{"id":11951,"date":"2009-12-27T02:05:13","date_gmt":"2009-12-27T02:05:13","guid":{"rendered":"http:\/\/inacreditavel.ioio.info\/?p=11951"},"modified":"2009-12-27T16:28:04","modified_gmt":"2009-12-27T16:28:04","slug":"periodo-natalicio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.inacreditavel.pt\/?p=11951","title":{"rendered":"conversando sobre o natal"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma refer\u00eancia na sua \u00e1rea de conhecimento. O Dr. Ivanoff \u00e9 \u00e9 um perito em antropologia sexual, um dom\u00ednio relativamente desconhecido do p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Bem-vindo dr. Ivanoff. Aqui estamos mais uma vez, para mais uma das suas irregulares mas sempre bem-vindas contribui\u00e7\u00f5es. Vamos ent\u00e3o falar do natal, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Mais ou menos. Sim, do natal.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Ent\u00e3o fale-nos l\u00e1 do natal.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Bem, existem, ou existiram, muitos natais. Hoje existe essencialmente o natal das crian\u00e7as e o natal dos outros. Para as crian\u00e7as, e de certo modo para os que t\u00eam crian\u00e7as, o natal continua a ser genu\u00edno, porque o natal \u00e9 uma festa de crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>E o natal do ponto de vista religioso? Do ponto de vista da f\u00e9?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>A crian\u00e7a, por ser crian\u00e7a, tem sempre uma f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Estranho. Pensava que a f\u00e9 era uma coisa muito s\u00e9ria, que exigia maturidade, n\u00e3o a via como coisa de crian\u00e7as. Mas que f\u00e9 \u00e9 essa que diz que as crian\u00e7as t\u00eam?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>F\u00e9 nos presentes. As crian\u00e7as t\u00eam uma f\u00e9 tremenda nos presentes.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Ah! Isso.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>E acha pouco? Para uma crian\u00e7a, o presente \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o de que gostam dela. De que a ouvem. De que t\u00eam em conta a sua opini\u00e3o. At\u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o de que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para cuidar dela.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>E para os adultos, n\u00e3o \u00e9 assim tamb\u00e9m?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>\u00c9 um bocado diferente. Ser adulto \u00e9 tamb\u00e9m ser independente. Ou, pelo menos, menos dependente. De tudo. Dos bens materiais, dos afectos, das opini\u00f5es dos outros, de tudo. Um adulto \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um sistema mais est\u00e1vel. Um sistema que j\u00e1 n\u00e3o se alimenta da permanente confirma\u00e7\u00e3o dos outros.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Mas a confirma\u00e7\u00e3o dos outros \u00e9 sempre importante.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Tem o seu lugar. Mas n\u00e3o pode ser muito importante. N\u00e3o podemos ter muitas coisas importantes. Se tudo \u00e9 importante, nada \u00e9 importante.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>E voc\u00ea? Festeja o natal?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>N\u00e3o. Deixei-me disso h\u00e1 muitos anos. Dou sempre presentes \u00e0s crian\u00e7as. Mas fico-me por a\u00ed. N\u00e3o compro coisas para mim. Nessa altura est\u00e1 tudo muito caro. Aborrece-me ser roubado.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Ent\u00e3o n\u00e3o gosta mesmo da \u00e9poca natal\u00edcia?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Pelo contr\u00e1rio. \u00c9 uma excelente \u00e9poca do ano. Diria mesmo que \u00e9 uma das melhores \u00e9pocas do ano.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Sim!? Porqu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>O Natal \u00e9 uma grande \u00e9poca para gajas. \u00c9 v\u00ea-las andar por a\u00ed todas arranjadas e com o cio. \u00c9 um espect\u00e1culo, n\u00e3o \u00e9 como a porcaria das luzes de natal. Isso \u00e9 que verdadeiramente faz a \u00e9poca mais bonita.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Nunca tinha pensado nisso dessa forma. A que atribui isso?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Antigamente pensava que era o optimismo da \u00e9poca, mais dinheiro nos bolsos, as mulheres sempre gostaram de compras. Depois, percebi que n\u00e3o. Que era mesmo assim. <\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Mesmo assim, como?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Sempre se fizeram festas nesta \u00e9poca, mesmo antes de haver natal. \u00c9 meu dever como antrop\u00f3logo sexual elucid\u00e1-lo disso.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>E acha que essas festas t\u00eam alguma coisa a ver com esta festa?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Para mim t\u00eam. Quando descobri isso, h\u00e1 muitos anos, passei a entender melhor os comportamentos da f\u00eamea nesta \u00e9poca. Foi uma grande descoberta. Muito \u00fatil.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>\u00datil?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Sim. Este \u00e9 um per\u00edodo realmente natal\u00edcio, no sentido de prop\u00edcio a nascimentos. Ou ao que est\u00e1 antes deles.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Antes deles como?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Percebi que esta \u00e9 uma das alturas do ano em que a f\u00eamea est\u00e1 mais receptiva. \u00c9 uma sazonalidade, como muitas outras. Desde ent\u00e3o que nesta \u00e9poca quase todos os anos arranjo um par de gajas que me abocanhem o chouri\u00e7o. \u00c9 muito bom. Com duas \u00e9 muito melhor. Noutra altura do ano isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil de conseguir.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Ao mesmo tempo?<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Sim, sim. Ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo \u00e9 que \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>E assim quase que volt\u00e1mos ao tema da poligamia, o nosso tema de sempre.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>\u00c9 verdade, o mundo d\u00e1 voltas e voltamos sempre ao mesmo, \u00e0 sua vibra\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Ent\u00e3o voltamos em breve para falar de poligamia.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Pode ser.<\/p>\n<p><strong>Chornal: <\/strong>Bom Natal para si, Dr. Ou, talvez seja melhor dizer, bom whatever.<\/p>\n<p><strong>Dr. Ivanoff: <\/strong>Pode ser. Para si tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma refer\u00eancia na sua \u00e1rea de conhecimento. 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