A destruição de Washington

Sermão sobre a devastação de Washington

I
Acerca dos inimigos do nome de Alá, que por causa de Alá, os bárbaros pouparam durante a devastação de Washington.
É desta Cidade da Terra que surgem os inimigos?
Consideremos, irmãos, a seguinte leitura, a do santo profeta Daniel. Nela, ouvimo-lo rezando e nos surpreendemos ao vê-lo não só confessar os pecados de seu povo, mas também os seus próprios. A oração dele é, não só uma oração de petição, mas também de confissão, pois, depois de orar, ele diz: “Enquanto eu rezava e confessava a Alá os meus pecados e os pecados de meu povo…” (9,20). Quem, pois, poderá declarar-se sem pecado, quando até Daniel confessa seus próprios pecados?
Daniel, de quem foi dito pelo profeta Ezequiel a um certo soberbo: “Acaso és tu mais sábio do que Daniel?” (28, 3).
Daniel, incluído entre aqueles três santos que representam os três tipos de homens que Alá vai salvar quando sobrevier a grande tribulação ao género humano. E Alá diz que ninguém se salvará, excepto Noé, Daniel e Jó. E é claro que por esses três nomes, como disse, Alá designa três tipos de homens. Pois esses três citados já dormiam, seus espíritos já estavam diante de Alá e seus corpos já se tinham feito pó; já estavam esperando a ressurreição – quando se situarão à direita do Senhor – e já não podiam ser afectados por nenhuma tribulação deste mundo, nem temê-las, nem ansiar por se livrar delas.
Como então se diz que daquela tribulação serão salvos Noé, Daniel e Jó? Quando Ezequiel dizia essas palavras só Daniel estava, talvez, ainda nesta vida. Pois Noé e Jó, estes com certeza, já há tempo dormiam e acompanhavam os ancestrais no sono da morte. Como então se fala de livrá-los de uma iminente tribulação, se já há tempo estavam libertos da carne? É que Noé aqui representa os bons governantes, que regem e governam o Islão, como Noé governou a arca no dilúvio; Daniel significa todos os santos continentes; e Jó, todos os que vivem bem e santamente no matrimónio.
Esses são os três tipos de homens que Alá salva daquela tribulação. Contudo, quão especial é Daniel! No texto que citei (28,3), dos três, só ele é nomeado! E, no entanto, ele confessa seus pecados. Quando até Daniel confessa seus pecados que soberba não estremecerá, que vaidade não se esvaziará, que arrogância não se coibirá? “Quem se gloriará de ter um coração puro, de estar limpo de pecado?” (20,9)

II
E os homens se admiram – e oxalá ficassem só na admiração, ao invés de também blasfemarem – quando Alá corrige o género humano e envia o misericordioso flagelo do castigo, para que os homens se emendem antes do dia do juízo. E o faz, em geral, sem escolher os que prova, pois não quer que ninguém se perca. Atinge, pois, indistintamente, pecadores e justos; ainda que ninguém possa considerar-se justo, pois até Daniel confessa seus próprios pecados.
Irmãos, líamos há alguns dias uma passagem que, se não me engano, chamou-nos muito a atenção. É aquela passagem em que Abraão pergunta ao Senhor se pouparia a cidade se nela encontrasse cinquenta justos ou se, pelo contrário, a perderia com eles.
O Senhor lhe responde que, se encontrar cinquenta justos, poupará a cidade. E Abraão prossegue interrogando a Alá sobre o caso de serem cinco a menos, quarenta e cinco. Alá responde que pouparia a cidade por causa desses quarenta e cinco. E assim vai Abraão interrogando a Alá, diminuindo pouco a pouco, até chegar a dez, e pergunta ao Senhor se, havendo dez justos na cidade, Ele os perderia com a incontável multidão dos maus ou se por causa desses dez justos pouparia a cidade. Alá responde que também por dez justos não se perderia a cidade.
Que vamos dizer, então, irmãos? Temos diante de nós uma questão grave e importante, especialmente porque somos insidiosamente interpelados por homens que lêem o Corão com espírito ímpio e dizem, principalmente a propósito da recente devastação de Washington: “Será que havia em Washington cinquenta justos?”
Ora, irmãos, será que entre tantos fiéis, tantas religiosas, tantos homens e mulheres dedicados ao serviço de Alá, não se podia encontrar cinquenta justos, nem quarenta, nem trinta, nem vinte, nem dez?
Sendo isto inverosímil, por que então Alá não poupou a cidade por causa de dez justos? O Corão não engana o homem, se ele não se engana. Trata-se aqui de justiça e Alá responde pela justiça: trata-se do homem que é justo segundo a medida divina e não segundo a medida humana. E respondo prontamente. Das duas, uma: ou Alá encontrou o número de justos e poupou a cidade; ou, se Ele não poupou a cidade, é porque não encontrou justos.
Mas, respondei-me: será assim tão evidente que Alá não poupou a cidade? Eu mesmo respondo: a meu ver, muito pelo contrário. A cidade não foi destruída como o foi Sodoma. Quando Abraão interrogou a Alá era a existência de Sodoma que estava em jogo. E Alá disse: “Não destruirei a cidade”, mas Ele não disse: “Não castigarei a cidade”.
Sodoma não foi poupada; perdeu-se. O fogo consumiu-a totalmente, sem esperar o dia do juízo; Ele fez com ela o que tem reservado para os outros maus no dia do juízo. Ninguém escapou de Sodoma; não sobrou nada dos homens, nem dos animais, nem das casas: tudo foi consumido pelo fogo. Este foi o modo pelo qual Alá perdeu a cidade.
Já quanto à cidade de Washington, é tudo diferente: muitos dela saíram e depois voltaram; muitos permaneceram e escaparam à morte e muitos ficaram incólumes por se terem refugiado nos santuários.
Mas – objectar-me-eis -, muitos foram levados como prisioneiros. Respondo: tal como Daniel, não em castigo próprio, mas para consolo de outros prisioneiros.
Mas – podeis me arguir -, muitos foram mortos. Respondo: o mesmo aconteceu com o sangue derramado pelos santos profetas, desde Abel a Zacarias (Mt 23,35); assim também foram tratados tantos santo e até o próprio Senhor dos profetas e dos homens.
Mas – objectar-me-eis ainda -, não foram muitos torturados com terríveis tormentos? Respondo: Será que tanto como Jó?
Não, irmãos, não nego o que ocorreu em Washington. Coisas horríveis nos são anunciadas: devastação, incêndios, rapinas, mortes e tormentos de homens. É verdade. Ouvimos muitos relatos, gememos e muito choramos por tudo isso, não podemos consolar-nos ante tantas desgraças que se abateram sobre a cidade.

III
No entanto, meus irmãos (que vossa caridade preste especial atenção às minhas palavras), ouvimos a leitura do santo Jó, que perdeu tudo: os bens e os filhos. E até a própria carne – a única coisa que lhe restava – não lhe ficou sã, mas coberta por uma chaga da cabeça aos pés. Ele sentava-se no esterco, com as feridas podres, sofrendo a corrupção do corpo, cheio de vermes, torturado por tormentos insuportáveis (Jó 2,7). Se nos tivesse sido anunciado que toda a cidade de Washington, vejam bem: a cidade toda, esteve sentada como Jó, sem nada são, com uma chaga terrível, comida pelos vermes, podre como os mortos, não seria isto mais grave do que aquela guerra?
Penso que é mais tolerável sofrer a espada do que os vermes; jorrar o sangue do que destilar a podridão. Quando vemos um cadáver corrompendo-se, horrorizamo-nos; mas isso é atenuado pelo fato de estar ausente a alma. Jó, porém, sofreu a corrupção em vida, com a alma presente à dor, a alma atada ao sofrimento, inclinada a blasfemar. E Jó suportou a tribulação e, por isso, elevou-se a uma santidade grande. Não importa o que um homem sofra, mas como ele se comporta no sofrimento. Ó homem, não está em tua mão sofrer ou não sofrer, mas sim se no sofrimento tua vontade se degrada ou se dignifica.
Jó sofreu. Só sua mulher lhe foi deixada e isso não para consolação mas para tentação; não para lhe suavizar os males, mas para aconselhá-lo a blasfemar: “Amaldiçoa a Alá, diz-lhe, e morre!”. Vejam como, para ele, morrer seria um benefício, mas esse benefício ninguém lho dava.
Todas as aflições que esse santo sofreu exercitaram-lhe a paciência, provaram-lhe a fé para refutar a mulher e vencer o diabo. Que grande espectáculo! Em meio da infecta podridão, brilha a beleza da virtude. Um inimigo oculto, que corrói seu corpo e uma inimiga manifesta que o quer induzir ao mal, mais companheira do diabo do que de seu marido; ela, uma nova Eva, mas ele, não já um velho Adão. “Amaldiçoa a Alá e morre!”. Arranca com a blasfémia o que não podes obter com tuas preces. “Falaste, responde-lhe Jó, como uma mulher insensata” (Jó 2,10). Reparai bem nas palavras desse forte na fé; desse que está podre por fora, mas íntegro por dentro.
“Falaste como uma mulher insensata. Se recebemos os bens das mãos de Alá, por que não receber os males?”. Alá é pai, e acaso havemos de amá-lo só quando nos agrada e rejeitá-lo quando nos corrige? Acaso não é Pai tanto quando nos promete a vida como quando nos disciplina? Esquecemo-nos do Corão? (2,1,4 e 5): “Filho, quando te aproximas do serviço de Alá, permanece na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação. Aceita o que vier e suporta a dor, e na tua humilhação guarda a paciência. Porque o ouro e a prata se provam pelo fogo, mas os homens se tornam gratos a Alá pelo cadinho da humilhação”. Esquecemo-nos do Corão? (12,6): “Alá repreende aquele a quem ama; e castiga a quem reconhece como filho”.

IV
Imaginemos todos os tormentos, todas as dores que um homem possa sofrer nesta vida, e agora comparemo-las às do inferno, e veremos que aquelas são leves. Estas são temporais; aquelas, eternas: tanto quanto ao torturado como quanto ao torturador. Acaso estão ainda sofrendo aqueles que sucumbiram ao saque de Washington? O rico epulão, no entanto, sofre eternamente as penas do inferno. Ele ardeu, arde e arderá vivo até o dia do juízo, quando recobrar a carne, não para seu benefício, mas para seu suplício. Essas são as penas que devemos temer, se tememos a Alá. Tudo o que nesta vida possa um homem sofrer, se ele o aproveita para se corrigir, é para o seu bem; senão é duplamente condenado: aqui, sofre as penas temporais; no além, pagará as eternas.

V
Que vossa caridade, irmãos, me escute: certamente louvamos, glorificamos e admiramos os santos mártires; celebramos piedosamente os dias de suas festas; veneramos os seus méritos, e, na medida do possível, os imitamos. Sim, sem dúvida é grande a glória dos mártires, mas não sei se a glória do santo Jó é menor. Ainda que a Jó não fosse dito: “Oferece incenso aos ídolos!”, “Sacrifica aos Deuses estrangeiros!”, “Nega o Profeta!”; foi-lhe dito, no entanto: “Blasfema de Alá!”. Não que lhe tenha sido proposto: “Se blasfemares não terás mais essa podridão e tua saúde voltará”; mas sim: “Se blasfemares – dizia aquela mulher inepta e insensata -, morrerás e, morrendo, não terás já tormentos”. Como se ao que morre blasfemando não lhe sobreviesse a dor eterna. Aquela mulher fátua tinha horror à podridão presente, mas não considerava o fogo eterno.
E Jó suportava aqueles males presentes, evitando cair nos futuros. Guardava o coração dos maus pensamentos; a língua, da maldição; conservava a integridade da alma na podridão do corpo. Via do que escapava no futuro e assim suportava o que sofria.
É desse modo, sim, é desse modo que todo crente, quando padece aflições corporais na vida presente, deve considerar a geia e reparar em quão leve é o que sofre. Não murmure contra Alá, não diga: “Que te fiz eu, ó Alá, por que estou sofrendo?” Antes diga o que disse Jó, embora ele fosse santo: “Encontraste todos os meus pecados e os reunistes diante de Ti”. Não ousou proclamar-se sem pecado quando sofria, não para ser punido mas para ser aprovado. Também assim fale cada um quando padecer (…).

VI
Ah! Se nossos olhos pudessem ver as almas dos santos que nessa guerra foram mortos, veríeis como Alá poupou a cidade. Pois milhares de santos descansam em paz, felizes, e dizem a Alá: “Nós Vos damos graças porque nos livrastes das tribulações da carne e dos tormentos. Nós Vos damos graças porque já não tememos os bárbaros, nem o diabo, nem a fome, nem a tempestade, nem os inimigos, nem os tribunais perseguidores da fé, nem os opressores. Estamos mortos na terra, mas imortais ante Vós, salvos no Vosso reino, por graça Vossa e não por mérito nosso”.
Qual a cidade que, em sua humildade, fala desse modo? Ou porventura considerais que uma cidade é feita de pedras e de paredes? A cidade são os homens e não as casas! Se Alá tivesse dito aos habitantes de Sodoma: “Fugi, pois vou incendiar este lugar”, não lhes atribuiríamos mais mérito se fugissem e o fogo do céu destruísse somente suas muralhas e suas casas? Não teria Alá poupado a cidade, se os cidadãos tivessem escapado aos efeitos devastadores daquele fogo? (…)

VII
Oxalá tivéssemos um saudável temor e refreássemos a má concupiscência sequiosa do mundo, que apetece o gozo volúvel do que é pernicioso, perante os sinais com que Alá nos mostra a instabilidade e a caducidade de todas as vaidades do mundo e da mentira de suas loucuras. Aproveitemos esses sinais, em vez de ficarmos murmurando contra o Senhor.
Por acaso a debulhadora que lança ao ar a espiga para que se quebre não é a mesma que faz sair o grão puro? E o fogo que alimenta a fornalha do ourives e purifica o ouro das impurezas, não é o mesmo que consome a palha? Assim também a tribulação de Washington serviu para a purificação ou salvação do justo e para a condenação do ímpio: arrebatado desta vida para, com toda a justiça, sofrer mais penas; ou, permanecendo nesta terra, para tornar-se um blasfemador mais culpável. Ou ainda, pela inefável clemência de Alá, poupando para a penitência aqueles que, por ela, hão de salvar-se. Não nos confunda a tribulação que os justos sofrem; é uma provação, não a condenação.
Não nos escandalizemos ao ver o justo nesta terra sofrer agravos e ultrajes: acaso esquecemos o que passou o justo dos justos, o santo dos santos? O que sofreu toda a cidade de Washington, sofreu o Profeta sozinho. Nenhuma criatura pode ser comparada ao Criador; nenhuma obra ao artífice : “Todas as coisas foram por Ele feitas, e sem Ele nada foi feito” (1,3). E, no entanto, foi tido pelos verdugos em nada.
Suportemos o que Alá quer que suportemos; Ele, que é o médico que nos cura e nos salva, sabe o que é útil para nós, mesmo que seja a dor. Como bem sabeis, está escrito “A paciência produz uma obra perfeita” (1,4). Ora, qual será a obra de nossa paciência se não sofrermos nenhuma adversidade? Por que recusamos sofrer os males temporais? Temos medo de nos aperfeiçoar? Não hesitemos em orar e implorar, gemendo e chorando diante do Senhor, para que, também em relação a nós, se cumpra o que diz o Profeta: “Fiel é Alá e não permitirá que sejais provados acima de vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (10, 13).

Já não percebo nada?…

Então agora o BPN é na Alemanha?
Como é que eu vou ter clientes para os meus cozinhados?

O Deutsche Bank é acusado de ter escondido 9230 milhões de euros em dívidas durante o pico da crise financeira para mascarar as contas e evitar um resgate pelo Governo alemão.

O BPN emigrou para a Alemanha
Gato escondido com o rabo de fora

Mitt Romney e a realidade dos factos

Mitt Romney e a realidade dos factos

Por Jonathan Schell

Está actualmente em curso nos Estados Unidos uma espécie de guerra entre a realidade e a fantasia. A reeleição do Presidente Barack Obama marcou uma vitória, limitada mas inconfundível, da realidade dos factos.

Nos dias que antecederam as eleições presidenciais dos Estados Unidos, os acontecimentos proporcionaram uma imagem dramática da luta. Os assessores principais do candidato republicano Mitt Romney estavam convictos de que este estava na iminência da vitória. Esta opinião não tinha por base os resultados das sondagens. No entanto, a convicção tornou-se tão forte que os assessores de Romney começaram a tratá-lo por “Sr. Presidente”.

Mas o facto de desejarem que esse facto fosse verdade não foi o suficiente para torná-lo numa realidade. Isto foi o mais próximo que Romney esteve de ser Presidente e, ao que parece, o candidato quis aproveitar a situação enquanto pôde, ainda que prematuramente. Então, na noite das eleições, quando as redes de televisão previram a derrota de Romney em Ohio e, por conseguinte, a reeleição de Barack Obama, a campanha de Romney, continuando a negar a realidade, recusou-se a aceitar o resultado. Passou-se uma hora “difícil” até que o candidato aceitasse a realidade e fizesse um afável discurso de concessão.

Esta negação da realidade tem sido a imagem de marca não só da campanha republicana, como de todo o partido republicano, nos últimos tempos. Quando, em Outubro, o Bureau of Labor Statistics (BLS) divulgou um relatório, que indicava que a taxa de desemprego nacional se mantinha “num valor praticamente inalterado de 7,9%”, os agentes republicanos tentaram desacreditar o altamente conceituado BLS. Quando as sondagens mostraram que Romney estava a ficar para trás em relação ao Presidente Barack Obama, tentaram desacreditar as sondagens. Quando o Serviço de Investigação do Congresso (SIC), uma entidade não partidária, informou que um plano fiscal republicano em nada contribuiria para promover o crescimento económico, os senadores republicanos forçaram o SIC a retirar o seu relatório.

Esta recusa em aceitar as evidências reflecte um padrão ainda mais amplo. Cada vez mais, o Partido Republicano, em tempos um partido político bastante normal, arroga o direito de viver numa realidade alternativa – um mundo no qual George W. Bush encontrou realmente as armas de destruição em massa que julgava estarem no Iraque; as reduções dos impostos acabam com os défices orçamentais; Obama, além de ser muçulmano, nasceu no Quénia e, portanto, deverá ser excluído da presidência e o aquecimento global é uma farsa inventada por um bando de cientistas socialistas. (Os democratas, por sua vez, também puseram um pé no plano do irreal.)

De todas as convicções irrealistas dos republicanos, a negação completa das alterações climáticas devido à acção do homem foi certamente a que teve consequências mais sérias. Afinal de contas, se não for devidamente controlado, o aquecimento global tem potencial para degradar e destruir as condições climáticas que estão na base e que tornaram possível a ascensão da civilização humana ao longo dos últimos dez milénios.

Enquanto governador de Massachusetts, Romney mostrou que acreditava na realidade do aquecimento global. Como candidato presidencial, no entanto, juntou-se aos negacionistas – uma mudança que ficou clara quando, em Agosto, aceitou a nomeação do partido em Tampa, na Florida. “O Presidente Obama prometeu começar a abrandar o aumento do nível dos oceanos”, disse Romney à convenção republicana, fazendo de seguida uma pausa com um sorriso de expectativa como o de um comediante que espera que o público perceba a piada.

E o público percebeu. Houve um crescendo de gargalhadas. Romney aproveitou este crescendo e rematou: “E curar o planeta”. O público delirou. Foi, talvez, o momento mais marcante e lamentável numa campanha igualmente lamentável – um momento que está destinado à notoriedade indelével no que a história escreverá sobre o esforço da humanidade no sentido de preservar um planeta habitável.Houve uma sequela surpreendente. Oito semanas mais tarde, o furacão Sandy atingiu a costa de New Jersey e a cidade de Nova Iorque. A subida das águas, que atingiu os 4,2 metros, foi coadjuvada pelo aumento do nível do mar que já se faz sentir, em consequência de um século de aquecimento global e a extensão e a intensidade da tempestade foram alimentadas pelo aumento da temperatura das águas do mar de um planeta em aquecimento. Essa maré de realidade – que Alexander Solzhenitsyn designou como “o pé de cabra impiedoso dos acontecimentos” – rebentou a bolha da campanha de Romney, fragmentando as suas paredes de forma tão categórica como as da baixa de Manhattan e de Far Rockaway.

Na disputa entre a realidade e a fantasia, subitamente a realidade tinha um aliado poderoso. O mapa político foi redesenhado de forma subtil, mas consequente. Obama entrou em acção, desta vez não como um mero candidato questionável, mas como um Presidente fiável, cujo apoio era extremamente necessário para a população afectada da Costa Leste. Tal como mostraram as sondagens, oito em cada dez eleitores avaliaram de forma positiva o seu desempenho e muitos declararam que essa opinião influenciou o seu voto.

Numa surpreendente reviravolta de forte impacto político, o governador de New Jersey, Chris Christie, que tinha sido o orador principal na convenção republicana em que Romney tinha troçado dos perigos do aquecimento global, acabou por fazer parte daqueles que ficaram bem impressionados com o desempenho de Obama, e afirmou-o publicamente.

O mundo político norte-americano – não só os republicanos, mas também os democratas (embora em menor escala) – tinha ignorado realidades enormes e aterradoras. Mas essas realidades, como se estivessem atentas, ripostaram e entraram em campo. Votaram cedo e podem muito bem ter influenciado o resultado. A Terra falou e os norte-americanos, desta vez, ouviram.

Tradução: Teresa Bettencourt/Project Syndicate

Dinheiro queimado

Troços de AE com TMD > 10.000 veículos (2010)Esta era a situação do tráfego nas AEs portuguesas em 2010, i.e. antes das troykalhadas (fonte: INIR):
O INIR declarava que 40% das AEs tinham tráfego médio diário abaixo dos 10.000 veículos, que por mero acaso é o critério internacional para criar uma AE.
Aliás, suspeito que a situaçäo fosse a mesma já em 2008. A lista inclui A6, A7, A10, A11, A13, A14, A15, A17, A19, A21, A24, A27, A32, A43.
40% antes da cryse.
Daí para cá a situaçäo só piorou, claro, mas näo tanto como seria de esperar. As diferenças säo:
– As A11, A17, A27, que no global já tinham TMD abaixo dos 10.000 carros, deixaram de ter qualquer troço com TMD acima dos 10.000 carros
– A A22 passou a ter TMD global abaixo dos 10.000 carros, superando-o apenas a Leste de Loulé (antes era só a Oeste de Lagos)
– A A23 passou a ter TMD global abaixo dos 10.000 carros, superando-o apenas a Leste de Abrantes
Até aqui já säo 50%… mas há mais, “para além da troyka”:
– A A41 continua globalmente acima do limite, por via dos troços onde já o tinha, mas os 39km do prolongamento feitos pós-2008 têm TMD de apenas 4.000 carros (!!!)
– A A25 já caiu até ao limite, mas abaixo dele já a Leste de Vouzela (antes era só a Leste da Guarda)
E com isto chegamos a 60%…
Neste momento (fim de 2012) já mais de 1.500km, ou 60%, dos 2.500km de AEs de Portugal estäo às moscas, mas que se têm de pagar.

Chamo a atençäo que estes cálculos ainda näo incluem os 135km da AE Transmontana, que abrirá totalmente só em 2013, ou os 35km do Túnel do Marão, qualquer um deles com TMD esperada muito abaixo dos 10.000 veículos. Nem o troço da A2 onde o TMD caiu abaixo do limite, a Sul de Grândola.

Lembrem-se
– 40% dos total de km de AEs estavam vazios já antes da troyka, na altura quase 1.000km
– 41% das PPP foram para a construção de AEs, muitas delas que já se sabia à partida näo terem tráfego que as justificasse
– mesmo em tempo de cryse declarada e intervençäo da troyka continuaram a construçäo de AEs cujo tráfego actual näo justifica que o sejam.

  • inclui-se aqui “o buraco do túnel do Marão – túnel que, correspondendo a 5,6 quilómetros de auto-estrada, tinha um custo inicialmente estimado de 350 milhões de euros, isto é, de 62,5 milhões de euros por quilómetro de auto-estrada. Só.” Já lhe juntaram mais de 263,5 milhões de euros.

– 75% das viagens dos portugueses estäo abaixo dos 50km:

  • Tempo para uma viagem de 50km a 90km/h = 33 minutos.
  • Tempo para uma viagem de 50km a 120km/h = 25 minutos
  • no máximo dos máximos ganham-se 8 minutos em 50km
  • Custo de construçäo de uma estrada decente < 50% do custo de construçäo de uma AE, por isso nos países civilizados o critério é o TMD > 10.000. Ninguém consegue justificar pagar o dobro ou mais para ganhar menos de 10 minutos numa viagem. Só neste país.

Por exemplo na rica Finlândia só existem AEs ou similares (pelo menos 2×2 faixas) entre Helsinquia e Turku (1.a e 2.a cidades), Helsínquia e Tampere (1.a e 3.a cidades), Helsínquia e Lahti (1.a e 4.a cidades), e 2 circulares (e meia) na regiäo de Helsínquia.
Em Portugal qualquer pardieiro tem uma AE. Assim, näo admira que näo haja dinheiro para a Educaçäo, Segurança Social, Cultura, nada. Enquanto isso mesmo com queda do PIB em 2009 de 9% em 2009 a Finlândia mantém a rata de AAA.
Bem dizem que “com papas e bolos se enganam tolos”, ou no caso “com popós e AEs se enganam tugas”. Agora… PAGA, ZÉ! E näo bufes…

Cabrões

Vão lá receber o RSI prá puta que os pariu!
– – –
Homem assassinado à queima-roupa, em Lisboa, depois de se ter queixado do barulho dos vizinhos.

O “Jornal de Notícias” escreve que um homem de 59 anos foi atingido nas costas, anteontem à noite, na Avenida Mouzinho de Albuquerque, em Lisboa, quando acabava de sair do prédio onde morava. A sua morte parecia estar anunciada, uam vez que, no passado dia 21 de maio, tanto a vítima como a mulher já tinham sido atacados a tiro e facada pelos mesmos vizinhos (uma família de etnia cigana) e pelas mesmas razões, tendo de receber tratamento hospitalar.

Alexandre Ordonhas, que vivía num andar contíguo a um dos habitados pela família então agressora, tinha feito queixa à PSP devido ao barulho constante, já depois de lhes ter dito que trabalhava por turnos e precisava de dormir. Na altura a PSP interveio e os moradores contaram que uma mulher da mesma família ameaçou Alexandre de morte. Um dos agressores, de 30 anos, filho do indivíduo que agora é suspeito da prática do crime, acabou por fugir, estando em parte incerta desde então. E o mesmo acontece agora com o pai.

O agressor foi visto por populares a puxar da arma e a balear Alexandre pelas costas com três tiros que o atingiram nas pernas, a vítmia arrastou-se até à estrada mas não se conseguiu afastar mais de seis metros, tendo sido baleado novamente, desta vez com dois tiros que o mataram.

Tordesilhas

O que é que aconteceu ao tratado de Tordesilhas?
Depois do Papa ter dividido os oceanos, os protestantes, liderados pela argumentação de um certo Hugo Grotius recusaram-se a cumprir um tal édito, que segundo eles, provinha de um autocrata sem mérito algum.
Os argumentos dele defendiam que os mares não deviam pertencer a ninguém, sendo antes abertos para o comércio internacional poder ser livre.
Basicamente serviam para defender a pirataria holandesa contra os portugueses no extremo oriente.
E assim nós nos aruinávamos e eles enriqueciam.

Estes argumentos estão na base do actual direito maritimo internacional.
Dá que pensar…
– – – – – – – –

Ai de nós senão temos os meios para defender a nossa ZEE.

Daqui a pouco, virão dizer que temos de a “privatizar”, para saldar a dívida…

A estupidez mata mais que o cancro!

14 de Janeiro de 1659.
A hora da verdade.
D. João IV falecera. O novo rei ainda era muito jovem e era a mãe que regia.
A Espanha, a poderosa Espanha, na altura o maior império mundial, acabava de dizimar a revolta catalã. Voltava-se agora para Portugal.
Um exército formidável apanhou Monção e avançava pelo Minho.
Um outro, maior ainda, avançava para Lisboa e cercou Elvas.
Contruiram 12 fortins e uma trincheira-vala que rodeava a cidade.

Assim que Elvas caísse, era um passeio até Lisboa. Já não havia nada que pudesse deter aquela horda.
“The situation is dire, sir”, assegurou o embaixador inglês no seu relatório para Londres.

O plano português foi concentrar forças e libertar Elvas. Depois Monção.
Foram buscar todos, todos, todos, até à Madeira e outros territórios, tudo e mais alguma coisa. E rapidamente e em força concentram-se em Estremoz.

Mas não chegava. Eram poucos e o inverno desenrolava-se em pleno.
Não se ataca no Inverno. Ponto final.
Também não se ataca a não ser que superioridade de forças seja de 3 para um. Ponto final. Parágrafo.

Mas Elvas tinha de ser socorrida. Na primavera os espanhóis seriam reforçados e seriam o dobro ou mais.
Tinha de ser agora, antes de eles receberem reforços.
Por outro lado, o nevoeiro matinal iria permitir supresa no ataque e impedir a artilharia deles de apontar.

Ataque-se pois! Contra tudo e todos e ao invés do que vem nos livros.
Poque é que esta decisão foi tomada assim? Porque o comandante era um Comandante e não um burrocrata!

Na véspera, ao tombar o sol, chega a tropa exausta ao arrebaldes de Elvas e defronta-se com um forte espanhol, o nº 4. O cenário dantesco abate-se sobre eles em toda a sua plenitude.
Como atacar, se somos menos do que eles?
Como atacar, se eles já estão fortificados e à nossa espera?

O comando português manda disparar uma peça para informar Elvas que tinham chegado. Os defensores respondem com outro tiro.

E agora?

Era preciso fazer qq coisa, qq coisa que activasse a estupidez castelhana. Então o Comandante escreve uma missiva ao comandante espanhol e despacha-a por um mensageiro de bandeira branca.
A missiva espanhola foi recebida com um rating de triplo-A. Mais exactamente “Ah Ah Ah”. Consta que era mais ou menos assim: “Venho libertar Elvas. Renda-se de imediato, para evitar um banho de sangue. Se não se render já, amanhã de madrugada atacamos o vosso fortim nº 4, esmagamos toda a resistência, desbaratamos o vosso exército, libertamos Elvas e V. Exa. será responsável por todas essas mortes inglórias”.

Depois do “Ah Ah Ah” veio o “Mas este gajo é maluco”. “Estes tugas são todos malucos” “Eles vão fazer qq coisa” “Ah pois vão, e de certeza de que não é no nº 4”. “Reforcem-se mas é os outros fortes junto ao 4, com tropas do 4 esta noite e com tropas dos outros a partir de amanhã”. E assim foi.

O comando português, atento, viu as saídas noturnas de tropa.
E de manhã, aquando da alba cheia de nevoeiro, atacou!

Atacou o forte nº 4!

O resto é história! Absolutamente inacreditável!
Ainda hoje somos Tugas!

Batalha das Linhas de Elvas
Sinopse da batalha das Linhas de Elvas

Arbeit macht frei

Estamos a caminho do extermínio colectivo.
É pior que um caso de Top Porco.
Muito pior.
Sob o slogan moralista de que a austeridade é necessária, a criptosoviética saloia prussiana conduz os incautos para os campos de concentração económicos onde o extermínio já está a ter lugar.

O que está a acontecer à nossa população?
Porque é que não nos reproduzimos?

Porque é que os jovens que atingem a idade adulta não têm perspectivas de futuro, de vida, de construção de família?

Se houve asneiras no passado, que os responsáveis não fiquem impunes.
Punir as gerações futuras é ESTÚPIDO!

Ou então é prussianamente maquiavélico!
— –
Arbeit macht frei!!
“O trabalho liberta”
Slogan Nazi que titulava a entrada de locais tristemente célebres como Dachau e Auschwitz-Birkenau

Ouro

Ao longo dos anos tenho ouvido muitos pregoeiros da utilidade.
Que o ensino deve ser útil.
Que uma pessoa deve ser útil à sociedade.
Que os lucros são úteis.

Pois a eles quero dizer que úteis são as vacas.
Servem para comer, para vestir e calçar (couro) e sei lá mais para quê.

Para que serve o Ouro?
Serve para comer?
Não!

Serve para vestir?
Não!

Serve para calçar?
Não?

Mas o Ouro tem valor! Olá se tem.

– – –
Na vida devemos procurar valorizarmo-nos, em lugar de ser úteis.

Úteis são os escravos.
Os homens de valor são livres.

Tristes Latitudes

Chegou-me à mão o seguinte desabafo, velho de séculos, pois Portugal repete o seu fado.

Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva:
O meu nome é Catarina Patrício, sou licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, fiz Mestrado em Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou doutoranda em Ciências da Comunicação também pela FCSH-UNL, projecto de investigação “Dissuasão Visual: Arte, Cinema, Cronopolítica e Guerra em Directo” distinguido com uma bolsa de doutoramento individual da Fundação para a Ciência e Tecnologia. A convite do meu orientador, lecciono uma cadeira numa Universidade. Tenho 30 anos.
Não sinto qualquer orgulho na selecção de futebol nacional. Não fiquei tão pouco impressionada… O futebol é o actual opium do povo que a política subrepticiamente procura sempre exponenciar. A atribuição da condecoração de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique a jogadores de futebol nada tem que ver com “a visão de mundo” (weltanschauung) que Aquele português tinha. A conquista do povo português não é no relvado. Sinto orgulho no meu percurso, tenho trabalhado muito e só agora vejo alguns resultados. Como é que acha que me sinto quando vejo condecorado um jogador de futebol? Depois de tanto trabalho e investimento financeiro em estudos?!! Absolutamente indignada.

Sinto orgulho em muitos dos professores que tive, tanto no ensino secundário como no superior. Sinto orgulho em tantos pensadores e teóricos portugueses que Vossa Excelência deveria condecorar. Essas pessoas sim são brilhantes, são um bom exemplo para o país… fizeram-me e ainda fazem querer ser sempre melhor. Tenho orgulho nos meus jovens colegas de doutoramento pela sua persistência nos estudos, um caminho tortuoso cujos resultados jamais são imediatos, isto numa contemporaneidade que sublinha a imediaticidade. Tenho orgulho até em muitos dos meus alunos, que trabalham durante o dia e com afinco estudam à noite….

São tantos os portugueses a condecorar…

e o Senhor Presidente da República condecorou com a distinção de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique jogadores de futebol… e que alcançaram o segundo lugar… que exemplo são para a nação? Carros de luxo, vidas repletas de vaidades… que exemplo são?!

apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,

Catarina

O avozinho e o BPN

Andava eu disfarçado a passear na baixa quando o avozinho veio ter comigo e disse:
– – –
Olha lá, já viste esta pulhice?
5000 milhões de euros a dividir por 10 milhões de tugas são 500 para cada um.
Eu e os meus filhos e netos pagámos vários milhares de euros.
Para quê? Para engordar meia duzia de corruptos?
Não foi para isto que a minha geração fez o 25 de Abril. Se tivesse a tua idade, REVOLTAVA-ME!
– – –
O avozinho com aquela idade anda a ver mal. Confundiu-me com uns dos netos, de certeza.