{"id":132,"date":"2006-06-10T23:50:56","date_gmt":"2006-06-10T22:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=132"},"modified":"2006-06-12T15:36:04","modified_gmt":"2006-06-12T14:36:04","slug":"jolas-9","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=132","title":{"rendered":"Jolas 9"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, 10 de Junho, fomos aos Santos Populares comer sardinhas, que \u00e9 um prato que nos une a todos, na nossa identidade de portugueses.<\/p>\n<p>Quando o homem perguntou o que \u00edamos beber, escolhi um D\u00e3o Meia Encosta, de 2001, que era o vinho, da lista, que mais se aproximava do sumo de uvas fermentadas que o Cristo bebia nos prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o. Tem uma boa concentra\u00e7\u00e3o de taninos, com um travo residual a cascos de carvalho, s\u00f3 aproximado por alguns vinhos do Douro e por alguns topos de gama alentejanos que n\u00e3o se servem nos restaurantes e muito menos na tasca onde jant\u00e1mos. \u00c0 falta de <a href=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=50\">cerveja Vieira<\/a>, ou mesmo da (razo\u00e1vel) cerveja Cintra, optei pelo tinto portugu\u00eas.<\/p>\n<p><em><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/1998\/04\/cintra.jpg\" \/><\/em><\/p>\n<p><small>Sousa Cintra a beber cerveja Cintra, numa tasca que ambos frequentamos, no Alentejo. (Fotografado por mim)<\/small><\/p>\n<p>A minha mulher pediu \u00e1gua, os mi\u00fados mais velhos tamb\u00e9m, mas a mais pequena, que ainda n\u00e3o tem 3 anos, antecipou-se e pediu em voz alta: &#8220;uma JoLa para mim&#8221;.<\/p>\n<p>Ficou toda a gente a olhar para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Durante uns instantes fez-se sil\u00eancio, mas uma gargalhada do empregado quebrou o gelo que me percorra a espinha e l\u00e1 conseguimos convenc\u00ea-lo de que ela bebia \u00e1gua tal como os outros.<\/p>\n<p>As sardinhas estavam excepcionais: dos lombos aos f\u00edgados. H\u00e1 os que sabem ass\u00e1-las e os que deviam dedicar-se apenas a limpar o restaurante depois dos clientes sa\u00edrem, mas daquela tasca n\u00e3o tenho raz\u00e3o de queixa, pelo contr\u00e1rio, recomendo-a.<\/p>\n<p>Entretido a destrin\u00e7ar os f\u00edgados das sardinhas no meio das tripas e a sugar-lhes os lombos, qual troglodita a tocar gaita de bei\u00e7os, n\u00e3o me apercebi da mi\u00fada mais nova abandonar a mesa. Fomos dar com ela a beber \u00e1gua duma sanita, ou melhor, a cerveja que os outros clientes tinham bebido e filtrado no seu aparelho urin\u00e1rio.<\/p>\n<p>A minha mulher ficou em p\u00e2nico, envergonhada e sei l\u00e1 mais o qu\u00ea.<\/p>\n<p>Eu, como antrop\u00f3logo, mantive a calma. Acabava de presenciar um epis\u00f3dio inici\u00e1tico, em tudo semelhante aos que ocorrem entre os consumidores dos cogumelos Amanita muscaria. Tamb\u00e9m eles bebem a pr\u00f3pria urina, depois de ingerirem as infus\u00f5es de cogumelos, pois cont\u00e9m, ainda,  uma grande concentra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias alucinog\u00e9nias.<\/p>\n<p>Acab\u00e1mos de jantar, os putos comeram umas sobremesas, e vi\u00e9mos embora. Ach\u00e1mos que, por hoje, j\u00e1 chegava de experi\u00eancias novas.<\/p>\n<p>Chegado a casa, acendi um charuto e fui para o caf\u00e9 beber cerveja para desinfectar.<\/p>\n<p><small>(baseado em facto reais)<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 10 de Junho, fomos aos Santos Populares comer sardinhas, que \u00e9 um prato que nos une a todos, na nossa identidade de portugueses. 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