{"id":13784,"date":"2010-05-29T09:10:21","date_gmt":"2010-05-29T09:10:21","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=13784"},"modified":"2010-06-19T20:05:10","modified_gmt":"2010-06-19T20:05:10","slug":"o-pessimista-radical","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=13784","title":{"rendered":"o pessimista radical"},"content":{"rendered":"<p>Antes era s\u00f3 o Medina. O \u00fanico pessimista do pa\u00eds. De entre os doutos, claro. Mas o Medina n\u00e3o tinha lugar na TV. O Medina era um marginal. Como todos os que pudessem ser acusados de pessimismo. Como os trabalhadores e os sindicatos. Como todos os que n\u00e3o acreditassem no futuro glorioso que se avizinhava.<\/p>\n<p>Entretanto, o pessimismo ganhou clientela. Era necess\u00e1rio arregimentar esses clientes fornecendo-lhes um produto ideol\u00f3gico. O Medina ganhou um programa de TV. Algu\u00e9m tinha que se apropriar do pessimismo e encaminh\u00e1-lo para doutrinas convenientes ao poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O Medina apropriou-se assim do pessimismo. Um passo pequeno para um homem com tanto tempo de antena, mas um grande passo para o regime. Ao apropriar-se do pessimismo, apropria-se dos problemas. Apropria-se assim, tamb\u00e9m, por iner\u00eancia, das solu\u00e7\u00f5es para os problemas. <\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 uns tempos entrevistaram o Medina. E era v\u00ea-lo a falar das desgra\u00e7as com aquela alegria que lhe conhecemos. Perguntaram-lhe ent\u00e3o se havia alguma solu\u00e7\u00e3o. Como bom pessimista, disse que n\u00e3o. Insistiram. E ele disse que n\u00e3o. E voltaram a insistir. E nada. E, \u00e0s tantas, perguntaram-lhe, ent\u00e3o e se a sr\u00aa MFL ganhasse as elei\u00e7\u00f5es? &#8220;Bem, s\u00f3 se conseguisse reunir uma equipa muito boa&#8221; &#8211; respondeu ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma tristeza. Naquele momento percebi. Aquilo n\u00e3o era resposta de um pessimista a s\u00e9rio. Aquilo era a resposta de um pessimista beb\u00e9. O Medina n\u00e3o era um pessimista. O Medina sempre foi um optimista disfar\u00e7ado. <\/p>\n<p><em>P.S.: O Medina pode dizer \u201ceu bem disse\u201d mas a n\u00f3s n\u00e3o nos engana. J\u00e1 sabemos qual \u00e9 o pessimismo que ele e <a href=\"http:\/\/aeiou.expresso.pt\/joao-duque=s24937\">os seus amigos opinadores<\/a> nos querem vender. \u00c9 um pessimismo que s\u00f3 questiona a viabilidade de os trabalhadores terem um vida razo\u00e1vel. \u00c9 um pessimismo que nunca questiona a viabilidade dos rendimentos dos que mais t\u00eam. Na pr\u00e1tica, o Medina \u00e9 algu\u00e9m que acredita que \u00e9 sempre poss\u00edvel enrolar o povo e faz\u00ea-lo pagar os sal\u00e1rios e desmandos da classe de ricos a que pertence.<\/em><\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/V-ai0OyCh5c&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/V-ai0OyCh5c&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"480\" height=\"385\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes era s\u00f3 o Medina. O \u00fanico pessimista do pa\u00eds. De entre os doutos, claro. Mas o Medina n\u00e3o tinha lugar na TV. O Medina era um marginal. Como todos os que pudessem ser acusados de pessimismo. 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