{"id":1454,"date":"2008-02-18T21:45:41","date_gmt":"2008-02-18T21:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=1454"},"modified":"2008-02-18T21:47:31","modified_gmt":"2008-02-18T21:47:31","slug":"da-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=1454","title":{"rendered":"Da Conserva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Os habitantes deste Recanto (In)Feliz da Europa herdaram o h\u00e1bito muito romano do <em>panis et circensesis<\/em>. Assim, gostam muito de festarolas, esc\u00e2ndalos apimentados e de edif\u00edcios novinhos em folha.<\/p>\n<p>Os governantes, a todos os n\u00edveis, alimentam e, sobretudo, alimentam-se dessa vontade folcl\u00f3rica de grandeza e lembran\u00e7a futura. \u00c9 dessa sede de perenidade que surgem e perduram edif\u00edcios (vulgo, monumentos) um pouco por todo o mundo com maior ou menor beleza.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia do crescimento das civiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 a falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e de inconsci\u00eancia da vulnerabilidade das sociedades face a altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que sempre existiram. Desde a antiga Babil\u00f3nia \u00e0 Lisboa da actualidade. Com a agravante de que, quanto mais numerosa e poderosa \u00e9 a sociedade, mais vulner\u00e1vel se torna a solu\u00e7os ambientais mais ou menos importantes. Por exemplo, os antigos eg\u00edpcios tratavam as cheias do Nilo como algo de restaurador da fertilidade dos terrenos e basearam uma poderos\u00edssima civiliza\u00e7\u00e3o nesse facto. Quando deixaram de existir cheias abundantes a civiliza\u00e7\u00e3o Eg\u00edpcia definhou e sucumbiu \u00e0s sociedades emergentes noutros recantos do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Actualmente o nosso n\u00edvel de inconsci\u00eancia \u00e9 de tal modo elevado que nem nos preparamos convenientemente para as situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o recorrentes: o Ano Novo, o Carnaval, as cheias, a P\u00e1scoa, o Ver\u00e3o, os inc\u00eandios, o Natal, o Ano Novo, o Carnaval&#8230; (mesmo que algumas vezes a ordem mude a coisa \u00e9 sempre a mesma).<\/p>\n<p>E todos os anos se cortam os custos  naquilo que n\u00e3o \u00e9 folclore: limpeza de matas, correc\u00e7\u00e3o de estradas, limpeza de esgotos e vias de \u00e1gua, recupera\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, etc. E, consequentemente, todos os anos se debatem as mesmas merdas: inc\u00eandios, cheias estradas. E todos os anos se fazem apostas nas obras folcl\u00f3ricas.<\/p>\n<p>As c\u00e2maras, t\u00e3o lestas a sacar dinheiro por tudo e por nada (Contribui\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, taxas de esgoto, recolha de lixo, estacionamentos, altera\u00e7\u00f5es de uso, etc.) e tratando o habitante como uma vaca leiteira a quem se vai ordenhando diariamente um litro de leite, poderiam investir uns cobres na preven\u00e7\u00e3o (Porra! Nem \u00e9 assim t\u00e3o caro senhores pesidentes! E tamb\u00e9m podem dar emprego qualificado \u00e0 fam\u00edlia!), atrav\u00e9s da conserva\u00e7\u00e3o das infraestruturas, para evitar que todos os ano mais ou menos na mesma altura, os telejornais falem da mesma coisa.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o. Constru\u00e7\u00e3o (para sacar mais umas taxas), parques de estacionamento pago (&#8230;) e &#8220;novos equipamentos&#8221; urbanos \u00e9 a palavra de ordem. Como dizia algu\u00e9m \u00e0 uns anos, o povo pode viver miseravelmente e morrer \u00e0 fome (O <em>panis<\/em> j\u00e1 foi esquecido). Mas existem piscinas ol\u00edmpicas e pavilh\u00f5es gimnodesportivos de primeira grandeza em quase todos os concelhos do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os habitantes deste Recanto (In)Feliz da Europa herdaram o h\u00e1bito muito romano do panis et circensesis. Assim, gostam muito de festarolas, esc\u00e2ndalos apimentados e de edif\u00edcios novinhos em folha. Os governantes, a todos os n\u00edveis, alimentam e, sobretudo, alimentam-se dessa vontade folcl\u00f3rica de grandeza e lembran\u00e7a futura. \u00c9 dessa sede de perenidade que surgem e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1454"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1454"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1454\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}