhe explicar as consequ\u00eancias nefastas do abandono da poligamia. N\u00e3o v\u00ea, porque de todas as vezes que lhe falaram de poligamia se esqueceram, intencionalmente, de lhe explicar os porqu\u00eas da poligamia.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Elucide-me, ou antes, elucide-nos ent\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> A poligamia \u00e9 como a tribo. As sociedades tradicionais n\u00e3o se organizavam em casais. Um casal n\u00e3o resiste sozinho \u00e0 intemp\u00e9rie, ao frio, \u00e0 fome, aos animais selvagens, etc. A vida primitiva era dura. N\u00e3o se compadecia com individualismos.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Mas o casal n\u00e3o \u00e9 individualismo. S\u00e3o dois.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> O casal \u00e9 o caminho do individualismo.<\/p>\n<p><strong>Chornal<\/strong>: Como?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> A tribo, a fam\u00edlia polig\u00e2mica, o casal, a fam\u00edlia monoparental e o indiv\u00edduo que vive s\u00f3, sem fam\u00edlia e sem filhos s\u00e3o diversos graus do individualismo, correspondem a n\u00edveis de individualismo crescente.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Ah!<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> N\u00e3o me interrompa. O individualismo \u00e9 suportado pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, pelo facilitismo. O  individualismo v\u00ea-se amea\u00e7ado sempre que as condi\u00e7\u00f5es de vida se tornam mais dif\u00edceis. O individualismo que vivemos \u00e9, na origem, essencialmente americano, pois \u00e9 a primeira sociedade de fartura, em que o indiv\u00edduo facilmente sobrevive s\u00f3zinho com algum conforto sem precisar de ningu\u00e9m. <\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> N\u00e3o precisar de ningu\u00e9m, para nada, assim haja dinheiro. Nem para ter filhos. Temos hoje as estrelas que t\u00eam filhos alugando as barrigas de uma pessoa qualquer, como aquela gaja do Sexo e da Cidade\u2026que n\u00e3o tem tempo para ter a crian\u00e7a na barriga e ent\u00e3o paga a outra para emprenhar por ela.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Exactamente. Esse individualismo s\u00f3 pode ser suportado por uma sociedade de riqueza, de conforto, uma situa\u00e7\u00e3o an\u00f3mala na hist\u00f3ria da humanidade, uma situa\u00e7\u00e3o que contraria, de certa forma, a natureza da humanidade.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> E ent\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>E ent\u00e3o, temos a\u00ed uma crise. Gra\u00e7as a Deus. Uma crise que destr\u00f3i as bases de uma sociedade que se permite ser individualista. Os pr\u00f3ximos tempos s\u00e3o de dificuldades. Os pr\u00f3ximos tempos s\u00e3o de uma desloca\u00e7\u00e3o no eixo individualismo-colectivismo, de que fala Hofstede. Os pr\u00f3ximos tempos s\u00e3o de um regresso a estruturas familiares mais alargadas. A poligamia est\u00e1 de volta.<\/p>\n<p><strong>Chornal:<\/strong> Acha, Dr.?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff:<\/strong> Tenho a certeza.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2011\/01\/mulheral1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2011\/01\/mulheral1-1024x682.jpg\" alt=\"\" title=\"mulheral\" width=\"450\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15644\" srcset=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2011\/01\/mulheral1-1024x682.jpg 1024w, http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2011\/01\/mulheral1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2011\/01\/mulheral1.jpg 1152w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. 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