Apalpemos

palpar mamas

Apalpemos as mamas das mulheres que passam.
Todas.
Não apenas as nossas e as dos nossos amigos – por amizade – mas de todas.
Todas elas esperam a nossa dedicação… dedilhação.
Dedilhemos, então, as mamas das nossas amigas.
De todas as amigas que passam.
Passemos-lhes as mãos pelas mamas.
Mamemos-lhes os bicos.
Palpemos-lhes os peitos.
Petisquemos-lhes os bustos.

É um bem que lhes fazemos.
É um bem que nos fazemos.
Palpemos.

Assim falava Ivanoff

Só em Inglês, please!!

Entrevistaram-me, a mim, o famoso cientista, mas só quis responder em Inglês.
Fica aqui o cru relato:
– – –

Q: How in your view could researchers in Europe, of all backgrounds, to come together across borders and contribute actively to key issues?

A: Could be organized as a wide-ranging platform where everyone can make a RRFC (Research Request for Comments) on their research questions, goals and agendas. A peer reviewed journal should be set up from scratch to disseminate, trough portals like google scholar and libraries, the most active RRFCs. Equal footing should be allowed to basic research and applied research. An international panel, with a large expert spectrum (University research, industry research, legal, health, media, defense, …) should grade each RRFC and the top ones get no- red- tape funding.
—————————————————

Q: What in your opinion are the most urgent challenges (eg. economic, social, legal..) for the careers of researchers in Europe? And what could be done at EU level to tackle those challenges?

A: As Europe dwindles into recession and narrow politics, initiatives to boost science careers and activities are most welcome. Society needs jobs and needs science to create more jobs and to ease the associated workplace change trauma. Huge research boosting, science based public works projects should be addressed by the EU. These projects must be large science consumers instead of just large construction materials consumers. A project like the Apollo program comes to mind. We need to develop trans-generational project management capabilities. Failure to do so is not an option.
——————————————————

Q: What could be done to raise the recognition of the crucial role of research and the research profession in society?

A: Mass media involvement is the key to create public awareness of the crucial role of research and the research profession in society. Good story telling is a must, to turn dull archaeologists into Indiana Jones. Young talented researchers should be praised like rock stars are. The business of teen research can be managed like the teen music business. How many garage bands are up to something at this very moment? And how many garage researchers like Steve Jobs? Royalties from mass production should be the driving economic force. Let the young do the research and the elder the business plan.
——————————————————

Q: What is your personal motivation? What potential contribution could you set up?

A: I want my children’s children to have a future in a free world. Without good science no good solutions are at reach. Without solutions, crisis will deepen, jobless societies will become nightmares, food will be scarce and war will be imposed on us. That’s not good. I have hope in a bright future.
We need good projects goals, good project management and perseverance. That’s my point.
——————————————————

Q: A final comment, if any.

A: I’m looking forward to exchange visions and goodwill.

Caso clínico

Conto o seguinte caso clínico:

Um professor estava a explicar biologia para o quarto ano na escola.
“Os seres humanos são os únicos animais que gaguejam”, diz ele.

Uma menininha levanta a mão.
“Eu tinha um gato que gaguejava.”

O professor, sabendo como são preciosas algumas dessas histórias, disse à garota para relatar o incidente.

“Bem”, começou ela, “Eu estava no quintal com o meu gatinho, e então, o Rottweiler que mora ao lado, veio a correr e, antes que eu percebesse, pulou a cerca para o nosso jardim!”
“Então foi muito assustador”, disse o professor.
“Com certeza que foi”, disse a menina.

“O meu gatinho ergueu-se e começou a berrar, “ffffff!, ffffff!, fffffff”!!!… e antes que conseguisse dizer “Foda-se!”, o rottweiler comeu-o!

O professor teve que sair da sala e vir consultar-me.

1600

Dezasseis mil milhões de contos. Uma batelada de massa. Mil e seiscentos contos por cada português. Homem, mulher ou criança. É o dinheiro que nos vão emprestar.

Se há coisa que detestamos é mal-agradecidos. Se há coisa que destestamos é gente que vê problemas em tudo. Estamos fartos do discurso dos desgraçadinhos. Estamos fartos de gente que só vê problemas.

Para nós, dinheiro emprestado é dinheiro emprestado. Se alguém nos empresta é amigo. Se alguém nos empresta, é dinheiro para nós usarmos. Se alguém nos empresta, nunca mais o vê. São mil e seiscentos contos para cada português. Obrigado, mandem mais.

poligamia 4

Esta é mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: A poligamia está de volta. Uma certeza, para o Dr. Ivanoff. Terminou assim a nossa última conversa. Falou, ainda que vagamente, dos porquês e das funções da poligamia. Quer dar seguimento ao seu raciocínio?

Dr. Ivanoff: A poligamia está de volta porque é um sistema superior. Porque a monogamia não dá resposta às necessidades humanas. Porque não dá resposta às necessidades da família face à adversidade envolvente. Está de volta porque está aí uma crise que vai deixar à vista todas as fragilidades da monogamia.

Chornal: Prossiga, Dr.

Dr. Ivanoff: O casal monogâmico está metido num sarilho. Quer ter tempo para os filhos, mas não tem. Quer ter tempo para si, mas não tem. Quer ter rendimentos que lhe permitam viver confortavelmente, mas não tem. Quer ser capaz de lidar com o risco do desemprego de um deles, mas não consegue.

Chornal: É verdade.

Dr. Ivanoff: Neste momento, você tem famílias que vivem bem, mas que se um deles perder o emprego ficam à toa.

Chornal: É verdade.

Dr. Ivanoff: E é aí que entra a poligamia. A monogamia não dá resposta a problemas para os quais a poligamia tem respostas óbvias, evidentes, diria até, fáceis. Aquilo que para a monogamia é uma catástrofe é, no contexto de uma família poligâmica, um pequeno contratempo sem importância.

Chornal: Como?

Dr. Ivanoff: Você tem um casal monogâmico. O marido ou a mulher perde o emprego. Ficam aflitos com as contas para pagar que continuam a ser as mesmas. É uma situação complicada. A casa e o carro têm que continuar a ser pagos e as pessoas não têm como. Abandonámos a agricultura e as pessoas não podem ir resolver o assunto plantando mais umas coisas na horta.

Chornal: É verdade. A vida hoje é diferente daquilo que era há uns anos.

Dr. Ivanoff: E agora mais diferente. Agora, está aí uma crise para pôr a nu as fragilidades de todo um modelo que andámos a construir em tempos de fartura e de conforto. E é essa crise que, a curto prazo, vai levar as pessoas de volta à poligamia.

Chornal: A curto prazo, Dr.? Não acha que está a exagerar?

Dr. Ivanoff: De forma nenhuma. Os seres humanos são inteligentes e adaptam-se rapidamente se acharem que o precisam de fazer. Por outro lado, não é difícil, a poligamia faz parte da natureza humana, pelo que o processo poderá ser muito mais rápido do que o esperado e, sobretudo, menos complicado.

Chornal: Acha portanto que estamos inseridos numa dinâmica social que vai trazer de volta a poligamia substituindo a monogamia.

Dr. Ivanoff: Não é de uma substituição que se trata. Provavelmente, vão coexistir. Como sempre coexistiram, em maior ou menor grau. A própria sociedade monogâmica sempre defendeu o seu equilíbrio recorrendo a elementos típicos da poligamia.

Chornal: Podia explicar-se, melhor?

Dr. Ivanoff: Até que a morte vos separe. Sim, mas isso é insustentável. Quando as pessoas não querem, não querem mesmo. Aí surge o divórcio. Uma nova mulher, uma nova família. Na verdade, muitas vezes, duas famílias. A sociedade exige que o homem mantenha a protecção dos filhos da família anterior. O homem tem que sustentar, ou contribuir para o sustento, de duas famílias, de duas mulheres. As pessoas permanecem ligadas por uma rede de obrigações e afectos.

Chornal: Mais de obrigações do que de afectos.

Dr. Ivanoff: Errado. Para que as coisas corram bem, na educação dos filhos, os afectos têm que estar lá. Senão os mesmos afectos, pelo menos alguma forma de afecto, de estima, de consideração, ou do que lhe queira chamar, tem que estar presente.

Chornal: Mas está a falar de divórcio, ou seja, de duas famílias que coexistem, mas que vivem separadas.

Dr. Ivanoff: Infelizmente, em boa parte dos casos. Não ganham nada com isso. Têm muito mais a ganhar em viver juntas, se o conseguirem. Ou, pelo menos, próximas.

Chornal: Próximas? O que quer dizer com isso?

Dr. Ivanoff: Próximas, fisicamente. Devia ser proibido, ou quase proibido, que alguém se separasse e fosse viver a centenas de quilómetros dos filhos. Separou-se, sim, mas tem que estar ali perto, para o que der e vier. Para levar os filhos à escola. Para cuidar deles, se estiverem doentes. Para educá-los. Para tudo aquilo que antes fazia, tal e qual.

Chornal: Então tinham que ser vizinhos. Ou, pelo menos, viver no mesmo bairro.

Dr. Ivanoff: Sim, sempre que possível. Sempre que possível é a melhor solução.

Chornal: E se os pais não se dão?

Dr. Ivanoff: Se não se dão, devem ser multados. Se não se dão, devem fingir que se dão. Esta merda não deve ser fazer os filhos e abandoná-los. Consolou-se de foder, não é? Então agora tem que cuidar deles, é a ordem natural das coisas.

Chornal: Mas, e se os pais não se dão mesmo? Não me parece fácil obrigá-los.

Dr. Ivanoff: Aí é que está enganado. As sociedades sempre obrigaram os indivíduos às mais diversas coisas. Existem muitas maneiras de o fazer. Se o comportamento de um indivíduo é incorrecto, ou visto como incorrecto, a sociedade penaliza. Eu não estou a ver, por exemplo, que as mulheres conscientes e inteligentes aceitem um homem que abandonou a família anterior à sua sorte. Não se faz, é errado, e é um péssimo indicador do carácter do indivíduo. Por outro lado, se querem aquele indivíduo e ele tem as responsabilidades que tem, vão ter que aceitar a situação e lidar inteligentemente com ela. É o que milhares de pessoas fazem, todos os dias.

Chornal: Aí o Dr. chocou-me um pouco. Referiu-se ao abandono, ou afastamento, da família como um indicador do carácter do indivíduo. Existem situações e situações.

Dr. Ivanoff: Foi você que disse afastamento, não fui eu. Mas é a mesma coisa. Claro que existem situações e situações. Um indicador é isso mesmo, não é nada que possamos tomar por certo.

Chornal: Ok. Voltemos à poligamia. O que é que a poligamia tem que a monogamia não tem?

Dr. Ivanoff: Mais gajas. Essencialmente isso.

Chornal: Sim. Mas para além disso? Tem mais coisas?

Dr. Ivanoff: Tem. Claro que tem. É isso que me traz aqui. Já deu para perceber que as implicações da organização e da geometria familiar são muitas. As superioridades da poligamia são muitas, e um dia havemos de falar nelas, por agora queria apenas realçar aquilo que chamo de “resistência à intempérie”.

Chornal: Resistência à intempérie?

Dr. Ivanoff: Sim. É isso que, neste momento, com a crise, torna a monogamia difícil. É isso que a poligamia oferece naturalmente e que neste momento faz a diferença.

Chornal: Podia explicar-se?

Dr. Ivanoff: Sim. Claro. A crise de que tanto se fala é uma crise económica. Uma crise que afecta os rendimentos e uma crise que traz incerteza quanto às expectativas de futuro.

Chornal: É verdade.

Dr. Ivanoff: E a poligamia responde a isso tudo. A poligamia reduz os gastos com a habitação. Na verdade, reduz os gastos com comida, com vestuário, com brinquedos, etc., porque existe mais partilha. A poligamia optimiza recursos e disponibiliza recursos que de outra forma não estariam lá. A poligamia responde às necessidades face a um novo contexto que põe em causa o status quo de conforto e de segurança.

Chornal: Dito assim, parece fazer algum sentido.

Dr. Ivanoff: E a incerteza. A incerteza quanto ao futuro. As pessoas toleram uma descida no rendimento disponível, se souberem de quanto é e se souberem que é sustentável e que fica por ali. Mas o que não toleram é a incerteza. O que não toleram é a incerteza de que a descida nos rendimentos não fique por ali. A incerteza de não saberem se estão à altura das suas obrigações.

Chornal: O desemprego…

Dr. Ivanoff: O desemprego, pois. Um drama para uma família monogâmica cujas fontes de rendimento estão limitadas a dois adultos. Em que se um perder o emprego lá se vão 50% dos rendimentos. Eventualmente uma sorte para uma família com um homem e três ou quatro mulheres, em que se uma perder o emprego ficam com menos 20% dos rendimentos, mas todos ficam com mais tempo para os filhos, para cuidar da casa, para fazer as refeições, para cuidar da roupa e para si próprios.

Chornal: Então o Dr. acha que a poligamia vem aí, imparável.

Dr. Ivanoff: Mais ou menos. Todos nós gostamos de nos sentir como os outros, de não ser marginalizados.

Chornal: Ah! Temos aí um problema. E então?

Dr. Ivanoff: Então não sei. Não acredito que as pessoas venham dizer “agora lá em casa, com as minhas duas mulheres, vivo muito melhor”. As pessoas inteligentes não fazem isso. Fazem, mas não dizem.

Chornal: Sim. E então, face a isso, qual é o futuro que antecipa?

Dr. Ivanoff: O futuro não está escrito. Alguma coisa vai mudar, certamente. Cada um lá encontrará a solução que para si for mais aceitável.

Chornal: Muito bem. Estamos a chegar ao fim. Mais uma vez, queria agradecer-lhe a sua presença, Dr. Ivanoff.

Dr. Ivanoff: Obrigado, eu. Até à próxima.

poligamia 3

Esta é mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: A poligamia, mais uma vez. Sabemos que está disposto a trazer-nos mais uma vez o seu conhecimento e a sua perspectiva sobre este assunto. Vamos a isso?

Dr. Ivanoff: Antes de mais, boa-noite. Sim, claro, vamos a isso.

Chornal: Da última vez que abordámos este tema, o Dr. abordou pela primeira vez a perspectiva das mulheres sobre a poligamia. O que nos traz hoje?

Dr. Ivanoff: Para hoje, temos a sociedade face à poligamia, ou a poligamia face à sociedade, como queira. Da última vez, fez-me uma pergunta que ficou por responder, como muitas outras: “O que é que para si faz da monogamia uma má invenção?”. Dito por outras palavras: “Porque é que eu advogo que a poligamia é superior à monogamia”?

Chornal: Pois, é verdade. Perdemo-nos entretanto e o tema ficou esquecido.

Dr. Ivanoff: Pois. Mas por isso o trazemos aqui novamente, Porque é um tema fundamental, talvez o mais fundamental dos temas na nossa sociedade.

Chornal: Diga então de sua justiça, Dr. Ivanoff.

Dr. Ivanoff: Vou começar por algo que, aparentemente, não tem nada a ver. A China e a sua política de filho único. Em tempos, adoptou-se a chamada política de filho único, como forma de combater a explosão demográfica…

Chornal: Deixe-me elucidar os nossos leitores. A política de filho único significava que, na China, um casal não podia ter dois filhos. Uma política ditatorial que impunha a vontade do Estado à família. Uma política que teve como consequência que as filhas fossem mortas porque os casais desejavam ter filhos machos e ao terem uma filha perdiam essa possibilidade.

Dr. Ivanoff: Exactamente.

Chornal: E deixe-me acrescentar, Dr. Uma política que causou um desequilíbrio demográfico na China, onde existem neste momento menos 100 milhões de mulheres do que homens.

Dr. Ivanoff: Sim, é verdade. E eu não ia agora falar disso, mas peço-lhes que atentem nas consequências. Ali estão 1500 milhões de chineses, rebarbados, à procura de mulheres que não têm no seu espaço nacional. É um fenómeno de consequências geopolíticas incalculáveis. Mas não é disso que viemos falar hoje. Hoje estamos aqui para falar das implicações sociais das regras que se impõem à família

Chornal: Como? Não percebi exactamente.

Dr. Ivanoff: A China, com a política do filho único, fez com que deixassem de existir irmãos. E tios. E sobrinhos. E primos. É uma catástrofe a prazo. São essas redes que sempre existiram que protegem os seres humanos da adversidade. Até da adversidade da velhice.

Chornal: Sim. A prazo, a velhice é uma inevitabilidade. Convém estar preparado para ela. E acha que os chineses não estão?

Dr. Ivanoff: Definitivamente, não estão. Sem uma rede familiar tudo é mais difícil. A inexistência de uma rede dessas torna necessários sistemas de segurança social que a China não tem. E que custam dinheiro. E que são difíceis de manter, até porque a implosão demográfica que resulta do envelhecimento da população, ou seja, da política do filho único, é um estorvo à sustentabilidade da segurança social.

Chornal: Um fenómeno parecido àquele que se passou com o Japão nos últimos anos…

Dr. Ivanoff: Sim. Os japoneses que trabalhavam 500 horas por dia não fizeram filhos. Ou, pelo menos, não os fizeram em número suficiente. Hoje, o Japão é uma sociedade envelhecida. Não há PIB que resista a isso. Não há nada que resista a isso. Tudo se desmorona. Desmorona-se a capacidade produtiva, o poder económico, a influência política, a capacidade tecnológica, o poder militar, tudo. Não há nada que resista ao envelhecimento inexorável de uma população.

Chornal: E tudo isso, com implicações nas famílias.

Dr. Ivanoff: Claro. É esse o ponto. Todos aqueles velhos que trabalharam uma vida inteira ali estão, agora, sem ninguém que cuide deles. Ou antes, o velho cuida da velha e vice-versa, enquanto os dois estiverem vivos. E depois é um problema, para eles e para a sociedade em que se inserem.

Chornal: É verdade. China, Japão, parece-me que nos estamos a afastar do tema da poligamia. Estamos, Dr.?

Dr. Ivanoff: Não, de forma nenhuma. Estamos mais perto dele do que nunca. Aquilo que venho aqui dizer hoje é que existe uma interacção entre as políticas familiares, o desenvolvimento e, sobretudo, a satisfação das necessidades de segurança.

Chornal: Ah! Mas não vejo ainda aí a poligamia.

Dr. Ivanoff: Não vê porque não quer. Não vê porque lhe lavaram o cérebro com detergentes rascas. Não vê porque foi escolarizado e educado e essas coisas todas que não lhe fazem falta nenhuma.

Chornal: Ah! Já cá faltava a sua indignação contra a escola e a educação e as coisas todas que não fazem falta nenhuma.

Dr. Ivanoff: Não vê porque alguém lhe apresentou sempre a poligamia como uma coisa exótica, como uma coisa de uns incivilizados de outra parte do mundo muito, muito distante. Não vê porque se esqueceram de lhe explicar as consequências nefastas do abandono da poligamia. Não vê, porque de todas as vezes que lhe falaram de poligamia se esqueceram, intencionalmente, de lhe explicar os porquês da poligamia.

Chornal: Elucide-me, ou antes, elucide-nos então.

Dr. Ivanoff: A poligamia é como a tribo. As sociedades tradicionais não se organizavam em casais. Um casal não resiste sozinho à intempérie, ao frio, à fome, aos animais selvagens, etc. A vida primitiva era dura. Não se compadecia com individualismos.

Chornal: Mas o casal não é individualismo. São dois.

Dr. Ivanoff: O casal é o caminho do individualismo.

Chornal: Como?

Dr. Ivanoff: A tribo, a família poligâmica, o casal, a família monoparental e o indivíduo que vive só, sem família e sem filhos são diversos graus do individualismo, correspondem a níveis de individualismo crescente.

Chornal: Ah!

Dr. Ivanoff: Não me interrompa. O individualismo é suportado pela melhoria das condições de vida, pelo facilitismo. O individualismo vê-se ameaçado sempre que as condições de vida se tornam mais difíceis. O individualismo que vivemos é, na origem, essencialmente americano, pois é a primeira sociedade de fartura, em que o indivíduo facilmente sobrevive sózinho com algum conforto sem precisar de ninguém.

Chornal: Não precisar de ninguém, para nada, assim haja dinheiro. Nem para ter filhos. Temos hoje as estrelas que têm filhos alugando as barrigas de uma pessoa qualquer, como aquela gaja do Sexo e da Cidade…que não tem tempo para ter a criança na barriga e então paga a outra para emprenhar por ela.

Dr. Ivanoff: Exactamente. Esse individualismo só pode ser suportado por uma sociedade de riqueza, de conforto, uma situação anómala na história da humanidade, uma situação que contraria, de certa forma, a natureza da humanidade.

Chornal: E então?

Dr. Ivanoff: E então, temos aí uma crise. Graças a Deus. Uma crise que destrói as bases de uma sociedade que se permite ser individualista. Os próximos tempos são de dificuldades. Os próximos tempos são de uma deslocação no eixo individualismo-colectivismo, de que fala Hofstede. Os próximos tempos são de um regresso a estruturas familiares mais alargadas. A poligamia está de volta.

Chornal: Acha, Dr.?

Dr. Ivanoff: Tenho a certeza.

poligamia 2

Esta é mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: Estamos de volta ao tema poligamia, o seu tema favorito. Para quem nos ouve pela primeira vez, avisamos que o dr. Ivanoff é um adepto da poligamia. Terminámos a última conversa sobre poligamia com a sua frase: “todos esses gajos que se afirmam de conservadores em matéria sexual não passam de uns aldrabões. São uns modernaços disfarçados de conservadores. Afirmam-se conservadores, porque isso é uma forma de se legitimarem, de se dizerem assentes numa tradição. Eu é que sou conservador. A poligamia chegou primeiro…”. Presumo que não mudou de opinião deste então.

Dr. Ivanoff: Pois, não mudei. Como lhe disse, a poligamia está com a espécie humana, e muitas outras, há milhares de anos. A monogamia foi uma coisa inventada à pressa.

Chornal: Sim, mas as coisas inventam-se também. O que é que para si faz da monogamia uma má invenção?

Dr. Ivanoff: Para mim, nada. Para si e para os outros é que é uma má invenção.

Chornal: Para si não é uma má invenção? Agora não percebi.

Dr. Ivanoff: Para mim tanto se me dá, amigo. Eu faço o que quero. E não quero saber dessas regras para nada.

Chornal: Ah! Já percebi. Então sempre é verdade aquela história que se contava de o dr. dormir com 3 ou 4 mulheres na cama? O dr. sempre disse que isso era mentira, mas agora parece que abre uma porta noutro sentido.

Dr. Ivanoff: Uma porta e as janelas todas.

Chornal: Ah! Já percebi. Então conte lá. Porque é que dormia com 3 ou 4 mulheres na cama? Já agora, diga lá, quantas eram mesmo?

Dr. Ivanoff: Três, usualmente três.

Chornal: E porquê três?

Dr. Ivanoff: Porque sim. Três porquê? Quer que lhe faça um boneco? Por causa da temperatura, sobretudo por causa da temperatura. Os animais protegem-se assim do frio desde há milhões de anos.

Chornal: Então e um aquecedor não serve?

Dr. Ivanoff: Sim, serve para estragar o planeta. Os aquecedores são uma porcaria anti-ecológica e desnecessária. Não contem comigo para futebóis desses quando existem soluções muito mais naturais.

Chornal: E mais agradáveis, pelo menos para o homem.

Dr. Ivanoff: Sim, claro.

Chornal: Quanto a isso estamos de acordo. Mas isso traz à baila outro problema. Como é que acha que as mulheres vêem a poligamia?

Dr. Ivanoff: Ouça lá. Eu não quero saber se você está de acordo. Você é um aprendiz, um zé-ninguém, e não digo um merdas porque estou bem-disposto.

Chornal: Desculpe, sr. Dr.

Dr. Ivanoff: Está melhor assim. Perguntava você como é que as mulheres vêem a poligamia?

Chornal: Sim, dr., elucide-nos lá.

Dr. Ivanoff: Bem, vou-lhe dizer que a maioria das mulheres são adeptas da poligamia. E as que não são não são grande coisa, por motivos de que falaremos mais tarde.

Chornal: Adeptas da poligamia? Como chegou a essa conclusão?

Dr. Ivanoff: Cheguei lá pelo estudo, muito estudo, pela observação e também pela observação participante. Mas para si simplifico-lhe a realidade. Está a ver o Cristiano Ronaldo? As gajas todas querem o Cristiano Ronaldo. O Cristiano Ronaldo podia emprenhar 2 ou 3 gajas por mês, nas calmas. Acha que alguma gaja se incomoda por o Cristiano ter aviado 4 ou 5 gajas no último mês? Não, até acham piada. Na verdade, o Cristiano Ronaldo podia até exportar esperma. A natureza feminina é assim.

Chornal: Percebo onde quer chegar. Os homens não exibem igual entusiasmo por uma gaja que tenha aviado meia dúzia de gajos no último mês. Mas as mulheres parecem não se incomodar, na verdade.

Dr. Ivanoff: Vou-lhe dar mais um exemplo. O Muhamad Ali tem 9 filhos. O George Foreman tem 10 filhos. E o Holyfield, sabe quantos tem? Onze. Onze, ouviu?

Chornal: Está bem. Mas está a falar de estrelas. E para o comum dos mortais como é? Acha que isso também vale?

Dr. Ivanoff: Claro que vale. Se você comer uma gaja e mais a amiga vai ver que as outras amigas todas vêm logo para cima de si. Algumas ainda vêm a mais de cem metros de distância e já vêm a pingar.

Chornal: Não está a exagerar um pouco dr.? Isso é sempre assim?

Dr. Ivanoff: Sempre, sempre, não é, claro. Mas é quase sempre. Aquilo é como a ISO 9000. Se você come as primeiras duas depois tem o chouriço certificado. E se já está certificado é porque é bom. Até lhe digo mais, há gajas que só lá vão depois de as amigas irem. São gajas espertas que não estão para correr riscos nem para aturar palermas e azelhas.

Chornal: Bem, hoje há aprendemos bastantes coisas. Estamos a aproximar-nos do fim. Mas não queria acabar sem ter a resposta a algo que disse anteriormente. Disse que “as mulheres que não são adeptas da poligamia não são grande coisa”. Isso é grave e, com todo o respeito que dr. me merece, não me parece muito fundamentado. O que quer dizer com isso?

Dr. Ivanoff: Na verdade, uma mulher que não quer outra lá em casa é uma gaja com propensão para embirrar e o melhor que você tem a fazer é livrar-se dela quanto antes. Começam a embirrar com as outras mulheres e acabam a embirrar com os homens, é um mau começo.

Chornal: Ah! O Dr. é pelo estilo mulher dócil, já vi.

Dr. Ivanoff: Sem dúvida.

Chornal: Muito bem. Mais uma bela sessão com o Dr. Ivanoff. Estamos a chegar ao fim. Mais uma vez, queria agradecer-lhe a sua presença. Obrigado. Até breve.

Dr. Ivanoff: Até à próxima.

Chornal: E pronto. Até à próxima. Desta vez deixamos os nossos leitores com uma música cantada por uma mulher de voz dócil.

conversando sobre o natal

Esta é mais uma das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento. O Dr. Ivanoff é é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: Bem-vindo dr. Ivanoff. Aqui estamos mais uma vez, para mais uma das suas irregulares mas sempre bem-vindas contribuições. Vamos então falar do natal, não é?

Dr. Ivanoff: Mais ou menos. Sim, do natal.

Chornal: Então fale-nos lá do natal.

Dr. Ivanoff: Bem, existem, ou existiram, muitos natais. Hoje existe essencialmente o natal das crianças e o natal dos outros. Para as crianças, e de certo modo para os que têm crianças, o natal continua a ser genuíno, porque o natal é uma festa de crianças.

Chornal: E o natal do ponto de vista religioso? Do ponto de vista da fé?

Dr. Ivanoff: A criança, por ser criança, tem sempre uma fé.

Chornal: Estranho. Pensava que a fé era uma coisa muito séria, que exigia maturidade, não a via como coisa de crianças. Mas que fé é essa que diz que as crianças têm?

Dr. Ivanoff: Fé nos presentes. As crianças têm uma fé tremenda nos presentes.

Chornal: Ah! Isso.

Dr. Ivanoff: E acha pouco? Para uma criança, o presente é uma confirmação de que gostam dela. De que a ouvem. De que têm em conta a sua opinião. Até uma confirmação de que têm condições para cuidar dela.

Chornal: E para os adultos, não é assim também?

Dr. Ivanoff: É um bocado diferente. Ser adulto é também ser independente. Ou, pelo menos, menos dependente. De tudo. Dos bens materiais, dos afectos, das opiniões dos outros, de tudo. Um adulto é, por definição, um sistema mais estável. Um sistema que já não se alimenta da permanente confirmação dos outros.

Chornal: Mas a confirmação dos outros é sempre importante.

Dr. Ivanoff: Tem o seu lugar. Mas não pode ser muito importante. Não podemos ter muitas coisas importantes. Se tudo é importante, nada é importante.

Chornal: E você? Festeja o natal?

Dr. Ivanoff: Não. Deixei-me disso há muitos anos. Dou sempre presentes às crianças. Mas fico-me por aí. Não compro coisas para mim. Nessa altura está tudo muito caro. Aborrece-me ser roubado.

Chornal: Então não gosta mesmo da época natalícia?

Dr. Ivanoff: Pelo contrário. É uma excelente época do ano. Diria mesmo que é uma das melhores épocas do ano.

Chornal: Sim!? Porquê?

Dr. Ivanoff: O Natal é uma grande época para gajas. É vê-las andar por aí todas arranjadas e com o cio. É um espectáculo, não é como a porcaria das luzes de natal. Isso é que verdadeiramente faz a época mais bonita.

Chornal: Nunca tinha pensado nisso dessa forma. A que atribui isso?

Dr. Ivanoff: Antigamente pensava que era o optimismo da época, mais dinheiro nos bolsos, as mulheres sempre gostaram de compras. Depois, percebi que não. Que era mesmo assim.

Chornal: Mesmo assim, como?

Dr. Ivanoff: Sempre se fizeram festas nesta época, mesmo antes de haver natal. É meu dever como antropólogo sexual elucidá-lo disso.

Chornal: E acha que essas festas têm alguma coisa a ver com esta festa?

Dr. Ivanoff: Para mim têm. Quando descobri isso, há muitos anos, passei a entender melhor os comportamentos da fêmea nesta época. Foi uma grande descoberta. Muito útil.

Chornal: Útil?

Dr. Ivanoff: Sim. Este é um período realmente natalício, no sentido de propício a nascimentos. Ou ao que está antes deles.

Chornal: Antes deles como?

Dr. Ivanoff: Percebi que esta é uma das alturas do ano em que a fêmea está mais receptiva. É uma sazonalidade, como muitas outras. Desde então que nesta época quase todos os anos arranjo um par de gajas que me abocanhem o chouriço. É muito bom. Com duas é muito melhor. Noutra altura do ano isso é muito mais difícil de conseguir.

Chornal: Ao mesmo tempo?

Dr. Ivanoff: Sim, sim. Ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo é que é.

Chornal: E assim quase que voltámos ao tema da poligamia, o nosso tema de sempre.

Dr. Ivanoff: É verdade, o mundo dá voltas e voltamos sempre ao mesmo, à sua vibração fundamental.

Chornal: Então voltamos em breve para falar de poligamia.

Dr. Ivanoff: Pode ser.

Chornal: Bom Natal para si, Dr. Ou, talvez seja melhor dizer, bom whatever.

Dr. Ivanoff: Pode ser. Para si também.

Sugar a seiva

Chornal do Inacreditável – Então, Dr.Ivanoff? Convocou-nos para esta entrevista urgente em tempo de férias? Que assunto tão importante é que nos traz aqui?

Dr. Ivanoff – É sobre o mijo.

Chornal do Inacreditável – O mijo, Dr. Ivanoff? Olhe que o Chornal é uma publicação familiar. É lido dos 7 aos 77 anos. Não pode ser um pouco mais cuidadoso com as palavras?

Dr. Ivanoff – Está bem. Não é sobre o mijo, é sobre mijar.

Chornal do Inacreditável – Parece que estamos na mesma. Mas explique-se melhor aos nossos leitores.

Dr. Ivanoff – A mensagem de hoje é simples, mas muito importante e só para homens.

Chornal do Inacreditável – Só para homens? Dr. Ivanoff, não se esqueça de que somos um chornal pluralista e que todos os sexos são tratados de igual forma…

Dr. Ivanoff – Mas é mesmo apenas para homens. Ou para todos os humanos que têm pénis.

Chornal do Inacreditável – Ah!…

Dr. Ivanoff – A primeira regra da cartilha de sexo do Dr. Ivanoff (eu) recomenda que, quando um homem vai mijar ao ar livre, agarre bem a pila com uma mão (ou duas, ou três, se estiver calor) não vá aparecer um cão, ou uma loba, e tentar comê-la… Muito embora as lobas tenham mais tendência para apenas chupar o tutano…

Fecundar

Nesta quarta conversa do Chornal com o Dr. Ivanoff, vamos falar de sexo, para variar. O tema de hoje é um tema sério. Vamos falar de fecundar. O Dr. Ivanoff é um cientista de sexo antropológico de renome galáctico (sim, galáctico: já comeu uma marciana bem verdinha)… Mas passemos à nossa entrevista de hoje.

Chornal: Boa noite, Dr. Ivanoff. Fale-nos do tema que nos traz aqui hoje. O que é isto de fecundar?

Dr. Ivanoff: Fecundar é o termo erudito de foder.

Chornal: Desculpe, Dr. Ivanoff, mas não acha que devia ter mais cuidado com o vocabulário? É que este Chornal é lido também por senhoras…

Dr. Ivanoff: As senhoras também gostam de foder. Gostam mesmo mais de foder do que de fecundar. Foder até partir a loiça toda.

Chornal: E como explica isso? Há alguma razão científica para esse facto?

Dr. Ivanoff: Mas é natural. Foder não invalida fecundar, mas fecundar pode invalidar foder.

Chornal: Espere lá… como é que é? Não percebi nada. E onde é que está a ciência dessa justificação?

Dr. Ivanoff: A ciência está na relação causa-efeito: uma coisa não implica a outra, mas a segunda já implica a primeira. Passe aí mais uma cerveja.

Chornal: ?! Bem… talvez me devesse ter preparado melhor para esta entrevista… mas, avancemos. Explique, por favor, aos nossos leitores o que é fecundar, qual o melhor método, quais os acessórios mais adequados…

Dr. Ivanoff: O mais importante é o instrumento: deve estar bem limpo e direito. Se notar alguma curvatura anormal, endireite-o com um martelo…

Chornal: Um martelo, Dr. Ivanoff? E isso não dói? Aconselha mesmo esse método aos nossos leitores?

Dr. Ivanoff: Claro que aconselho. Um instrumento torto não serve para nada: não consegue abrir um rego em condições. O instrumento deve ser bem martelado em cima de uma bigorna até ficar direito e hirto.

Chornal: Se o Doutor o diz… E depois?

Dr. Ivanoff: E depois, segura-se o instrumento firmemente e abre-se o rego. Se for necessário, força-se. O instrumento tem que entrar bem fundo no rego, que deve estar húmido, e deixar lá dentro a semente. Está a acompanhar? Passe aí a garrafa do absinto.

Chornal: Bem… estou um pouco confuso, mas adiante.

Dr. Ivanoff: Dez dias depois já se pode fazer o teste para avaliar se a fecundação teve sucesso.

Chornal: E que teste é esse? Pode explicá-lo aos nossos leitores?

Dr. Ivanoff: Claro que posso. É para isso que me pagam, não é? O teste é simples. Passa-se com a mão junto ao rego e já se devem notar uns pequenos pelinhos à superfície. Se não, abre-se o rego novamente e deposita-se mais adubo.

Chornal: Agora é que estou completamente perdido. Que história é essa dos pelinhos e do adubo? Que teste de gravidez mais esotérico é esse, Dr. Ivanoff? Eu sei que os leitores o idolatram e o chefe da redacção idem, mas não acha que está a abusar?

Dr. Ivanoff: Gravidez? Mas qual gravidez? Eu vim falar de agricultura e da fecundação da terra.

Chornal: Bem… Não faz mal. Podemos sempre incluir esta entrevista na secção das anedotas.

Dr. Ivanoff: Ou a forrar o caixote do lixo, que é onde as folhas do vosso Chornal ficam melhor…

Chornal: E ficamos por aqui hoje, caros leitores. Boa noite.

Dr. Ivanoff: poligamia

Esta é a terceira das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: Bem-vindo Dr. Ivanoff. Esta é a nossa terceira conversa. Da última vez falámos de diversos factores tais como sociedade, escola, educação, etc., que participam na construção do pensamento social sobre o sexo. Já perto do fim, falou-nos de poligamia. Fiquei com a impressão de que tem muito para dizer ou para ensinar sobre esse tema.

Dr. Ivanoff: Sim, para ensinar, mais para ensinar do que para dizer. A minha esperança é que não seja preciso dizer muito para ensinar bastante. A poligamia é um tema sobre o qual existe muito para ensinar numa perspectiva antropológica. Antes de mais, não existe poligamia. Existem poligamias. E você já devia saber disso.

Chornal: Já estava à espera.

Dr. Ivanoff: A poligamia é um tema fascinante. Vivemos numa sociedade que ostraciza a poligamia com uma radicalidade desmesurada. A poligamia é um dos poucos comportamentos sexuais, agora diz-se orientações, que persistem em habitar o código penal. A poligamia é sinal indiscutível de inferioridade das culturas, civilizações e regimes que a permitem. A poligamia é realmente uma coisa feia. É uma das poucas preversões sexuais que nos restam, ou pelo menos é tratada assim. É tão feia, tão feia, que os nossos intelectuais da sexualidade só a abordam de forma marginal, como uma coisa da qual riem.

Chornal: Realmente, é verdade.

Dr. Ivanoff: Repare-se que não precisam de rir da homossexualidade, do divórcio, do sexo anal ou de outra coisa qualquer. Mas da poligamia precisam rir, ou, pelo menos, sorrir. É requisito aliás, da sua respeitabilidade.

Chornal: Que o Dr. dispensa, parece-me…

Dr. Ivanoff: Em absoluto.

Chornal: Como chegámos a essa situação, na sua opinião? Refiro-me a essa situação de ostracizaçao da poligamia no discurso dos nossos intelectuais…

Dr. Ivanoff: Diz bem: chegámos. É esse que deve ser o ponto de partida da nossa conversa sobre poligamia. “Chegámos” quer dizer que não foi sempre assim. Há dois mil anos atrás a poligamia era uma instituição respeitável e, de repente, deixou de o ser. Essa é que é a verdade.

Chornal: O Dr. tem um conceito de “de repente” um bocado estranho. Dois mil anos não é propriamente de repente.

Dr. Ivanoff: Sim, mas não foi em dois mil anos que deixou de ser respeitável. Foi em bastante menos tempo. Umas centenas de anos, o que é um espaço de tempo curto, à escala da própria evolução da humanidade. Esta última é que é a questão fundamental. E é esta a diferença fundamental entre as perspectivas a que está habituado e a minha.

Chornal: Refere-se à sua perspectiva de antropólogo sexual, presumo.

Dr. Ivanoff: Exactamente. É que eu não sou sociólogo ou psicólogo, ou médico, ou uma qualquer dessas coisas que, sem o saber, se preocupam com uma perspectiva do sexo que é síncrona com o tempo em que vivem. A perspectiva do antropólogo sexual é uma perspectiva que, além de holística, tem uma relação com o tempo que é, pelo menos, diferente.

Chornal: Porque é que diz “pelo menos”.

Dr. Ivanoff: Porque nunca sabemos onde é que estas coisas chegam. Sei que é diferente, mas ninguém sabe em rigor a extensão das consequências dessa diferença. Sinto-me mais próximo de uma certa intemporalidade, embora intemporalidade seja um termo obviamente demasiado forte. Nada é intemporal, nem a natureza humana. Mas digamos que para o antropólogo sexual o tempo, ou seja, as modas, passam mais lentamente, muito mais lentamente.

Chornal: E isso tem consequências?

Dr. Ivanoff: Claro que tem. É nessa perspectiva que abordo a poligamia. Uma perspectiva que choca o establishment, mas que na verdade é uma perspectiva conservadora.

Chornal: Perspectiva conservadora, a sua?

Dr. Ivanoff: Com certeza. Como antropólogo sexual a minha perspectiva só podia ser esta. É uma perspectiva conservadora, no sentido em que se assenta no reconhecimento da poligamia como a tradição sexual dominante mais antiga, mais antiga que qualquer das orientações sexuais posteriormente inventadas e, certamente muito mais antiga do que a tradição monogâmica.

Chornal: Tem provas disso ou estamos perante uma espécie de conhecimento filosófico de carácter predominantemente especulativo?

Dr. Ivanoff: Claro que tenho provas disso, mas também podemos deixar isso para depois. Agora o que parece importante é definir esta perspectiva que designo por conservadora, e que é a minha perspectiva relativa aos temas do sexo.

Chornal: Costuma dizer que é uma perspectiva “duplamente conservadora”. Quer esclarecer os nossos leitores sobre o que quer dizer com isso? Em que sentidos é que se vê como conservador?

Dr. Ivanoff: Conservador no sentido de alguém que cuida de um património. Conservador tal como alguém que cuida de um museu ou de um ecosistema. Antes de mais sou um conservador nesse sentido. Vejo-me como conservador como outros em áreas distintas. Todos nós, conservadores, nesse sentido, somos pessoas que procuram salvaguardar algo, ou uma parte de algo, face a uma destruição eminente pelo passar do tempo, pelas mudanças sociais ou ambientais, pelos valores mercantilistas, eticistas ou outros.

Chornal: Percebi. Daí aquele seu comentário crítico face à história da menina de 10 anos que se divorciava no Iemen…

Dr. Ivanoff: Sim. Por muito que isso custe a alguns ouvidos mais sensíveis, faz-me lembrar aquelas intervenções humanas desajeitadas em ecosistemas de que se tem apenas um conhecimento parcial. Não digo que não devem ser feitas, em absoluto…

Chornal: Então, o que quer dizer exactamente?

Dr. Ivanoff: Digo que usualmente se subestimam os riscos da intervenção. Devia-se ter em conta um qualquer princípio de precaução, à semelhança dos ecosistemas. Existem seres humanos que são objecto de uma intervenção, ocidental, que tem um carácter ideológico, mesmo quando a bondade dessa intervenção é indiscutível. O que não se diz frequentemente é que esses seres humanos são na verdade cobaias dessa intervenção e, não menos importante, que os riscos que esses seres humanos correm são riscos acrescidos face àqueles que os seus pares efectivamente correm. O que não se diz frequentemente é que o interventor que está lá hoje não estará lá amanhã para dar o suporte que entretanto se tornou necessário e que os media esquecerão aquela história à velocidade da luz porque é esse o tempo da nossa civilização.

Chornal: Percebi. Discordo, mas percebi.

Dr. Ivanoff: Está bem.

Chornal: Estávamos a falar da sua perspectiva duplamente conservadora. Uma delas então é esta perspectiva museológica ou conservacionista. Em que outro sentido se vê como conservador?

Dr. Ivanoff: Conservador numa perspectiva de ética sexual, também.

Chornal: Conservador numa perspectiva de ética sexual? Não vê essa sua afirmação como colidindo com o nosso sentido habitual de conservadorismo sexual?

Dr. Ivanoff: Sim, certamente, mas todos esses gajos que se afirmam de conservadores em matéria sexual não passam de uns aldrabões. São uns modernaços disfarçados de conservadores. Afirmam-se conservadores, porque isso é uma forma de se legitimarem, de se dizerem assentes numa tradição. Eu é que sou conservador. A poligamia chegou primeiro, a monogamia foi inventada ontem, ou anteontem, na melhor das hipóteses.

Chornal: Humm. Acho que pela primeira vez deixámos aqui qualquer coisa séria sobre poligamia. Já o andávamos a prometer há várias sessões. Acho que estamos condenados a voltar a este tema. Por hoje, o nosso tempo está a chegar ao fim. Vamos despedir-nos por hoje dos nossos ouvintes?

Dr. Ivanoff: Sim. Estão despedidos.

Chornal: Dr.!… Você também tem umas piadas foleiras.

Dr. Ivanoff: Desculpe. Boa noite então para todos.

Chornal: Boa noite. Assim está melhor.

Updike

Morreu o João Caralho Elevado, grande escritor norte-americano do pós-guerra. Um especialista em sexo, tal como eu, mas que teve o azar de morrer logo agora que as mini-saias começam a ficar mais curtas que as cuecas. Autor de “Quem tramou Roger Rabbit“, o célebre filme pornô para crianças, argumentista da saga das Super Vixens sob pseudónimo, e emprenhador da Mariel Hemingway (eu também a comia, se a apanhasse) em Manhatten. Jean HiDick foi sempre um outsider em Hollywwod, tendo inclusive feito papéis de travesti em As Mulherzinhas. O Chornal vai sentir a falta de Giovanni CazzoAlto.

Reunimo-nos amanhã para comemorar?

Viva o João Caralho Elevado

Vivam as miúdas descascadas

Viva o Dr. Ivanoff

Dr. Ivanoff: sexo em tempo de crise financeira (parte II)

Esta é a segunda das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: Dr. Ivanoff, sendo esta a nossa segunda conversa, talvez pudéssemos começar por resumir aos leitores um pouco da primeira conversa, Que lhe parece?

Dr. Ivanoff: Olá. Boa noite para si e para os leitores. Acha que se deve fazer um resumo da primeira lição, não é? Não acha isso um bocado escolar demais? Está bem. Desde que seja você a fazê-lo.

Chornal: Está bem. Então eu diria que na primeira conversa prometemos ao leitor que íamos falar de sexo e crise financeira mas acabámos a falar de outras coisas, como sempre. Lembro-me da nossa tentativa de definir o domínio da antropologia sexual. Lembro-me também das suas reservas relativamente à definição de problemas e, lembro-me, por fim, que terminou falando da importância de seguir o instrumento.

Dr. Ivanoff: Acho que esteve atento na lição. Está aprovado.

Chornal: Então por onde começamos hoje, Dr. Ivanoff? Que tal começarmos pelo fim da última sessão? Não lhe parece um pouco radical essa afirmação de seguir o instrumento? Está-se a falar do instrumento sexual. Recomenda mesmo que se siga o instrumento a todo o custo?

Dr. Ivanoff: Eu disse isso?

Chornal: Acho que sim. Pelo menos foi a ideia com que fiquei.

Dr. Ivanoff: A ideia com que queria ficar. É mais o que me parece.

Chornal: Peço desculpa (risos). Então esclareça-me lá. Volto então a fazer a pergunta. Acha mesmo que se deve seguir o instrumento a todo o custo?

Dr. Ivanoff: Acho que há que ter respeito pelas indicações que dá. Muito respeito. Como diz o povo, o respeito é muito bonito. Não lhe estou a dizer para o fazer a todo o custo. Isso seria uma patetice. Existem demasiadas situações em que fazer o que o instrumento manda traz mais problemas do que o razoável.

Chornal: Não o reconheço. Agora o Dr. Ivanoff parece-me estranhamente moderado. Diga-me lá: teve alguma má experiência recentemente? (risos)

Dr. Ivanoff: Ah!Ah! Então agora é você o terapêuta? Ainda tem muito que aprender. Isso não se faz assim. Vá lá para a escola que só lhe faz é bem. Ainda tem muitas papas que comer.

Chornal: Pronto. Já percebi Volto humildemente para o meu lugar de aprendiz. Continue lá, doutor.

Dr. Ivanoff: Está melhor. Baixe lá a bola que só lhe faz bem…

Chornal: Não bata mais. Já chega, doutor. Pronto, estiquei-me. Já lhe aconteceu certamente.

Dr. Ivanoff: Voltemos então ao fundamental É certo que seguir o instrumento traz problemas. Não o seguir também os traz. Para lhe chamar a atenção para os problemas de não seguir o instrumento estou cá eu. Para lhe chamar a atenção para os problemas de seguir o instrumento está cá todo o resto da sociedade, a escola, a sua educação, tudo o resto.

Chornal: É por isso que não se preocupa com os problemas que decorrem de seguir o instrumento.

Dr. Ivanoff: Exactamente. Não me preocupo em falar desses problemas. Para isso estão cá outros. Tenho uma noção muito exacta do meu papel. É um papel que tenho por bem definido.

Chornal: Referiu o resto da sociedade, a escola, a sua educação, tudo o resto. São os seus inimigos? (risos)

Dr. Ivanoff: Alguns deles. Existem outros. O vizinho do lado que tem um cão que não se farta de ladrar, o sócrates, o polícia que quer que eu ande com os documentos, a direcção geral dos impostos, o despertador. Essa merda toda. Desculpe. Agora fui eu que me excedi.

Chornal: Já vi que sim. Voltemos então ao fundamental, como disse. Voltemos às tais forças que desconsidera: a sociedade, a escola, a educação, etc. Esqueci-me de alguma?

Dr. Ivanoff: Muitas. Não mencionou a religião por exemplo. E a religião é uma das maiores.

Chornal: O que é que tem contra a religião?

Dr. Ivanoff: A religião é um fenómento complexo. Prefiro não falar da religião. Aliás, não existe uma religião, mas religiões, tantas como as pessoas que as têm, porque uma religião nunca é igual quando passa de umas pessoas a outras. Não gosto muito de falar da religião que as pessoas têm. Tenho um certo respeito por essa. Gosto mais de falar da religião que as pessoas pensam que têm.

Chornal: Pensam que têm?

Dr. Ivanoff: Sim. Dou-lhe um exemplo. Algúem pensa que a monogamia é que está bem porque lhe ensinaram isso na sua religião. E é mentira. A religião desse alguém é poligâmica e ele não sabe. Como é que isso se passa? Sei lá. Sei é que na Bíblia os indivíduos poligâmicos eram vistos como pessoas de bem. Não eram discriminados, como se diz hoje, por causa disso. E o mundo dá muitas voltas e, não sei como – ou antes, sei – as pessoas dão hoje consigo perante um discurso religioso que ostraciza a poligamia.

Chornal: Sei que faz da poligamia um cavalo de batalha.

Dr. Ivanoff: Não diria tanto. Estas coisas não se resolvem com batalhas. Mas é verdade que me escandaliza um bocado a maneira como se hostiliza a poligamia. É uma manifestação de ignorância fundamental: uma ignorância histórica, sociológica e sobretudo antropológica.

Chornal: Humm. Acho que a poligamia dava um bom tema para a próxima sessão. Estou a dizer isto porque está na hora de terminarmos por hoje e me parece que o tema tem muito mais para dar. Podemos ter a poligamia como tema para a próxima sessão?

Dr. Ivanoff: Claro que sim. Vamos a isso. Eh!Eh! Não vamos deixar pedra sobre pedra….

Chornal: Então boa-noite Dr. Ivanoff. Até breve.

Dr. Ivanoff: Então boa-noite e até breve também. Sigam o instrumento.

Conversas com o Dr. Ivanoff – n.º 1

Esta é a primeira das conversas do chornal com o Dr. Ivanoff. O chornal regozija-se com a oportunidade de ter consigo este convidado, um cientista de craveira internacional, uma referência na sua área de conhecimento.O Dr. Ivanoff é é um perito em antropologia sexual, um domínio relativamente desconhecido do público.

Chornal: Dr. Ivanoff, sendo esta a nossa primeira conversa, talvez pudéssemos satisfazer a curiosidade do público definindo o que se entende por antropologia sexual. Que lhe parece?

Dr. Ivanoff: Boa noite. Antes de mais, sou eu que agradeço o convite para estar aqui. É com imenso prazer que descubro existirem neste chornal pessoas que de alguma forma partilham os mesmos interesses que eu. Na verdade, sou também vosso leitor e aprecio o vosso trabalho, por isso sinto que este vosso convite corresponde de certa forma a um reconhecimento recíproco, o que é sempre agradável. Qual era sua pergunta, desculpe?

Chornal: Ah! A pergunta. Também já me esquecia. Os elogios têm este efeito. A pergunta era “o que lhe parece de começarmos por definir o seu domínio de conhecimento, a antropologia sexual”?

Dr. Ivanoff: Começamos mal (gargalhada). Não leve a mal, mas não é uma boa ideia. O público não quer definições de domínios científicos. Para isso ia para a escola. Agora a sério. Não é uma boa ideia começarmos por aí. Ensinei durante muitos anos e sempre achei que definir algo era uma forma pobre de lhe dar início. Eu sei que isso é um hábito semi-obrigatório que decorre da prática investigativa. Mas é um hábito mau. Tem o seu valor nesse contexto, mas perde-o logo que saímos dele.

Chornal: Desculpe Dr., não percebi. Quer dizer que vê a definição do problema como algo de negativo? Não é a definição do problema essencial à sua resolução?

Dr. Ivanoff: Não estava a falar de problemas, estava a falar de domínio científico. Mas, para todos os efeitos, a situação é igual. No contexto do acto pedagógico, a definição esgota a necessária reflexão sobre o objecto. Define-se, delimita-se, resolve-se o problema e o problema morre ali. Exactamente o que não queremos que aconteça. E não queremos porque nós precisamos do problema. O problema não precisa de nós. Somos nós que precisamos dele para crescer. É assim num contexto pedagógico, ou num contexto clínico. No contexto da prática científica, a definição do problema não é melhor, mas infelizmente isso é pouco conhecido.

Chornal: Como Dr.? Surpreende-me o que está a dizer. De alguma forma vai contra aquilo que nos é ensinado. Podia ser mais específico?

Dr. Ivanoff: A definição, quer seja de domínios ou de problemas, é um momento de cristalização. É o fim de um período de flexibilidade, de disponibilidade para a aprendizagem, num contexto pedagógico, ou de disponibilidade para a mudança, num contexto clínico. De alguma forma, a definição é mais o fim do que o princípio. Este é o meu ponto de vista, não é necessariamente o ponto de vista de outros peritos. Não é doutrina oficial, mas posso assegurar-lhe que a minha experiência me trouxe uma forte convicção de que estou correcto. É uma experiência, como lhe disse, assente sobretudo na prática clínica, pedagógica e investigativa. É a minha experiência. Vale o que vale.

Chornal: Então recusa-se a definir o que entende por antropologia sexual? Não quer fazer esse jeito ao nosso público?

Dr. Ivanoff: Sim, recuso (gargalhada). Eles que vão descobrindo. Por si. Lá em casa, nos transportes públicos, no emprego (risos). Tenho a certeza que se se esforçarem um bocado acabam por descobrir. É assim que as coisas devem ser feitas.

Chornal: Dizem que só faz o que quer. Acho que se calhar é verdade. Então já que não nos define o seu domínio científico, que tal irmos em frente? Que tal avançarmos para o tema que nos trouxe aqui, o tal sexo em tempo de crise financeira?

Dr. Ivanoff: Sabe, o tema é um bocado ingrato. A crise financeira vai acabar, mais ano menos ano, e o sexo veio para ficar. Por isso, o que eu espero é que as pessoas aprendam alguma coisa com isto, com esta crise, mas no fundo só vale a pena pensar na relação entre o sexo e a crise se o que se aprender for útil para todas as outras crises.

Chornal: Sim. Porque existirão sempre outras crises…

Dr. Ivanoff: Sim. Exactamente. É por isso que o tema tem uma certa relevância.

Chornal: Então diga-nos lá como vê a relação entre o sexo e a crise.

Dr. Ivanoff: A relação entre o sexo e a crise, numa perspectiva de antropologia sexual, é uma relação muito antiga. O próprio sexo é crise, quer dizer, é um momento de transformação, um momento de insegurança, um início de qualquer coisa. E não estou a falar de sexo apenas como acto sexual, estou a falar de toda a envolvente emocional e social, por exemplo, ou mesmo de uma envolvente espiritual.

Chornal: Bem, a sua resposta não foi bem a que esperava. Esperava uma resposta mais no sentido da influência da crise sobre o sexo.

Dr. Ivanoff: Eu sei. Esperava. Foi exactamente por isso que não a dei.

Chornal: O Dr. Ivanoff é um bocado mau. Já lhe disseram isso?

Dr. Ivanoff: Mau e rude. Sim, já disseram. E estão um bocado enganados a esse respeito (risos). Mas posso responder-lhe. Ou pelo menos multiplicar as suas perguntas, o que já é uma ajuda. Sabe o que perguntou? Perguntou o quê exactamente? Quer saber da influência da crise sobre o desempenho sexual? Da influência específica desta crise? Sobre os homens? Sobre as mulheres? Sobre os adolescentes? São muitas perguntas. Vou-lhe responder a algumas, não necessariamente a estas.

Chornal: Obrigado, Dr.

Dr. Ivanoff: Vou-lhe simplificar a vida. Não lhe vou falar da influência do sexo sobre a crise. Nem sequer da influência do sexo no surgimento da crise, o que se calhar devia, mas é demasiado cedo. O primeiro efeito da crise é a falta de tesão. Sim, ouviu bem, falta de tesão.

Chornal: Falta de tesão?

Dr. Ivanoff: Sim. Falta de tesão. Ou tesão a mais, também pode ser. Normalmente não é. O tesão é um barómetro da sociedade. É como se cada um tivesse um instrumento entre as pernas que lhe dissesse para onde vamos como comunidade.

Chornal: E acha que devemos seguir esse instrumento?

Dr. Ivanoff: Sem dúvida. Se não aprenderem mais nada comigo, ao menos fique essa lição.

Chornal: Estamos com um problema doutor. O nosso tempo está a chegar ao fim e ainda quase não falámos daquilo que cá nos trouxe.

Dr. Ivanoff: E que prometemos ao público…

Chornal: Ouvi dizer que as suas conversas nunca respeitam o planeado. Começa-me a parecer que é verdade. Mas esclareça-me lá. Isso da falta de tesão como resultado da crise não é preocupante?

Dr. Ivanoff: Sim e não. Para resolver isso estamos cá nós, os terapeutas, os educadores, etc., aquelas pessoas todas a quem os outros pagam dinheiro para descobrir depois que podiam ter resolvido os seus problemas sózinhos. De qualquer forma, não tem que se preocupar. Posso garantir pessoalmente que quem seguir os meus conselhos nunca terá falta de tesão. Nem com esta crise financeira, nem com qualquer outra.

Chornal: Bom, já ultrapassámos o tempo razoável. Temos que dar esta conversa por terminada.

Dr. Ivanoff: E ainda ninguém aprendeu nada. Um desastre.

Chornal: Nada, não. Aprendemos aquela coisa de seguir o instrumento. Sempre.

Dr. Ivanoff: Ah! Pois! Se calhar já aprenderam alguma coisa. Pelo menos os leitores mais atentos.

Chornal: Então boa-noite Dr. Ivanoff. Até breve.

Dr. Ivanoff: Então boa-noite e até breve também. Sigam o instrumento. Espero que a próxima vez seja mais produtiva.