Novas da Alegria

“Sr. Dr. Juiz,

Confirmo que vi na estrada a marca 70 em números negros inscritos num círculo vermelho, sem qualquer informação de unidades.

Ora como sabe, a Lei de 4 de Julho de 1837 torna obrigatório em Portugal o Sistema Métrico, e o Decreto 65-501 de 3 de Maio de 1961, modificado de acordo com as directivas europeias, define, COMO UNIDADE DE BASE LEGAL, as unidades do Sistema Internacional, S.I. . Poderá confirmar tudo isso no site do Governo.

Ora, no SI, a unidade de comprimento é o ” Metro”, e a unidade de Tempo é o ” Segundo”. Torna-se, portanto, evidente que a unidade de Velocidade é o ” Metro por Segundo”. Não me passaria pela cabeça que o Ministério aplicasse uma unidade diferente.

Assim sendo, os 70 Metros por Segundo correspondem exactamente a 252 Km/h.

Ora a Polícia afirma que me cronometrou a 250 Km/h o que eu não contesto.
Circulava, portanto , 2 Km/h abaixo do limite permitido.

Esperando a aceitação dos meus argumentos, de Va. Exa…”

In “Newsletter do Profeta”

Isto faz-me lembrar algo ou alguém

Dia de Festa

É por actos como aquele que hoje ocorre que adoptei este país como morada. Este dia deveria ser consagrado como feriado ou, pelo menos, como dia de tolerância para que todos os habitantes desta douta Nação possam acompanhar os acontecimentos que irão determinar o seu futuro cultural.

Os mais capazes estiveram ao serviço do país para as elaborar e hoje, num acto de estado, serão aprovadas as novas regras de escrita. Este País mostra assim, mais uma vez, a sua grandeza ao determinar, quais peritos em genética, qual a forma mais correcta de evoluir na escrita. É a vitória dos mais doutos e iluminados desta Pátria.

Pena é que o período de transição ser tão longo (cerca de dez anos). Não se entende este prazo numa Nação desta grandeza. Será devido à resistência, inglória e injustificada devemos dizer, de alguns nichos reacionários da sociedade? Espero sinceramente que o governo introduza medidas com vista à erradicação dessa resistência sem nexo e à rápida adoção da nova forma de escrita (umas chibatadas suaves e o arranque de unhas para os mais recalcitrantes ou, porque não, a delapidação) para que, de uma vez por todas, a Nação ocupe o lugar que mereçe.

Brinde ao Acordo

O acordo é fruto de longa maturação levada a cabo por pessoas altamente qualificadas e que por esse motivo têm muito tempo livre para pensar pelos restantes habitantes do orgulhoso Mundo Português que não via obra assim desde que o excelssíssimo Ferro, que está à direita do Salvador que está à direita do Pai que ilumina com toda a sua sapiência essas pessoas, que idealizou a grandeza do povo iluminado que habita este paradísico país.

O acordo é benéfico para todos especialmente para aqueles pobres coitados que vivem para lá do Atlântico e que se fartam de editar livros que ninguém entente ou que entender porque quem lê não tinha ainda que obedecer a este belíssimo acordo.

E que belíssima opção esta de “obrigar” à normalização duma lingua que se quer viva e moderna e em permanente evolução darwiniana mas regulamentada pelas normas agora acordadas.

Devemos por isso engalanar ruas e desfraldar bandeiras para comemorar este acordo só comparável aos livros de história adoptados pelos sucessivos ministérios da educação desde os tempos do sempiterno Salvador e que exaltaram o poder dos portugueses no Universo, conhecido ou não, como braços direitos do Altíssimo e com a missão de envagelizar todos os povos que falam esta nossa língua.

É o Grande Portugal que retorna… Amen.

Apoio

Senhor Ministro da Administração (Para Já) Eterna, em primeiro lugar uma manifestação de total apoio. A luta contra o terrorismo tem que ser travada em todas as frentes!

Venho por isso denunciar os maiores terroristas deste país. São extremamente esquivos
e só muito raramente damos conta dos seus actos. Mas eles acontecem diariamente! É verdade!!

Tenho assistido a uma onda de tentativas de atentado por parte de terroristas disfarçados de vulgares condutores e que visam provocar o caos na circulação da Capital deste Estado Amigo e das maiores cidades dos arredores:

O primeiros acto a que assisti foi perpetrado por uma terrorista disfarçada de “gaja toda boa” que resolveu para o carro a meio da Rua da Prata (na Capital! Senhor Ministro).

De seguida outro terrorista, desta vez disfarçado de “fogareiro” (Desculpe, é a gíria para taxista – taxi driber en inglais – senhor Ministro) que resolveu praticar o mesmo acto na Avenida da Liberdade a dois metros dum resguardo o que mostra bem a intencionalidade deste energumeno.

Finalmente, naquela região a que chamam O Deserto, um elemento que não consegui identificar mas que estava disfarçado de Quadro Médio/Superior ou de Dono de Restaurante, estacionou o seu carro na via de rodagem situada no interior duma rotunda junto a uma das saídas com maior movimento para, também aí, contribuir para a instalação do Caos.

São estes actos perniciosos que fazem com que acarinhe a sua iluminada intervenção para domesticar os terroristas (sim porque esses sítios não têm povo) do Iraque e do Afeganistão. Agora é necessário desmantelar, também, estes grupelhos que pululam este País Encantado.

Um bem haja.

Gracias por lo exemplo!

Devemos dar graças!

A Luz Divina iluminou a Presidencia da Venezuela, qual holofote que iluminando o actor, o destaca do negrume envolvente.

Num acto de suma sapiência o digníssimo Presidente, pessoa sobre a qual o Mundo devería pôr os olhos e recolher os ensinamentos, decretou que a transmissão dessa série corruptora das famílas e das consciências (Sim! Essa mesmo: Os Simpsons) fosse banida e que em sua substituição passasse a ser transmitida a série Baywatch, essa sensacional e educativa série que nos ensina todos os segredos do socorrismo com especial incidência no socorro a naufragos.

Espero que as nossas estações de televisão, entusiasmadas por esta acção, tenham a coragem de proceder de igual modo em lugar de ceder às tentações da crítica social e da gargalhada nem sempre fácil veiculadas por essa série de animação hedionda.

Muito bem! E entende-se porquê!

 

DGCI Über Alles

Caro Director deste Aperiódico

Ao contrário de V. Exª tenho que me congratular com a acção levada a cabo pela nossa entidade de supervisão fiscal.

Então que é lá isso? Pagar bodas e presentes sem apresentar o respectivo comprovativozinho? Hmm?! Têm que declarar as prendinhas. Ora, ora! Então se forem acima de 500€ e se não forem os papás a dar, vai pró I.R.S.

Ora pretende o estado beneficiar a família baixando a carga fiscal destas. Logo é necessário prevenir que existam jovens (e menos jovens, enfim…) que na mira de vir a usufruir dessas benesses cheguem ao cúmulo (os loucos insanos) de casar! Não podemos permitir isto! E ainda a receber presentes e vestidos e bodas e viagens sem pedir o recibozinho.

Principalmente num país de pessoas honradas que não omitem situações anómalas, não assinam acordos lesivos para o estado nem aceitam lugares em empresas com quem assinaram acordos enquanto governantes.

Neste país onde não se alteram leis para proveito próprio (tipo alterar o regime da sisa para aquisição de um imóvel alterando a lei em seguida) nem se assinam decretos-lei de cruz, não podemos permitir que existam classes que sejam privilegiadas apenas porque vendem bacalhau com natas e lombo de porco assado desviando assim milhões e milhões (quiçá milhares) de aerios dos cofres do estado.

Por isso, jovens em idade casadoira vamos lá mas é a preencher o impressozinho. E aproveitem agora, porque no próximo serão introduzidas novas questões de cariz moral, como sejam a utilização doutras posições (devassos!) que a não a do missionário.

Até porque, como houve um corte de verbas e o pessoal a candidatar-se à ASAE (Ao que parece tomaram o gosto pelas tascas e afins para além de a-do-ra-rem! os uniformes) não sobrou ninguém para fiscalizar os fotógrafos…

Apelo à Moderação

Meus amigos, meus amigos. Então?

Não percebem que as instituições só querem o nosso bem? Hmm? Querem fazer bombas? Quem vos mandou faltar às aulas de química, disciplina que deverá ser banida futuramente? Não vêm séries americanas?

E o que é lá isso de virem com coisas como questionar acerca de “o que é o terrorismo?” ou que também é utilizado pelos Estados? Hmm?

O Estado apenas quer o nosso bem. Se para isso tiverem de nos  vigiar de perto, ler o que escrevemos ou, até, dizer-nos amigavelmente – mesmo que utilizando uma certa força, boa no caso do Estado –  para fazermos umas correcções ou evitarmos certos assuntos, qual o problema? O legislador é banhado pela Luz.

Devemos por isso aceitar todas as medidas de controlo a impor pelos Estados. É o nosso bem que está em causa e o legislador sacrifica-se, qual cordeiro, para nos dar o bem estar de que tanto necessitamos para nos dedicarmos ao trabalho – tão necessário ao enriquecimento – e, depois, à família.

E não precisamos destas coisas de contestações e protestos! Só mostra que não estamos debaixo da luz que ilumina o Estado na sua magnanimidade, no seu bem querer. Manifestações? Para quê? É necessária paciência e preserverança. O Estado, na sua Suprema Sabedoria, está a cuidar de nós. Ajuntamentos na via pública com quatro ou mais pessoas, em dias que não sejam de futebol ou para ir ao local de culto, só se for para jogar à sueca.

E desde já lanço um repto ao Legislador: com toda esta tecnologia que existe, porque não vigiar também o interior dos lares? Sim! Porque quem não deve não teme! E seria a bem do povo que de bom grado abdicaria de mais esse pedaços de privacidade para se assegurar que nada de anormal ou subversivo se passaria neste nosso Jardim à Beira-Mar Plantado.

Um bem haja a todos.

Memórias

É sempre com ansiedade que chego àquela minúscula rotunda!

Não sei o que será o facto de os sinais ficarem todos vermelhos em simultâneo quer para os que querem entrar na rotunda, quer para os que lá circulam e pretendem sair (ou não – há quem goste de andar atrás do rabo como os cães).

Será pelo facto de com a mesma simultâniedade os sinais mudarem de novo primeiro para os que circulam esvaziarem a dita? Ou será pela forma sincrona e simultânea como todos os que pretendem entrar na rotuna recebem a transição do sinal?

Trás-me à memória outros tempos e outras paragens…

Lições do Profeta

A mulher chega em casa e encontra o esposo, na cama, com outra, 25
anos, bonita, com tudo no sítio, bronzeada, cheia de amor para dar…

Arma o maior escabeche, mas o marido interrompe-a:

“Antes deverias ouvir como tudo isto aconteceu…”

“Encontrei esta jovem na rua, maltrapilha, cansada e esfomeada. Então, com pena do estado dela, trouxe-a para casa. Servi-lhe o jantar que tu não comestes no dia anterior com a mania das dietas, guardei o jantar no frigorífico,  lembras-te?”

“Ela estava descalça, então dei-lhe aquele par de sapatos que, como foi a minha mãe que te deu, nunca usaste. Ela estava com sede e eu servi-lhe aquele vinho que estava guardado…para aquele sábado que prometeste mas que nunca chega… pois, dói-te a cabeça, estás cansada e tens muito que fazer.”

“As calças estavam rasgadas, dei-lhe aquele par de jeans quase novo…que ainda estava em perfeito estado, mas não te servia.”


“Como ela estava suja, aconselhei-a a tomar um banho…. no final, dei-lhe aquele perfume francês novinho que  nunca usaste porque não era a tua marca favorita.”

 
“Então quando já  estava saciada perguntou:
-Senhor, não tem mais nada que a sua esposa não use?
Nem respondi!!!!!!!………….Dei  logo  !!!”

In “Newsletter’s do Profeta”